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quarta-feira, 13 de março de 2013

Mais uma crónica do democrático Portugal

«Retórica, mentalidade de comício, processos eleiçoeiros, que nos inferiorizam, que são os maiores obstáculos para uma obra desempoeirada, renovadora e sã.»
Dr. António de Oliveira Salazar em 1932. 

Mais um triste episódio da pérfida democracia portuguesa.

Para aqueles que continuam insistentemente a puxar dos galões de toda a sua incultura, apelidando o nosso antigo Presidente do Conselho como um perigoso tirano e ditador sanguinário voltamos a recordar: vocês estão errados. O Dr. António de Oliveira de Salazar tinha apenas três defeitos, ou seja, o de gostar e acreditar nos portugueses bem mais do que eles mereciam e, claro está, o facto de ser demasiado brando... Na realidade o nosso último chefe de Estado digno desse estatuto deveria ter sido três vezes mais brutal do que aquilo que os ditos "democráticos" o acusam de ter sido. E digo mais brutal, porque, só assim se conseguirá um dia limpar esta nefasta sociedade na qual a custo vamos hoje procurando miseravelmente sobreviver. Portugal padece de um cancro desde Abril de 1974. Como tal, Portugal precisa de um tratamento oncológico. Tal como o pior cego é aquele que não quer ver, convém lembrar que pior doente é aquele que não quer tratar-se.
A natureza subversiva dos pensamentos capitalista e marxista, aliados a outros interesses de âmbito pessoal, nacionais e internacionais, tem arrastado a nossa Pátria para a lama. Com a Pátria afunda-se também o nosso povo, cada vez mais caído na desgraça do neo-esclavagismo. Os culpados? Os próprios portugueses em geral, responsáveis pela miopia revelada pelas suas 'democráticas' escolhas, e em particular a habitual classe político-parasitária que, no meio da caótica divisão instaurada, consegue governar-se em proveito próprio. Como se não bastasse, os mercenários que pilham e violam diariamente a nossa integridade psico-espiritual ainda se divertem fazendo-o. O forte povo feito fraco concede, cala, rebaixa-se, deixa-se calcar e anular enquanto os outros se riem, brincando à política e aos monopólios vários.
O último triste episódio ocorreu na Assembleia Regional da Madeira quando Alberto João Jardim em resposta a José Manuel Coelho por este lhe ter oferecido um fato de presidiário, lhe entregou uma fotografia de um burro. Esta é a realpolitik do democrático Portugal. Do Portugal desvirtuado da sua História, da sua Missão, da sua Herança e da sua Força telúrica e espiritual. Do Portugal cansado e sem forças, desamparado como os seus velhos e abandonado como os seus jovens.
Perguntámos! É este o Portugal que nos prometeram? Ainda haverá quem se indigne por os bons Portugueses que ainda restam pedirem a forca para toda esta escumalha assassina que constitui a auto-proclamada classe política da III República?
Cansamo-nos... Não só da linguagem democrática de que nos fala Alberto Araújo Lima, mas também do seu conteúdo. Vazio, tão cheio de nada além das suas perversas e obscenas mentiras.

segunda-feira, 11 de março de 2013

O pecado desportivo da vida nacional

Já em 1940, Augusto da Costa alertava-nos no seu livro Os 7 Pecados Mortais da Vida Nacional para os perigos saídos do fanatismo desportivo, criticando:
«Têm-se feito campanhas contra a ferocidade das corridas de toiros; seria também justo fazer uma campanha contra a ferocidade dos hábitos desportivos.»
O mesmo autor acrescentou:
«Há jogos que, não tendo em si nada de selvagens, como o jogo da bola, se tornam, pelo fanatismo dos que o praticam, em verdadeiras guerras de morte. As pernas e as cabeças partidas são o pão nosso de cada dia nos desafios de grande importância; por vezes, o próprio árbitro, autoridade suprema dentro do campo, sai de lá com o corpo tão combalido de pancadaria como o mais entusiasta dos jogadores; e cidades e aldeias passam a odiar-se umas às outras simplesmente por turras desportivas.»
Incidentes entre adeptos do Vitória de Guimarães e do Sporting Clube de Braga
registados durante uma recente partida de futebol. 

As críticas poderão parecer duras, mas infelizmente elas não poderiam ser mais verdadeiras e actuais face aos últimos acontecimentos ocorridos nos nossos estádio de futebol e suas imediações. Como todos sabemos, até à modernização dos estádios portugueses, por altura do Euro 2004, os selvagens adeptos ficavam atrás de inestéticos gradeamentos que procuravam proteger os jogadores e equipas de arbitragem da sua fúria e barbarismo. Contudo, a fé de que o país e os adeptos de futebol teriam desenvolvido uma consciência cívica  aliada a um apuramento do sentido de urbanidade, levou ao gradual desaparecimento de grande parte dessas barreiras defensivas. A paulatina substituição do policiamentos pela segurança privada nos desafios de futebol, salvo os jogos de maior risco como os grandes clássicos, permitiu aos clubes pouparem muito dinheiro. Um motivo de regozijo para os "clubes-empresa" do desporto moderno, numa época em que a demolidora crise agrava velhos problemas financeiros.
As crises económicas originam convulsões sociais, reanimam as rivalidades, instalam o caos, fazem florescer as perturbações da ordem pública através de um ódio nem sempre motivado ou orientado contra os verdadeiros inimigos da sociedade e dessa cada vez mais utópica fantasia designada por bem-comum. Queremos com isto dizer que o desporto, ou melhor, a violência justificada por ele, funciona sociologicamente como uma válvula de escape primária para os problemas de uma sociedade. A História diz-nos que temos razão, assim como os factos que dela interpretámos para chegarmos a estas conclusões. Se a lógica de Gustave Le Bon, autor de Psicologia das Multidões, nos leva a concluir que o desejo de vencer é tão vivo no campo desportivo como militar, a mesma também nos faz reflectir acerca do clima de paz podre que respiramos, num momento caracterizado pela necessidade de mudança. Vivemos num período de acentuada decadência dentro de uma Idade já de si decadente. O retrocesso sócio-cultural e civilizacional está à vista de todos e, pior cego é aquele que não quer ver. Confrontos como os que foram registados no final do mês passado, logo no início do desafio entre o Vitória de Guimarães B e o seu rival Sporting Clube de Braga B, impedindo a realização da partida são sinais disso mesmo. Ódios e rivalidades invocados por meras manifestações desportivas, sobretudo quando materializados de forma primária e violenta, representam sinais claros de decadência, degeneração e deformação psicossocial. Um duro revês face aos nossos históricos princípios civilizacionais e civilizadores. 
Por outro lado, o desleixe e a demissão das suas respectivas responsabilidades por parte do Estado, das direcções dos clubes e das próprias autoridades responsáveis pela manutenção da segurança e da ordem pública, reflectem o estado da nossa nação - sem rei nem lei, sem paz nem guerra. Portugal, o teu redespertar já tarda!          
Como que rematando uma qualquer análise contemporânea em jeito de reflexão face ao presente fenómeno de violência ligada ao mundo futebolístico, Augusto da Costa concluiu, uma vez mais com impressionante acutilância:
«...em vez da mens sana in corpore sano, o que encontramos, como resultado de vários factores conjugados, é abastardamento físico cada vez maior, e embrutecimento intelectual cada vez mais perigoso.» 

domingo, 30 de setembro de 2012

± Portugal 1143-2012 ± Cap. IV - Morte

O IV capítulo da polémica série ± Portugal 1143-2012 ±, criada pelo projecto de intervenção artística ± no âmbito do programa Guimarães 2012 Capital Europeia da Cultura, mostrou até ao momento ser aquele com maior impacto junto da opinião pública. Intitulado Morte, o tema e o simbolismo desta intervenção, aliados ao facto de nela participarem militares do corpo da Guarda Nacional Republicana, agitaram as hostes, deixando a comunicação social em alvoroço. Contudo, as pessoas parecem ter ficado na sua grande maioria presas a pormenores que porventura pouco interessam a esta polémica e inteligente intervenção. Depois dos capítulos Aviso, Traição, Repressão, chega agora a Morte, numa alusão à própria Pátria Portuguesa neste momento difícil, em que vive conspurcada por uma classe política traidora e corrupta. A mensagem deste vídeo poderá ter inúmeras leituras, pelo que se sugere uma demorada meditação após a visualização do mesmo! Fica apenas uma recomendação... atenção à linguagem simbólica!     

± PORTUGAL 1143-2012 ± Cap. IV - Morte - Vídeo realizado no âmbito da residência
artística ON.OFF, Guimarães 2012 Capital Europeia Cultura, em Agosto 2012.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

± Portugal 1143-2012 ± Cap. III - Repressão

No seguimento da sua participação na residência artística ON.OFF, afecta ao evento Guimarães 2012 Capital Europeia da Cultura, o projecto de intervenção artística ± acaba de lançar mais um vídeo da polémica série ± Portugal 1143-2012 ±. Este III capítulo, intitulado Repressão, transmite uma vez mais, de uma forma simples e directa, o conteúdo de uma mensagem critica que hoje se impõe aos portugueses conhecerem. Urge despertar!

± PORTUGAL 1143-2012 ± Cap. III -Repressão - Vídeo realizado no âmbito da
residência artística ON.OFF, Guimarães 2012 Capital Europeia Cultura, em Agosto 2012.

domingo, 29 de julho de 2012

± Portugal 1143-2012 ± Cap. II - Traição

Ao longo dos últimos anos, as diversas intervenções apresentadas pelo projecto artístico ± têm sido alvo de uma particular atenção por parte do público nacional mais atento às manifestações agitprop. Levadas a cabo um pouco por todo o país, elas assumem variadíssimas formas, passando pelos famosos murais, vídeos artísticos, instalações, entre outros modos de "fazer ver".
A participação deste projecto numa residência artística inserida na programação oficial da Capital Europeia da Cultura, a decorrer na cidade berço, acaba por catapultá-lo para uma outra dimensão, levando a inquietação e o aguçado sentido crítico do seu mentor a um público muito mais abrangente. 
O vídeo que se segue representa um segundo capítulo de uma série de criações subordinadas ao título ± Portugal 1143-2012 ±, cuja primeira parta já aqui foi partilhada e enaltecida pela força e emergência da sua mensagem. Uma vez mais, o conteúdo da visão do artista, tão realística como apocalíptica, é por demais evidente, apelando ao redespertar de um Povo e da sua Pátria. Ambos apunhalados, tanto pelos seus inimigos exteriores, como pelos traidores nascidos no seu seio... 

± PORTUGAL 1143-2012 ± Cap. II -Traição - Vídeo realizado no âmbito da residência 
artística ON.OFF, Guimarães 2012 Capital Europeia Cultura, em Maio 2012.

domingo, 15 de julho de 2012

Constatações óbvias face a uma identidade milenar

«Nunca estive num país em que tivesse de recuar três ou quatro séculos para o perceber.»
Albert Jaeger acerca de Portugal numa entrevista ao semanário Expresso.

Albert Jaeger, representante permanente do Fundo Monetário
Internacional (FMI) em Portugal.

Para o bem, ou para o mal, as palavras do austríaco responsável pela coordenação, desde Outubro passado, da missão de observação do FMI em Portugal revelam a mais expectável das conclusões para quem acaba de descobrir a nossa Identidade quase milenar. O "general" do exército invasor "troikiano", parece ter-se rendido às evidências histórico-culturais de Portugal, incluindo todos e quaisquer traços, positivos ou negativos, identificadores da personalidade colectiva do Homem Português. Da sua constatação podemos concluir que Portugal é um dos principais baluartes da cultura e identidade ocidentais e, por ventura, o principal obstáculo à criação de uma federação europeia ou, numa perspectiva mais radical, de um Estado global.
Este caso parece reafirmar uma vez mais a ideia de Gilbert Durand, segundo a qual Portugal seria um repositório espiritual da Europa. Mas antes de tornar-se numa reserva espiritual da cultura ocidental, o nosso país é, antes de tudo, um espaço de identificação consigo mesmo. Uma Pátria e uma Nação com raízes bem profundas. Dá que pensar...

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Para uma nova "filosofia do martelo"...

Alguém no Porto resolveu, e bem, reconduzir novamente a discussão política ao espaço-público. 

(Clicar na fotografia para ampliar.)

segunda-feira, 18 de junho de 2012

O (des)acordo ortográfico visto do lado de lá do Atlântico!

Ao contrário do que muita gente ainda pensa, o (des)acordo ortográfico em nada aproxima o português do Brasil do português europeu, usado em Portugal e nos restantes países de expressão lusófona. A origem deste documento há muito que foi denunciada como uma fraude mafiosa, extremamente perigosa para ambas as formas de expressão da Língua Portuguesa. O seu fim último almeja única e exclusivamente o enriquecimento criminoso de alguns grupos económicos, cujo peso e poder lhes permitiu comprar um punhado de políticos mercenários analfabetos mal intencionados. Felizmente, Portugal e os Portugueses têm vindo a acordar e despertar para este verdadeiro genocídio cultural, conforme têm vindo a ser noticiado em alguns meios de comunicação. 
Mas não é só em Portugal que as vozes contra o (des)acordo se fazem ouvir. Também em Angola e Moçambique, a oposição é feroz, sendo que essas duas nações africanas não assinaram sequer o malfadado documento. Outra coisa que grande parte dos portugueses também desconhece é o facto dos próprios brasileiros contestarem a imposição de uma nova grafia, com alterações substanciais ao próprio tratamento que dão à língua. 
Numa entrevista ao blogue Tantas Páginas, o brasileiro Paulo Franchetti, crítico literário, escritor e professor titular do Departamento de Teoria Literária da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), foi bastante peremptório quando questionado acerca da sua opinião acerca do (des)acordo ortográfico.
«O acordo ortográfico é um aleijão. Linguisticamente malfeito, politicamente mal pensado, socialmente mal justificado e finalmente mal implementado. Foi conduzido, aqui no Brasil, de modo palaciano: a universidade não foi consultada, nem teve participação nos debates (se é que houve debates além dos que talvez ocorram durante o chá da tarde na Academia Brasileira de Letras), e o governo apressadamente o impôs como lei, fazendo com que um acordo para unificar a ortografia vigorasse apenas aqui, antes de vigorar em Portugal. O resultado foi uma norma cheia de buracos e defeitos, de eficácia duvidosa. Não sei a quem o acordo interessa de fato. A ortografia brasileira não será igual à portuguesa. Nem mesmo, agora, a ortografia em cada um dos países será unificada, pois a possibilidade de grafias duplas permite inclusive a construção de híbridos. E se os livros brasileiros não entram em Portugal (e vice-versa) não é por conta da ortografia, mas de barreiras burocráticas e problemas de câmbio que tornam os livros ainda mais caros do que já são no país de origem. E duvido que a ortografia seja uma barreira comercial maior do que a sintaxe e o ai-meu-deus da colocação pronominal. Mas o acordo interessa, é claro, a gente poderosa. Ou não teria sido implementado contra tudo e todos. No Brasil, creio que sobretudo interessa às grandes editoras que publicam dicionários e livros de referência, bem como didáticos. Se cada casa brasileira que tem um exemplar do Houaiss, por exemplo, adquirir um novo, dada a obsolescência do que possui, não há dúvida que haverá benefícios comerciais para a editora e para a Fundação Houaiss – Antonio Houaiss, como se sabe, foi um dos idealizadores e o maior negociador do acordo. O mesmo vale para os autores de gramáticas e livros didáticos – entre os quais se encontram também outros entusiastas da nova ortografia. E não é de espantar que tenham sido justamente esses – e não os linguistas e filólogos vinculados à universidade – os que elaboraram o texto e os termos do acordo. Nem vale a pena referir mais uma vez o custo social de tal negócio: treinamento de docentes, obsolescência súbita de material didático adquirido pelas famílias, adequação de programas de computador, cursos necessários para aprender as abstrusas regras do hífen e outras miuçalhas. De meu ponto de vista, o acordo só interessa a uns poucos e nada à nação brasileira, como um todo. Já Portugal deu uma prova inequívoca de fraqueza ao se submeter ao interesse localista brasileiro, apesar da oposição muito forte de notáveis intelectuais, que, muito mais do que aqui, argumentaram com brilho contra o texto e os objetivos (ou falta de objetivos legítimos) do acordo.»
Paulo Franchetti. 

quarta-feira, 13 de junho de 2012

± Portugal 1143-2012 ± Cap. I - Aviso

Num Portugal doente, (des)iludido com os supostos valores patrióticos fantasiados em torno de uma selecção de futebol, existe ainda quem se mantenha vigilante, procurando a cada momento fazer-nos lembrar que não somos um corpo feito cadáver que insiste em procriar, mas sim os filhos ausentes de uma Pátria que nos chama, ansiando pelo resgate de uma Glória antiga. Os verdadeiros artistas procuram despertar-nos. Resta-nos apenas querer despertar.

± PORTUGAL 1143-2012 ± Cap. I - Aviso, realizado no âmbito da residência
artística ON.OFF, Guimarães 2012 Capital Europeia Cultura, em Maio 2012.

domingo, 13 de maio de 2012

Fátima, 9 décadas e meia depois

Passaram 95 anos desde as Aparições de Fátima ocorridas a 13 de Maio de 1917. Muita coisa mudou no país desde então, exceptuando o fervor e a paixão com que este abraçou, uma vez mais, Nossa Senhora, Rainha de Portugal. Não houve maçonaria, carbonária ou positivista repressão republicana capaz de suprimir a natural devoção deste povo.
Os milhares de peregrinos que durante estes dias afluíram ao santuário de Fátima traziam com eles o desespero e o medo de viver sem um emprego, de perder a casa ou o lar, trocando ali esses sentimentos, e outros que os atormentavam, por uma renovada esperança. 
A Fé dos portugueses na Virgem Maria mostrou-se hoje bastante forte, irredutível e inabalável. Portugal continua a ser o eterno bastião do Culto Mariano, sempre pronto a receber e amparar aqueles que, pela força da oração, procuram criar um mundo melhor.

Fotografia captada ontem na tradicional procissão das velas, realizada em
Fátima na noite de 12 para 13 de Maio.

terça-feira, 17 de abril de 2012

António Sardinha, a Contemporaneidade e a Fé

«Feliz de ti que crês! Eu não acredito nem deixo de acreditar. O século queimou-me as asas da fé e eu fiquei-me no limiar das portas da religião, sem poder sair nem entrar. No entanto é com melancolia cristianíssimo que eu olho os felizes que entram! É sempre bom ter-se uma certeza, ilusória embora, a que a gente se agarre nas oscilações da vida.»
António Sardinha numa carta datada de 03-11-1911,
endereçada à sua futura mulher. 

António Sardinha na sua juventude.

O positivismo de Auguste Comte veio abalar de vez os já frágeis alicerces de um paradigma tradicional, questionado pelos infames ventos jacobinos da Revolução Francesa de 1789, bem como pelo lado negro da esclavagista Revolução Industrial. À imagem do mundo ocidental, também Portugal se viu coberto pela nuvem negra de um racionalismo opressor da própria condição humana, estranho e antagónico à própria natureza do ser português e da cultura lusíada, caracterizada por uma profunda espiritualidade.
Para Portugal a entrada na contemporaneidade foi deveras violenta, mergulhando-nos um profundo sono de consequências tão nefastas como traumáticas. A generalizada confusão levantada pela corrente positivista assombrou e desgastou as sucessivas gerações de intelectuais portugueses, divididas na sua esmagadora maioria por uma luta interior, travada entre a sua ancestral espiritualidade e a imposição racionalista de um materialismo cego, fruto da tentativa aberrante de transformar o Homem em Deus. Um Deus da Razão, criado pelo próprio Homem, em oposição ao tradicional Deus criador.
Até mesmo António Sardinha, distinto poeta, ensaísta e doutrinador político-social, associado ao Integralismo Lusitano, o movimento monárquico católico português de carácter tradicionalista, padeceu de uma enfermidade espiritual, fruto do século e da época em que viveu. Esta herdara o pessimismo de finais do séc. XIX, nascido da ressaca de quase cinquenta anos de euforia científica. A sua letargia e vazio interior estendia-se a toda uma geração à qual pertencia e que, descrente das doutrinas da Igreja e das certezas da Razão, se refugiava nos meandros dos esoterismos e das sociedades secretas.
Foi a partir do contacto com as obras de Barrès, Bergson, Gustave Le Bon, Jules Soury ou Vacher de Lapouge, nomes ligados à revivescência católica iniciada em França durante o século XIX, que António Sardinha iniciou um processo de introspecção conducente ao seu regresso ao seio do catolicismo. Esta reaproximação foi inicialmente mais estética do que dogmática, mas à medida que mergulhava fundo na tradição político-religiosa portuguesa, mais foi sentindo a força do apelo da sua fé. 
Este processo de reconversão obrigou-o a ir de encontro a uma certa disciplina e doutrina, exigindo o seu esforço e atenção, potencializando desta forma o seu livre pensamento. Hoje, tempo e condições para discernir são dois elementos praticamente impossíveis de reunir. O ritmo da sociedade impele-nos a correr, enquanto as vicissitudes imorais do mundo moderno nos procuram ocupar cada segundo das nossas vidas, nem que seja com ruído ou entulho (des)informativo. Conforme defendia Henri Corbin, o bloqueio do ser humano no acesso ao estádio imaginal impede-o de realizar-se no seu todo, tornando-o mais submisso, conformado, deprimido, oprimido e facilmente manipulável. Por mais que acredite que não, o homem moderno aceita, de uma forma ou de outra, a ditadura do sorriso e o seu sistema, bem como o totalitarismo da Razão, da Ciência e de todos os dogmas sócio-políticos e económicos que procuram impor-nos. 
A arrogância advinda da falsa ilusão de que tudo está no Homem e no seu meio, não existindo nada fora dele e muito menos num plano metafísico ou espiritual, é a primeira causa para a existência de uma miopia intelectual generalizada, inibidora da própria problematização de hipóteses e até mesmo do desenvolvimento de um pensamento abstracto ou especulativo, específico e exclusivo da própria humanidade, assistindo-se à destruição dos racionalistas pelas mãos da sua própria Razão, essa pseudo-libertadora. A asfixia da fé representa, segundo esta perspectiva, um meio de opressão, um autêntico atentado à própria condição, liberdade e dignidade humanas.
Torna-se por isso pertinente a seguinte reflexão de António Sardinha que, apesar de escrita em 1912, se encontra longe de esvaziar nos seus conteúdos e actualidade:
«Claro que o meu religiosismo, além de ser um protesto contra a opressão do direito de pensar livre que por aí vai, é motivo de arte e de consolação espiritual. Não me importo com o que a razão me diz, oiço apenas o sentimento. E de resto hoje, por toda a parte o homem se está voltando de novo para a aspiração à imortalidade, visto que nada colheu dum século de positivismo estreito e dogmático. A religião não tem nada com os padres, como o Cristianismo nada com o Romanismo. Quem confunde as duas coisas é duma lamentável miopia intelectual.» 

sábado, 3 de março de 2012

Encerramento do Clube Literário do Porto

Depois do fim da Livraria Portugal, em Lisboa, é agora anunciado o encerramento do Clube Literário do Porto, a acontecer já no final do corrente mês de Março. Neste espaço de divulgação e comunhão cultural foi possível frequentar cursos e diversas oficinas de trabalho, assistir-se a debates, conferências, apresentações, assim como a concertos, recitais, exposições várias, entre outros eventos de carácter lúdico e cultural.
Tratava-se de um espaço cultural polivalente e que servia toda a comunidade, pelo que não podemos deixar de expressar toda a nossa tristeza, indignação e preocupação face à sua extinção. 
Quando num país se encerram livrarias e outros espaços culturais como o Clube Literário do Porto, é sinal de que algo vai realmente mal, encontrando-se a sociedade mergulhada numa espiral de decadência, negligenciando a sua riqueza patrimonial maior, ou seja, a sua produção e divulgação cultural. 

A funcionar desde 2005 num edifício ribeirinho situado na Rua Nova da Alfândega,
o Clube Literário do Porto é propriedade da Fundação Dr. Luís de Araújo.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Livraria Portugal: 70 anos depois, o fim.

«A Livraria Portugal nasceu, decorria o 2.º ano da guerra que devastou grande parte do mundo, quando 3 homens que cedo tinham escolhido a profissão de livreiros, puderam confirmar o papel fundamental que o livro desempenhava na preservação da cultura, sobretudo nas grandes crises da civilização.»
A gerência da Livraria Portugal  aquando das comemorações 
do 40.º aniversário daquele estabelecimento em 1981. 

Quando um espaço de cultura encerra definitivamente as suas portas sente-se, geralmente, o imediato instalar de um misto entre tristeza e nostalgia. Quando esse espaço é uma livraria, sobretudo se a sua história é tão rica e preenchida como a da Livraria Portugal, esse sentimento torna-se ainda mais profundo e doloroso. Toda a sociedade acaba por sair prejudicada. Todos perdemos algo nessas funestas ocasiões, pelos mais variados motivos. 
Não é apenas uma mera questão económica que fica em jogo. Para além desse empobrecimento, assiste-se a um outro, porventura pior e que de modo algum podemos ignorar. São os elos do relacionamento humano que se quebram, é a ruptura do diálogo e partilha cultural que se suspende através da porta de um templo do saber que se fecha. São os amigos que se perdem, entre homens, mulheres, crianças e os próprios livros, esses objectos que apesar de físicos nos moldam a alma e ajudam a aprumar o espírito.
A cidade de Lisboa perdeu hoje um desses espaços. A Livraria Portugal encerrou definitivamente as suas portas e a nossa capital acordará amanhã mais triste neste anómalo Inverno de seca. Este é mais um rude golpe contra comércio tradicional, uma das principais fontes de (re)animação da mais autêntica alma das nossas cidades.
Fundada em 1941 na Rua do Carmo, a Livraria Portugal foi durante 7 décadas um ponto de passagem e de encontro entre diversas personalidades marcantes da cultura portuguesa. Ali compravam-se livros, mas também se discutiam os seus conteúdos, organizavam-se encontros, palestras e conferências. Era acima de tudo, como qualquer outra livraria, um local de partilha e de enriquecimento interior.
Amanhã, deste espaço, restarão apenas as memórias e um profundo sentimento de saudade. Mais um triste sinal dos tempos.

Quatro perspectivas sobre a histórica Livraria Portugal, localizada na
Rua do Carmo, em plena baixa de Lisboa.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Sobre a República e a Maçonaria...

O filme é francês e a legenda está em inglês, porém a mensagem é claramente universal.
Para quem só agora se apercebeu da força e peso da Maçonaria na nossa História, em particular após a implantação da República em 1910, é sinal que andou claramente a dormir. A essas pessoas, sejam bem-vindas ao lado real da conspiração! Vocês são os modestos peões do grande tabuleiro de xadrez maçónico!

Imagem retirada do filme Forces occultes de 1943.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Morigerar

Eis uma palavra cujo significado deveria ser reintroduzido, interiorizado, valorizado e vivido pela "moderna civilização".

Morigerar (v. tr. | v. pron.) do latim morigerari

v. tr.
1. Instruir nos bons costumes.
2. Fazer perder a natural rudeza de costumes.
3. Ensinar, educar.

v. pron.
4. Adquirir bons costumes.
5. Tornar-se ordeiro e prudente.