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sexta-feira, 18 de setembro de 2020

Tal & Qual: Memórias de um Jornalismo

Na sequência do seu saneamento da RTP, em 1980, o jornalista Joaquim Letria, auxiliado por um punhado de amigos, resolveu aproveitar a fama do programa que apresentava, fundando um jornal com o mesmo nome. O nascimento do jornal Tal & Qual revolucionou o jornalismo nacional. Tablóide no seu formato, tinha um estilo britânico trazido por vários colaboradores e directores que exerceram a profissão de jornalista em Inglaterra. O Tal & Qual trouxe a Portugal a melhor investigação jornalística oferecida por uma redacção politicamente heterogénea. Rigor, informação, humor e seriedade foram apenas alguns dos valores que pautaram a lista de princípios editoriais deste periódico, extinto em 2007. 
No próximo dia 24 de Setembro, às 18:00, será apresentado, na Casa Comum da Reitoria da Universidade do Porto, o livro Tal & Qual: Memórias de um Jornalismo, publicado pela Âncora Editores. Trata-se de uma obra que reúne um ensaio sobre a história deste título, compilando também uma série de testemunhos de antigos directores e colaboradores. A apresentar o livra estará Gonçalo Pereira Rosa e João Paulo Fafe, responsáveis pela obra, bem como o jornalista Carlos Magno e Jorge Morais, ex-director daquele jornal. 
A entrada é livre e aberta a toda a comunidade. 

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segunda-feira, 10 de agosto de 2020

Mural de Manuel Lapa restaurado no Tribunal de Torres Novas

Manuel Lapa foi um dos artistas mais conhecidos da chamada segunda geração de artistas modernistas portugueses. Nascido no seio de famílias nobres, não precisou de títulos para se afirmar no seu tempo. Artista e intelectual, destacou-se sobretudo na ilustração e na pintura, tendo-lhe recebido várias encomendadas de parte do Estado Português. Sobretudo murais com motivos históricos e simbólicos, como aquele localizado no Palácio de Justiça de Torres Novas e que está agora em fase de recuperação e restauro. 
O artigo de Cristina Faria Moreira, ilustrado com fotografias de Diogo Ventura, publicado na edição de ontem do Público, dá-nos a conhecer um pouco melhor essa obra, a sua "redescoberta" e os presentes trabalhos de restauro. Vale a pena ler. 

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sexta-feira, 7 de agosto de 2020

Fado: uma retrospectiva histórica

Muito discutirão que o Fado não é fenómeno representativo de todo o Portugal, porém a verdade e o coração dizem-nos precisamente o contrário. Para além de um género musical, o Fado é também comunidade, identidade, cultura, literatura e poesia. É a nossa língua em contacto profundo com as nossas esperanças e desesperanças, com os amores e desamores de indivíduos e comunidades que compõem a realidade material do nosso corpo pátrio. Mas, mais do que tudo isso, o Fado é uma «estranha forma de vida», uma evocação da alma colectiva portuguesa. É um mistério que nos acompanha e para o qual muitos procuraram encontrar respostas. 
Este curto vídeo que hoje aqui apresentamos coloca em retrospectiva os últimos 200 anos do Fado. Um exercício de divulgação e sistematização histórica que, por certo, ajudará muitos a descobrir a História do Fado.

sexta-feira, 22 de maio de 2020

Extremo Ocidente: a voz e a alma de Portugal na Radio Bandiera Nera

O confinamento a que todos fomos sujeitos na sequência do Covid19 parece ter deixado as nossas vidas em suspenso, levando a que muitos projectos fossem interrompidos, adiados e até abandonados. Outros, porém, encontraram nesta hora o momento de ser retomados, ou de simplesmente saírem da gaveta. Por certo, um dos poucos aspectos positivos de uma crise cujas origens e consequências parecem estar ainda longe de ser conhecidas em toda a sua profundidade e extensão.
Um desses projectos que foram retomados e reactivados nestas últimas semanas foi a Radio Bandiera Nera, mais conhecida pelas siglas RBN. Trata-se de uma de rádio digital, afecta ao movimento italiano CasaPound, mas aberta à Europa das nações e aos seus diversos movimentos nacionalistas e identitários. Uma plataforma revolucionária, contra-corrente, dissidente e anti-sistema que permite a livre circulação de notícias, ideias e cultura. Um espaço não-conforme que dribla a crescente censura e mediocridade cultural que acomete os meios mais tradicionais da comunicação social, controlados pelos poderes dominantes.
Extremo Ocidente é o nome do novo programa de expressão portuguesa na RBN. Substituindo o saudoso Expresso Lusitânia, outrora animado por João Roma, este programa tem a coordenação de Guido Bruno e emite, semanalmente, aos Domingos, entre as 12h e as 13h. Trata-se de um espaço de cultura e actualidade que leva a voz e a alma portuguesa ao coração da revolução europeia. Tendo iniciado a sua actividade no passado 1 de Maio, com um programa dedicado à figura de Homem Cristo-Filho, ‘Extremo Ocidente’ contou já com a participação de João Veríssimo numa emissão subordinada à relação da música com a identidade portuguesa, bem como do investigador Riccardo Marchi (ISCTE-IUL) que tratou de fazer uma síntese da História da Direita Radical em Portugal. O próximo programa será já no próximo Domingo.
Com emissão permanente, 24h por dia, a RBN compromete-se com uma necessária e salutar desintoxicação informativa e cultural. Para escutar esta rádio, inclusive o programa Extremo Ocidente, basta aceder à página www.radiobandieranera.org, ou utilizar aplicações de telemóvel gratuitas, como o “TuneIn Radio”, que possibilitam ouvir a RBN em qualquer lugar.

(Clicar na imagem para aceder à lista dos "podcasts" do programa Extremo Ocidente.)

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Livraria Lello, uma jóia que continua a encantar o mundo!

Fundada em 1906, a Livraria Lello é cada vez mais valorizada enquanto espaço nobre da cidade do Porto. Anualmente visitada por mais de um milhão de pessoas, esta livraria foi durante um século baluarte da alta-cultura portuense e portuguesa, tornando-se numa embaixada da cultura nacional. Associada a inúmeros escritores portugueses e estrangeiros, a Lello não é hoje a livraria de qualidade que foi em tempos. Mais comercial na sua oferta livreira, conserva, apesar de tudo, o espírito e a beleza análoga a uma História e tradição materializada na exuberância do seu corpo físico - o belíssimo edifício das ruas das Carmelitas. Noticiada em todo o mundo como uma das mais belas livrarias do mundo, ontem foi a vez do jornal italiano Il Primato Nazionale publicar uma peça sobre a nobre e singular livraria Lello & Irmão. Este artigo, da autoria de Guido Bruno e José Almeida, pode ser consultado através da seguinte ligação: goo.gl/S6GJax.  

(Clicar na imagem para aceder ao artigo.)

domingo, 28 de maio de 2017

28 de Maio: Revolução Espiritual

A Revolução Nacional de 28 de Maio de 1926 serviu de exemplo para vários líderes políticos mundiais, tendo sido, provavelmente, ao longo do século XX, o episódio da política portuguesa mais estudado e comentado no plano internacional. Foram vários os intelectuais que, de forma atenta e sistemática, estudaram este nosso acontecimento histórico, analisando as suas consequências e implicações na vida política, económica e social de Portugal. Mircea Eliade - notável autor romeno que viveu entre nós durante quase toda a II Guerra Mundial -, foi uma dessas personalidades que se debruçaram sobre o estudo do 28 de Maio. No seu livro Salazar e a Revolução em Portugal, Mircea Eliade defende que o 28 de Maio foi também uma "Revolução Espiritual", escrevendo:
«Era uma altura favorável para uma reintegração da política portuguesa no espírito da sua tradição e da sua história. Claro que para os militantes da extrema-esquerda, era uma altura muito favorável para a integração da política portuguesa num outro ciclo, supra-histórico: e não restam dúvidas de que, se o movimento de 28 de Maio não tivesse acontecido e se Salazar não tivesse existido, Portugal teria conhecido, com uma duração dificilmente previsível, uma revolução comunista. Era a consequência lógica, necessária, da revolução iniciada no século XIX e que se tinha desenrolado numa contínua oposição para as instituições tradicionais. A revolução comunista que sem dúvida se seguiria à anarquia demagógica do regime de António Maria da Silva, não teria sido senão uma forma apocalíptica do processo de europeização a qualquer custo e de deslusitanização de Portugal, ideal com que sonhara a geração de Coimbra e todos os representantes da vida pública dos últimos anos da Monarquia.
Mas como Salazar era católico e nacionalista e como o movimento de 28 de Maio era essencialmente um movimento de resistência nacional, o momento histórico não podia ser utilizado a não ser num sentido de reintegração da política portuguesa na linha da sua tradição. Isso significa, com certeza, não apenas uma oposição clara ao comunismo, mas, sobretudo, uma acção de liquidação gradual, mas eficaz, dos últimos modelos que ainda sobreviviam, fossilizados ou degenerados, do espírito demoliberal.
»
Exemplares da edição italiana e portuguesa da obra
Salazar e a Revolução em Portugal.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Olhares Luso-Brasileiros

Tendo recentemente voltado ao nosso país, onde participou em mais um Colóquio Internacional Tobias Barreto, Constança Marcondes César apresentou, em Lisboa e no Porto, o seu livro intitulado Olhares Luso-Brasileiros. Publicado numa parceria editorial entre o MIL e a DG Edições, este volume reúne perto de 50 artigos escritos ao longo das últimas décadas, prestando um valiosíssimo contributo para a sistematização do estudo e hermenêutica do pensamento e da cultura luso-brasileira. 
Partilhamos aqui a recensão de José Almeida a esta obra, publicada na edição de ontem do semanário O Diabo.

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segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Aurélia de Sousa: Memórias de uma Exposição

Terminou ontem a exposição Aurélia, Mulher Artista. Uma mostra retrospectiva da obra de Aurélia de Sousa, organizada nos 150 anos do seu nascimento. Distribuída por dois pólos diferentes, Casa-Museu Marta Ortigão Sampaio e o Museu da Quinta de Santiago, esta foi a maior exposição da genial pintora portuguesa jamais realizada após a sua morte.
Ao longo dos últimos 5 meses foi possível admirar um vasto conjunto de obras desta artista, muitas delas provenientes de colecções privadas, fomentando-se, uma vez mais, a discussão em torno do presente ocultamento da arte portuguesa. Com efeito, poder-se-á dizer que esta exposição, em conjunto com a de Amadeo de Souza-Cardoso - recentemente realizada em Paris -, prestou um importante contributo para a revalorização da arte portuguesa a nível nacional e internacional. Numa altura em que o Porto é alvo da preferência de turistas de todo o mundo impõem-se, enquanto cidade-berço para várias escolas e gerações de artistas, a promoção deste tipo de iniciativas, tão enriquecedoras como fundamentais para a promoção da cultura portuguesa.
As fotografias que aqui apresentamos remetem-nos para a parte da exposição patente na Casa-Museu Marta Ortigão Sampaio, procurando contribuir para a divulgação da obra de Aurélia de Sousa e a perpetuação da memória do excelente serviço público prestado por esta iniciativa.

Painel de divulgação da exposição de Aurélia de Sousa, colocado à entrada
da Casa-Museu Marta Ortigão Sampaio.

Sala principal da exposição.

Panorâmica da exposição.

Outra panorâmica da exposição.

Menina num estúdio de pintura (s.d.).

À Sombra (s.d.).

Alguns desenhos de Aurélia de Sousa realizados na sua juventude.

Esboços e estudos de Aurélia de Sousa.

Filósofo (Diógenes) (s.d.).

Auto-Retrato (1889).

Auto-Retrato (s.d.).

Retrato de Natália Rocha (s.d.).

Retrato de Luciana Dias Gaspar (s.d.). Uma obra que revela alguns
traços precursores do nosso primeiro modernismo.

História de Coelhos (Biombo em Tríptico) (s.d.).

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Nova Águia n.º 18

Há poucos dias atrás foi divulgada a capa do 18.º número da revista Nova Águia, correspondente ao 2.º semestre de 2016. 
Este número inclui uma série de textos dedicados a Ariano Suassuana, resultantes das apresentações levadas a cabo num colóquio promovido em sua homenagem pelo Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, em Abril de 2015. Para além das habituais rubricas, destacam-se também dois blocos evocativos. Um dedicado a Vergílio Ferreira, assinalando o centenário do seu nascimento; outro consagrado a Delfim Santos, no cinquentenário da sua morte.
A capa desta edição conta, uma vez mais, com a colaboração da artista brasileira Haylane Rodrigues, autora do desenho de Ariano Suassuna que figura na capa do 18.º número desta publicação.
A apresentação da Nova Águia está agendada para o próximo dia 21 de Outubro, às 18:00, na BNP (Biblioteca Nacional de Portugal), em Lisboa.

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sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Ainda a homenagem a Fernando Guedes

Pela sua dimensão e impacto causado junto da vida cultural portuguesa, certas figuras jamais são recordadas e evocadas demasiadas vezes. Apesar de já aqui termos publicado uma brevíssima nota sobre o recente falecimento de Fernando Guedes, não poderíamos deixar de partilhar um texto publicado na edição desta semana do semanário O Diabo, sobre este nosso ilustre editor, poeta e intelectual. 
Trata-se de um excelente artigo de Vasco Silva, acompanhado por um testemunho de Miguel Castelo-Branco e uma ilustração de Haylane Rodrigues. Uma bela homenagem a juntar a um outro interessante texto, da autoria de Carlos Maria Bobone, intitulado Fernando Guedes, o homem da cultura vencida, publicado no Observador.

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segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Fernando Guedes, o Editor (1929-2016)

Custa ver partir os velhos mestres. Faleceu ontem, em Lisboa, Fernando Guedes, um dos principais editores portugueses do século XX. 
Nascido na cidade do Porto, em 1929, foi fundador da Editorial Verbo e esteve ligado ao aparecimento de importantes revistas culturais como a Távola Redonda, com António Manuel Couto Viana, David Mourão-Ferreira, Alberto Lacerda e Fernanda Botelho, ou a Tempo Presente, com António José de Brito, Goulart Nogueira, Caetano de Melo Beirão e, uma vez mais, Couto Viana. Entre outras obras e colecções que marcaram a história da edição em Portugal, Fernando Guedes foi o grande responsável pela criação da Enciclopédia de Cultura Luso-Brasileira, assim como pela famosa colecção económica Biblioteca Básica Verbo - Livros RTP que dotou muitos lares portugueses com algumas obras fundamentais da literatura e da poesia mundiais. 
Homem vertical e integral, foi também poeta, crítico de arte, ensaísta e historiador de destaque. O prestígio alcançado ao longo do seu percurso cultural e profissional levou a sua fama além-fronteiras. Participou em inúmeros encontros internacionais, recebendo vários prémios, galardões, distinções e condecorações. Pensador e intelectual "não-conforme", ocupou internacionalmente os cargos de presidente da Federação de Editores Europeus e de presidente honorário da União Internacional de Editores. Patriota alheio aos "ventos da História", jamais se deixou sujeitar ao suposto monopólio cultural da esquerda, mantendo-se fiel aos seus princípios e ideais, mesmo nos piores momentos. 
A Cultura Portuguesa sentirá a sua falta com saudade e pesar! 

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Memórias da Idade de Ouro do Boxe em Portugal

1929, Lisboa, Portugal. A Praça de Touros do Campo Pequeno enche-se para assistir ao combate entre José Santa "Camarão" e Barrick. O boxe era então um desporto com mística e bastantes entusiastas entre nós. Espaços como o Campo Pequeno e o Parque Mayer, em Lisboa, ou, anos mais tarde, o futuro Pavilhão Rosa Mota, no Porto, enchiam-se de multidões que aí afluíam para assistir aos combates. 
Com o passar dos anos foi-se esmorecendo a grande euforia em torno desta "nobre arte", perdendo-se aos poucos a chama e o entusiasmo. A modalidade acabou por entrar, inevitavelmente, numa situação de marginalidade e esquecimento junto do cidadão comum. 
Recuperar a memória desses tempos idos é prestar uma justa homenagem a vários atletas portugueses que, tal como José Santa "Camarão", elevaram desportivamente Portugal, dignificando as cores nacionais. Por esse motivo, há que restituir ao boxe português a glória de outros tempos. 
Aguardemos pelo futuro! 

Casa cheia na Praça de Touros do Campo Pequeno por ocasião do
combate de boxe entre Santa "Camarão" e Barrick, a 14 de Abril de 1929.

sábado, 16 de julho de 2016

Quadro de Honra

«As bandas que encerram este livro são herdeiras desse tempo. Noutra época, com vantagens e desvantagens, mostram que os problemas e os desafios não terminaram, nunca terminaram.»

A arte marginal e os círculos artísticos underground constituem uma parte importante do imaginário cultural das sociedades urbanas contemporâneas. Nestes meios, tanto se edificam pontes entre subculturas distintas, como se afirma a própria identidade de determinados grupos. De resto, esta é uma realidade bastante presente no mundo da música onde, tantas vezes, perdemos o rumo da História em virtude da natureza efémera dos fenómenos que a compõem. Quadro de Honra representa uma compilação de relatos recolhidos na primeira pessoa, visando preservar uma parte significativa dessas memórias.
Importa, antes de tudo, identificarmos o que classificamos aqui de underground e “música alternativa”. Quadro de Honra, obra colectiva assinada pela revista Loud!, publicada pela Saída de Emergência, compila cerca de 30 entrevistas com alguns dos nomes mais emblemáticos da música pesada nacional. Estamos perante um repositório de memórias que nos remete para mais de três décadas de sonoridades extremas que vão do punk ao hardcore e do rock ao metal, aqui entendido nos seus variadíssimos subgéneros. Os colectivos musicais cujas entrevistas compõe esta obra são os protagonistas de uma aventura fantástica e revolucionária, desafiadora do gosto e mercados dominantes.
Ao longo de dezenas de edições, a revista Loud! - referência em Portugal em matéria de jornalismo musical votado às sonoridades mais extremas -, foi efectuando um trabalho de arqueologia musical sob a forma de entrevistas. Levando a cabo um processo de revitalização da memória que passava pela evocação de alguns dos discos mais marcantes da música pesada nacional, esta publicação periódica foi reunindo nas suas páginas os relatos obtidos juntos dos músicos intervenientes neste capítulo menos conhecido da História da Música em Portugal. De clássicos como Mão Morta, Mata Ratos, Peste & Sida, Censurados, ou Tarantula, passando por bandas como Moonspell, Heavenwood, Bizarra Locomotiva, Sacred Sin ou Ramp, não deixam de aparecer entre os testemunhos recolhidos outros nomes menos conhecidos do grande público como, por exemplo, Decayed, Thormentor, Sirius, Corpus Christii, Desire, Morbid Death, In Tha Umbra, Inhuman, Genocide, Grog, Holocausto Canibal, entre outros.
Conforme tão bem descreve o escritor José Luís Peixoto no prefácio a esta obra: «Chegará um dia em que tudo o que constitui este instante será passado.» Assim, podemos afirmar que Quadro de Honra representa o testemunho de um certo passado ainda bastante presente. Um repositório de ecos de glórias passadas que insistem em permanecer vivas, por via de um diálogo perene entre um passado que se afirma e um presente que se esfuma.
Escrito em bom português pré-AO90 - escolha que muito louvámos -, este livro encontra-se enriquecido pela parafernália iconográfica que o documenta, da qual não poderíamos deixar de destacar as ilustrações de Pedro Silva. Trata-se de uma obra imprescindível para a biblioteca de qualquer melómano interessado numa visão etnomusicológica daquilo a que Jorge Lima Barreto chamou, genericamente, de “mmp" – música moderna portuguesa.

Editado em Maio deste ano, Quadro de Honra documenta
três décadas de underground português.

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Os 90 anos da Revolução Nacional de 28 de Maio

No próximo Sábado celebram-se os 90 anos da Revolução Nacional de 28 de Maio de 1926. Uma data na qual se evoca também a memória de todos aqueles que, antes e após essa data, se bateram pelos mesmos princípios, valores e ideais inerentes à nossa tradição espiritual, histórica e política. Este ano, para além dos habituais encontros de celebração desta efeméride, serão ainda apresentados dois ensaios publicados pela editora Contra-Corrente.
Ano após ano, a cada 28 de Maio, um conjunto de patriotas e nacionalistas congrega-se em torno de um esforço conjunto de preservação e manutenção de tudo o que constitui o sagrado ideal pátrio. Não o fazem por mera expressão nostálgica do passado, mas pela consciência da importância da sua missão que visa transmitir aos vindouros a chama de uma tradição viva. Neste ponto, não podemos deixar de evocar a memória de António José de Brito que, há quatro décadas, começou a organizar, no Porto, os célebres jantares do 28 de Maio. Encontros que, perpetuando-se no tempo, começam agora a conhecer outras réplicas espalhadas pelo país, nomeadamente, em Lisboa.
Entender o espírito de 1926 implica a compreensão de uma época que antecede os fatídicos marcos de 1789 e 1820, ajudando-nos a perceber o período que precede os trágicos acontecimentos de 1974. À data da Revolução de Maio, Portugal concluía triunfalmente a sua guerra dos cem anos. O esforço e a vontade empregues nessa movimentação política e social
pró-Portugal impôs a derrota a um século de liberalismo estrangeirado e invasor. Uma vitória apenas conseguida graças ao empenho de inúmeros sectores da comunidade patriótico-nacionalista portuguesa. Militares, monárquicos, republicanos, católicos, ateus, integralistas, fascistas e partidários vários de um nacionalismo autêntico, supra-ideológico, consagrado a um amor incondicional à Pátria, todos eles tomaram parte activa na Revolução de Maio.
Despertos para os erros do passado e a necessidade de garantir o futuro, souberam os heróis de 1926 manter o espírito de união que tantas vezes tem fugido ao nosso Povo. Foi graças ao espírito saído da Revolução Nacional que, até hoje, não se conseguiu, entre nós, extinguir o facho que ilumina a chama do altar da Pátria.
Por este motivo, face aos conturbados dias em que vivemos, celebrar o 28 de Maio reveste-se, a cada ano, de uma crescente importância, pelo que a editora Contra-Corrente preparou um duplo lançamento para marcar essa data. Trata-se da reedição de Os que arrancaram em 28 de Maio, de Óscar Paxeco, e da edição de Salazar, António Ferro e Franco Nogueira: Proas e Mastros do Estado Novo, obra póstuma de Rodrigo Emílio. A apresentação deste último livro, a cargo do historiador Humberto Nuno de Oliveira, decorrerá no próximo Sábado, 28 de Maio, pelas 15:00, no Palacete dos Viscondes de Balsemão, no Porto.

Frontispícios das duas recém publicadas obras da editora Contra Corrente,
disponíveis ao público a partir do próximo dia 28 de Maio.

terça-feira, 5 de abril de 2016

A Obra e o Pensamento de Amorim de Carvalho

«Portugal é uma pátria que a vontade dos portugueses dignos deste nome (verdadeiras elites) construiu e sustentou, e que a vontade de uma outra raça moral de portugueses (falsas elites) demoliu.»
Amorim de Carvalho em O Fim Histórico de Portugal

Passaram quatro décadas desde a morte de Amorim de Carvalho. Personalidade de invulgar inteligência e erudição, marcou de forma indelével a cultura portuguesa, deixando um importante legado cujo eco e influência ultrapassou as nossas fronteiras, chegando a França e Brasil. Nos próximos dias 6 e 7 de Abril terá lugar, no Porto e em Lisboa, um colóquio que visa evocar e discutir a obra e o pensamento deste intelectual.
Destacando-se como poeta, filósofo e esteta, Amorim de Carvalho nasceu na cidade do Porto em 1904. Bisneto por via materna do poeta romântico António Pinheiro Caldas, foi educado no seio de uma família católica, apesar de ainda bastante jovem se ter afastado da fé religiosa. Na sua formação foram importantes as figuras de Teixeira Rego e Basílio Teles. O primeiro, Professor na primeira Faculdade de Letras da Universidade do Porto, colaborador da revista Águia, era um homem de grande sabedoria, interessado em filologia, línguas, filosofia, antropologia e outras áreas do conhecimento, igualmente, caras a Amorim de Carvalho. O segundo, amigo de família, foi uma das personalidades de maior destaque intelectual junto da elite republicana, destacado helenista, bem como um português e europeu consciente da sua condição.
Não obstante a presença e proximidade de tão cativantes vultos, Amorim de Carvalho trilhou um caminho próprio, afastando-se em alguns aspectos das linhas filosóficas seguidas por estes dois pensadores de quem absorveu, essencialmente, os exemplos ético e humano. A sua forte personalidade, aliada a um espírito combativo e intransigente, fizeram-no ganhar o respeito intelectual e algumas amizades até junto daqueles que se antagonizavam com o seu pensamento. Lembramos, por exemplo, o caso de Álvaro Ribeiro, de quem foi bastante amigo, apesar das diferenças e divergências de pensamento existentes entre ambos os filósofos.
O seu legado foi construído entre Portugal e França, país onde voluntariamente se exilou, em 1965, em resultado do isolamento intelectual sentido na sua Pátria. Fixando residência em Paris, apresentou aí, em 1970, a sua tese de doutoramento intitulada De la connaissance en général à la connaissance esthétique. L’esthétique de la nature. Para além da obra poética e literária de Amorim de Carvalho, destacam-se estudos e ensaios como Deus e o Homem na Poesia e na Filosofia, O Positivismo Metafísico de Sampaio Bruno, Fidelino: Um Filósofo da Transitoriedade, Guerra Junqueiro e a sua obra poética, ou o seu importante Tratado de Versificação Portuguesa” - obra que o poeta Rodrigo Emílio considerava indispensável.
O seu último livro, publicado postumamente, intitulou-se O Fim Histórico de Portugal, tratando-se de uma obra, marcadamente, política. Amorim de Carvalho, não tendo sido um partidário do Estado Novo, jamais sentiu qualquer sedução por ideários políticos anti-patrióticos. Deste modo, insurgiu-se de imediato contra o golpe de Estado de Abril de 1974, considerando o abandono das Províncias Ultramarinas um atentado à soberania da Pátria e uma traição contra o seu Povo.
Amanhã, às 14:30, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, inicia-se um colóquio de homenagem a este pensador, que termina no dia seguinte, no Palácio da Independência, em Lisboa. Entre os oradores convidados encontra-se Júlio Amorim de Carvalho, administrador da Casa Amorim de Carvalho, bem como Pinharanda Gomes, António Braz Teixeira, Paulo Samuel, José Almeida, Artur Manso, Renato Epifânio, Samuel Dimas, Manuel Cândido Pimentel, Filipe Delfim Santos, entre outros.
Organizado pelo Instituto de Filosofia da Universidade do Porto, o Instituto de Filosofia Luso-Brasileira e a Casa Amorim de Carvalho, este encontro é de entrada livre e aberto a toda a comunidade.

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sexta-feira, 18 de março de 2016

Gago Coutinho - O Almirante com Alma de Tenente

Em 1922, a bordo do hidroavião Lusitânia, o almirante Gago Coutinho da Armada Portuguesa e o oficial da Marinha Portuguesa Sacadura Cabral tornaram-se pioneiros da aviação ao efectuar a primeira travessia aérea do Atlântico Sul, ligando Lisboa ao Rio de Janeiro.
Tratava-se de reavivar o fogo aventureiro e audacioso do homem português, recuperando a memória do navegador Pedro Álvares Cabral em vésperas de mais um aniversário da independência do Brasil. Esta empresa levada a cabo por dois heróis portugueses do século XX, Gago Coutinho e Sacadura Cabral, não foi apenas um acto de aventura, mas também um passo de gigante ao nível do conhecimento científico e da própria ciência aeronáutica.
Os avanços científicos desta expedição deveram-se sobretudo a Gago Coutinho, um homem admirável que se notabilizou mundialmente face aos seus contributos ao nível de áreas de conhecimento como a Matemática, Geografia, Cartografia, entre outras. Homem culto e erudito era de natureza simples e trato afável, tanto se destacando nas principais conferências e encontros científicos mundiais bem como, por exemplo, no trabalho de campo em Timor, ou no coração do continente africano.
Quando morreu, a 18 de Fevereiro de 1959, Gago Coutinho recebeu honras de um herói, tendo sido aclamado em todo Portugal. Para a história ficou o nome de um homem brilhante e singular que, entre muitas outras coisas, contribuiu de forma científica e simbólica para o estreitamento de laços entre Portugal e o Brasil.
Gago Coutinho - O Almirante com Alma de Tenente é o título de um documentário realizado pelo cinquentenário da morte do biografado que revela alguns dos aspectos mais relevantes da sua vida e obra.

Gago Coutinho - O Almirante com Alma de Tenente (2009), um documentário de 
Vasco Matos Trigo com realização de Rui Nunes.  

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Os Reis Magos do Oriente e do Ocidente

Em dia de celebração da Epifania partilhamos o belo e misterioso díptico de Carlos Dugos intitulado Os Reis Magos do Oriente e do Ocidente. Uma pintura plena de simbolismo onde o artista e ensaísta português sintetiza a integração do sentido teleológico da História de Portugal na tradição cristã. Esta obra datada de 2008, nascida Do ciclo Vieira, o Verbo e a Luz, foi inspirada pelo Sermão da Epifania do Padre António Vieira, do qual transcrevemos aqui o seguinte excerto que nos permite descodificar iconograficamente a mensagem deste quadro:  
«S. Bernardo (...) arguiu com seu grande engenho, que assim como houve três Reis do Oriente que levaram as gentilidades a Cristo, assim havia de haver outros três Reis do Ocidente que as trouxessem à mesma fé. (...) Estes felicíssimos Reis foram El-Rei D. João, o Segundo, El-Rei D. Manuel e El-Rei D. João, o Terceiro, porque o primeiro começou, o segundo prosseguiu, e o terceiro aperfeiçoou o descobrimento das nossas conquistas, e todos trouxeram ao conhecimento de Cristo aquelas novas gentilidades, como os três Magos as antigas.»
Os Reis Magos do Oriente e do Ocidente, de Carlos Dugos. 

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Cassiano Branco (1897-1970)

«Cassiano, através da sua actividade que procurava manter por balizas racionais (uma outra forma de pensar a poesia), julgava-se, como Breton, capaz de "transfigurar a existência". Breton, através do sonho, do desejo e da imaginação. Cassiano, através do desejo, da imaginação... e da razão. Mas o que é a razão senão o sonho de se possuir a si mesmo?»
Maria Augusta Maia em Cassiano Branco: Um Tempo, uma Obra.

Para além de polémico Cassiano Branco foi também um dos mais prestigiados arquitectos portugueses da primeira metade do século XX. Não obstante ter sido o criador do tão querido parque temático Portugal dos Pequenitos, em Coimbra, a sua obra caracteriza-se sobretudo pela traça modernista e cosmopolita. Obras como o Hotel Vitória, Éden-Teatro, o plano de urbanização da Exposição do Mundo Português, o Coliseu do Porto, ou o Grande Hotel do Luso, entre outras distribuídas por Portugal continental e províncias ultramarinas, desafiaram os cânones da época, marcando para sempre a imagem da arquitectura portuguesa. 
Amanhã, dia 16 de Dezembro, pelas 18:30, será apresentada na Casa das Artes, no Porto, a obra de Paulo Tormenta Pinto intitulada Cassiano Branco (1897-1970). Editado pela Caleidoscópio, este livro será apresentado por José António Bandeirinha.
A entrada é livre e aberta a toda a comunidade. 

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domingo, 6 de dezembro de 2015

Eduardo Lourenço e a não-clarividência do politicamente correcto no Portugal democrático

A clareza política do Eduardo Lourenço está ao nível do civismo do Mário Soares. Segundo o filósofo português, a França de hoje tem ainda a imagem de Luís XIV e nós, europeus, devemos muito aos americanos que nos salvaram várias vezes ao longo do século XX, a começar pelo "auxílio" dado na I Guerra Mundial.
Portugal, terra de heroísmo e de génio, encontra-se mais do que nunca amordaçado pelas correntes estrangeiristas. Um mal que hoje se torna bem mais nocivo do que outrora face à ditadura do "politicamente correcto", na qual só singram os medíocres e os alinhados com os detractores da Pátria e falsificadores da História.
Deus nos salve dos "democráticos génios portugueses".

Eduardo Lourenço no programa televisivo O Princípio da Incerteza.