«Sou favorável ao Acordo Ortográfico de 1945, com críticas a opções de pormenor, mas não aos seus princípios gerais. Não sou favorável a um Acordo publicitado como "uma das medidas mais urgentes para a unificação da língua portuguesa", como afirmou Solange Parvaux, em 2004, na Fundação Calouste Gulbenkian , esquecendo que as divergências morfossintácticas e lexicais impedem tal projecto, no mínimo, megalómano. Sou favorável a uma reforma ortográfica que dignifique a minha língua e não a qualquer documento nem a qualquer processo que se baseie exclusivamente em relações de poder, em questões que envolvam "locomotivas" e "inevitabilidade", quando as razões da ortografia são linguísticas, devendo estas ser escutadas e analisadas por quem de direito e não ofuscadas por luzes que do rigor há muito se afastaram.»
|
Francisco Miguel Valada, autor da obra Demanda, Deriva, Desastre – os três dês do Acordo Ortográfico, publicada pela Textiverso. |
No dia em que Portugal e todo o mundo católico celebra os Fiéis Defuntos, não poderíamos deixar de lembrar algo que qualquer bom português deveria querer enterrar, não com tristeza, mas com uma enorme alegria. Estamos a falar, como não poderia deixar de ser, do malfadado (des)acordo ortográfico que nos últimos tempos tem vindo a contaminar, tal erva daninha a alastrar, o nosso mercado livreiro e editorial, as nossas Instituições, incluindo o nosso sistema educativo, corroendo e destruindo a Língua e Cultura Portuguesa, a partir de dentro, como se de um cancro se tratasse.
Abraçado pelos obscuros interesses financeiros e comerciais, vendido por uma classe política corrupta e comprometida, como um fruto da inevitabilidade dos tempos modernos, impõe-se agora, mais do que nunca, aos verdadeiros portugueses a revolta contra o culturicídio imposto por estas forças antagonistas dos nossos interesses culturais, patrimoniais e patrióticos, consumado na implantação deste sinistro (des)acordo. É por isso necessário matá-lo e enterrá-lo democraticamente em parte incerta, para que no futuro não possam, os abjectos detractores da nossa Magna Língua, procurar ressuscitá-lo.
E já que o dia é dos finados, correndo um cheiro a morte com a húmida brisa deste chuvoso Outono, aproveitámos a ocasião para divulgar o blogue pessoal de Francisco Miguel Valada, autor do livro
Demanda, Deriva, Desastre – os três dês do Acordo Ortográfico, carrasco assumido e declarado da infâmia imposta à nossa Língua-Mãe. No seu blogue,
http://fmvalada.blogs.sapo.pt, podemos acompanhar os vários artigos que o autor tem vindo a publicar na imprensa nacional, subordinados à questão do (des)acordo ortográfico. Trata-se de mais uma posição firme, lúcida e consciente, que convidamos a conhecer em prol da Língua Portuguesa.