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sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Petição contra a construção da nova mesquita de Lisboa

«Folgara muito Vossa Alteza puder ver Goa e como derribou a fantasia dos mouros...»
Afonso de Albuquerque em carta ao Rei D. Manuel de 1512.

Portugal assiste desde finais do século XVIII à bastardização da sua tradição. A sub-reptícia "protestantização" e "rabinização" das mentalidades das nossas comunidades é, há muito tempo, encabeçada por correntes anti-portuguesas e estrangeiradas, cuja nociva natureza deverá ser combatida de uma forma total.  
Hoje, após as catástrofes da implantação república (1910) e a imposição da democracia (1974), vivemos debaixo do jugo dos princípios modernos da igualdade, ecumenismo e tolerância, ignorando porém que essas supostas conquistas "universais" constituem os grilhões com que nos prendem os predadores da Pátria à nossa degenerescência e ruína. Se em inícios do século XX vivíamos debaixo de um intenso fogo inimigo encabeçado pelas forças judaicas associadas à franco-maçonaria e outros movimentos criminosos que ainda continuam quotidianamente activos, reinventando-se e reorganizando-se sob a máscara do marxismo cultural, hoje um outro perigo alastra-se, não só em Portugal, como em toda a Europa e terras extremas da civilização ocidental. Falamos, obviamente, do islão. Uma religião de conquista, absolutamente, contrária à nossa tradição religiosa, espiritual, histórica e civilizacional. Uma religião que seduz o homem ocidental, doente, descrente da sua missão e do lugar que ocupa no mundo, através do exotismo plasmado num os lados da natureza exotérica daquele credo.
Não obstante sabermos a quem mais interessa a crescente vaga de islamofobia, não podemos deixar de combater, em nossa casa, por aquilo que nos pauta, defendendo a nossa tradição e civilização de matriz pagã-cristã. Importa-nos também saber demarcar dos rebanhos conduzidos pelos maus pastores: capitalistas, liberais e sionistas. Em resumo, há que controlar e combater a destruição do nosso fundo espiritual. Por esse motivo, não podemos deixar de nos opor à construção da nova mesquita de Lisboa que custará cerca de 2,9 milhões de euros aos nossos contribuintes. Numa altura em que são exigidos tantos esforços às famílias portuguesas e quando são conhecidos tantos casos onde é urgente a intervenção do Estado de modo a salvar o nosso património, não nos parece de todo razoável esta obra homologada pelos poderes socialistas que controlam os destinos da antiga capital do Império Português. 
Por este motivo, convidamos os amigos bem como os visitantes esporádicos da Nova Casa Portuguesa a assinarem uma petição, promovida pelo Instituto Santo Condestável (ISC), que visa o impedimento da construção de uma nova mesquita na cidade de Lisboa. Esta encontra-se disponível para ser assinada em http://petit.io/petition/instituto-santo-condestavel/nao-a-nova-mesquita-na-mouraria-de-lisboa.
Saibamos defender a nossa identidade e a nossa tradição de uma forma integral. Num bairro típico como a Mouraria não podemos aceitar nem a construção de uma mesquita, nem de um museu judaico. 

(Clicar na imagem para assinar a petição contra a construção da nova mesquita de Lisboa.)

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Mais um 1.º de Dezembro...

1.º de Dezembro de 1640. Uma época em que as palavras de ordem dizendo "morte aos traidores" não representavam apenas mais um estéril slogan político lançado ao acaso da campanha eleitoral por um partidozeco de esquerda criado pela CIA!
Portugueses verdadeiros, de corpo e alma, ainda existem! Poucos, porém fiéis à sua Pátria, à sua bandeira, à sua História, ao seu Povo e respectiva tradição!

Viva Portugal! Morte aos traidores!

Ilustração de Carlos Alberto Santos mostrando o episódio da morte do
traidor Miguel de Vasconcelos.

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Da pura hipocrisia e maldade abrilista, ou como os democratas odeiam Portugal e os Portugueses!

Os que hoje em Portugal defendem o acolhimento de uma massa de "refugiados" são os mesmos que em 1975, após o abandono criminoso dos nossos territórios ultramarinos, renegaram os seus irmãos de sangue, maltratando-os e humilhando-os. Chamavam-lhes "retornados" e exigiam a sua saída de Portugal continental e o seu regresso às terras onde sempre viveram até estas lhes serem espoliadas.
Vítimas da perfídia socialista abrilista, foram considerados um peso para a precária economia portuguesa resultante do desastroso 25 de Abril. Por sua vez, os "refugiados" de hoje são considerados uma "mais valia", enquanto milhares de portugueses são todos os anos constrangidos a abandonar a sua Pátria em busca de uma oportunidade, como se não passassem de um pesado fardo para a Nação.
As conclusões a retirar desta triste história ficarão à responsabilidade e consciência de cada um.

O drama dos retornados constitui um dos mais tristes episódios
do Portugal contemporâneo.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Os Bonecos contra o (des)acordo ortográfico

A produtora Mandala, que durante mais de 15 anos animou os serões da RTP 1 com programas de entretenimento como o Contra-Informação, chegou agora à internet e à televisão digital com novos conteúdos. Como não poderia deixar de ser, um dos seus últimos vídeos denuncia, com o humor que lhe é característico, o (des)acordo ortográfico de 1990, expondo a asneira que o constitui e o ridículo de quem o defende. Vale a pena ver e partilhar! 

Os Bonecos que animaram várias séries humorísticas como
o Contra-Informação também se opõem ao AO90.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Inauguração do espaço A Casa

Numa sociedade intelectualmente esclavagista, pré-configurada para um funcionamento e pensamento conforme as regras estabelecidas, onde a livre iniciativa permanece, na esmagadora maioria das vezes, cativa dos apoios e do controlo do Estado, os meios culturais não-conformes acabam por ser privados no acesso ao espaço-público e, consequentemente, arredados das grandes discussões. Cabe por isso aos verdadeiros livres-pensadores acharem formas de romper esse longo bloqueio cultural marxista, acentuado entre nós com o golpe de Estado de 1974. Portugal tem felizmente um conjunto de intelectuais, pensadores, homens de cultura que, não obstante as suas diferenças, poderão através do poder da acção marcar uma época de mudança. Uma nova era de prosperidade, onde todos os portugueses pudessem recuperar o verdadeiro sentido e a Graça de se ser Português.
Parafraseando o pensador italiano Antonio Gramsci, não existe um domínio político, ou económico, sem um domínio cultural. Neste capítulo o semanário O Diabo, juntamente com outras publicações periódicas como, por exemplo, a revista Finis Mundi, têm conseguido defender uma frente cultural pró-Portugal e pró-Portugalidade, sem nunca cair num isolacionismo que, em boa verdade, sempre foi contrário à nossa tradição histórica e cultural. Para além das publicações periódicas devemos ainda destacar o esforço individual e colectivo de algumas pessoas que, às suas custas, imbuídos por um espírito de militância em prol de uma causa maior, se desdobram entre projectos editoriais ou associativos, do qual não poderíamos deixar de destacar a recém-reactivada Terra e Povo.
Subsistiu até agora o velho problema do espaço físico. A ausência de um local de encontro, debate e comunhão onde o calor humano pudesse ser sentido, numa época em que o nosso olhar se perde mais depressa num ecrã de computador do que nos olhos de um amigo, ou camarada. É neste contexto que nasce o projecto A Casa. Vagamente inspirado pelo projecto da Casa Pound em Itália, este visa desenvolver essa experiência em Portugal, oferecendo à comunidade em que se insere um espaço de encontro, livre, aberto à congregação intelectual e cultural. 
A Casa será inaugurada no próximo dia 6 de Julho, pelas 17:00, estando agendada como a sua primeira actividade o lançamento da obra Fascismo Revolucionário de Erik Norling, recentemente publicada pelas edições Contra Corrente e cuja apresentação ficará a cargo de João Franco. 
A entrada é livre e aberta a toda a comunidade! 

(Clicar na imagem para ampliar.)

segunda-feira, 11 de março de 2013

O pecado desportivo da vida nacional

Já em 1940, Augusto da Costa alertava-nos no seu livro Os 7 Pecados Mortais da Vida Nacional para os perigos saídos do fanatismo desportivo, criticando:
«Têm-se feito campanhas contra a ferocidade das corridas de toiros; seria também justo fazer uma campanha contra a ferocidade dos hábitos desportivos.»
O mesmo autor acrescentou:
«Há jogos que, não tendo em si nada de selvagens, como o jogo da bola, se tornam, pelo fanatismo dos que o praticam, em verdadeiras guerras de morte. As pernas e as cabeças partidas são o pão nosso de cada dia nos desafios de grande importância; por vezes, o próprio árbitro, autoridade suprema dentro do campo, sai de lá com o corpo tão combalido de pancadaria como o mais entusiasta dos jogadores; e cidades e aldeias passam a odiar-se umas às outras simplesmente por turras desportivas.»
Incidentes entre adeptos do Vitória de Guimarães e do Sporting Clube de Braga
registados durante uma recente partida de futebol. 

As críticas poderão parecer duras, mas infelizmente elas não poderiam ser mais verdadeiras e actuais face aos últimos acontecimentos ocorridos nos nossos estádio de futebol e suas imediações. Como todos sabemos, até à modernização dos estádios portugueses, por altura do Euro 2004, os selvagens adeptos ficavam atrás de inestéticos gradeamentos que procuravam proteger os jogadores e equipas de arbitragem da sua fúria e barbarismo. Contudo, a fé de que o país e os adeptos de futebol teriam desenvolvido uma consciência cívica  aliada a um apuramento do sentido de urbanidade, levou ao gradual desaparecimento de grande parte dessas barreiras defensivas. A paulatina substituição do policiamentos pela segurança privada nos desafios de futebol, salvo os jogos de maior risco como os grandes clássicos, permitiu aos clubes pouparem muito dinheiro. Um motivo de regozijo para os "clubes-empresa" do desporto moderno, numa época em que a demolidora crise agrava velhos problemas financeiros.
As crises económicas originam convulsões sociais, reanimam as rivalidades, instalam o caos, fazem florescer as perturbações da ordem pública através de um ódio nem sempre motivado ou orientado contra os verdadeiros inimigos da sociedade e dessa cada vez mais utópica fantasia designada por bem-comum. Queremos com isto dizer que o desporto, ou melhor, a violência justificada por ele, funciona sociologicamente como uma válvula de escape primária para os problemas de uma sociedade. A História diz-nos que temos razão, assim como os factos que dela interpretámos para chegarmos a estas conclusões. Se a lógica de Gustave Le Bon, autor de Psicologia das Multidões, nos leva a concluir que o desejo de vencer é tão vivo no campo desportivo como militar, a mesma também nos faz reflectir acerca do clima de paz podre que respiramos, num momento caracterizado pela necessidade de mudança. Vivemos num período de acentuada decadência dentro de uma Idade já de si decadente. O retrocesso sócio-cultural e civilizacional está à vista de todos e, pior cego é aquele que não quer ver. Confrontos como os que foram registados no final do mês passado, logo no início do desafio entre o Vitória de Guimarães B e o seu rival Sporting Clube de Braga B, impedindo a realização da partida são sinais disso mesmo. Ódios e rivalidades invocados por meras manifestações desportivas, sobretudo quando materializados de forma primária e violenta, representam sinais claros de decadência, degeneração e deformação psicossocial. Um duro revês face aos nossos históricos princípios civilizacionais e civilizadores. 
Por outro lado, o desleixe e a demissão das suas respectivas responsabilidades por parte do Estado, das direcções dos clubes e das próprias autoridades responsáveis pela manutenção da segurança e da ordem pública, reflectem o estado da nossa nação - sem rei nem lei, sem paz nem guerra. Portugal, o teu redespertar já tarda!          
Como que rematando uma qualquer análise contemporânea em jeito de reflexão face ao presente fenómeno de violência ligada ao mundo futebolístico, Augusto da Costa concluiu, uma vez mais com impressionante acutilância:
«...em vez da mens sana in corpore sano, o que encontramos, como resultado de vários factores conjugados, é abastardamento físico cada vez maior, e embrutecimento intelectual cada vez mais perigoso.» 

domingo, 10 de março de 2013

História Politicamente Incorrecta do Portugal Contemporâneo

«Ao contrário do que se possa pensar, este livro não desfaz apenas os mitos progressistas. Sim, os mitos da esquerda, a Rainha de Copas da nossa memória, são o alvo principal. Mas, nas entrelinhas, alguns mitos das direitas também são desfeitos. Porquê? Bem, porque boa parte dos nossos direitistas ainda pensa que ser de direita é o mesmo que dizer o exacto contrário da esquerda. E daí resulta a criação ou manutenção de mitos tão preguiçosos como os mitos da esquerda. Sem o saber, grande parte da nossa direita continua colonizada pela esquerda.»

(Clicar na imagem para ampliar.)

Henrique Raposo, jovem investigador académico, mais conhecido enquanto cronista do Expresso, acaba de afrontar os principais arautos da inverdade histórica instalados na nossa sociedade, lançando no mercado livreiro um inflamado volume de farpas dedicado à análise historiográfica dos nossos últimos 150 anos – a História Politicamente Incorrecta do Portugal Contemporâneo. Incómodo e indigesto para muitos, este livro desfia um novelo de factos, derrubando velhos mitos e deixando a nu a última centúria e meia de anos da nossa história.
Quantas vezes fomos já confrontados com a mentira de uma suposta natureza beata de Salazar, resultante de uma estreita relação com a Igreja Católica, ou com a responsabilidade do antigo Presidente do Conselho no atraso de Portugal e no nosso isolamento face à comunidade internacional? A que se deveu o facto de procurarem fazer-nos acreditar na incapacidade e falta de vontade do Estado Novo em combater o analfabetismo? Terão sido as políticas africanistas e luso-tropicalistas inspiradoras de um Portugal imperial feito do Minho a Timor uma parafilia megalómana exclusiva das direitas portuguesas? Por que razão se prega a mentira de que devemos a Mário Soares e aos socialistas a entrada de Portugal na CEE? Será o domínio cultural da esquerda uma realidade e inevitabilidade histórica? Quem terá sido o grande vencedor do 25 de Novembro, Álvaro Cunhal ou a democracia? Estas são algumas das questões colocadas e respondidas por Henrique Raposo em História Politicamente Incorrecta do Portugal Contemporâneo, obra recentemente publicada pela editora Guerra & Paz e que muito dificilmente passará despercebida.
Uma das primeiras conclusões desvendada neste livro passa pela denúncia da ambiguidade de duas das mais incontornáveis figuras da política portuguesa do século XX – António de Oliveira Salazar e Mário Soares. Sobre estas duas figuras, às quais poderemos juntar uma terceira, Álvaro Cunhal, edificam-se hoje os grandes pilares do novíssimo testamento histórico do Portugal contemporâneo. Um testamento pejado de falsos ídolos que, invocando os princípios da cosmética platónica, os artífices da mentira ajudaram a construir criando uma conveniente mas falsa memória de um povo míope, conscientemente cultivado pela incultura durante a III República.
Na introdução à sua História Politicamente Incorrecta do Portugal Contemporâneo, Henrique Raposo esclarece assertivamente o leitor acerca dos principais alvos que almeja abater com olímpica precisão, isto é, os mitos da esquerda que poluem a nossa memória histórica mais recente. Com isto, o autor acaba igualmente por demonstrar através da formulação dos seus ensaios de interpretação histórica de que forma a nossa direita permanece colonizada por uma esquerda hábil e camaleónica, deitando por terra algumas torres de marfim constituintes do imaginário mito-político das várias direitas portuguesas.
Trata-se de uma obra a ler atentamente, de uma forma descomplexada e livre de preconceitos, devendo-se no final reflectir a fundo sobre ela. Afinal, as soluções para os problemas do Portugal presente e futuro poderão estar matizadas nas frinchas do grande muro das inverdades que, lamentavelmente, não nos permite olhar para o nosso horizonte.

sábado, 28 de julho de 2012

Ainda sobre o falecimento de José Hermano Saraiva...

No seguimento de alguns comentários menos próprios que, através de alguns blogues e contas de Facebook, procuraram atentar contra o bom nome e memória do Professor José Hermano Saraiva, somos obrigados a sair em defesa do nosso grande comunicador e divulgador de história. 
Esses ataques procuraram diminuir a personalidade e intelecto da pessoa em questão pelo simples facto de ter servido o seu país enquanto Ministro da Educação ainda antes da revolta de 25 de Abril de 1974, bem como por ter permanecido fiel aos seus princípios e convicções políticas até ao final de vida. No entanto, a vã tentativa de o procurarem tornar um anátema na sociedade portuguesa não vem de agora. É sabida a forma vil como José Hermano Saraiva e outras personalidades portuguesas associadas ao Estado Novo foram tratados nos anos que se seguiram ao golpe de Estado abrilista. 
Apaixonado pela História, nomeadamente pela História de Portugal, o Professor José Hermano Saraiva conseguiu ultrapassar todas as contingências e contrariedades, conquistando o amor, carinho, simpatia e reconhecimento do povo português. Afinal, sempre foi a este que dedicou a sua vida, o seu trabalho, a sua paixão e o seu amor incondicional. Rejeitado por vários académicos sob a acusação de ser um mero contador de histórias e não um historiador, José Hermano Saraiva teve a capacidade de descer de um certo Olimpo dos intelectuais, descendo à terra, procurando o contacto com as massas, cultivando-as, dando-lhes a conhecer o seu passado, ensinando-lhes o caminho do reencontro com o orgulho e o amor-próprio. Assim, podendo não ser o mais científico dos historiadores, ele era indubitavelmente o rei dos comunicadores. Era, sem dúvida alguma no nosso principal divulgador de história, responsável pela enriquecimento cultural e histórico de milhares de portugueses.  
Cientes do exemplo que representava para todos os portugueses, sem distinção de raça, sexo, credo ou convicção política, partilhamos um outro texto da edição desta semana do semanário O Diabo. E para que não nos acusem de revisionismo histórico, ou de apologia ao "fascismo", lembramos o seu autor, uma outra figura pública de boa memória para todos os portugueses. Trata-se de Cândido Mota, distinto locutor de rádio, famoso pelos anos que trabalhou na RTP em várias produções de Herman José, comunista assumido e responsável pela voz off nos tempos de antena da CDU... Leiam-se as suas palavras!

(Clicar na imagem para ampliar.)

segunda-feira, 18 de junho de 2012

O (des)acordo ortográfico visto do lado de lá do Atlântico!

Ao contrário do que muita gente ainda pensa, o (des)acordo ortográfico em nada aproxima o português do Brasil do português europeu, usado em Portugal e nos restantes países de expressão lusófona. A origem deste documento há muito que foi denunciada como uma fraude mafiosa, extremamente perigosa para ambas as formas de expressão da Língua Portuguesa. O seu fim último almeja única e exclusivamente o enriquecimento criminoso de alguns grupos económicos, cujo peso e poder lhes permitiu comprar um punhado de políticos mercenários analfabetos mal intencionados. Felizmente, Portugal e os Portugueses têm vindo a acordar e despertar para este verdadeiro genocídio cultural, conforme têm vindo a ser noticiado em alguns meios de comunicação. 
Mas não é só em Portugal que as vozes contra o (des)acordo se fazem ouvir. Também em Angola e Moçambique, a oposição é feroz, sendo que essas duas nações africanas não assinaram sequer o malfadado documento. Outra coisa que grande parte dos portugueses também desconhece é o facto dos próprios brasileiros contestarem a imposição de uma nova grafia, com alterações substanciais ao próprio tratamento que dão à língua. 
Numa entrevista ao blogue Tantas Páginas, o brasileiro Paulo Franchetti, crítico literário, escritor e professor titular do Departamento de Teoria Literária da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), foi bastante peremptório quando questionado acerca da sua opinião acerca do (des)acordo ortográfico.
«O acordo ortográfico é um aleijão. Linguisticamente malfeito, politicamente mal pensado, socialmente mal justificado e finalmente mal implementado. Foi conduzido, aqui no Brasil, de modo palaciano: a universidade não foi consultada, nem teve participação nos debates (se é que houve debates além dos que talvez ocorram durante o chá da tarde na Academia Brasileira de Letras), e o governo apressadamente o impôs como lei, fazendo com que um acordo para unificar a ortografia vigorasse apenas aqui, antes de vigorar em Portugal. O resultado foi uma norma cheia de buracos e defeitos, de eficácia duvidosa. Não sei a quem o acordo interessa de fato. A ortografia brasileira não será igual à portuguesa. Nem mesmo, agora, a ortografia em cada um dos países será unificada, pois a possibilidade de grafias duplas permite inclusive a construção de híbridos. E se os livros brasileiros não entram em Portugal (e vice-versa) não é por conta da ortografia, mas de barreiras burocráticas e problemas de câmbio que tornam os livros ainda mais caros do que já são no país de origem. E duvido que a ortografia seja uma barreira comercial maior do que a sintaxe e o ai-meu-deus da colocação pronominal. Mas o acordo interessa, é claro, a gente poderosa. Ou não teria sido implementado contra tudo e todos. No Brasil, creio que sobretudo interessa às grandes editoras que publicam dicionários e livros de referência, bem como didáticos. Se cada casa brasileira que tem um exemplar do Houaiss, por exemplo, adquirir um novo, dada a obsolescência do que possui, não há dúvida que haverá benefícios comerciais para a editora e para a Fundação Houaiss – Antonio Houaiss, como se sabe, foi um dos idealizadores e o maior negociador do acordo. O mesmo vale para os autores de gramáticas e livros didáticos – entre os quais se encontram também outros entusiastas da nova ortografia. E não é de espantar que tenham sido justamente esses – e não os linguistas e filólogos vinculados à universidade – os que elaboraram o texto e os termos do acordo. Nem vale a pena referir mais uma vez o custo social de tal negócio: treinamento de docentes, obsolescência súbita de material didático adquirido pelas famílias, adequação de programas de computador, cursos necessários para aprender as abstrusas regras do hífen e outras miuçalhas. De meu ponto de vista, o acordo só interessa a uns poucos e nada à nação brasileira, como um todo. Já Portugal deu uma prova inequívoca de fraqueza ao se submeter ao interesse localista brasileiro, apesar da oposição muito forte de notáveis intelectuais, que, muito mais do que aqui, argumentaram com brilho contra o texto e os objetivos (ou falta de objetivos legítimos) do acordo.»
Paulo Franchetti. 

domingo, 17 de junho de 2012

Vasco Graça Moura e a Língua Portuguesa no cinquentenário da sua actividade literária

O poeta, tradutor e ensaísta Vasco Graça Moura conciliou desde sempre a vida literária e cultural com a intervenção política e cívica. Encontrando-se este ano a celebrar o cinquentenário da sua actividade literária, foi entrevistado pelo jornalista Nuno Moura Brás da Antena 1, tendo falado da Língua Portuguesa, revelando as exigências da escrita e explicando por que razão se assume contra o (des)acordo ortográfico.
Uma entrevista a não perder.


Entrevista a Vasco Graça Moura transmitida pela Antena 1
a 11 de Junho de 2012.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Porque Olivença é Portugal!

O corrente mês de Dezembro parece ter iniciado com uma série de afrontas à identidade e soberania portuguesa. O primeiro desses ataques, perpetrado uma vez mais pelos culpados do costume, resolveu extinguir as celebrações do 1.º de Dezembro, enquanto feriado nacional, optando-se pela manutenção de outros dias "festivos" como o 25 de Abril, 1 de Maio e o 5 de Outubro, perpetrando e evocando quase religiosamente a nossa própria decadência, degeneração e gradual aniquilação. 
Entretanto, o Professor Humberto Nuno de Oliveira denunciou, na edição de 6 de Dezembro do semanário O Diabo, a vontade do poder local do território português de Olivença, ocupado ilegitimamente pela coroa espanhola desde as Guerras Peninsulares do séc. XIX, realizar uma reconstituição histórica da campanha que originou a tomada daquela pequena parcela de território, usando figurantes nacionais e espanhóis. O caricato da situação não poderia chegar a um ponto mais ridículo se pensarmos nos objectivos desta acção, conforme avançados pelos espanhóis. A resposta de Humberto Nuno de Oliveira, enquanto português consciente, não poderia ser mais assertiva e oportuna, pelo partilhamos aqui o seu pequeno texto dirigido às autoridades espanholas.

(Clicar na imagem para ampliar.)

sábado, 10 de dezembro de 2011

Mais um 'Natal chique' e desumanizado?

Natal Chique

Percorro o dia, que esmorece
nas ruas cheias de rumor; 
minha alma vã desaparece
na muita pressa e pouco amor.

Hoje é Natal. Comprei um anjo, 
dos que anunciavam no jornal; 
mas houve um etéreo desarranjo
e o efeito em casa saiu mal.

Valeu-me um príncipe esfarrapado
a quem são coroas no meio disto,
um moço doente, desanimado...
Só esse pobre me pareceu Cristo.

Vitorino Nemésio em O Pão e a Culpa.

Há muito que o consumismo do mundo moderno colocou em xeque a beleza e simplicidade espiritual da quadra natalícia. O problema não vem de agora, conforme podemos concluir ao ler o poema de Vitorino Nemésio intitulado Noite Chique, publicado em 1955. Hoje, que a crise imposta pelo paradigma especulativo e esclavagista do mundo democrático ocidental parece fazer a sociedade consumista agonizar pela asfixia da morte a crédito, percepcionamos nas pessoas uma maior necessidade de consumir. O diz-me o que tens, dir-te-ei quem és da actual sociedade contemporânea, alimentada pela falsa ideia de conquista da felicidade por via do consumo, transmitida e inspirada pelas fantasias alienantes do mundo mediatizado capitalista, acabam por fragilizar o estado anímico das massas, perdidas numa exaustiva corrida cuja meta estão longe de conhecer.
A impossibilidade do Homem viver num mundo que padece da ausência do mito, numa concepção arcaica e primordial do termo, conforme sugeriu Teixeira de Pascoaes, Fernando Pessoa, Dalila L. Pereira da Costa, António Quadros, entre outros pensadores nacionais ou estrangeiros, como Carl Gustav Jung, Henry Corbin ou Mircea Eliade, é hoje mais evidente do que nunca. O êxtase da modernidade é algo permanente e despojado de todo e qualquer contorno místico-meditativo, aprisionando o ser humano na sua condição material e parasitária, em detrimento da sua libertação corpórea e material, responsável pela sua elevação em espírito e pensamento.
A alienação provocada pela natureza consumista, aliada ao sentimento de posse obsessivo-compulsivo, acaba por contribuir de igual modo para a própria desumanização da sociedade, na qual o Homem ocupa, cada vez mais, um lugar dúbio situado algures entre a máquina e a besta.
Chega-se assim ao tempo da redescoberta interior e do realento da alma e do espírito. A necessidade de sacralização do sacro e do despojamento dos interesses materialistas provam por si só o anseio do Homem por um sentimento e vivência de uma liberdade real. Importa por isso não desmobilizar e prosseguir com a disseminação, cultural-espiritual do verdadeiro sentido do Natal... que independentemente do que for festejado, deve sempre celebrar três pontos fundamentais: a sacralidade família, a renovação espiritual e comunhão do espírito! 

A presente foto, publicada na edição de 8 de Dezembro de 2009 do jornal Público,
 ilustra bem o significado da quadra natalícia para o malfadado mundo moderno,
mesmo durante um grave período de crise como o que hoje atravessamos. 

terça-feira, 4 de outubro de 2011

ILC contra o (des)acordo ortográfico

«O Acordo Ortográfico é objectivamente um atentado contra a estabilidade do património cultural textual de Portugal e contra a qualidade do ensino do português língua materna: os seus proponentes prestaram um mau serviço ao país e à língua. Importa, enquanto é tempo, impedir a sua aplicação (nem que seja através de um novo protocolo modificativo), e proceder à sua revisão através da consulta de organismos, instituições e personalidades idóneas da sociedade civil, das universidades e dos diversos sectores profissionais directamente relacionados com o uso da língua portuguesa escrita EM PORTUGAL.»
António Emiliano em Foi você que pediu um acordo ortográfico?

A todos os que ainda não tomaram conhecimento da existência de uma forma capaz de reverter o enorme erro e atentado que representa o novo (des)acordo ortográfico para a nossa língua, cultura e soberania, voltamos a lembrar a existência da Iniciativa Legislativa de Cidadãos (ILC) Contra o Acordo Ortográfico.
Por favor, redescubra a utilidade do seu cartão de eleitor. Seja um português consciente e participe na defesa da sua língua e da sua cultura. 
Para mais informações visite http://ilcao.cedilha.net ou www.portuguespt.com.

Vídeo de apresentação da Iniciativa Legislativa de Cidadãos Contra o Acordo Ortográfico.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Protesto de estudantes contra o (des)acordo ortográfico!

Estreita-se o cerco ao infame (des)acordo ortográfico, multiplicando-se diariamente as várias frentes de batalha nas quais este mal é combatido pelos mais conscientes e esclarecidos utilizadores ou amantes da língua de Camões. São cada vez mais as pessoas a aderirem aos vários movimentos de contestação, defendendo a revogação do novo (des)acordo ortográfico, o que só pode ser interpretado como um redespertar da consciência do dever cívico, cultural e patriótico.
A mais recente plataforma criada para nos auxiliar nesta demanda intitula-se Protesto de Estudantes Contra o Acordo Ortográfico e visa reunir assinaturas de todos os estudantes, oriundos dos mais diversos graus de ensino, oponentes à degradação do ensino que este acordo promove de forma parasitária.
Fica uma vez mais feita a divulgação, pedindo-se aos nossos assíduos leitores, bem como aos visitantes esporádicos que abracem esta causa da defesa da língua portuguesa, divulgando-a e participando activamente nas várias iniciativas.

(Clicar na imagem para aceder ao formulário do protesto.)
«Este protesto é para os jovens que querem impedir esta ofensa à Língua Portuguesa, que é o seu principal instrumento de trabalho.»

domingo, 2 de outubro de 2011

Resposta a uma dúvida recorrente sobre o novo (des)acordo ortográfico

Pergunta: Posso continuar a escrever como aprendi na escola?

Resposta: Sim. O utilizador da língua pode optar por utilizar a nova ortografia ou não, uma vez que não pratica qualquer ilícito contravencional. Manter a ortografia aprendida na escola não tem qualquer consequência legal, mesmo após o período de transição de 6 anos previsto legalmente.

(Transcrição do essencial da resposta avançada em www.priberam.pt/docs/NovaOrtografia.pdf)

A palavra de ordem é desobedecer!

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

D. Aleixo Corte Real, um exemplo de fidelidade e patriotismo

«Resta-me citar os indígenas, quer chefes, quer simples habitantes da colónia, que, durante o período dos acontecimentos a que este relatório se refere, deram pelo seu procedimento para com a Pátria e para com os portugueses provas irrefutáveis da sua dedicação, da sua lealdade, do seu absoluto patriotismo.
Avulta entre eles, como estrela de primeira grandeza, o liurai de Ainaro, circunscrição do Suro, D. Aleixo Corte Real. Para esse tive já a honra de fazer uma proposta especial, relatando sucintamente o que foi a acção desse grande chefe e como se manifestou, em termos excepcionalmente vincados, o seu extraordinário patriotismo. E o Governo da Nação premiou já condignamente, com o grau de comendador da Ordem Militar de Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito, esse grande português.»
Manuel de Abreu Ferreira de Carvalho em Relatório dos
Acontecimentos de Timor (1942-1945)
. 


Defendia e bem Teixeira de Pascoaes, em Arte de Ser Português, que a superioridade da raça não assenta em pressupostos biológicos, materialistas ou positivistas, mas sim num carácter puro, nobre e distinto, baseado na incorruptibilidade do espírito e de toda a essência metafísica do indivíduo. A Educação dos dias de hoje, bastante distinta daquela apregoada por Pascoaes em inícios do séc. XX, suprimiu por completo a noção de raça, desvirtuando e criminalizando o conceito, substituído pela vacuidade de um paradigma vazio, alheio a valores, identidades e princípios, alimentado pela adaptabilidade do ser humano, em jeito de darwinismo social, aos interesses da ordem vigente, mesmo quando esta desrespeita todos e quaisquer pressupostos éticos, culturais e até humanitários.
Talvez por esta razão, figuras como D. Aleixo Corte Real se tenham tornado tão incomodas e por isso remetidas para um confortável esquecimento. Contudo, a fidelidade e sacra memória que devemos aos nossos antepassados, faz-nos hoje invocar a lembrança deste grande herói português.
D. Aleixo Corte Real nasceu em 1886 na cidade de Ainaro, localizada e 78 km de Díli, capital do Timor Português. Inicialmente chamava-se Nai-Sesu, tendo adoptado o nome pelo qual ficaria conhecido apenas em 1931, ano em que se converteu ao catolicismo e foi baptizado.
A sua fidelidade à pátria-mãe cedo começou a expressar-se quando, entre 1911 e 1912, combateu ao lado dos portugueses na sublevação de Manufahi. O seu papel de régulo conferiu-lhe um importante estatuto em toda a região, sendo um importante embaixador de Portugal naquele território. Porém, não foi devido ao seu relevante papel  político-militar que o régulo timorense se destacou, mas sim pelo carácter e nobreza demonstrados ao revelar-se incorruptível aquando da invasão japonesa daquele território português, durante a II Guerra Mundial.
Apesar da neutralidade portuguesa, o território do Timor Português foi inicialmente invadido por um contingente holandês e australiano, com a desculpa de que Portugal não defendia aquele espaço, estando desse modo vulnerável a uma ocupação nipónica. Este facto acabou por verificar-se, provavelmente devido à invasão preventiva perpetrada pelas tropas australianas e holandesas. Durante aproximadamente três anos o terror espalhou-se naquela província ultramarina. Descontentes com a presença proselitista e declaradamente hostil do imperialismo japonês, a maioria da população timorense colocou-se do lado da resistência a estes invasores, apoiados também por uma pequena franja de milícias autóctones, designadas de Colunas Negras. D. Aleixo Corte Real foi, tal como o seu irmão, um dos líderes da resistência contra a ocupação nipónica, tendo acabado cercado e capturado em 1943 pelas tropas japonesas e membros dessas milícias pró-nipónicas.
Foi com sua captura e consequente sacrifício que o régulo alcançou a sua maior glória, mitificando-se, após enfrentar os seus algozes, negando-lhes a legitimidade sobre aquelas terra, depois de lhes negar a entrega da bandeira portuguesa. Este heróico e nobre acto custou-lhe a vida a si e à sua família que foi executada por um pelotão de fuzilamento japonês.
Mesmo destino teve o seu irmão e outros chefes locais que se uniram na defesa dos interesses das suas gentes e da sua pátria: Portugal. D. Aleixo Corte Real tornou-se rapidamente um símbolo do patriotismo nacional e da união entre os diversos povos portugueses. A sua honra e fidelidade foram justamente lembrados pelo Estado Português, tornado-se D. Aleixo Corte Real uma personificação da heroicidade e ferocidade da alma portuguesa, fiel de si mesma e absolutamente incorruptível... em qualquer circunstância!

Régulo D. Aleixo Corte Real junto da sua família. 

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Morigerar

Eis uma palavra cujo significado deveria ser reintroduzido, interiorizado, valorizado e vivido pela "moderna civilização".

Morigerar (v. tr. | v. pron.) do latim morigerari

v. tr.
1. Instruir nos bons costumes.
2. Fazer perder a natural rudeza de costumes.
3. Ensinar, educar.

v. pron.
4. Adquirir bons costumes.
5. Tornar-se ordeiro e prudente.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Em busca da arca perdida...

«Desaparecida desde 2008, quando foi vendida em leilão a um coleccionador privado, a Arca de Fernando Pessoa já conteve os seus 25,000 papéis, poesia, prosa e ensaios. Precisamos da sua ajuda para angariarmos 5,000 assinaturas que serão enviadas ao Secretário de Estado da Cultura de Portugal, para o convencer a encontrar a Arca e a colocá-a de seguida em exposição pública para que todos a possam admirar. (...)
Pensar-se-ia que uma arca feita de madeira não pudesse ter grande importância. Mas esta não é uma arca qualquer. Pessoa viveu em mais de 10 apartamentos diferentes em Lisboa, nos anos 30 e nunca deixou de levar a arca consigo. Ele mantinha a grande maioria dos seus papéis nela, desde livros inteiros a apontamentos e cópias de cartas que enviou. Ele era extremamente rigoroso com os seus papéis e mantinha-os quase todos - até pequenas notas nas costas de envelopes ou contas. Até uma nota para a sua empregada foi encontrada depois da sua morte. Como um símbolo, mesmo vazia, a arca representa toda a sua vida, porque a sua vida foi dedicada completamente à escrita, à sua 'Obra'.»
Nuno Hipólito sobre a Arca de Fernando Pessoa e o seu significado.  

(Clicar na imagem para aceder à página da petição.)

Cientes de que um povo sem memória é um povo sem história, não podíamos deixar de congratular o investigador de assuntos pessoanos Nuno Hipólito, autor do blog Um Fernando Pessoa, pela iniciativa patriótica de informar e sensibilizar os portugueses para triste situação que envolve o desaparecimento da tão famosa arca de Fernando Pessoa, vendida em leilão, pela sua família, a um desconhecido coleccionador do Norte do país em meados de 2008. A preocupação do autor da obra As Mensagens da Mensagem levou-o também à criação de uma petição internacional que se propõe reunir um mínimo de 5000 assinaturas, destinadas à actual Secretaria de Estado da Cultura, visando uma tomada de posição desta no sentido de localizar o paradeiro deste importante símbolo da cultura portuguesa, preparando a sua posterior compra pelo Estado Português.
Desde modo, é nosso dever publicitarmos esta petição, disponível em http://findthetrunk.com, convidando todos os interessados a assiná-la e promovê-la.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Intolerância e intransigência na Europa segundo Rui Moreira

Rui Moreira, conhecido empresário e economista da região Norte de Portugal escreveu na sua crónica semanal, publicada no Jornal de Notícias, um interessante artigo de opinião onde aborda a cultura da velha Europa, os ataques à Igreja Católica, o perigo da adulação ao islamismo, a influência norte-americana e da sua cultura de decadência.
Intitulado A tolerância intransigente, este artigo contempla um problema crescente no seio da Europa, a que Portugal não está de modo algum imune, apesar de uma incredulidade quase infantil, alimentada por determinados sectores da nossa sociedade. Deste modo, apesar de não perfilharmos na totalidade a posição do cronista, achamos por bem partilhar neste espaço a sua interessante reflexão que, uma vez mais, tem como objecto de crítica um sistema democrático que nos foi imposto, baseado na velha máxima de dois pesos e duas medidas, dependendo de quem o apoia ou questiona.
Interessa uma vez mais deixar aqui bem expressa a nossa posição de respeito perante todas as outras culturas, com a devida ressalva de que nenhuma delas irá fazer-nos algum dia alterar, adulterar e castrar a nossa própria identidade ou tradição histórica e espiritual.

Rui Moreira.
«O islamismo não é um simples fundamentalismo religioso. É, sobretudo, um totalitarismo revolucionário subversivo, uma ideologia de destruição em massa comparável ao nazismo, ao maoísmo ou ao estalinismo.
A propósito da minha última crónica - e sem surpresa, porque o mesmo sucedeu aquando de uma crónica de 2006 em que abordava o mesmo tema - recebi uma missiva que me acusava de islamofobia. O certo é que não tenho nenhuma fobia contra o Islão, enquanto religião, ou contra os seus crentes. Se há coisa que me incomoda, neste tempo pós-moderno, é a intolerância contra as religiões, e a excessiva laicização da sociedade, que está na origem dos ataques injustificados à Igreja Católica e à sua hierarquia. 
Já tenho, contudo, uma fobia quanto à politização do Islão. Tenho medo do islamismo, e da sua influência crescente na Europa, tal como receio a politização do cristianismo, na moda entre os sectores mais conservadores dos Estados Unidos. Não me refiro, é claro, ao fanatismo terrorista. Essa é uma ameaça que todos reconhecem, que exige cuidados de outra natureza, e que preocupa a esmagadora maioria dos muçulmanos. Em França, por exemplo, a comunidade muçulmana reagiu em massa contra um grupo jihadista iraquiano que raptou dois jornalistas e ameaçava assassiná-los se a lei sobre a secularização das escolas não fosse alterada. A minha preocupação recai sobre o islamismo moderno, cuja influência é cada vez maior na Europa, e que tem sido tolerado sem que se compreenda a forte ameaça que ele significa e encerra. Para Eqbal Ahmad, o escritor paquistanês que se notabilizou pelas suas campanhas contra a política americana no Médio Oriente e pela sua cruzada contra o que chamava a maldição gémea do nacionalismo e do fanatismo religioso, o islamismo é uma deturpação do Islão cuja obsessão consiste em regulamentar de forma exaustiva o comportamento humano, reduzindo a ordem islâmica a um código penal, apresentando-se destituído do seu humanismo, da sua estética, da sua procura intelectual e da sua devoção espiritual. 
O islamismo não é um simples fundamentalismo religioso. É, sobretudo, um totalitarismo revolucionário subversivo, uma ideologia de destruição em massa comparável ao nazismo, ao maoísmo ou ao estalinismo. É essa, aliás, a razão pela qual goza de uma estranha protecção por parte da extrema-esquerda que, não partilhando da sua agenda moral, vê, nos islamistas os mais eficientes dos parceiros na luta contra o "imperialismo" e a "democracia burguesa". 
Ao contrário dos multiculturalistas, que pretendem construir uma sociedade em que se torna bastante a manutenção entre as pessoas de um consenso cultural mínimo, penso que a Europa deve efectivamente tolerar a diferença, mas deve ser intransigente na defesa dos seus princípios civilizacionais. São essas as preocupações de David Cameron, que ainda há meses reconhecia que a tolerância passiva, fomentada pelo multiculturalismo que tem influenciado as políticas no Reino Unido, é a semente da discórdia entre diferentes sectores da sociedade, tendo garantido que pretendia adoptar medidas de integração a que chamou de liberalismo musculado.
A Europa não pode, por um lado, assumir uma posição laica face às religiões tradicionais que influenciam a nossa cultura e ditam os nossos comportamentos e, por outro lado, e a pretexto do direito à diferença, permitir que os defensores do islamismo nos imponham as suas regras, e nos tentem obrigar a alterar os nossos hábitos. Enquanto europeus, e se pretendemos defender as nossas conquistas civilizacionais, não podemos ter dois pesos e duas medidas. Se proibimos o negacionismo do Holocausto, não podemos aceitar que ele seja propalado, sem quaisquer consequências, nas mesquitas de Bremen.
Timothy Garton Ash escreveu, a propósito da tragédia de Oslo, que "se é ridículo sugerir que não há uma conexão entre ideologia islâmica e terror islâmico, também é ridículo sugerir que não houve nenhuma conexão entre a visão alarmista da islamização da Europa e o que Breivik entendeu que estava fazendo". A meu ver, é igualmente ridículo sugerir que não há uma conexão entre a forma como os políticos europeus têm ignorado essa islamização e o reaparecimento de um sentimento xenófobo e nacionalista na Europa.»
Rui Moreira na edição de 7 de Agosto de 2011 do Jornal de Notícias.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Espólio de Delfim Santos doado à BNP

«Ao longo da sua carreira Delfim Santos participou e proferiu conferências em diversos congressos nacionais e estrangeiros e colaborou em numerosas publicações periódicas, entre as quais a revista A Águia, de que chegou a ser director, Revista de Portugal, Presença, Revista do Porto, Inquérito, Diário Popular, Revista da Faculdade de Letras, Litoral, O Mundo Literário, Escola Portuguesa, Revista Brasileira de Filosofia, Arquivos da Universidade de Lisboa ou Diário do Norte. Algumas dessas colaborações foram editadas em separatas. Publicou ainda, por exemplo, Linha Geral da Nova Universidade de Coimbra (1934), Situação Valorativa do Positivismo (1938), Da Filosofia (1939), Conhecimento e Realidade (1940), Notes pour une Étude sur Descartes (1944), Fundamentação Existencial da Pedagogia (1946), Meditação sobre a Cultura (1946), A Criança e a Escola (1959), tendo prefaciado e preparado introduções e versões de obras de autores como Friedrich Nietzsche, Régis Jolivet, Hermann Hesse e Karl Jaspers.»
Excerto do comunicado da doação publicado pela Biblioteca Nacional de Portugal.

Delfim Santos em meados de 1953.

É com bastante regozijo que anunciamos, novamente neste espaço e em tão curto espaço tempo, mais uma importante doação feita à Biblioteca Nacional de Portugal (BNP). Desta feita trata-se da doação do espólio do filósofo Delfim Santos, iminente pensador e pedagogo, figura incontornável da cultura portuguesa do séc. XX.
Nascido na cidade do Porto em 1907, onde viria a frequentar a Faculdade de Letras, sendo aluno de mestres como Leonardo Coimbra, Aarão de Lacerda, Teixeira Rego, Newton de Macedo ou Luís Cardim, Delfim Santos acabaria por concluir a sua licenciatura em 1931, tendo partilhado o seu percurso com outros importantes nomes associados à cultura portuguesa, nomeadamente, Agostinho da Silva, Álvaro Ribeiro, Adolfo Casais Monteiro, Sant'Anna Dionísio e José Marinho.
De formação e educação cristã, frequentou, ainda durante os anos do liceu, as actividades culturais e desportivas da Associação Cristã da Mocidade. O seu interesse e dedicação à Educação levaram-no a concluir algumas cadeiras pedagógicas na Universidade de Coimbra, antes de se mudar para a cidade de Lisboa.
Em Outubro de 1935 partiu para Viena de Áustria, onde permaneceu durante dois anos como bolseiro do Instituto para a Alta Cultura, tendo igualmente conhecido a realidade académica de outras importantes cidades europeias como Berlim, Londres e Cambridge. Familiarizando com a Filosofia das Ciências e a Metafísica do Conhecimento, Delfim Santos cedo se começou a destacar nos domínios da Filosofia, tendo acabado por tornar-se Professor Catedrático em Lisboa, no ano de 1950, após uma curta passagem pelos EUA.
O seu espólio de inestimável valor, até agora à guarda da sua família, foi gentilmente doado por esta à BNP, integrando o seu Arquivo de Cultura Portuguesa Contemporânea, o que permitirá aos investigadores estudarem sobre fontes primárias o percurso e pensamento de Delfim Santos.
Este trata-se de mais um gesto patriótico de desinteressada filantropia que certamente potencializará a salvaguarda, estudo e promoção da Cultura Portuguesa.