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quinta-feira, 15 de maio de 2014

Apresentação: Uma Introdução ao Esoterismo Ocidental e suas Iniciações

«A esta preparação se chamava, e chama, iniciação. E esta iniciação é ela mesma gradual em todos os mistérios...»
Excerto do texto Subsolo da autoria de Fernando Pessoa.

(Clicar na imagem para ampliar.)

Nos dias que correm, falar em esoterismo e iniciação poderá causar uma certa estranheza a muitas pessoas. Trata-se de uma terminologia que hoje pouco ou nada diz aos indivíduos, não obstante o facto destes conhecerem os vocábulos e com eles se relacionarem, directa ou indirectamente, no seu dia-a-dia. Associado a uma fonte de conhecimento primordial, o esoterismo conjuga as vias iniciáticas que permitem, passo após passo, alcançar esse mesmo conhecimento. Associado a uma série de tradições que acabam por desaguar no grande oceano da Tradição, o esoterismo mantém uma presença bem sedimentada na civilização ocidental, impondo-se o seu conhecimento por motivos espirituais e identitários.
No próximo dia 20 de Maio, pelas 18:30, decorrerá no El Corte Inglés de Lisboa a sessão de lançamento da mais recente obra de José Manuel Anes, intitulada Uma Introdução ao Esoterismo Ocidental e suas Iniciações. Publicado pelas edições Âmbito Cultural, este livro será apresentado por Fernando Seara.
Trata-se de um evento de entrada livre, estando aberto a toda a comunidade.

terça-feira, 12 de março de 2013

Os Bárbaros do Ocidente Medieval na FLUL

Uma das principais valências da História é a possibilidade dessa prodigiosa ciência humana nos transmitir um profundo conhecimento relativo à acção e origens materiais da carga genética que carregamos. Hoje, mais do que em qualquer outro momento ou período da História, é absolutamente imperioso conhecer o nosso passado. Num período de choque civilizacional, no fim e uma era, à importância de conhecermos a história nacional acresce também a necessidade de aprofundarmos a raiz da nossa memória ancestral, de forma a podermos reclamar de um modo esclarecido a nossa herança civilizacional, com tudo o que nela nos aproxima e afasta dos restantes povos da velha Europa.
No próximo dia 1 de Abril terá início um curso subordinado ao tema História dos Povos e das Culturas: Os Bárbaros do Ocidente Medieval que se prolongará até 30 de Abril. Dirigido por José Varadas do Centro de História da FLUL (Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa), este seminário abordará ao longo de 5 sessões os percursos históricos dos seguintes povos responsáveis pelo moldar da Europa medieval: alanos, godos, suevos, vândalos, francos, anglos, saxões, burgúndios, lombardos e vikings. 
A não perder.

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terça-feira, 17 de abril de 2012

António Sardinha, a Contemporaneidade e a Fé

«Feliz de ti que crês! Eu não acredito nem deixo de acreditar. O século queimou-me as asas da fé e eu fiquei-me no limiar das portas da religião, sem poder sair nem entrar. No entanto é com melancolia cristianíssimo que eu olho os felizes que entram! É sempre bom ter-se uma certeza, ilusória embora, a que a gente se agarre nas oscilações da vida.»
António Sardinha numa carta datada de 03-11-1911,
endereçada à sua futura mulher. 

António Sardinha na sua juventude.

O positivismo de Auguste Comte veio abalar de vez os já frágeis alicerces de um paradigma tradicional, questionado pelos infames ventos jacobinos da Revolução Francesa de 1789, bem como pelo lado negro da esclavagista Revolução Industrial. À imagem do mundo ocidental, também Portugal se viu coberto pela nuvem negra de um racionalismo opressor da própria condição humana, estranho e antagónico à própria natureza do ser português e da cultura lusíada, caracterizada por uma profunda espiritualidade.
Para Portugal a entrada na contemporaneidade foi deveras violenta, mergulhando-nos um profundo sono de consequências tão nefastas como traumáticas. A generalizada confusão levantada pela corrente positivista assombrou e desgastou as sucessivas gerações de intelectuais portugueses, divididas na sua esmagadora maioria por uma luta interior, travada entre a sua ancestral espiritualidade e a imposição racionalista de um materialismo cego, fruto da tentativa aberrante de transformar o Homem em Deus. Um Deus da Razão, criado pelo próprio Homem, em oposição ao tradicional Deus criador.
Até mesmo António Sardinha, distinto poeta, ensaísta e doutrinador político-social, associado ao Integralismo Lusitano, o movimento monárquico católico português de carácter tradicionalista, padeceu de uma enfermidade espiritual, fruto do século e da época em que viveu. Esta herdara o pessimismo de finais do séc. XIX, nascido da ressaca de quase cinquenta anos de euforia científica. A sua letargia e vazio interior estendia-se a toda uma geração à qual pertencia e que, descrente das doutrinas da Igreja e das certezas da Razão, se refugiava nos meandros dos esoterismos e das sociedades secretas.
Foi a partir do contacto com as obras de Barrès, Bergson, Gustave Le Bon, Jules Soury ou Vacher de Lapouge, nomes ligados à revivescência católica iniciada em França durante o século XIX, que António Sardinha iniciou um processo de introspecção conducente ao seu regresso ao seio do catolicismo. Esta reaproximação foi inicialmente mais estética do que dogmática, mas à medida que mergulhava fundo na tradição político-religiosa portuguesa, mais foi sentindo a força do apelo da sua fé. 
Este processo de reconversão obrigou-o a ir de encontro a uma certa disciplina e doutrina, exigindo o seu esforço e atenção, potencializando desta forma o seu livre pensamento. Hoje, tempo e condições para discernir são dois elementos praticamente impossíveis de reunir. O ritmo da sociedade impele-nos a correr, enquanto as vicissitudes imorais do mundo moderno nos procuram ocupar cada segundo das nossas vidas, nem que seja com ruído ou entulho (des)informativo. Conforme defendia Henri Corbin, o bloqueio do ser humano no acesso ao estádio imaginal impede-o de realizar-se no seu todo, tornando-o mais submisso, conformado, deprimido, oprimido e facilmente manipulável. Por mais que acredite que não, o homem moderno aceita, de uma forma ou de outra, a ditadura do sorriso e o seu sistema, bem como o totalitarismo da Razão, da Ciência e de todos os dogmas sócio-políticos e económicos que procuram impor-nos. 
A arrogância advinda da falsa ilusão de que tudo está no Homem e no seu meio, não existindo nada fora dele e muito menos num plano metafísico ou espiritual, é a primeira causa para a existência de uma miopia intelectual generalizada, inibidora da própria problematização de hipóteses e até mesmo do desenvolvimento de um pensamento abstracto ou especulativo, específico e exclusivo da própria humanidade, assistindo-se à destruição dos racionalistas pelas mãos da sua própria Razão, essa pseudo-libertadora. A asfixia da fé representa, segundo esta perspectiva, um meio de opressão, um autêntico atentado à própria condição, liberdade e dignidade humanas.
Torna-se por isso pertinente a seguinte reflexão de António Sardinha que, apesar de escrita em 1912, se encontra longe de esvaziar nos seus conteúdos e actualidade:
«Claro que o meu religiosismo, além de ser um protesto contra a opressão do direito de pensar livre que por aí vai, é motivo de arte e de consolação espiritual. Não me importo com o que a razão me diz, oiço apenas o sentimento. E de resto hoje, por toda a parte o homem se está voltando de novo para a aspiração à imortalidade, visto que nada colheu dum século de positivismo estreito e dogmático. A religião não tem nada com os padres, como o Cristianismo nada com o Romanismo. Quem confunde as duas coisas é duma lamentável miopia intelectual.» 

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Sobre a República e a Maçonaria...

O filme é francês e a legenda está em inglês, porém a mensagem é claramente universal.
Para quem só agora se apercebeu da força e peso da Maçonaria na nossa História, em particular após a implantação da República em 1910, é sinal que andou claramente a dormir. A essas pessoas, sejam bem-vindas ao lado real da conspiração! Vocês são os modestos peões do grande tabuleiro de xadrez maçónico!

Imagem retirada do filme Forces occultes de 1943.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Mais um 'Natal chique' e desumanizado?

Natal Chique

Percorro o dia, que esmorece
nas ruas cheias de rumor; 
minha alma vã desaparece
na muita pressa e pouco amor.

Hoje é Natal. Comprei um anjo, 
dos que anunciavam no jornal; 
mas houve um etéreo desarranjo
e o efeito em casa saiu mal.

Valeu-me um príncipe esfarrapado
a quem são coroas no meio disto,
um moço doente, desanimado...
Só esse pobre me pareceu Cristo.

Vitorino Nemésio em O Pão e a Culpa.

Há muito que o consumismo do mundo moderno colocou em xeque a beleza e simplicidade espiritual da quadra natalícia. O problema não vem de agora, conforme podemos concluir ao ler o poema de Vitorino Nemésio intitulado Noite Chique, publicado em 1955. Hoje, que a crise imposta pelo paradigma especulativo e esclavagista do mundo democrático ocidental parece fazer a sociedade consumista agonizar pela asfixia da morte a crédito, percepcionamos nas pessoas uma maior necessidade de consumir. O diz-me o que tens, dir-te-ei quem és da actual sociedade contemporânea, alimentada pela falsa ideia de conquista da felicidade por via do consumo, transmitida e inspirada pelas fantasias alienantes do mundo mediatizado capitalista, acabam por fragilizar o estado anímico das massas, perdidas numa exaustiva corrida cuja meta estão longe de conhecer.
A impossibilidade do Homem viver num mundo que padece da ausência do mito, numa concepção arcaica e primordial do termo, conforme sugeriu Teixeira de Pascoaes, Fernando Pessoa, Dalila L. Pereira da Costa, António Quadros, entre outros pensadores nacionais ou estrangeiros, como Carl Gustav Jung, Henry Corbin ou Mircea Eliade, é hoje mais evidente do que nunca. O êxtase da modernidade é algo permanente e despojado de todo e qualquer contorno místico-meditativo, aprisionando o ser humano na sua condição material e parasitária, em detrimento da sua libertação corpórea e material, responsável pela sua elevação em espírito e pensamento.
A alienação provocada pela natureza consumista, aliada ao sentimento de posse obsessivo-compulsivo, acaba por contribuir de igual modo para a própria desumanização da sociedade, na qual o Homem ocupa, cada vez mais, um lugar dúbio situado algures entre a máquina e a besta.
Chega-se assim ao tempo da redescoberta interior e do realento da alma e do espírito. A necessidade de sacralização do sacro e do despojamento dos interesses materialistas provam por si só o anseio do Homem por um sentimento e vivência de uma liberdade real. Importa por isso não desmobilizar e prosseguir com a disseminação, cultural-espiritual do verdadeiro sentido do Natal... que independentemente do que for festejado, deve sempre celebrar três pontos fundamentais: a sacralidade família, a renovação espiritual e comunhão do espírito! 

A presente foto, publicada na edição de 8 de Dezembro de 2009 do jornal Público,
 ilustra bem o significado da quadra natalícia para o malfadado mundo moderno,
mesmo durante um grave período de crise como o que hoje atravessamos. 

sábado, 22 de janeiro de 2011

Dissidente.info - Plataforma de Desintoxicação Cultural


Foi com bastante orgulho e reconhecimento que ontem nos deparámos com a divulgação deste nosso espaço na plataforma alternativa de informação e desintoxicação cultural dissidente.info, num gesto de tremenda generosidade por parte da sua equipa constituinte.
Com a sua génese no antigo inconformista.info, este espaço de divulgação não conformista e dissidente nasceu em meados de Novembro de 2010, representando, pelo seu passado histórico na blogosfera portuguesa, bem como pela qualidade dos seus conteúdos, uma das grandes referências da rede cultural digital nacional. Este é um projecto que merece ser acompanhado de perto e por isso o recomendamos a todos os nossos amigos e leitores.