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sábado, 9 de maio de 2015

Cristiano Ronaldo, um exemplo desportivo e cívico!

A fama e o prestígio de Cristiano Ronaldo há muito que o acompanham dentro e fora das quatro linhas. Para além de ser, unanimemente, considerado como o melhor jogador do mundo, o atleta português é também conhecido pelo seu envolvimento em acções e causas solidárias. Em particular aquelas que envolvem a ajuda de crianças necessitadas. Para além de dar a cara por muitas destas acções, tanto em Portugal como no estrangeiro, Cristiano Ronaldo tem também colaborado monetariamente com elas e de uma forma bastante generosa.  
Segundo a página de informação desportiva francesa So Foot e o jornal italiano Il Primato Nazionale, a última grande doação da estrela portuguesa do Real Madrid rondará os 7 milhões de euros. Esta avultada verba foi canalizada para o apoio às crianças vítimas do terrível terramoto que assolou há poucas semanas o Nepal. Passando das palavras aos actos, Cristiano Ronaldo demonstra bem a têmpera, o voluntarismo e a virtude que caracterizam um verdadeiro campeão.

Depois de sensibilizar os seus seguidores no Facebook para a
 necessidade de ajudar as crianças afectadas pelo terramoto
no Nepal, o craque português passou das palavras aos actos.

segunda-feira, 11 de março de 2013

O pecado desportivo da vida nacional

Já em 1940, Augusto da Costa alertava-nos no seu livro Os 7 Pecados Mortais da Vida Nacional para os perigos saídos do fanatismo desportivo, criticando:
«Têm-se feito campanhas contra a ferocidade das corridas de toiros; seria também justo fazer uma campanha contra a ferocidade dos hábitos desportivos.»
O mesmo autor acrescentou:
«Há jogos que, não tendo em si nada de selvagens, como o jogo da bola, se tornam, pelo fanatismo dos que o praticam, em verdadeiras guerras de morte. As pernas e as cabeças partidas são o pão nosso de cada dia nos desafios de grande importância; por vezes, o próprio árbitro, autoridade suprema dentro do campo, sai de lá com o corpo tão combalido de pancadaria como o mais entusiasta dos jogadores; e cidades e aldeias passam a odiar-se umas às outras simplesmente por turras desportivas.»
Incidentes entre adeptos do Vitória de Guimarães e do Sporting Clube de Braga
registados durante uma recente partida de futebol. 

As críticas poderão parecer duras, mas infelizmente elas não poderiam ser mais verdadeiras e actuais face aos últimos acontecimentos ocorridos nos nossos estádio de futebol e suas imediações. Como todos sabemos, até à modernização dos estádios portugueses, por altura do Euro 2004, os selvagens adeptos ficavam atrás de inestéticos gradeamentos que procuravam proteger os jogadores e equipas de arbitragem da sua fúria e barbarismo. Contudo, a fé de que o país e os adeptos de futebol teriam desenvolvido uma consciência cívica  aliada a um apuramento do sentido de urbanidade, levou ao gradual desaparecimento de grande parte dessas barreiras defensivas. A paulatina substituição do policiamentos pela segurança privada nos desafios de futebol, salvo os jogos de maior risco como os grandes clássicos, permitiu aos clubes pouparem muito dinheiro. Um motivo de regozijo para os "clubes-empresa" do desporto moderno, numa época em que a demolidora crise agrava velhos problemas financeiros.
As crises económicas originam convulsões sociais, reanimam as rivalidades, instalam o caos, fazem florescer as perturbações da ordem pública através de um ódio nem sempre motivado ou orientado contra os verdadeiros inimigos da sociedade e dessa cada vez mais utópica fantasia designada por bem-comum. Queremos com isto dizer que o desporto, ou melhor, a violência justificada por ele, funciona sociologicamente como uma válvula de escape primária para os problemas de uma sociedade. A História diz-nos que temos razão, assim como os factos que dela interpretámos para chegarmos a estas conclusões. Se a lógica de Gustave Le Bon, autor de Psicologia das Multidões, nos leva a concluir que o desejo de vencer é tão vivo no campo desportivo como militar, a mesma também nos faz reflectir acerca do clima de paz podre que respiramos, num momento caracterizado pela necessidade de mudança. Vivemos num período de acentuada decadência dentro de uma Idade já de si decadente. O retrocesso sócio-cultural e civilizacional está à vista de todos e, pior cego é aquele que não quer ver. Confrontos como os que foram registados no final do mês passado, logo no início do desafio entre o Vitória de Guimarães B e o seu rival Sporting Clube de Braga B, impedindo a realização da partida são sinais disso mesmo. Ódios e rivalidades invocados por meras manifestações desportivas, sobretudo quando materializados de forma primária e violenta, representam sinais claros de decadência, degeneração e deformação psicossocial. Um duro revês face aos nossos históricos princípios civilizacionais e civilizadores. 
Por outro lado, o desleixe e a demissão das suas respectivas responsabilidades por parte do Estado, das direcções dos clubes e das próprias autoridades responsáveis pela manutenção da segurança e da ordem pública, reflectem o estado da nossa nação - sem rei nem lei, sem paz nem guerra. Portugal, o teu redespertar já tarda!          
Como que rematando uma qualquer análise contemporânea em jeito de reflexão face ao presente fenómeno de violência ligada ao mundo futebolístico, Augusto da Costa concluiu, uma vez mais com impressionante acutilância:
«...em vez da mens sana in corpore sano, o que encontramos, como resultado de vários factores conjugados, é abastardamento físico cada vez maior, e embrutecimento intelectual cada vez mais perigoso.» 

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Recordar Olivença em dia de Portugal-Espanha

Há muito que a questão de Olivença se tornou um tabu para a classe política nacional e uma miragem na nossa agenda política internacional. A par de Gibraltar, ocupado pelo Reino Unido, Olivença constitui outro imbróglio diplomático para a vizinha Espanha. Território reclamado legitimamente por Portugal desde a derrota da França napoleónica, de quem a Espanha era aliada, Olivença tem desde há dois séculos recebido uma série de manifestações, que visam criticar e alertar a opinião pública para este problema. Assim, no seguimento de uma série de pequenos filmes publicitários promovidos pela cadeia de hipermercados Continente que procurava provocar os adversários portugueses em véspera dos jogos do Europeu de Futebol, surgiu um outro vídeo, em vésperas de um Portugal-Espanha, aludindo à questão de Olivença, causando algum mau estar entre nuestros hermanos.
Trata-se de uma forma inteligente de passar de um subliminar uma importante mensagem de alerta, aparentemente esquecida pelas gerações mais novas.

Vídeo publicitário da rede de hipermercados Continente.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Futebol Português à conquista da Europa!

A Nova Casa Portuguesa não poderia deixar passar em claro a importante final da Liga Europa, referente à época desportiva de 2010-2011, disputada hoje em Dublin, na República da Irlanda. O desafio desta noite será, pela primeira vez na história das competições europeias de futebol entre clubes, disputado por duas equipas portuguesas, o Futebol Clube do Porto e o Sporting Clube de Braga
Gostaríamos assim de saudar este importante feito para o desporto português, desejando as melhores felicidades a ambas as equipas, esperando que o mundo inteiro possa assistir a um espectáculo digno, onde prevaleça acima de tudo a verdade desportiva. Celebra-se assim mais uma conquista do futebol nacional, festejando-se, independentemente do resultado, mais uma vitória portuguesa.
Uma última palavra dirigida também ao Sport Lisboa e Benfica que, após uma boa campanha na Liga Europa, não podendo haver uma final disputada entre os três clubes nacionais em competição, acabou por cair nas meias-finais da prova, diante da equipa bracarense.

Futebol Clube do Porto e Sporting Clube de Braga fizeram história ao tornarem-se nas
primeiras duas equipas a disputar uma final europeia exclusivamente portuguesa.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

José Mourinho eleito o melhor treinador do mundo

Protagonista português do FIFA Ballon d'Or 2011.
«Boa noite. Peço desculpa por falar em português, mas sou um orgulhoso português.»
José Mourinho.

Foi com estas palavras que José Mourinho iniciou o seu curto discurso de agradecimento pela vitória do  Prémio de Melhor Treinador do Mundo. Saudámos esta conquista para o desporto português, não apenas pelo acontecimento em si, mas pela pessoa em causa que, gostemos ou não, têm vindo a ser um importante embaixador de um Portugal de sucesso. Para aqueles que, frequentemente, criticam o futebol e o desporto em geral, discriminando a sua potencialidade enquanto factor promocional do nosso país, aproveitamos para lembrar, por exemplo, o empenho desinteressado do mais conhecido técnico português, na defesa da indústria corticeira portuguesa, em campanhas internacionais. Ser um grande português implica merecê-lo. Tanto pela excelência, como no amor à Pátria. 

 
Discurso de José Mourinho aquando da atribuição do prémio da FIFA para o
Melhor Treinador do Mundo.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

No rescaldo de um bom resultado da equipa das quinas

«A palavra multidão, no sentido vulgar, representa um conjunto de indivíduos, qualquer que seja a nacionalidade, profissão ou sexo e quaisquer que sejam também os acasos que os reuniram.
Do ponto de vista psicológico, a palavra multidão assume um significado totalmente diferente. Em determinadas circunstâncias, e apenas nessas, um aglomerado de homens possui características  novas muito diferentes das de cada individuo que o compõe. A personalidade consciente dilui-se, os sentimentos e as ideias de todas as unidades estão concentrados numa mesma direcção. Forma-se uma alma colectiva, transitória, sem dúvida, mas com traços muito nítidos. A colectividade transforma-se então naquilo que, à falta de uma expressão melhor, designarei por uma multidão organizada ou, se preferirmos, uma multidão psicológica. Ela forma um ser único e encontra-se submetida à lei da unidade mental das multidões.
»
 Gustave Le Bon em Psicologia das Multidões.

O futebol, mais do que um desporto de massas, é acima de tudo um catalisador de paixões e emoções, podendo, segundo a lógica inscrita na passagem do sociólogo e psicólogo social Gustave Le Bon, constituir um móbil para a desvinculação ou mera subtracção do eu, originando o nascimento de toda uma nova identidade colectiva.
Apesar de efémero, mas não menos perigoso, não devemos incorrer no erro de negligenciar o poder social e psicológico deste fenómeno desportivo, cada vez mais, convertido em entretenimento de massas pela obscena sociedade do espectáculo. Conscientes da deformação social que esta prática desportiva inflige à sociedade contemporânea, impondo-se como uma espécie de paradigma cultural e sócio-económico, continuamos a acreditar na possibilidade de direccionar toda a energia concentrada neste género de fenómenos para algo produtivo. Lembremos os vários estudos realizados nos últimos anos, dando conta, por exemplo, do reforço moral obtido pelos trabalhadores no dia seguinte a um bom resultado da sua equipa de predilecta.
O dia de hoje assume certamente estes contornos em virtude do rescaldo do grande resultado desportivo obtido ontem pela nossa selecção,  ou seja, os 4-0 conseguidos face à poderosa equipa espanhola, detentora dos títulos de campeã da Europa e do Mundo.
Conforme sabemos, a Espanha foi ao longo da história a nossa eterna rival, fosse a nível político, económico, militar ou até mesmo desportivo. As duas selecções nacionais defrontaram-se por variadíssimas ocasiões com resultados globais mais favoráveis para os espanhóis, numa tendência negativa que nos últimos anos se tem alterado em benefício dos portugueses. Dos humilhantes 9-0 sofridos em 1934, num jogo disputado no âmbito da qualificação para o campeonato do mundo, à nossa primeira vitória por 2-1, alcançada em Vigo no Estádio dos Balaídos em 1937, numa partida não reconhecida pela F.I.F.A. em virtude da fractura espanhola em resultado da sua guerra civil, até ao primeiro jogo ganho num confronto oficial e de modo categórico por 4-1 no Estádio Nacional, muito foi mudando na selecção das quinas e no tipo de futebol por ela praticado.
As notícias das vitórias portuguesas sobre os espanhóis elevaram na altura os jogadores à qualidade de heróis nacionais por aclamação do popular e não institucional como hoje nos tentam fazer crer. E porque na altura os tempos eram de facto outros, resolvemos hoje prestar aqui uma justa homenagem a esses atletas portugueses que pela primeira vez derrotaram a vizinha Espanha no futebol.

Primeira página da edição de 29 de Novembro de 1937 do Diário de Notícias,
destacando a primeira vitória conseguida pela selecção portuguesa de futebol
ante a sua homologa espanhola. Em virtude da guerra civil de Espanha, este
jogo nunca chegaria a ser oficializado pela F.I.F.A. 


O atleta do Futebol clube do Porto, Artur de Sousa, também conhecido por pinga,
ficaria célebre ao marcar o primeiro golo da primeira vitória alcançada sobre
a Espanha.

Imagem dos festejos do primeiro golo de Pinga na primeira vitória de Portugal
sobre a Espanha.

Momentos iniciais da primeira vitória oficial de Portugal sobre a Espanha. O
desafio de carácter amigável decorreu no Estádio Nacional a 26 de Junho de
1947, tendo terminado com o resultado de 4-1 para Portugal.

Foi num Estádio Nacional completamente cheio que Portugal conseguiu pela
primeira vez derrotar a Espanha num desafio oficial.

Momento de celebração da equipa das quinas após a marcação de um dos 4
tentos com que levaram a equipa espanhola de vencida.