Mostrar mensagens com a etiqueta Anjo de Portugal. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Anjo de Portugal. Mostrar todas as mensagens
quinta-feira, 8 de junho de 2017
terça-feira, 29 de setembro de 2015
Defende nos in proelio
Quanto ao Anjo de Portugal ser ou não S. Miguel, trata-se de uma velha questão cuja discussão se arrasta há já vários séculos. São vários os autores incluindo teólogos e eclesiásticos que apontam para a forte possibilidade do Anjo Custódio de Portugal ser de facto S. Miguel. Leia-se, por exemplo, os vários escritos do Padre Oliveros de Jesus Reis acerca desta matéria.
Portugal foi, provavelmente, a nação europeia com maior apego e devoção pelo seu Anjo Custódio. Uma tradição que, infelizmente, perdeu o seu fulgor, não obstante os esforços levados a cabo durante o século passado no sentido de recuperar esse culto.
Hoje, em termos de calendário litúrgico da Igreja Católica Romana o dia de S. Miguel é celebrado a 29 de Setembro, juntamente com os restantes arcanjos. Sendo Portugal uma nação católica, celebra-se liturgicamente esta mesma data entre nós, deixando-se o dia 10 de Junho para a celebração consagrada em exclusivo ao Anjo de Portugal.
Celebrar S. Miguel é celebrar Portugal e a sua vitória! Defende nos in proelio!
sábado, 9 de junho de 2012
Vestígios da Atlântida e o Anjo de Portugal
Este fim-de-semana a Casa do Fauno, em Sintra, apresenta uma proposta de duas interessantes conferências subordinadas a temáticas relacionadas com a tradição mítico-espiritual nacional.
Hoje, dia 9 de Junho, Luiz Vilhena Sobral fará uma comunicação intitulada Vestígios da Atlântida na Costa Portuguesa?, abordando as recentes descobertas subaquáticas que poderão revelar a existência de uma antiga civilização. Amanhã, 10 de Junho, Dia de Portugal, da Raça e das Comunidades Portuguesas, será a vez do incontornável Manuel J. Gandra usar da palavra, apresentando uma interessante comunicação intitulada O Anjo Custódio de Portugal e os Símbolos Identitários Nacionais.
As apresentações terão início pelas 15:00, sendo ambas de entrada livre.
![]() |
| (Clicar na imagem para ampliar) |
Etiquetas:
Anjo de Portugal,
Atlântida,
Casa do Fauno,
Conferência,
Cultura Portuguesa,
Espiritualidade Pátria,
Luis Vilhena Sobral,
Manuel J. Gandra,
Portugal,
Religião,
Sintra,
Tradição
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
No rescaldo de um bom resultado da equipa das quinas
«A palavra multidão, no sentido vulgar, representa um conjunto de indivíduos, qualquer que seja a nacionalidade, profissão ou sexo e quaisquer que sejam também os acasos que os reuniram.
Do ponto de vista psicológico, a palavra multidão assume um significado totalmente diferente. Em determinadas circunstâncias, e apenas nessas, um aglomerado de homens possui características novas muito diferentes das de cada individuo que o compõe. A personalidade consciente dilui-se, os sentimentos e as ideias de todas as unidades estão concentrados numa mesma direcção. Forma-se uma alma colectiva, transitória, sem dúvida, mas com traços muito nítidos. A colectividade transforma-se então naquilo que, à falta de uma expressão melhor, designarei por uma multidão organizada ou, se preferirmos, uma multidão psicológica. Ela forma um ser único e encontra-se submetida à lei da unidade mental das multidões.»
Gustave Le Bon em Psicologia das Multidões.
O futebol, mais do que um desporto de massas, é acima de tudo um catalisador de paixões e emoções, podendo, segundo a lógica inscrita na passagem do sociólogo e psicólogo social Gustave Le Bon, constituir um móbil para a desvinculação ou mera subtracção do eu, originando o nascimento de toda uma nova identidade colectiva.
Apesar de efémero, mas não menos perigoso, não devemos incorrer no erro de negligenciar o poder social e psicológico deste fenómeno desportivo, cada vez mais, convertido em entretenimento de massas pela obscena sociedade do espectáculo. Conscientes da deformação social que esta prática desportiva inflige à sociedade contemporânea, impondo-se como uma espécie de paradigma cultural e sócio-económico, continuamos a acreditar na possibilidade de direccionar toda a energia concentrada neste género de fenómenos para algo produtivo. Lembremos os vários estudos realizados nos últimos anos, dando conta, por exemplo, do reforço moral obtido pelos trabalhadores no dia seguinte a um bom resultado da sua equipa de predilecta.
O dia de hoje assume certamente estes contornos em virtude do rescaldo do grande resultado desportivo obtido ontem pela nossa selecção, ou seja, os 4-0 conseguidos face à poderosa equipa espanhola, detentora dos títulos de campeã da Europa e do Mundo.
Conforme sabemos, a Espanha foi ao longo da história a nossa eterna rival, fosse a nível político, económico, militar ou até mesmo desportivo. As duas selecções nacionais defrontaram-se por variadíssimas ocasiões com resultados globais mais favoráveis para os espanhóis, numa tendência negativa que nos últimos anos se tem alterado em benefício dos portugueses. Dos humilhantes 9-0 sofridos em 1934, num jogo disputado no âmbito da qualificação para o campeonato do mundo, à nossa primeira vitória por 2-1, alcançada em Vigo no Estádio dos Balaídos em 1937, numa partida não reconhecida pela F.I.F.A. em virtude da fractura espanhola em resultado da sua guerra civil, até ao primeiro jogo ganho num confronto oficial e de modo categórico por 4-1 no Estádio Nacional, muito foi mudando na selecção das quinas e no tipo de futebol por ela praticado.
As notícias das vitórias portuguesas sobre os espanhóis elevaram na altura os jogadores à qualidade de heróis nacionais por aclamação do popular e não institucional como hoje nos tentam fazer crer. E porque na altura os tempos eram de facto outros, resolvemos hoje prestar aqui uma justa homenagem a esses atletas portugueses que pela primeira vez derrotaram a vizinha Espanha no futebol.
Apesar de efémero, mas não menos perigoso, não devemos incorrer no erro de negligenciar o poder social e psicológico deste fenómeno desportivo, cada vez mais, convertido em entretenimento de massas pela obscena sociedade do espectáculo. Conscientes da deformação social que esta prática desportiva inflige à sociedade contemporânea, impondo-se como uma espécie de paradigma cultural e sócio-económico, continuamos a acreditar na possibilidade de direccionar toda a energia concentrada neste género de fenómenos para algo produtivo. Lembremos os vários estudos realizados nos últimos anos, dando conta, por exemplo, do reforço moral obtido pelos trabalhadores no dia seguinte a um bom resultado da sua equipa de predilecta.
O dia de hoje assume certamente estes contornos em virtude do rescaldo do grande resultado desportivo obtido ontem pela nossa selecção, ou seja, os 4-0 conseguidos face à poderosa equipa espanhola, detentora dos títulos de campeã da Europa e do Mundo.
As notícias das vitórias portuguesas sobre os espanhóis elevaram na altura os jogadores à qualidade de heróis nacionais por aclamação do popular e não institucional como hoje nos tentam fazer crer. E porque na altura os tempos eram de facto outros, resolvemos hoje prestar aqui uma justa homenagem a esses atletas portugueses que pela primeira vez derrotaram a vizinha Espanha no futebol.
![]() |
| O atleta do Futebol clube do Porto, Artur de Sousa, também conhecido por pinga, ficaria célebre ao marcar o primeiro golo da primeira vitória alcançada sobre a Espanha. |
| Imagem dos festejos do primeiro golo de Pinga na primeira vitória de Portugal sobre a Espanha. |
| Foi num Estádio Nacional completamente cheio que Portugal conseguiu pela primeira vez derrotar a Espanha num desafio oficial. |
| Momento de celebração da equipa das quinas após a marcação de um dos 4 tentos com que levaram a equipa espanhola de vencida. |
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Ode ao Anjo de Portugal
Ode ao Anjo de Portugal
Altas, altas asas, recolhidas,
um dúbio sorriso, uma expressão
de alegria serena, talvez de ironia,
talvez ainda de êxtase ou paixão,
não sei,
a própria face do enigma, como a esfinge,
não sei, que o tempo,
corruptor do símbolo e da pedra
altera ou finge
a palavra dita e silenciada.
Diogo-Pires-o-Moço te esculpiu,
o povo te esqueceu,
fecharam-te em Coimbra num museu,
porque esse que teu ser mediu
não do português uma clara existência quis fixar,
mas a perturbante essência libertar.
Escândalo o teu olhar de paz,
escândalo ontem e hoje a tua beleza intemporal,
escândalo o não pareceres Portugal
na aparência angélica que nos dás.
Olhamos-te, nós, os impacientes
olhamos-te, os saudosos, os furiosos,
porque tarda a hora de o sonho se cumprir,
porque em nossa volta, descontentes,
só vemos sonhos frustrados,
seres dilacerados,
o campo de Alcácer Quibir
ainda e sempre,
orgulho e corrupção,
coragem e miséria,
as guitarras, a traição,
a pátria dividida,
a pressa, a inteligência transviada,
El-Rei Dom Sebastião,
o seu fracasso, a sua ilusão,
a morrer ainda, devagar,
por esse país fora,
nas cidades, nas aldeias, nas montanhas,
a morrer de luxo e de pobreza,
de vaidade, de tristeza,
de curtas ambições,
de poder desregrado,
de habitual monotonia,
a morrer em almas indigentes,
em espíritos carecentes
de alegria criadora,
de entusiasmo, de amor,
Dom Sebastião a morrer dentro de mim
dentro de mim que somos todos,
nas nossas cruéis batalhas interiores
entre a visão radiante do futuro
e a realidade pesada e envolvente
do presente.
Mas altas, altas asas recolhidas,
a própria face do enigma, como a esfinge,
assim Diogo Pires te viu
e para o amanhã que é hoje te esculpiu…
Apostou na esperança, contra dúvida!
Apostou na confiança de que em breve
as grandes asas vão abrir-se porventura
e de que o corpo da pátria, leve, leve,
é ser das alturas que perdura,
apostou que o povo da aventura,
filho do mar,
pai da descoberta,
apostou que a nau fracta do ocidente
no tempo encontraria
a sonhada harmonia
dos seus poetas,
dos seus profetas,
e com clara certeza realizaria,
cedo ou tarde,
depois de quedas e infernos,
depois de abjecções e cobardias,
depois de se ter cindido
e consumido
na inveja, no ódio, na baixeza,
na sujeição, na descrença, na incerteza,
no culto dos eventos positivos,
na negação da própria alma futurante,
cedo ou tarde criaria
o quinto império do amor,
o quinto império do espírito universal,
senhor
da fraternidade enfim,
da justiça e liberdade
fundadas na verdade
que a razão inquieta demanda,
como nau de descoberta rumando ao horizonte
na aliança do leme e do mistério.
Ninguém morre na saudade e na memória,
o tempo que flui não é um grande cemitério
onde jaz sepultada toda a história.
A beleza do Anjo de Coimbra
é o que resta
da gesta.
A sua paz, o seu sorriso,
é o ser português, inteiro e puro
voltado para o futuro.
Ó Portugal,
teu ser no mundo é divisão,
teu ser em Deus é união,
mas o enigma do teu mito em acto
descobre-se no anjo que é o teu retrato.
Altas, altas asas, recolhidas,
um dúbio sorriso, uma expressão
de alegria serena, talvez de ironia,
talvez ainda de êxtase ou paixão,
não sei,
a própria face do enigma, como a esfinge,
não sei, que o tempo,
corruptor do símbolo e da pedra
altera ou finge
a palavra dita e silenciada.
Diogo-Pires-o-Moço te esculpiu,
o povo te esqueceu,
fecharam-te em Coimbra num museu,
porque esse que teu ser mediu
não do português uma clara existência quis fixar,
mas a perturbante essência libertar.
Escândalo o teu olhar de paz,
escândalo ontem e hoje a tua beleza intemporal,
escândalo o não pareceres Portugal
na aparência angélica que nos dás.
Olhamos-te, nós, os impacientes
olhamos-te, os saudosos, os furiosos,
porque tarda a hora de o sonho se cumprir,
porque em nossa volta, descontentes,
só vemos sonhos frustrados,
seres dilacerados,
o campo de Alcácer Quibir
ainda e sempre,
orgulho e corrupção,
coragem e miséria,
as guitarras, a traição,
a pátria dividida,
a pressa, a inteligência transviada,
El-Rei Dom Sebastião,
o seu fracasso, a sua ilusão,
a morrer ainda, devagar,
por esse país fora,
nas cidades, nas aldeias, nas montanhas,
a morrer de luxo e de pobreza,
de vaidade, de tristeza,
de curtas ambições,
de poder desregrado,
de habitual monotonia,
a morrer em almas indigentes,
em espíritos carecentes
de alegria criadora,
de entusiasmo, de amor,
Dom Sebastião a morrer dentro de mim
dentro de mim que somos todos,
nas nossas cruéis batalhas interiores
entre a visão radiante do futuro
e a realidade pesada e envolvente
do presente.
Mas altas, altas asas recolhidas,
a própria face do enigma, como a esfinge,
assim Diogo Pires te viu
e para o amanhã que é hoje te esculpiu…
Apostou na esperança, contra dúvida!
Apostou na confiança de que em breve
as grandes asas vão abrir-se porventura
e de que o corpo da pátria, leve, leve,
é ser das alturas que perdura,
apostou que o povo da aventura,
filho do mar,
pai da descoberta,
apostou que a nau fracta do ocidente
no tempo encontraria
a sonhada harmonia
dos seus poetas,
dos seus profetas,
e com clara certeza realizaria,
cedo ou tarde,
depois de quedas e infernos,
depois de abjecções e cobardias,
depois de se ter cindido
e consumido
na inveja, no ódio, na baixeza,
na sujeição, na descrença, na incerteza,
no culto dos eventos positivos,
na negação da própria alma futurante,
cedo ou tarde criaria
o quinto império do amor,
o quinto império do espírito universal,
senhor
da fraternidade enfim,
da justiça e liberdade
fundadas na verdade
que a razão inquieta demanda,
como nau de descoberta rumando ao horizonte
na aliança do leme e do mistério.
Ninguém morre na saudade e na memória,
o tempo que flui não é um grande cemitério
onde jaz sepultada toda a história.
A beleza do Anjo de Coimbra
é o que resta
da gesta.
A sua paz, o seu sorriso,
é o ser português, inteiro e puro
voltado para o futuro.
Ó Portugal,
teu ser no mundo é divisão,
teu ser em Deus é união,
mas o enigma do teu mito em acto
descobre-se no anjo que é o teu retrato.
António Quadros.
![]() |
Anjo Heráldico ou Anjo de Portugal, escultura portuguesa do séc. XVI, da autoria de
Diogo Pires-o-Moço, a ser visitada no Museu Nacional Machado Castro, em Coimbra. |
Subscrever:
Mensagens (Atom)




