Mostrar mensagens com a etiqueta Escultura. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Escultura. Mostrar todas as mensagens
quinta-feira, 8 de outubro de 2020
quinta-feira, 24 de maio de 2012
Representar cultos ancestrais
Ainda acerca da exposição de Daniel Gamelas, patente ao público até ao próximo dia 2 de Junho, na Ap'Arte - Galeria de Arte, no Porto, aproveitamos para destacar o artigo de José Almeida, publicado na edição de de 22 de Maio d'O Diabo, subordinado a esta interessante mostra.
Se ainda não a visitou, não deixe de aproveitar estes últimos dias para o fazer. Recordamos que a entrada é livre e aberta a toda a comunidade.
![]() |
| (Clicar na imagem para ampliar.) |
Etiquetas:
Ap'Arte - Galeria de Arte,
Cultura Portuguesa,
Daniel Gamelas,
Escultura,
Exposição,
José Almeida,
Lusitanos,
O Diabo,
Porto,
Religiões da Lusitânia,
Tradição
quinta-feira, 3 de maio de 2012
Daniel Gamelas expõe divindades lusitanas no centro do Porto
«Gamelas optou por não representar deusas arbitrárias, em vez disso, usa as suas influências nativas para criar autóctones ibéricos. A natureza exacta dessas divindades não é conhecida, nem o seu papel na mitologia lusitana antiga é totalmente compreendido, mas podem ser encontradas pistas nos seus nomes. Trebopala é o altar da casa, o lugar onde o sacrifício é feito para fornecer vida e cultura. Trebaruna é a protectora do lar, proporcionando resistência e abrigo para a fragilidade da vida. O que está claro é que estas são deusas de um matriarcado perdido, e Gamelas voltou a centrar a nossa atenção sobre a sua importância.»
Excerto do texto de introdutório de Brian Craig-Wankiiri.
![]() |
| (Clicar na imagem para ampliar.) |
![]() |
| (Clicar na imagem para ampliar.) |
![]() |
| (Clicar na imagem para ampliar.) |
Depois de expor Cerimónias matriarcais em nome das mais antigas divindades do Cabeço das Fráguas: Trebopala, Laebo, Trebaruna, o ano passado, na Galeria de Arte do Teatro Municipal da Guarda, o escultor Daniel Gamelas dá agora a conhecer ao público do Porto as suas representações de algumas divindades do panteão lusitano. Inaugurada no passado dia 28 de Abril, esta exposição estará patente ao público até ao próximo dia 2 de Junho, na Ap'arte - Galeria de Arte.
Trata-se de uma excelente oportunidade para conhecer e contemplar o trabalho deste jovem e talentoso artista português, revisitando-se simultaneamente o sacro-universo dos nossos antepassados, através de uma viagem poética proporcionada pela materialização de novas representações das nossas arcanas divindades.
A entrada é livre e aberta a toda a comunidade. Uma exposição a não perder!
Etiquetas:
Ap'Arte - Galeria de Arte,
Brian Craig-Wankiiri,
Cultura Portuguesa,
Daniel Gamelas,
Escultura,
Exposição,
Lusitanos,
Porto,
Religiões da Lusitânia,
Tradição
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
Retrospectiva da Arte Portuguesa do século XX (1910-1960)
«Na segunda década do nosso século, a arte portuguesa entrou subitamente em consonância com os movimentos de vanguarda europeus. A Exposição Livre (1911), os salões humoristas (desde 1912), a presença dos Delaunay em Portugal (1915-1917), as revistas Orpheu (1915) e Portugal Futurista (1917), a vinda dos bailados de Diaghilev (1917) e a experiência dos bailados portugueses (1918) são alguns dos acontecimentos que marcaram a acção dos modernistas num ambiente cultural dominado pelo gosto naturalista. De toda essa época ficaria apenas uma lenda, se não fosse a existência da obra de Amadeo de Souza-Cardoso, apresentada em 1916 no Porto e em Lisboa. Almada Negreiros, Eduardo Viana e Santa-Rita foram os seus companheiros. Impressionismo, futurismo, cubismo, orfismo, abstraccionismo, "purismo", expressionismo e proto-dadaísmo constituíram os diversos aspectos das obras realizadas.»
Rui Mario Gonçalves em História de Arte em Portugal - Pioneiros da Modernidade.
Continua patente no Museu Nacional de Arte Contemporânea - Museu do Chiado (MNAC), até ao próximo dia 5 de Outubro, a exposição temporária Arte Portuguesa do Século XX (1910-1960). Com uma curadoria de Adelaide Ginga, esta exposição faz uma retrospectiva histórica da criação artística em Portugal durante os primeiros sessenta anos do séc. XX, dividindo-se em cinco núcleos distintos: Frentes de vanguarda: de Paris a Lisboa;
Almada Negreiros: dinâmica e volumetria; Neo-Realismo: lirismo e crítica; Surrealismo: poesia, onirismo e acaso; Abstracção: modulação e ritmo.
Com cerca de 100 obras em exposição, entre pinturas, desenhos, esculturas e fotografias, esta mostra conduz-nos desde os primeiros anos do séc. XX, absolutamente indispensáveis a compreensão de todo o percurso da arte contemporânea portuguesa, com todos os seus pontos de ruptura e convergência com a tradição artística nacional, até à década de 1960. Organizada no âmbito das celebrações dos 100 anos do MNAC, esta exposição dá ainda a conhecer a todos os visitantes uma parte do importante acervo que esta instituição encerra, servindo assim para promover também um dos mais interessantes museus da capital portuguesa.
Aproveitamos por isso esta oportunidade para divulgar algumas das obras patentes nesta importante mostra que tão fortemente recomendamos visitar.
Com cerca de 100 obras em exposição, entre pinturas, desenhos, esculturas e fotografias, esta mostra conduz-nos desde os primeiros anos do séc. XX, absolutamente indispensáveis a compreensão de todo o percurso da arte contemporânea portuguesa, com todos os seus pontos de ruptura e convergência com a tradição artística nacional, até à década de 1960. Organizada no âmbito das celebrações dos 100 anos do MNAC, esta exposição dá ainda a conhecer a todos os visitantes uma parte do importante acervo que esta instituição encerra, servindo assim para promover também um dos mais interessantes museus da capital portuguesa.
Aproveitamos por isso esta oportunidade para divulgar algumas das obras patentes nesta importante mostra que tão fortemente recomendamos visitar.
![]() |
| Cabeça, pintura da autoria de Amadeo de Souza-Cardoso (c. 1913-1915). |
![]() |
| A Sesta de José de Almada Negreiros (1939). |
![]() |
| O Gadanheiro, uma pintura de Júlio Pomar (1945). |
![]() |
| Adão e Eva, esculturas em terracota da autoria de Ernesto Canto da Maia (1929-1939). |
![]() |
| Eu, de Fernando Lemos (1949-1952). |
![]() |
| Auto-retrato de Mário Eloy (1936). |
![]() |
| Linhas incidentes, fotografia da autoria de Fernando Taborda (1954). |
terça-feira, 26 de julho de 2011
Quatro quadras de Pessoa
![]() |
| O Desterrado, escultura da autoria de Soares dos Reis (séc. XIX). |
Compreender um ao outro
É um jogo complicado
Pois não sabe quem engana
Se não estará enganado
*
Entreguei-te o coração,
E que tratos tu lhe deste!
É talvez por'star estragado
Que ainda não m'o devolveste...
*
É talvez por'star estragado
Que ainda não m'o devolveste...
*
Meu coração a bater
Parece estar-me a lembrar
Que, se um dia te esquecer,
Terá ele que parar.
Parece estar-me a lembrar
Que, se um dia te esquecer,
Terá ele que parar.
*
Não gosto de ti, José.
A razão não sei qual é.
Gostar é como ter fé.
Tem paciência, José...
A razão não sei qual é.
Gostar é como ter fé.
Tem paciência, José...
Fernando Pessoa em Quadras (Edição de Luísa Freire).
quarta-feira, 25 de maio de 2011
Exposição individual de Daniel Gamelas na cidade da Guarda
«Uma ovelha para Trebopala e um porco para Laebo. Uma crinosa égua para Loimina. Uma ovelha de um ano para Trebaruna e um touro cobridor para Trebona.»
Excerto de uma inscrição encontrada em Cabeço das Fráguas, Guarda.
![]() |
| (Clicar na imagem para ampliar.) |
Intitulada Cerimónias matriarcais em nome das mais antigas divindades do Cabeço das Fráguas: Trebopala, Laebo, Trebaruna,
a exposição individual de Daniel Gamelas, patente na Galeria de Arte do Teatro Municipal da Guarda, entre 28 de Maio e 24 de Julho, é votada aos antigos cultos
Lusitanos, cujos principais registos foram detectados naquela região e
posteriormente estudados pelo nosso notável investigador José Leite de Vasconcelos, na sua monumental obra Religiões da Lusitânia.
Não fosse já a qualidade do jovem escultor um motivo mais do que
suficiente para merecer o nosso destaque à exposição, esta acresce ainda de
importância em virtude das obras apresentadas constituírem um caso raro de representação escultórica das nossas antigas divindades. Convém salientar que apesar de relativamente estudado e conhecido, o panteão das divindades galaico-lusitanas foram raramente objecto de inspiração dos nossos poetas, escritores, músicos, pintores ou escultores, salvo raríssimas excepções. A preferência dada por estes à cultura greco-latina conduziu as divindades mitológicas dos nossos antepassados a um obscurantismo e esquecimento, combatido pelo esforço do trabalho de algumas pessoas, zelosas do nosso importante património cultural e identitário.
Deixámos por isso desta forma expressa a nossa proposta para no próximo Sábado, dia 28 de Maio, ou seja, fazer uma visita à cidade da Guarda e assistir à inauguração desta interessantíssima exposição que contará com a presença do próprio artista.
Etiquetas:
Cultura Portuguesa,
Daniel Gamelas,
Escultura,
Exposição,
Guarda,
José Leite de Vasconcelos,
Lusitanos,
Religiões da Lusitânia,
Teatro Municipal da Guarda,
Tradição
quinta-feira, 31 de março de 2011
Ângelo de Sousa, um artista tão intemporal quanto a sua obra
«A visibilidade expositiva e crítica de obras em 'desacerto' com a década, como as de Ângelo de Sousa, Alberto Carneiro ou Bravo testemunham uma capacidade de entendimento trans-histórico das possibilidades criativas e meios de expressão.»
João Lima Pinharanda em História da Arte Portuguesa - O declínio das vanguardas.
![]() |
| Ângelo de Sousa (1938-2011). |
Recebemos ontem a triste notícia do falecimento do artista plástico Ângelo de Sousa. Apesar de ainda ter visto o seu amigo e colaborador de longa data Eduardo Souto de Moura receber o Prémio Pritzke, o artista português acabou por sucumbir vítima de doença prolongada.
Nascido no Moçambique português, na cidade de Lourenço Marques, actual Maputo, a 2 de Fevereiro de 1938, Ângelo César Cardoso de Sousa formou-se na Escola de Belas-Artes do Porto onde terminou o curso com 20 valores, juntamente com Armando Alves, Jorge Pinheiro e José Rodrigues. Desse feito nasceria o grupo do Quatro Vintes, que permaneceu activo durante alguns anos até os seus membros terem optado por seguir as suas carreiras individualmente.
A marca deixada pelos quatro magníficos da Escola de Belas-Artes do Porto manifestou-se num admirável legado. Ângelo de Sousa, cedo foi convidado a leccionar naquela instituição, à qual esteve associado entre 1967 e 2000, altura em que se jubilou na qualidade de Professor Catedrático. Escultor, pintor, desenhador e pedagogo português, viu o seu trabalho internacionalizado ainda nos primeiros anos de carreira, tendo sido bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian, do British Council na State School of Art e da Saint Martin's School of Art.
Eterno entusiasta da exploração artística, Ângelo de Sousa ficou conhecido pela forma como abraçada novos estilos e gramáticas plásticas. Associado à corrente minimalista, concentrou parte do seu trabalho no estudo da luz e da cor, rompendo com gostos, regras e preceitos, confrontando a crítica sempre de forma corajosa.
Deixou-nos um importante legado, tendo acompanhado artisticamente as vanguardas ao longo de aproximadamente 50 anos de carreira, preenchidos com vários prémios e galardões, tanto nacionais como internacionais. Para além da memória do homem, ficará imortalizada a sua obra, cuja intemporalidade a resgatará de alguma vez cair no esquecimento.
Nascido no Moçambique português, na cidade de Lourenço Marques, actual Maputo, a 2 de Fevereiro de 1938, Ângelo César Cardoso de Sousa formou-se na Escola de Belas-Artes do Porto onde terminou o curso com 20 valores, juntamente com Armando Alves, Jorge Pinheiro e José Rodrigues. Desse feito nasceria o grupo do Quatro Vintes, que permaneceu activo durante alguns anos até os seus membros terem optado por seguir as suas carreiras individualmente.
A marca deixada pelos quatro magníficos da Escola de Belas-Artes do Porto manifestou-se num admirável legado. Ângelo de Sousa, cedo foi convidado a leccionar naquela instituição, à qual esteve associado entre 1967 e 2000, altura em que se jubilou na qualidade de Professor Catedrático. Escultor, pintor, desenhador e pedagogo português, viu o seu trabalho internacionalizado ainda nos primeiros anos de carreira, tendo sido bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian, do British Council na State School of Art e da Saint Martin's School of Art.
Eterno entusiasta da exploração artística, Ângelo de Sousa ficou conhecido pela forma como abraçada novos estilos e gramáticas plásticas. Associado à corrente minimalista, concentrou parte do seu trabalho no estudo da luz e da cor, rompendo com gostos, regras e preceitos, confrontando a crítica sempre de forma corajosa.
Deixou-nos um importante legado, tendo acompanhado artisticamente as vanguardas ao longo de aproximadamente 50 anos de carreira, preenchidos com vários prémios e galardões, tanto nacionais como internacionais. Para além da memória do homem, ficará imortalizada a sua obra, cuja intemporalidade a resgatará de alguma vez cair no esquecimento.
| Pintura de Ângelo de Sousa, integrante da colecção Millenium BCP (1965). |
![]() |
Sem título, acrílico sobre tela pertencente à Colecção de
Arte Contemporânea da Fundação Ilídio Pinho (1983). |
![]() |
| Sem nome, acrílico sobre tela pertencente à Colecção de Arte Contemporânea da Fundação Ilídio Pinho (s.d.). |
![]() |
| Trabalho em pastel sobre papel, integrante da colecção da Fundação Luso-Americana (1969). |
![]() |
| 1-II-5-G, acrílico sobre tela pertencente à Colecção de Arte Contemporânea da Fundação Ilídio Pinho (s.d.). |
![]() |
| Um Ocre, acrílico sobre tela pertencente à Colecção de Arte Contemporânea da Fundação Ilídio Pinho (2006). |
![]() |
| Serigrafia assinada, datada e numerada (1997) |
![]() |
| Tinta da china sobre papel (2005). |
| Escultura em ferro de Ângelo de Sousa, integrada no complexo arquitectónico Torre do Burgo, da autoria de Eduardo Souto de Moura. |
![]() |
| Escultura de Ângelo de Sousa em aço pintado a tinta de esmalte (1966). |
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
Jorge Barradas e o painel do Infante D. Henrique
«...a cobiça de "acabar grandes e altos feitos", o domínio de si, o bom acolhimento de grande senhor na austera continência. Raro bebia vinho; passou toda a vida por casto e usaria cilício. Finalmente, as exclamações do apologista, tão sinceras de tom, diante de uma vida inteira dada a devassas de mar: "Oh quantas vezes o achou o sol assentado naquele lugar onde o deixara o dia dantes", etc., "cercado de gentes de diversas nações".
Este passo de Zurara atrai necessariamente o delicado problema de Sagres como residência e escola.»
Foi através de uma mesma leitura historicista da vida e da obra do Infante D. Henrique que Jorge Barradas criou e desenvolveu um curioso painel, subordinado à temática do Infante e da Escola de Sagres, destinado à Exposição do Mundo Português, realizada em Lisboa em 1940.
Muitas das obras realizadas para esse grande evento foram posteriormente desmanteladas e abandonadas em armazéns. Outras, com menos sorte, foram mesmo destruídas. Felizmente, a sobriedade e sensibilidade de algumas personalidades têm vindo a contribuir para a recuperação desse património, outrora efémero, mas cujo testemunho histórico-iconográfico constitui um valiosíssimo tesouro para a compreensão de uma dada época. O mesmo aconteceu com este curioso painel, adquirido pela Universidade Portucalense - Infante D. Henrique, instituição de ensino privado de referência internacional que o tem o infante português como seu patrono. Adquirido por influência do carismático Professor Doutor José Manuel Tedim, reconhecido historiador de arte afecto àquela instituição e à Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, este painel foi terminado em 1938 por Jorge Barradas, tendo recebido um restauro do pintor Avelino Leite em Outubro de 1999.
Hoje, para admirar livremente este histórico painel, basta visitar as instalações da Universidade Portucalense - Infante D. Henrique, onde se encontra exposto.
![]() |
| Aspecto geral do painel do Infante D. Henrique, da autoria de Jorge Barradas. |
![]() |
| Pormenor da representação do Infante D. Henrique. |
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
Dia de Nossa Senhora da Conceição
Em dia de celebração de Nossa Senhora da Conceição, Padroeira e Rainha Espiritual de Portugal e de todas as suas mães, aqui também homenageadas, entendeu-se por bem divulgar um dos tesouros do vasto património artístico-cultural português, criado aproximadamente dois séculos antes da coroação da Imaculada Conceição pelo monarca D. João IV, a 25 de Março 1646, como forma de agradecimento pela graça da Restauração de 1640.
Trata-se da imagem de Nossa Senhora da Conceição, da autoria do mestre escultor Diogo Pires-o-Velho, hoje localizada na Igreja Matriz de Leça da Palmeira. Esta escultura mariana, datada de 1478, foi oferecida pelo monarca D. Afonso V ao desaparecido Mosteiro de Santa Maria da Conceição, na época pertencente aos Frades Menores de São Francisco da Observância.
O fino traço escultórico que o obreiro impôs à sua criação faz jus à fama de que a escola de escultura conimbricense gozava durante os séculos XV e XVI, sendo ele um dos principais nomes a ela ligada.
| Imagem de Nossa Senhora da Conceição, da autoria do escultor português Diogo Pires-o-Velho. |
«Na segunda metade do século XV foi Diogo Pires-o-Velho o principal vulto da escultura de Coimbra, havendo diversa documentação que a ele se refere e que entra no século XVI adentro, até 1513.
Data de 1478 uma escultura de Nossa Senhora que pode admirar-se na igreja matriz de Leça da Palmeira e que foi oferecida pelo rei D. Afonso V. Conhecemos o seu itinerário, das margens do Mondego até Matosinhos, o que é indicação preciosa para entender a forma de escoamento da produção conimbricense.
Diogo Pires-o-Velho legou-nos obras de maiores dimensões do que as de João Afonso, com lançamento de panos mais natural, embora sem o encanto das imagens do mestre dos sinos. Pela Senhora de Leça podem identificar-se outras que apresentam as mesmas características: faces ovais, cabelos longos e escorridos, só com pequenas ondas, e já com uma individualização das personalidades, consoante o santo representado.»
Pedro Dias em História de Arte em Portugal - O gótico.
Etiquetas:
8 de Dezembro,
D. Afonso V,
D. João IV,
Diogo Pires-o-Velho,
Escultura,
Leça da Palmeira,
Nossa Senhora da Conceição,
Património,
Pedro Dias
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Ode ao Anjo de Portugal
Ode ao Anjo de Portugal
Altas, altas asas, recolhidas,
um dúbio sorriso, uma expressão
de alegria serena, talvez de ironia,
talvez ainda de êxtase ou paixão,
não sei,
a própria face do enigma, como a esfinge,
não sei, que o tempo,
corruptor do símbolo e da pedra
altera ou finge
a palavra dita e silenciada.
Diogo-Pires-o-Moço te esculpiu,
o povo te esqueceu,
fecharam-te em Coimbra num museu,
porque esse que teu ser mediu
não do português uma clara existência quis fixar,
mas a perturbante essência libertar.
Escândalo o teu olhar de paz,
escândalo ontem e hoje a tua beleza intemporal,
escândalo o não pareceres Portugal
na aparência angélica que nos dás.
Olhamos-te, nós, os impacientes
olhamos-te, os saudosos, os furiosos,
porque tarda a hora de o sonho se cumprir,
porque em nossa volta, descontentes,
só vemos sonhos frustrados,
seres dilacerados,
o campo de Alcácer Quibir
ainda e sempre,
orgulho e corrupção,
coragem e miséria,
as guitarras, a traição,
a pátria dividida,
a pressa, a inteligência transviada,
El-Rei Dom Sebastião,
o seu fracasso, a sua ilusão,
a morrer ainda, devagar,
por esse país fora,
nas cidades, nas aldeias, nas montanhas,
a morrer de luxo e de pobreza,
de vaidade, de tristeza,
de curtas ambições,
de poder desregrado,
de habitual monotonia,
a morrer em almas indigentes,
em espíritos carecentes
de alegria criadora,
de entusiasmo, de amor,
Dom Sebastião a morrer dentro de mim
dentro de mim que somos todos,
nas nossas cruéis batalhas interiores
entre a visão radiante do futuro
e a realidade pesada e envolvente
do presente.
Mas altas, altas asas recolhidas,
a própria face do enigma, como a esfinge,
assim Diogo Pires te viu
e para o amanhã que é hoje te esculpiu…
Apostou na esperança, contra dúvida!
Apostou na confiança de que em breve
as grandes asas vão abrir-se porventura
e de que o corpo da pátria, leve, leve,
é ser das alturas que perdura,
apostou que o povo da aventura,
filho do mar,
pai da descoberta,
apostou que a nau fracta do ocidente
no tempo encontraria
a sonhada harmonia
dos seus poetas,
dos seus profetas,
e com clara certeza realizaria,
cedo ou tarde,
depois de quedas e infernos,
depois de abjecções e cobardias,
depois de se ter cindido
e consumido
na inveja, no ódio, na baixeza,
na sujeição, na descrença, na incerteza,
no culto dos eventos positivos,
na negação da própria alma futurante,
cedo ou tarde criaria
o quinto império do amor,
o quinto império do espírito universal,
senhor
da fraternidade enfim,
da justiça e liberdade
fundadas na verdade
que a razão inquieta demanda,
como nau de descoberta rumando ao horizonte
na aliança do leme e do mistério.
Ninguém morre na saudade e na memória,
o tempo que flui não é um grande cemitério
onde jaz sepultada toda a história.
A beleza do Anjo de Coimbra
é o que resta
da gesta.
A sua paz, o seu sorriso,
é o ser português, inteiro e puro
voltado para o futuro.
Ó Portugal,
teu ser no mundo é divisão,
teu ser em Deus é união,
mas o enigma do teu mito em acto
descobre-se no anjo que é o teu retrato.
Altas, altas asas, recolhidas,
um dúbio sorriso, uma expressão
de alegria serena, talvez de ironia,
talvez ainda de êxtase ou paixão,
não sei,
a própria face do enigma, como a esfinge,
não sei, que o tempo,
corruptor do símbolo e da pedra
altera ou finge
a palavra dita e silenciada.
Diogo-Pires-o-Moço te esculpiu,
o povo te esqueceu,
fecharam-te em Coimbra num museu,
porque esse que teu ser mediu
não do português uma clara existência quis fixar,
mas a perturbante essência libertar.
Escândalo o teu olhar de paz,
escândalo ontem e hoje a tua beleza intemporal,
escândalo o não pareceres Portugal
na aparência angélica que nos dás.
Olhamos-te, nós, os impacientes
olhamos-te, os saudosos, os furiosos,
porque tarda a hora de o sonho se cumprir,
porque em nossa volta, descontentes,
só vemos sonhos frustrados,
seres dilacerados,
o campo de Alcácer Quibir
ainda e sempre,
orgulho e corrupção,
coragem e miséria,
as guitarras, a traição,
a pátria dividida,
a pressa, a inteligência transviada,
El-Rei Dom Sebastião,
o seu fracasso, a sua ilusão,
a morrer ainda, devagar,
por esse país fora,
nas cidades, nas aldeias, nas montanhas,
a morrer de luxo e de pobreza,
de vaidade, de tristeza,
de curtas ambições,
de poder desregrado,
de habitual monotonia,
a morrer em almas indigentes,
em espíritos carecentes
de alegria criadora,
de entusiasmo, de amor,
Dom Sebastião a morrer dentro de mim
dentro de mim que somos todos,
nas nossas cruéis batalhas interiores
entre a visão radiante do futuro
e a realidade pesada e envolvente
do presente.
Mas altas, altas asas recolhidas,
a própria face do enigma, como a esfinge,
assim Diogo Pires te viu
e para o amanhã que é hoje te esculpiu…
Apostou na esperança, contra dúvida!
Apostou na confiança de que em breve
as grandes asas vão abrir-se porventura
e de que o corpo da pátria, leve, leve,
é ser das alturas que perdura,
apostou que o povo da aventura,
filho do mar,
pai da descoberta,
apostou que a nau fracta do ocidente
no tempo encontraria
a sonhada harmonia
dos seus poetas,
dos seus profetas,
e com clara certeza realizaria,
cedo ou tarde,
depois de quedas e infernos,
depois de abjecções e cobardias,
depois de se ter cindido
e consumido
na inveja, no ódio, na baixeza,
na sujeição, na descrença, na incerteza,
no culto dos eventos positivos,
na negação da própria alma futurante,
cedo ou tarde criaria
o quinto império do amor,
o quinto império do espírito universal,
senhor
da fraternidade enfim,
da justiça e liberdade
fundadas na verdade
que a razão inquieta demanda,
como nau de descoberta rumando ao horizonte
na aliança do leme e do mistério.
Ninguém morre na saudade e na memória,
o tempo que flui não é um grande cemitério
onde jaz sepultada toda a história.
A beleza do Anjo de Coimbra
é o que resta
da gesta.
A sua paz, o seu sorriso,
é o ser português, inteiro e puro
voltado para o futuro.
Ó Portugal,
teu ser no mundo é divisão,
teu ser em Deus é união,
mas o enigma do teu mito em acto
descobre-se no anjo que é o teu retrato.
António Quadros.
![]() |
Anjo Heráldico ou Anjo de Portugal, escultura portuguesa do séc. XVI, da autoria de
Diogo Pires-o-Moço, a ser visitada no Museu Nacional Machado Castro, em Coimbra. |
Subscrever:
Mensagens (Atom)


























