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terça-feira, 14 de julho de 2020

António Quadros faria hoje 97 anos

Conforme várias vezes referido, António Quadros foi, provavelmente, o rosto mais visível da Filosofia Portuguesa. Terá pesado para isso, não a sua ascendência familiar, sendo filho de António Ferro e Fernanda de Castro, mas sim a sua obra e legado, o seu carisma, dom para a comunicação, afável personalidade e extrema generosidade. 
Privou entre os maiores do seu tempo e com eles contribuiu para o aprofundamento e divulgação da  nossa História, Cultura e Filosofia. No campo dos estudos pessoanos foi, juntamente com Dalila Pereira da Costa, o principal hermeneuta do nosso poeta modernista, co-organizando com a autora de O Esoterismo de Fernando Pessoa a monumental edição de Obras Completas de Fernando Pessoa, publicada em três volumes de papel bíblia pela Lello Editores. Era um homem extremamente activo do ponto de vista intelectual, abraçando a sua obra com a maravilhosa predisposição de um missionário. Assumia que escrevia para aprender e que aprendia escrevendo. A sua singularidade tornou-o, à hora da sua morte, num homem insubstituível, amado e, por isso mesmo, saudoso. 
Em 2020, ano em que se publicou a primeira edição integral da sua obra Portugal, Razão e Mistério, contendo os dois volumes já publicados e um terceiro que, até agora, se encontrava inédito, cumprem-se também os 97 anos do seu nascimento. Desse modo, hoje, para relembrar o aniversário de António Quadros, partilhamos um belíssimo texto lavrado pela pena da sua filha, Rita Ferro, publicado a 3 de Abril de 1993, no jornal Semanário, dias depois da sua morte.
«Era um homem bizarro: inquietava-o o enigma do ser, falava de Cristo com admiração, exaltava-se com a Poesia e levava a sério as crianças – tinha o direito de se fascinar mais com ideias do que com automóveis. Vestia-se como os outros para não dar nas vistas, falava em voz baixa numa língua estranha, contrariava os seus instintos até aos limites e aprendeu tudo o que havia a aprender na vida para experimentar sozinho a dor da limitação humana. Ao mesmo tempo que se deixou arrebatar pelas pedras e pelas árvores, teve amigos feios, com caspa nos ombros e gravatas amarrotadas. Era tão crédulo e infantil que comovia: alugava a primeira casa que lhe impingiam, subscrevia revistas para ganhar o relógio digital e passava cheques aos amigos sem qualquer apreensão; no fundo, no fundo, achava o dinheiro um trambolho. Estava-se a borrifar para que os seus livros se não vendessem, porque não tinha pressa. Não precisava de se ter calado para que a sua voz se ouvisse, mas a culpa foi dele: preferiu sussurrar as suas ideias e cantar alto as dos outros. Inflamava-se com Homero e Sófocles, Camões e Shakespeare, Pascoaes e Pessoa, mas não fazia troça dos aspirantes ao Dom - tinha uma bondade disponível para companheiros e discípulos. Não era desconfiado como os aldrabões e apertava a mão aos adversários porque se esquecia das ofensas. Acreditava em coisas estranhas: que os contos de fadas não eram mentira, que havia uma transcendência nos homens e na História, que o seu País era eleito e os seus compatriotas homens de bem. Desgostava-se com a pobreza espiritual desta geração, vestia luto pela Natureza como qualquer de nós, mas tinha uma Fé inquebrantável na fraternidade universal e cósmica. Arranjou tempo para tudo: ajudar desconhecidos, fundar uma escola, jogar à bola com os netos, dissolver as vaidades. Uns, chamavam-lhe sábio, outros, maçador, mas ele não se ralava porque via "para além do Espelho", como só os poetas, os pensadores e talvez as crianças. Devia ser bom, porque foi amado pela mulher durante cinquenta anos. Partiu um dia "num barco em cuja vela branca se via uma cruz vermelha", e o bem mais valioso que deixou à família foi Portugal. No cais, foi enternecedor encontrar todos os seus amigos e todos os seus inimigos de lenço na mão, a acenarem com a mesma saudade e a mesma vergonha. Apesar do nevoeiro, o nevoeiro mítico onde tantos heróis e poetas se perderam, houve pessoas que juram ter visto uma estrela enorme a piscar o olho.»
Nascido a 14 de Julho de 1923, António Quadros completaria hoje 97 anos de vida.

quinta-feira, 24 de março de 2016

Epistolário de António Quadros e António Telmo

O semanário O Diabo publicou, na passada Terça-Feira, uma recensão ao recém-editado Epistolário de António Quadros e António Telmo. Uma obra que reúne um importante acervo documental, constituído pela correspondência trocada por aqueles dois importantes pensadores ao longo de aproximadamente três décadas. Vale a pena ler! 

(Clicar na imagem para ampliar.)

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Vida e Obra de Fernanda de Castro (1900-1994)

Celebra-se amanhã, dia 8 de Dezembro, o 115.º aniversário do nascimento de Fernanda de Castro. Mulher de António Ferro e mãe de António Quadros, Fernanda de Castro foi uma importante figura das letras portuguesas. Para além do seu vasto legado literário plasmado nas áreas da poesia, teatro, romance, ou literatura infantil, foi ainda uma personalidade bastante activa na sociedade portuguesa, onde se destacou nas áreas da cultura e beneficência. Injustamente esquecida pelo grande público, a sua memória tem vindo a ser salvaguardada pela Fundação António Quadros.
De modo a homenagear esta autora nas vésperas da data do aniversário do seu nascimento, partilhamos a emissão de 11 de Novembro de 2010 do programa O Jardim da Literatura, da rádio Antena 1, inteiramente dedicado à sua vida e obra.

Vida e Obra de Fernanda de Castro (1900-1994).

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Portugal Razão e Mistério: Encontrada a terceira parte de uma das principais obras de António Quadros

«Só peço a Deus que me dê tempo, força e cabeça para concluir as obras que tenho projectadas. O terceiro e quarto volume de Portugal Razão e Mistério; um livro sobre a filosofia portuguesa, de Bruno a Orlando; um outro livro, sobre O Primeiro Modernismo Português (…) e ainda outros que tenho na cabeça.»
Excerto de uma carta de António Quadros para 
António Telmo, datada de Janeiro de 1987. 

Capas da primeira edição dos dois primeiros volumes de Portugal Razão e Mistério.

Publicados através da chancela da Guimarães, os dois volumes de Portugal Razão e Mistério são considerados pela vasta maioria dos conhecedores e hermeneutas da obra de António Quadros como a sua obra-prima. Pensada para quatro volumes, apenas dois foram publicados ainda em vida do filósofo português, sabendo-se que um terceiro estaria praticamente terminado nas vésperas da sua morte. 
De resto, este foi um dos temas debatido com mais interesse no colóquio internacional António Quadros: Vida, Obra e Contextos que decorreu em Lisboa e Rio de Janeiro, em Maio e Junho de 2013. Nessa altura, António Braz Teixeira e Pinharanda Gomes partilharam, com os participantes desse encontro nas sessões de Lisboa, as conversas que mantiveram com António Quadros a propósito da terceira parte dessa obra. Falou-se na certeza da sua existência, apesar da incerteza quanto ao seu paradeiro. 
Desaparecida desde a morte de António Quadros, a terceira parte da obra Portugal Razão e Mistério terá sido recentemente localizada e identificada no espólio da Fundação António Quadros. Esta notícia foi avançada através da revista Nova Águia, onde esta descoberta foi descrita como «um raio de luz nestes tempos sombrios...» Efectivamente, a tetralogia iniciada por António Quadros propunha-se a realizar uma importante síntese e reflexão em torno de Portugal, da natureza teleológica da nossa História, cultura, espírito e tradição. 
Os derradeiros anos de António Quadros foram férteis em projectos editoriais, sendo que muitos deles acabaram, lamentavelmente, por nunca se realizar. A morte, reclamando-o cedo demais, fez com que a sua partida nos impossibilitasse de alcançar um maior domínio em matéria do conhecimento relativo à nossa Espiritualidade Pátria. Esperemos que com a recente redescoberta e futura publicação do terceiro volume de Portugal Razão e Mistério possamos, finalmente, desvendar um pouco mais do pensamento de António Quadros, mergulhando mais fundo nas misteriosas e matriciais raízes da nossa Pátria. 

sábado, 15 de junho de 2013

António Quadros na Casa do Bispo (Sesimbra)

Numa altura em que se comemoram os 20 anos do desaparecimento de António Quadros, o Círculo António Telmo associou-se à Fundação António Quadros numa das muitas iniciativas organizadas ao longo do corrente ano que visam homenagear, lembrar, estudar e promover o pensamento e a obra daquele que foi um dos grandes portugueses do século XX. Alguém que soube amar e ensinou a amar profundamente Portugal e a nossa Cultura. 
Deste modo, no próximo dia 29 de Junho, a partir das 10:30, na Casa do Bispo, em Sesimbra, decorrerá um encontro de homenagem a António Quadros que congregará cerca de 10 investigadores. A entrada será livre e aberta a toda a comunidade.

António Quadros.

:: Programa ::

Às 10:30

António Quadros Ferro - Uma visão propedêutica e panorâmica da obra de António Quadros
Luís Paixão - O livro Introdução a uma estética existencial, de António Quadros
Samuel Dimas - António Quadros e Sampaio Bruno
Helder Cortes - António Quadros e Fernando Pessoa

Intervalo para almoço

Às 15:00

António Carlos Carvalho - Deus e os Homens - Interrogação à História
José Almeida - «Valete, Fratres»: Da Ordem do Templo à Ordem de Cristo
Renato Epifânio - A ideia de Pátria em António Quadros
Rui Lopo - António Quadros: Crítica, Teoria ou Filosofia da Literatura?

Intervalo

Rodrigo Sobral Cunha - Filosofia da Paisagem na obra de António Quadros
Abel de Lacerda Botelho - António Quadros, um missionário do Espírito Santo
Pinharanda Gomes - Testemunho

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Colóquio internacional sobre António Quadros

«A cultura portuguesa como tal, isto é, numa originalidade que parte da filosofia para as formas artísticas e poéticas, não é social, académica e universitariamente reconhecida.»
António Quadros em Angústia do Nosso Tempo e a Crise da Universidade.

(Clicar na imagem para ampliar.)

António Quadros foi uma das principais figuras da Cultura Portuguesa do século XX, sendo a sua obra tão vasta como fundamental para compreendermos a nossa História, Cultura e Tradição. Assim, passados 20 anos sobre a data da sua morte, urge recuperar a memória e a obra de um dos nossos maiores, estudando-o e dando-o a conhecer aos portugueses de hoje e de amanhã.
Conscientes da importância do seu pensamento e obra, o Centro de Estudos de Filosofia e o Centro de Estudos de Comunicação e Cultura da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa, a Fundação António Quadros e o Real Gabinete Português de Leitura do Rio de Janeiro, em parceria com a Câmara Municipal de Lisboa e a Câmara Municipal de Cascais, organizam o Colóquio Internacional António Quadros: Obra, Pensamento, Contextos. Colóquio Internacional nos 90 anos do seu nascimento e 20 da sua morte
Com o Alto Patrocínio da Excelentíssima Senhora Dra. D. Maria Cavaco Silva, este encontro terá lugar nos próximos dias 13, 14 e 15 de Maio em Cascais e Lisboa, terminando a 5 de Junho no Rio de Janeiro, no Brasil.
A entrada é livre e aberta a todos os interessados.


:: Programa ::

1º Dia - 13 de Maio
Auditório do Centro Cultural de Cascais

Sarau Musical e Literário

18:30 - Apresentação das linhas gerais do Colóquio Internacional António Quadros: Obra, Pensamento, Contextos, nos 90 anos do seu nascimento e 20 da sua morte.
18:45 - Mostra de Imagens - Homenagem a António Quadros realizada pela Universidade Autónoma de Lisboa.
19:00 - Leitura Poemática por Manuel Cândido Pimentel e Maria Arriaga.
19:10 - Ó Portugal, Ser Profundo, poema de António Quadros musicado e cantado por Gonçalo da Câmara Pereira e, Quand il est mort le poète!, por Gonçalo Lucena.
19:30 - Porto de Honra.


2º Dia - 14 de Maio
Universidade Católica Portuguesa - Lisboa, Auditório 2

09h15m - Recepção dos participantes
09h30m - Abertura / Autoridades

1º Painel: 10:00 - 11:10
Moderador: Joaquim Domingues

10:00 - António Braz Teixeira - A Estética em António Quadros
10:20 - José Carlos Francisco Pereira - A Dimensão Estética no Pensamento de António Quadros
10:40 - Debate
11:10 - 11:25 - Pausa para Café

2º Painel: 11h25m - 12h55m
Moderador: António Braz Teixeira

11:25 - Teresa Seruya - António Quadros, Tradutor
11:45 - Maria de Lurdes Sirgado Ganho - António Quadros, Leitor de Albert Camus
12:05 - Marta Mendonça - António Quadros e a Crítica ao Existencialismo
12:25 - Norberto Ferreira da Cunha - António Quadros e o Positivismo
12:45 - Debate
13:00 - 14:00 Pausa para Almoço

3º Painel: 14:00 - 15:30
Moderador: Manuel Cândido Pimentel

14:00 - Pinharanda Gomes - António Quadros e o Movimento da Filosofia Portuguesa
14:20 - Renato Epifânio - António Quadros – A Filosofia Portuguesa e a Tradição Joaquimita: em Diálogo com Agostinho da Silva e José Marinho
14:40 - Manuel Gama - António Quadros e o “57 – Movimento de Cultura Portuguesa”
15:00 - Afonso Rocha - Razão e Mistério – uma Leitura Comparada entre Sampaio Bruno e António Quadros
15:20 - Debate
15:30 - 15:40 - Pausa para Café

4º Painel: 15:40 - 16:50
Moderador: José Carlos Francisco Pereira

15:40 - Joaquim Domingues - António Quadros, Filósofo do Movimento
16:00 - Jorge Croce Rivera - Ser e Estar, Ter e Haver, Fazer: Espírito, Língua e Cultura no Pensamento de António Quadros
16:20 - Rodrigo Sobral Cunha - Filosofia da Paisagem na Obra de António Quadros
16:40 - Debate
16:50 - 17:00 - Pausa para Café

5º Painel: 17:00 - 18:00
Moderador: José Eduardo Franco

17:00 - Annabela Rita - António Quadros e a Ficção Nacional
17:20 - João Bigotte Chorão - António Quadros, Crítico Literário
17:40 - Rui Lopo - Debates e Controvérsias Literárias em António Quadros
18:00 - Debate

6º Painel: 18:10 - 19:30
Moderador: Peter Hanenberg

18:10 - Nuno Júdice - António Quadros e o Modernismo
18:30 - Raquel Nobre Guerra de Oliveira - António Quadros, Leitor Integral de Fernando Pessoa
18:50 - José Almeida - A Procura da Verdade Oculta: António Quadros e o Pensamento Esotérico de Fernando Pessoa
19:10 - José Carlos Seabra Pereira - A Antropologia Literária em António Quadros
19:30 - Debate


3º Dia - 15 de Maio
Universidade Católica Portuguesa - Lisboa, Auditório 2

7º Painel: 09:30 - 11:00
Moderador: José Antunes de Sousa

09:30 - Manuel Ferreira Patrício - Linhas de Força de uma Antropagogia Situada na Obra de António Quadros
09:50 - Luísa Leal de Faria - A Universidade em Crise: uma Questão Cultural
10:10 - Abel Lacerda Botelho - António Quadros e a Paideia Lusitana
10:30 - Pedro Cabrera - A Educação que o Futuro Espera
10:50 - Debate
11:00 - 11:15 Pausa para Café

8º Painel: 11:15 - 12:55
Moderador: Pedro Cabrera

11:15 - Samuel Dimas - A Distinção entre o Tempo Mítico Grego (Angústia da Tragédia) e o Tempo Histórico Judaico-Cristão (Esperança Bíblica) no Pensamento Escatológico de António Quadros
11:35 - Sofia A. Carvalho - Mito, Utopia e Ucronia: leituras de António Quadros e Eudoro de Sousa
11:55 - António Carlos Carvalho - Deus e os Homens - Interrogação à História
12:15 - Debate
13:00 - 14:00 - Pausa para Almoço

9º Painel: 14:00 - 15:10
Moderadora: Sofia A. Carvalho

14:00 - José Antunes de Sousa - António Quadros: Cultura e Desocultação
14:20 - Miguel Real - A Exegese do Sebastianismo em António Quadros
14:40 - Pedro Vistas - Saudade e Futuro em António Quadros
15:00 - Debate
15:10 - 15:25 - Pausa para Café

10º Painel: 15:25 - 16:55
Moderador: Manuel Ferreira Patrício

15:25 - Guilherme d’Oliveira Martins - António Quadros – Intérprete do Portugal Moderno
15:45 - Jorge Teixeira da Cunha - A Intuição e o Conceito do Divino na Obra de António Quadros
16:05 - Paulo Borges - Portugal e "o projecto áureo de realização da humanidade" em António Quadros
16:25 - Manuel Cândido Pimentel - A Teologia do Espírito Santo em António Quadros
16:45 - António Cândido Franco - A Poética de António Quadros
17:05 - Debate
17:10 - 17:15 - Pausa para Café

11º Painel: 17:15 - 19:00
Mesa de Testemunhos
Moderadora: Teresa Rita Lopes

- António Braz Teixeira
- António Roquette Ferro
- João Bigotte Chorão
- José António Barreiros
- Mafalda Ferro
- Manuel Cândido Pimentel
- Mário Bigotte Chorão
- Rita Ferro

19:00 - Beberete oferecido pela Herdade do Paço do Conde


4º Dia - 5 de Junho
Real Gabinete Português de Leitura do Rio de Janeiro

10:00 - Apresentação

- António Gomes da Costa, Presidente do Real Gabinete Português de Leitura
- Nuno Bello, Cônsul-Geral de Portugal no Rio de Janeiro
- António Quadros Ferro - António Quadros no Brasil 20 anos depois

12º Painel: 11:30

- Mário Sérgio Ribeiro - A Filosofia do Movimento em António Quadros: Prolegômenos Especulativos à Operacionalização da Saudade do Futuro
- Alexandro Souza - Razão e Pátria: António Quadros, o '57' e a Ideia de Filosofia Portuguesa
- Marco Antonio Barroso - Mito, História e Meta-História: um Confronto entre o Pensamento Existencial de António Quadros e Vicente Ferreira da Silva
13:00 - Pausa para almoço

13º Painel: 14:30

- Constança Marcondes César - A Visão do Brasil em António Quadros: Vieira, Canudos, Suassuna
- Loryel Rocha - O Caráter Paraclético e Apocalíptico da Ilha Brasil no Contexto do Mito Sebastianista
- Joel Carlos De Souza Andrade - António Quadros e o Sebastianismo Brasileiro
- Lúcia Helena Sá - António Quadros como Precursor dos Estudos do Sebastianismo na Literatura Brasileira
16:30 - Pausa para café

14º Painel: 17:00

- Ana Maria Moog Rodrigues - António Quadros e o Brasil
- João Ferreira - História, Hermenêutica Esotérica e Filosofia em "Portugal: Razão e Mistério" de - António Quadros
- Maria Isabel de Siqueira - A concepção de História em António Quadros: uma contribuição para o estudo da cultura portuguesa

19:00 - Sessão de Encerramento

sexta-feira, 1 de junho de 2012

D. Sebastião e o Quinto Império em Fernando Pessoa

«Reactivar o mito ou os mitos profundos do povo português, eis o objectivo de Fernando Pessoa, que na Mensagem se faz o profeta (mas um profeta angustiado, torturado e saudoso) do regresso de D. Sebastião e da instauração do Quinto Império, embora um D. Sebastião e um Quinto Império muito diferentes da tradição comum.»


D. Sebastião e o Quinto Império em Fernando Pessoa é o nome da comunicação apresentada no próximo dia 6 de Junho, por Paulo Borges, na nona sessão do ciclo de conferências Fernando Pessoa: Filosofia, Religião e Ciências do Psiquismo Humano. Organizado pelo próprio Paulo Borges, juntamente com Nuno Ribeiro e Cláudia Souza, esta sessão terá lugar, como de costume, pelas 18:30, nas instalações da Casa Fernando Pessoa, em Lisboa.
A entrada é livre e aberta a todos os interessados.

quinta-feira, 22 de março de 2012

António Quadros nos 19 anos do seu desaparecimento

«Portugal vive hoje não só uma profunda crise política, económica, financeira e social, mas também uma crise de identidade que desmotiva e desorienta os portugueses. Urge voltar a estimular o seu patriotismo, voltar a ensinar a sua história e cultura, voltar a mostrar-lhes porque podem sentir-se orgulhosos de ser portugueses. Urge em suma continuar Portugal, porque de outra forma nos tornaremos, sem vantagem para ninguém, colonato, província ou feudo.»
António Quadros no prefácio da sua obra A Arte de Continuar Português (1977). 

António Gabriel de Quadros Ferro, notável pensador, pedagogo,
escritor e tradutor, desapareceu há 19 anos. Contudo o seu
importante legado permanece vivo entre os portugueses.

Filho de António Ferro e Fernanda de Castro, António Quadros nasceu na cidade de Lisboa a 14 de Julho de 1924. Tendo dedicado a sua vida à cultura lusíada, através da sua extensa actividade literária e ensaistica, tornou-se num importante vulto do pensamento português. 
Distinguindo-se na área da filosofia da história, deixando-nos um importante legado através de uma vasta obra publicada, António Quadros poderá não ter sido um homem de acção e militância como o seu pai, mas por certo herdara-lhe o génio e, acima de tudo, o amor incondicional a Portugal. Certamente agraciado por um ambiente familiar propício ao desenvolvimento intelectual, Quadros conviveu ainda com várias personalidades distintas do panorama cultural nacional e internacional, entre as quais o romeno Mircea Eliade, cuja obra muito o influenciou.
O seu próprio percurso acabaria por o colocar na mesma rota de outros importantes nomes do pensamento português, tais como Álvaro Ribeiro, José Marinho, Francisco da Cunha Leão, Agostinho da Silva, Dalila L. Pereira da Costa, Afonso Botelho, Orlando Vitorino, António Telmo, Pinharanda Gomes, entre outros. Da sua extensa bibliografia destacam-se obras como O Espírito da Cultura Portuguesa, A Arte de Continuar Português, Fernando Pessoa. Vida, Personalidade e Génio, Introdução à Filosofia da História, Poesia e Filosofia do Mito Sebastianista, Portugal Razão e Mistério, A Ideia de Portugal na Literatura Portuguesa dos Últimos Cem Anos, O Primeiro Modernismo Português - Vanguarda e Tradição ou Estruturas simbólicas do Imaginário na Literatura Portuguesa. António Quadros foi, juntamente com Jorge Sena, Dalila L. Pereira da Costa e Yvette K. Centeno, um dos primeiros estudiosos do esoterismo pessoano, ocupando-se da organização, publicação e comentário de uma vasta parte da obra de Fernando Pessoa.
Pedagogo integral, António Quadros mostrou-se sempre sensível às questões da educação que, para ele, se apresentavam como fundamentais ao desenvolvimento humano e espiritual do indivíduo.
A Fundação António Quadros invocou ontem os primeiros 19 anos passados sobre o seu desaparecimento, uma efeméride que a Nova Casa Portuguesa não poderia deixar de lembrar, homenageando também esse vulto da nossa cultura, cujos sábios ensinamentos têm inspirado sucessivas gerações de portugueses, desbloqueando-lhes a alma e aniquilando todos os elementos inibidores à realização de Portugal e da sua missão. Conscientes da importância da manutenção da sua memória e do seu legado, recordamos o pedido da recém-falecida Dalila L. Pereira da Costa que alertava para um certo esquecimento ao qual António Quadros estaria votado, pedindo às gerações mais jovens que o 'ressuscitassem'. Talvez a proximidade do 20.º aniversário da sua morte, celebrado no próximo ano, sirva de mote para o início de um estudo mais sistemático e intensivo sobre a sua vida e obra, podendo os seus resultados conservar e perpetuar de vez, no nosso inconsciente colectivo, alguns dos mistérios constituintes do nosso axioma mais profundo.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

XXI Festa do Espírito Santo celebrada na Serra da Arrábida

«Nas Festas do Império portuguesas, criadas por Dinis e Isabel, o homem de baixa condição, o pobre ou a criança sobre cuja cabeça era e ainda é colocada a Coroa do Imperador do Espírito Santo, coroa fechada e encimada por uma pomba branca, símbolo tradicional do divino Paráclito, é por assim dizer o profeta do Império do Espírito Santo de amanhã, iniciando o ritual e as festas, tal como se realizavam, a correlação das crenças e das ideias, das classes e das formas (…) a Festa do Império constitui o paradigma simbólico e ritual do projecto áureo português, projecto religioso universal através da iniciativa dionísica, que irá guiar e iluminar singularmente a história nacional no seu período mais fecundo e criacionista.»
António Quadros em Portugal, Razão e Mistério (Vol. 2)

A Associação Agostinho da Silva e a Fundação António Quadros unem esforços para juntos organizarem, no próximo Domingo dia 12 de Junho, a XXI Festa do Espírito Santo, celebrada no Domingo de Pentecostes, em plena Serra da Arrábida. 
Estas celebrações ficarão marcadas pela leitura de alguns textos de Agostinho da Silva, António Quadros e Dalila L. Pereira da Costa, subordinados à temática do Espírito Santo, tão profundamente impregnada no nosso inconsciente colectivo. Com o apoio do Convento da Arrábida - Fundação do Oriente, este encontro de fraternidade espiritual terá início junto ao próprio convento, por volta das 11h, dando-se posteriormente início às actividades anunciadas no programa abaixo divulgado.
A participação neste encontro é livre e aberta a todos os interessados.

(Clicar na imagem para ampliar.)

sábado, 26 de março de 2011

António Quadros 18 anos depois

«Acreditem em Portugal, porque Portugal está no mais fundo de cada um de vós e sem Portugal sereis menos do que sois.» 

(Clicar no convite para ampliar.)

Completou-se no passado dia 21 de Março 18 anos desde o desaparecimento físico de António Quadros. Obreiro e guardião da portugalidade, deixou em todos nós um sentimento de saudade e gratidão pelo seu hercúleo esforço em promover e elevar Portugal no coração de todos nós. Dando a conhecer até os mais particulares e enigmáticos pormenores da nossa cultura, António Quadros afirmou-se como um dos  principais alicerces da cultura lusíada durante a segunda metade to século XX.
Assim, de forma a relembrar esta importante figura da cultura e pensamento português, a Fundação António Quadros oferece hoje, a partir das 15h, no Palácio da Foz, em Lisboa, um programa cultural bastante diversificado, com nomes como José Campos e Sousa, António Braz Teixeira, Guilherme de Oliveira Martins ou Maria Arriaga.
A apresentação deste evento ficará a cargo de Mafalda Ferro, filha de António Quadros e presidente da Fundação António Quadros. Entrada livre.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Ode ao Anjo de Portugal

Ode ao Anjo de Portugal

Altas, altas asas, recolhidas,
um dúbio sorriso, uma expressão
de alegria serena, talvez de ironia,
talvez ainda de êxtase ou paixão,
não sei,
a própria face do enigma, como a esfinge,
não sei, que o tempo,
corruptor do símbolo e da pedra
altera ou finge
a palavra dita e silenciada.

Diogo-Pires-o-Moço te esculpiu,
o povo te esqueceu,
fecharam-te em Coimbra num museu,
porque esse que teu ser mediu
não do português uma clara existência quis fixar,
mas a perturbante essência libertar.

Escândalo o teu olhar de paz,
escândalo ontem e hoje a tua beleza intemporal,
escândalo o não pareceres Portugal
na aparência angélica que nos dás.
Olhamos-te, nós, os impacientes
olhamos-te, os saudosos, os furiosos,
porque tarda a hora de o sonho se cumprir,
porque em nossa volta, descontentes,
só vemos sonhos frustrados,
seres dilacerados,
o campo de Alcácer Quibir
ainda e sempre,
orgulho e corrupção,
coragem e miséria,
as guitarras, a traição,
a pátria dividida,
a pressa, a inteligência transviada,
El-Rei Dom Sebastião,
o seu fracasso, a sua ilusão,
a morrer ainda, devagar,
por esse país fora,
nas cidades, nas aldeias, nas montanhas,
a morrer de luxo e de pobreza,
de vaidade, de tristeza,
de curtas ambições,
de poder desregrado,
de habitual monotonia,
a morrer em almas indigentes,
em espíritos carecentes
de alegria criadora,
de entusiasmo, de amor,
Dom Sebastião a morrer dentro de mim
dentro de mim que somos todos,
nas nossas cruéis batalhas interiores
entre a visão radiante do futuro
e a realidade pesada e envolvente
do presente.

Mas altas, altas asas recolhidas,
a própria face do enigma, como a esfinge,
assim Diogo Pires te viu
e para o amanhã que é hoje te esculpiu…
Apostou na esperança, contra dúvida!
Apostou na confiança de que em breve
as grandes asas vão abrir-se porventura
e de que o corpo da pátria, leve, leve,
é ser das alturas que perdura,
apostou que o povo da aventura,
filho do mar,
pai da descoberta,
apostou que a nau fracta do ocidente
no tempo encontraria
a sonhada harmonia
dos seus poetas,
dos seus profetas,
e com clara certeza realizaria,
cedo ou tarde,
depois de quedas e infernos,
depois de abjecções e cobardias,
depois de se ter cindido
e consumido
na inveja, no ódio, na baixeza,
na sujeição, na descrença, na incerteza,
no culto dos eventos positivos,
na negação da própria alma futurante,
cedo ou tarde criaria
o quinto império do amor,
o quinto império do espírito universal,
senhor
da fraternidade enfim,
da justiça e liberdade
fundadas na verdade
que a razão inquieta demanda,
como nau de descoberta rumando ao horizonte
na aliança do leme e do mistério.
Ninguém morre na saudade e na memória,
o tempo que flui não é um grande cemitério
onde jaz sepultada toda a história.
A beleza do Anjo de Coimbra
é o que resta
da gesta.
A sua paz, o seu sorriso,
é o ser português, inteiro e puro
voltado para o futuro.

Ó Portugal,
teu ser no mundo é divisão,
teu ser em Deus é união,
mas o enigma do teu mito em acto
descobre-se no anjo que é o teu retrato.

António Quadros.

Anjo Heráldico ou Anjo de Portugal, escultura portuguesa do séc. XVI, da autoria de
Diogo Pires-o-Moço, a ser visitada no Museu Nacional Machado Castro, em Coimbra.