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domingo, 11 de fevereiro de 2018

Tertúlias de Cultura Portuguesa de 2018

As Tertúlias de Cultura Portuguesa estão de regresso à cidade do Porto. No ano em que se celebra o centenário do nascimento de Dalila Pereira da Costa (1918-2012), personagem incontornável da cultura e do pensamento português - autora de obras como O Esoterismo de Fernando Pessoa, A Força do Mundo, A Nau e o Graal, Da Serpente à Imaculada, Introdução à Saudade, Portugal Renascido, Corografia Sagrada, As Margens Sacralizadas do Douro Através dos Vários Cultos, entre outras -, este ciclo de encontros não poderia deixar de lhe ser dedicado.
Organizadas por Joaquim Domingues, José Almeida e Pedro Sinde, através do MIL - Movimento Internacional Lusófono e da revista Nova Águia, as Tertúlias de Cultura Portuguesa têm uma periodicidade mensal, decorrendo entre os meses de Fevereiro e Novembro, no auditório do Palacete Viscondes de Balsemão, no Porto. 
À imagem das edições passadas, estes encontros reunirão alguns dos principais exegetas e pensadores da Cultura Portuguesa. Deste modo, entre a lista dos convidados poderemos encontrar os nomes de Abel de Lacerda Botelho, Alexandre Teixeira Mendes, Brunello Natale De Cusatis, Cynthia Taveira, Elísio Gala, Henrique Manuel Pereira, Joaquim Domingues, José Almeida, José Carlos Seabra Pereira, José Manuel Lello, José Rui Teixeira, José Valle de Figueiredo, Mafalda Ferro, Manuel Rezende, Maria João Pinto, Maria José Leal, Paulo Borges, Paulo Samuel, Pedro Jacob Morais, Pedro Sinde, Pedro Teixeira da Mota, Pinharanda Gomes, Renato Epifânio, Rodrigo Sobral Cunha, Rui Lopo, entre outros.
A primeira sessão terá lugar no próximo dia 17 de Fevereiro, às 14:30, no Palacete dos Viscondes de Balsemão. A entrada é livre e aberta a toda a comunidade. 

(Clicar na imagem para ampliar.)

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Pseudalopex: Arte e inspirações de Haylane Rodrigues

«Pela via de sempre cada passo é novo.»
Rodrigo Sobral Cunha em Visitação dos sóis. 

Quando a arte e o talento se aliam ao Amor todas as barreiras e fronteiras parecem esbater-se. Os mundos aproximam-se, até os contíguos, e desta cumplicidade nascem sonhos com um espírito de permanente comunhão, criando-se pontes até ao infinito. Enceta-se assim um caminho para a sublimação e superação da própria individualidade, através do qual a Verdade se manifesta pela seguinte tetralogia portuguesa: Saudade, Paixão, Amor e Glória. De resto, isto foi o que aconteceu com a ilustradora brasileira Haylane Rodrigues que, desde a sua aproximação da cultura portuguesa, em finais de 2013, se viu abraçar com a atávica paixão de quem, por intermédio do espírito e do coração, regressa à sua matriz primordial, redescobrindo-se.
Nascida em 1990, Haylane Rodrigues é natural do Estado da Paraíba, no Nordeste do Brasil. Apesar da precocidade com que se manifestou o seu talento, nunca equacionou a possibilidade de um dia poder enveredar por uma carreira artística. Autodidacta de formação, bebeu fortes influências nos domínios da Filosofia, História, Literatura, Poesia, Mitologia, Zoologia e tradições populares. Fortemente enraizada na tradição nordestina e na ideia de um Sertão ideal, através do qual recebeu claros ecos da cultura clássica e portuguesa, consagrou sempre o seu coração e a sua arte ao mais elevado e puro sentido da beleza. A sua arte, “bela, moral e armorial”, reaviva a centelha da tradição e da virtude incluída naquela simplicidade natural, apenas característica entre os que possuem o talento de bem-fazer.
Entre 2014 e o presente ano, Haylane Rodrigues tem vindo a realizar uma série de trabalhos votados à cultura portuguesa, em particular no âmbito do retrato, revisitando personalidades como Sampaio Bruno, Teixeira de Pascoaes, Fernando Pessoa, Dalila Pereira da Costa, Carlos Eduardo de Soveral, entre outras. A sua notoriedade em Portugal advém desde logo das colaborações regulares com algumas publicações periódicas como, por exemplo, os jornais O Diabo e Diário do Minho, ou a revista Nova Águia, onde tem publicado alguns dos seus trabalhos. Tendo já ilustrado dois títulos do catálogo das Edições Réquila, as suas criações têm também figurado em inúmeros cartazes e convites para encontros ou eventos relacionados com a cultura portuguesa, ou o diálogo filosófico-cultural luso-brasileiro.
O crescente interesse desta artista pela cultura portuguesa, correspondido no interesse dos portugueses pela sua arte, abriu a possibilidade de expor a sua obra em Portugal, ainda durante este ano através da realização de duas exposições diferentes, previstas para as cidades do Porto e Lisboa. Até lá, poderemos acompanhar o trabalho de Haylane Rodrigues ou fazer encomendas, através do blogue do seu projecto Pseudalopex, visitável em http://pseuda-lopex.blogspot.com.

Templo de Diana, aguarela (2015). 

Sampaio Bruno, ilustração com arranjo gráfico de André Henriques (2014).

Teixeira de Pascoaes junto à Fonte dos Golfinhos, desenho a lápis (2014).

Fernando Pessoa, retrato em aguarela (2015).

Dalila Pereira da Costa, retrato em aguarela (2015).

Carlos Eduardo Soveral, retrato em aguarela (2015).


Mariana Alcoforado, retrato inacabado a lápis (2014). 

José Almeida, retrato em esferográfica (2014).

terça-feira, 4 de março de 2014

Recordar Dalila L. Pereira da Costa

«É a esta juventude actual, que irá todo o meu respeito de fervor e esperança.
Não pelo que conseguiu já de realizado, mas pelo que ela tem desejado. Pela sua sede dum outro mundo e não-conformidade com este de agora.»
Dalila L. Pereira da Costa em Os Jardins da Alvorada. 
Dalila L. Pereira da Costa.

Para além de poetisa, escritora e ensaísta, Dalila L. Pereira da Costa (1918-2012) representa o rosto feminino da Filosofia Portuguesa, figurando ao lado de personalidades como António Quadros, Pinharanda Gomes, Afonso Botelho, António Telmo, ou Orlando Vitorino, no encalço da mesma tradição filosófica dos mestres Álvaro Ribeiro e José Marinho. Tendo a cidade do Porto como berço, integrou o seu pensamento numa linhagem cultural que muitos acabaram por designar de “Porto Culto”.
Apesar das suas obras apenas terem começado a ser publicadas a partir dos anos 1970, a vasta bibliografia que nos legou de imediato se revelou de extrema importância para a compreensão da História, cultura, pensamento e espiritualidade portuguesas. Assumindo as influências que recebera de Martins Sarmento, José Leite de Vasconcelos e Henry Corbin, destacam-se entre os seus trabalhos obras como O Esoterismo de Fernando Pessoa, A Nau e o Graal, A Nova Atlântida, A Força do Mundo, Dos Mundos Contíguos, Corografia Sagrada, Contemplação dos Painéis, As Margens Sacralizadas do Douro Através de Vários Cultos, Introdução à Saudade – escrito em co-autoria com Pinharanda Gomes –, ou ainda a organização, com António Quadros, dos três volumes constituintes das Obras Completas de Fernando Pessoa, publicados pela Lello & Irmão Editores.
Durante o mês de Março celebram-se as datas do seu nascimento e exaltação pelo que o ensaísta Pedro Sinde e o realizador Henrique Manuel Pereira evocarão a sua memória no próximo Sábado, dia 8 de Março, pelas 15:00, na livraria Leya na Latina, no Porto, relembrando uma das mais fascinantes personalidades da contemporaneidade portuguesa. Este encontro será ainda marcado pela apresentação em primeira mão de um vídeo inédito com uma entrevista à autora, gravada aquando da realização do documentário Nome de Guerra, a Viagem de Junqueiro, produzido pela Escola de Belas Artes da Universidade Católica do Porto.

domingo, 3 de março de 2013

Dalila L. Pereira da Costa: um ano de Saudade

«Aqui, tudo se resumirá do meu lado, a uma receptividade ou aquiescência.
Esperar, receber ou surpreender uma coisa.
E agora, também pela primeira vez, o sentido das palavras sagradas se desvenda.
Na terra, a boa vontade dos homens, é resposta à Glória de Deus nas alturas.
Toda a criação é louvor. 
Onda que desce do alto e ao alto volta a subir.
Em círculo fechado de anjos.»

Dalila Lello Pereira da Costa (1918-2012), a eterna sibila da Cultura Portuguesa.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Tempo de Advento

Alguém tocou à porta. Esperança nova em duas vidas repleta.
Mil crianças nascendo e já leoas em Teu louvor cantando.
Que queres que por nós se faça, Pai nosso desconhecido?
Águas de cima e águas de baixo agora já separadas,
o caos dominado e o mensageiro chegado.
Azul e branco, na cestinha suspensa de sua boca,
tesouros falantes trazendo: sementes douradas
de novo mundo a serem espalhadas
E o que nunca enviou foram cartas amargas ofertadas,
de mundo ido, passado: de territorialidade, sim.
E o verdilhão português canto novo cantou.
Principiará ele a compreender o enorme grau de grandeza
da morte e da renascença portuguesa?
Animadoras esperanças no seu canto havia.

Tua última vontade é uma palavra ansiosa de véus encoberta.
 Dalila L. Pereira da Costa em Portugal Renascido.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Homenagem a Dalila L. Pereira da Costa

«Ó nostálgicas ilhas perdidas, que enigma nos propõe vossos altos cones verdes na terra espalhados, moradas de mortos antigos e sua sabedoria calada?»
Dalila L. Pereira da Costa em Portugal Renascido. 

(Clicar na imagem para ampliar.)

O Instituto de Filosofia da FLUP (Faculdade de Letras da Universidade do Porto), em parceria com o CNC (Centro Nacional de Cultura), organiza no próximo dia 20 de Novembro, pelas 18:00, no Palacete Visconde de Balsemão, no Porto, uma homenagem a Dalila L. Pereira da Costa, figura maior do Pensamento e Cultura pátrias, desaparecida no início do corrente ano. O Professor Paulo Ferreira da Cunha ficará encarregue do discurso de homenagem que será antecedido pela intervenção de Guilherme Oliveira Martins, presidente do CNC, a propósito da criação da Associação de Filosofia e Culturas de Língua Portuguesa. Este encontro será realizado no âmbito das celebrações do centenário do Movimento da Renascença Portuguesa.
A entrada é livre e aberta a toda a comunidade.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Encontro sobre Fernando Pessoa e a experiência esotérica

«O conhecimento foi para Pessoa uma experiência vivida. Conhecer foi para ele uma modalidade de ser, actividade não separável da sua existência, pois que fazendo parte do seu ser integral, e possuindo uma finalidade soteriológica, toda a sua vida e obra são demandadas de redenção pelo conhecimento, poético, contemplativo, os dois assuntos tomados, assumidos, como exemplares exercícios espirituais.»
Dalila L. Pereira da Costa em O Esoterismo de Fernando Pessoa.  

Fernando Pessoa em discussão no European Society for the Study of Western Esotericism.

Fernando Pessoa é unanimemente aceite como um dos principais vultos da literatura do século XX. Após a sua morte em 1935 constatou-se, através do imenso espólio que deixou por publicar, um imenso interesse e envolvimento deste poeta e pensador com o esoterismo. Um aspecto importante do pensamento pessoano que carece ainda de um estudo e sistematização de fundo, indispensáveis para conhecermos um pouco melhor uma das mais intrigantes figuras da cultura portuguesa e europeia da última centúria.
Sendo que o esoterismo pessoano se integra numa tradição ancestral, cuja origem é praticamente impossível de assinalar, mas cujo trajecto acompanha uma série de importantes personalidades em todo o mundo, assiste-se a um crescente interesse no estudo desta dimensão do pensamento do autor português. Assim, o European Society for the Study of Western Esotericism (ESSWE), sediado na Holanda, organiza no próximo dia 23 de Maio um encontro subordinado ao tema Fernando Pessoa and the Esoteric Experience, contando com a participação de vários investigadores, nacionais e internacionais .
Este encontro terá lugar na Sala de Conferências do Instituto Holandês de Estudos Avançados (NIAS), em Wassenaar (www.nias.nl). A entrada é livre, mas condicionada pela lotação do espaço.
Para mais informações sobre este evento, por favor, consulte: http://www.esswe.org/#archief/fernando-pessoa-and-the-esoteric-experience.html.

Participantes 

Onésimo Almeida (Brown University), Pessoa’s conception of myth and truth 

Marco Pasi (NIAS/Universiteit van Amsterdam), Fernando Pessoa and the study of western esotericism: problems and perspectives

Jerónimo Pizarro (NIAS/Universidad de los Andes, Bogotá), Editing the occult

Steffen Dix (ICS/Universidade de Lisboa), Fernando Pessoa between Theosophy and Rosicrucianism 

Pedro Sepúlveda (ELAB/Universidade Nova de Lisboa), May 29, 1928, and Pessoa’s reformulation of his work 

Jorge Uribe (Universidade de Lisboa), Fernando Pessoa’s readings of the shoemaker-prophet: Gonçalo Anes Bandarra 

Patricia Silva McNeill (University of London), Sacred geometry of being: esoteric imagery in Pessoa’s poetic and aesthetic writings 

Pauly Ellen Bothe (Universidade de Lisboa), Mysticism and poetry in Fernando Pessoa

domingo, 4 de março de 2012

O dia em que Dalila L. Pereira da Costa completaria o seu 94.º aniversário.

Merecia a imortalidade que certamente conquistou num plano metafísico e espiritual. Quis ironicamente o destino que o seu corpo encontrasse ontem sepultura, a um dia de completar 94 anos de passagem por este mundo. Através da mística conheceu o êxtase e neste encontrou o caminho até à Luz que agora a abraçou eternamente. São por isso suas as palavras neste dia de saudade e nostalgia.
«Pois o que vejo neste instante de passagem, é a presença de dois mundos, separados, irredutíveis (contíguos no espaço e sincrónicos no tempo?): o mundo profano onde estava há pouco e o mundo divino onde penetrei subitamente, e que subitamente me envolveu totalmente. Me envolveu e separou do mundo onde estava no momento imediatamente precedente, e que agora era exterior e distante: invisível e inexistente. Aí onde penetrei, era uma esfera de cristal, onde tudo era luz e silêncio - tudo isso que subitamente veio e me envolveu. Esfera feita duma substância poderosamente dura e frágil. Irradiante e geometricamente definida. Fremente e calma: a verdadeira vida nesse lugar desvendada. Impondo-se por uma potência irresistível, uma autoridade incontestável; mas vulnerável, susceptível de ser posta em fuga à menor falta da minha parte.»
Dalila L. Pereira da Costa em A Força do Mundo. 

Mistério e Revelação, pintura a óleo sobre tela da
autoria de Margarida Cepêda.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Dalila L. Pereira da Costa (1918-2012)

«Sonhos, profecias, visões, iluminações, e ainda a música, serão as diferentes maneiras do sagrado se revelar: suas diversas teofanias. O profeta, o iluminado, o homem que sonha, o poeta, o visionário, o músico, o homem religioso, participam, em planos diversos, duma mesma essência - atingem em diversas intensidades a fonte da Revelação.»
Dalila L. Pereira da Costa em Os Sonhos: Porta de Conhecimento.

Dalila Lello Pereira da Costa (1918-2012).

Chamaram-lhe a sibila da cultura portuguesa e da portugalidade. Dalila L. Pereira da Costa, como costumava assinar as suas obras, nasceu em 1918 na cidade do Porto e foi uma das mais notáveis intelectuais do século XX português.
Dotada de uma enorme craveira intelectual, chegou ainda a conhecer o filósofo Leonardo Coimbra que, a par de Sampaio Bruno, Teixeira de Pascoaes e Fernando Pessoa, acabaria por tornar-se num importante ponto de partida para as suas incursões nos domínios da tradição, espiritualidade, cultura e pensamento portugueses. Em Coimbra licenciou-se em Ciências Histórico-Filosóficas, onde encontrou Damião Peres e Joaquim de Carvalho como professores. Mais tarde, após uma breve passagem pelo Brasil e Bélgica, tornou-se na única mulher do Grupo da Filosofia Portuguesa, fundado por Álvaro Ribeiro e José Marinho, com quem haveria de travar uma estreita relação de amizade, assim como com outros membros desse núcleo, destacando-se os nomes de Afonso Botelho, António Quadros, Orlando Vitorino, António Telmo, Pinharanda Gomes e António Brás Teixeira, para além de outros intelectuais como Sant'Anna Dionísio ou Agostinho da Silva.
Detentora de uma profunda erudição e um vasto conhecimento universal, conjugou as várias linhas da tradição, espiritualidade e cultura portuguesas com as grandes obras de Mircea Eliade, Carl Gustav Jung, René Guénon, Henri Corbin e outros pensadores de renome internacional. A singularidade do seu pensamento abalou os meios intelectuais portugueses logo após a publicação do seu primeiro livro, O esoterismo em Fernando Pessoa, lançado apenas em 1971. Na sua obra destacam-se as referências ao lado feminino das nossas ancestrais raízes, bem como aos arquétipos que animam o nosso inconsciente colectivo. A magia que povoa as palavras constituintes da sua escrita aproximam-na da mística e do êxtase, como que os seus ensaios, poesia ou trabalhos literários fossem na verdade um registo das vociferações telúricas da Pátria-Mãe. 
A singularidade da sua obra e pensamento levaram-na a participar em inúmeras publicações e encontros nacionais e internacionais, tendo sido por várias vezes alvo de diversas e merecidas homenagens. Devemos por isso, hoje mais do que nunca, apostar no estudo e divulgação do seu legado. Esse cordão dourado que nos permite descer às nossas mais profundas raízes, desvendando alguns dos mais arcanos mistérios da essência cultural e espiritual da portugalidade. 
Dalila L. Pereira da Costa partiu hoje, a dois dias de completar 94 anos, deixando para trás dezenas de obras e um enorme sentimento de perda nos corações que a choram. O seu corpo encontra-se a ser velado na igreja do Santíssimo Sacramento, na rua Guerra Junqueiro, de onde sairá amanhã o funeral às 15:00.
A Nova Casa Portuguesa, expressa o mais sentido pesar por esta perda de vulto para a cultura nacional, na esperança porém de que a nossa ilustre sibila encontre agora a paz no seu caminho de regresso ao Paraíso, alcançando por fim a eterna Luz da Revelação.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

IV Colóquio Luso-Galaico sobre a Saudade

«A saudade só morre na morte (porque aí, realizando-se de todo, se anula, por consumação): quando as camadas terrestres do fruto forem destruídas pela força total consumidora do Espírito, até ao cerne, à semente eterna do ser, que ela protege e envolve (e alimenta) - como polpa de vida e tempo, ou vida no tempo.
A saudade é sempre a passagem, como processo em vias de se fazer, em incessante perfectibilidade, do tempo à eternidade. A saudade é sempre a passagem, como processo em vias de se fazer, em incessante perfectibilidade, do tempo à eternidade.»
Dalila L. Pereira da Costa em  Introdução à Saudade.

Com a chegada dos primeiros dias de Outono discute-se e medita-se sobre o enraizamento da Saudade, através da realização do IV Colóquio Luso-Galaico sobre a Saudade. Este decorrerá durante os próximos dias 4 e 5 de Novembro, numa organização do Instituto de Filosofia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto (Grupo de Investigação Raízes e Horizontes da Filosofia e da Cultura em Portugal), em parceria com o Centro de Estudos do Pensamento Português - Centro Regional do Porto da Universidade Católica Portuguesa e o Instituto de Filosofia Luso-Brasileira. O programa deste colóquio encontra-se dividido em quatro painéis sequenciais, espalhados pelas instalações da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, Universidade Católica Portuguesa (Porto), Biblioteca Municipal de Viana do Castelo e Biblioteca Albano Sardoeira em Amarante. A entrada é livre.

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Programa do Colóquio 

4 de Novembro Sessão I - Faculdade de Letras da Universidade do Porto: Anfiteatro II 

09h30
- Sessão de Abertura com Maria Celeste Natário, Arnaldo Pinho, José Esteves Pereira e António Braz Teixeira.

10h00 
- Manuel Ferreira Patrício - Mitologia, Fenomenologia, Ontologia da Saudade - Um Itinerário Ascendente e Aprofundante 
- José Pedro Angélico - Criação, Esperança e Saudade. Breves apontamentos teológicos 
- Teresa Noronha - Desejo e Saudade. Do Caos a Conatus 
- António Cândido Franco - Em torno duma mitologia da saudade  

11h30
- Paulo Ferreira da Cunha - Poderá Haver “Saudades do Futuro”? 
- Helena Filipa Lourenço - "Velai o Reino da Saudade": A representação da Saudade em algumas obras da Literatura Portuguesa 
- Maria De Lourdes Sirgado Ganho - Saudade: Afonso Botelho Leitor De D. Duarte 
- Maria Celeste Natário - Física e Metafísica da Saudade em Pascoaes 

13h00
- Intervalo Para Almoço 


Sessão II - Centro Regional do Porto da Universidade Católica Portuguesa 

14h30
- António Braz Teixeira - Da possibilidade de pensar a Saudade a partir da filosofia espanhola contemporânea 
- Joam Evans - A Saudade galego-portuguesa no quadro mitológico europeu: uma interpretação antropológica do messianismo atlântico 
- Luís Garcia Soto - Saudades galegas 
- Dirk Hennrich - Cinco princípios para uma fenomenologia da Saudade 

16h00
- Paulo Borges - Saudade e Saúde. Saudar e Salvar
- Ricardo Ventura - Paráfrase e alegoria n'as saudades da terra de Gaspar Frutuoso 
- Bruno Béu de Carvalho - Saudade evocativa e saudade absoluta em Vergílio Ferreira 
- Rui Lopo - O Sopesamento Não Saudosista Da Saudade: O Contributo Filosófico De José Barata-Moura 

17h30
- Manuel Cândido Pimentel - Vieira e a Saudade 
- Duarte Drumond Braga - Saudade e “Índia Nova” no jovem Pessoa 
- Raquel Nobre Guerra - Para uma leitura da Saudade em Álvaro de Campos 
- Luís Araújo - Aspectos do Saudosismo em Pascoaes 


5 De Novembro Sessão III - Viana do Castelo: Biblioteca Municipal 

10h30
- Rodrigo Sobral Cunha - O ritmo da Saudade 
- Samuel Dimas - A Saudade metafísica do mistério 
- Margarida Simões - A Saudade: uma heterodoxia identitária
- Pedro Baptista - Da Saudade ao paraíso do futuro
- Miguel Real - A teoria da Saudade em António Braz Teixeira e Paulo Borges
- Renato Epifânio - As não Saudades de Agostinho da Silva 

12h30
- Intervalo Para Almoço 


Sessão IV - Amarante: Biblioteca Albano Sardoeira 

16h00
- José Carlos Seabra Pereira - Outras visões da Saudade 
- Luísa Malato - Energia, outro nome da Saudade: o teatro crítico do Padre Feijoo 

17h00
- Lançamentos - Revista Nova Águia Nº 8: O Pensamento da Cultura de Língua Portuguesa; Vários Autores, A Águia & a República: 100 anos depois; Maria Celeste Natário, Teixeira De Pascoaes: Saudade, Física e Metafísica 

18h00 
- Sessão de Encerramento 

domingo, 12 de junho de 2011

Às Mães que nos geraram...

Mater Dei, Seio do Mundo

«E a Mulher eleita que o canto incluía, poucas vezes se ouvia.
Agora, que toda a gente pense: Qual o sentido tem para nós o nome da Mãe enquanto não veneramos a vida e a morte numa só vida?
Sois como a água, a natureza correndo livre do céu à terra, o dogma ondulando nas vagas do tempo, o nome de uma Desconhecida: teu esplendor de tanta glória os céus enchendo desta Nação.
Pequena amostra estaria já sobre a terra, com uma sobrecarga de dor. 
Agora, entre risos e frémitos de asas, teus anjos brincam às escondidas pelos quatro cantos do céu. 
Pulverizações, rebentações do mal em múltiplas partículas se espalhando no chão de ontem.
E hoje na terra, sombream-nos ainda um resto de melancolia de tempo ido.
Tudo existindo como passagem. E a senha?
Porque, quem se atreve a indagar por ela?
Mas no grande tumulto inaugural, súbito a corola da Rosa centifólia a nós se abrindo.»

Dalila L. Pereira da Costa em Portugal Renascido.

Detalhe escultórico da igreja românica de S. Romão de Arões.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

XXI Festa do Espírito Santo celebrada na Serra da Arrábida

«Nas Festas do Império portuguesas, criadas por Dinis e Isabel, o homem de baixa condição, o pobre ou a criança sobre cuja cabeça era e ainda é colocada a Coroa do Imperador do Espírito Santo, coroa fechada e encimada por uma pomba branca, símbolo tradicional do divino Paráclito, é por assim dizer o profeta do Império do Espírito Santo de amanhã, iniciando o ritual e as festas, tal como se realizavam, a correlação das crenças e das ideias, das classes e das formas (…) a Festa do Império constitui o paradigma simbólico e ritual do projecto áureo português, projecto religioso universal através da iniciativa dionísica, que irá guiar e iluminar singularmente a história nacional no seu período mais fecundo e criacionista.»
António Quadros em Portugal, Razão e Mistério (Vol. 2). 

A Associação Agostinho da Silva e a Fundação António Quadros unem esforços para juntos organizarem, no próximo Domingo dia 12 de Junho, a XXI Festa do Espírito Santo, celebrada no Domingo de Pentecostes, em plena Serra da Arrábida. 
Estas celebrações ficarão marcadas pela leitura de alguns textos de Agostinho da Silva, António Quadros e Dalila L. Pereira da Costa, subordinados à temática do Espírito Santo, tão profundamente impregnada no nosso inconsciente colectivo. Com o apoio do Convento da Arrábida - Fundação do Oriente, este encontro de fraternidade espiritual terá início junto ao próprio convento, por volta das 11h, dando-se posteriormente início às actividades anunciadas no programa abaixo divulgado.
A participação neste encontro é livre e aberta a todos os interessados.

(Clicar na imagem para ampliar.)