sábado, 9 de junho de 2012

Vestígios da Atlântida e o Anjo de Portugal

Este fim-de-semana a Casa do Fauno, em Sintra, apresenta uma proposta de duas interessantes conferências subordinadas a temáticas relacionadas com a tradição mítico-espiritual nacional. 
Hoje, dia 9 de Junho, Luiz Vilhena Sobral fará uma comunicação intitulada Vestígios da Atlântida na Costa Portuguesa?, abordando as recentes descobertas subaquáticas que poderão revelar a existência de uma antiga civilização. Amanhã, 10 de Junho, Dia de Portugal, da Raça e das Comunidades Portuguesas, será a vez do incontornável Manuel J. Gandra usar da palavra, apresentando uma interessante comunicação intitulada O Anjo Custódio de Portugal e os Símbolos Identitários Nacionais. 
As apresentações terão início pelas 15:00, sendo ambas de entrada livre.

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quinta-feira, 7 de junho de 2012

Amadeo de Souza-Cardoso e a Festa do Corpo de Deus

A tradição da Festa de Corpus Christi, ou do Corpo de Deus, remota ao século XII, quando o Papa Urbano IV a instituiu por Bula Papal. Celebrada 60 dias após a Páscoa, esta festividade móvel pode ocorrer entre 21 de Maio e 24 de Junho. Caracterizada pela crença cristã de que o Sangue e o Corpo de Cristo se encontram de facto presentes na Eucaristia, esta solenidade assume-se como um testemunho e veneração de um dos principais Sacramentos da Igreja Católica. 
Em Portugal os relatos sobre a celebração do Corpo de Deus remontam ao reinado de D. Afonso III, sendo porém no reinado de D. Dinis que a festa é por assim dizer oficializada. Como de costume em terras portuguesas, esta celebração cedo começou por assimilar um lado profano ao seu lado sagrado. Nas famosas procissões perfilavam representantes das várias profissões, com carros alegóricos, diabos, a serpe cornuda, a terrível coca ou dragão derrotado por S. Jorge, os gigantones, entre outros elementos. A música assume-se ainda hoje como um factor importante da celebração mais profana desta festa. Das gaitas-de-foles e tambores, aos sinos a repique, ou às famosas bandas filarmónicas, várias são as tradições que podemos encontrar de região em região.
Amadeo de Souza-Cardoso, célebre pintor modernista português natural de Amarante, imortalizou uma dessas procissões a que assistiu na sua terra natal, em Junho de 1913. Entre a estética cubista que acompanhava a sua expressão plástica durante aquele período, conseguimos aperceber-nos dos elementos caracterizadores da expressão mais visível e popular da festa do Corpo de Deus, ou seja, a Procissão Corpus Christi, que de resto dá nome ao próprio quadro do artista amarantino. Das figuras eclesiásticas com os seus paramentos, passando pela fanfarra, os fieis, a coca e o cavaleiro S. Jorge, aos próprios arcos da famosa ponte de Amarante que nos ajudam a localizar o espaço em que decorre a acção narrada no quadro, tudo perpetua o lado efémero da festa.
Uma vez mais, temos a tradição de mãos dadas com a modernidade, numa comunhão perene, cujos novos ciclos insistem em eternizar. Assim é Portugal e a sua tradição.

Procissão Corpus Christi, óleo sobre madeira pintado em 1913 por
Amadeo de Souza-Cardoso.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Foto-Síntese, uma exposição de João Marchante

«Inspirado na vida trivial e na percepção visual de uma evidência que está diante de nós, mas que muitas vezes passa despercebida, a série de imagens a cores de grandes dimensões habilmente encenada por João Marchante apresenta uma visão instável da paisagem humana expondo interiores, intimidades, sonhos e segredos, oscilando entre espaço familiar e espaço idealizado. A adolescente, incorporação da fragmentação e efemeridade das relações na contemporaneidade, transmite ansiedade, mutismo e distância sobre o sentido da imagem, sendo esta retratada de forma enigmática, contemplativa ou ausente deixando a identidade de quem a habita por desvendar. Marchante obtém imagens que pelo seu tema seduzem e enlaçam, incitando o observador a reflectir sobre a relação entre natureza interior e natureza exterior do sujeito através de imagens que olham e devolvem o olhar.»
Adriana Delgado Martins acerca da exposição Foto-Síntese.

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João Marchante é hoje um nome incontornável do vídeo e do panorama artístico português. Artista e autor crítico, concilia a criação com a actividade pedagógica, numa atitude altruísta e descomprometida com qualquer dogma para além do "bom gosto". Militante na blogosfera há já alguns anos, dirige um blogue de referência intitulado Eternas Saudades do Futuro, sendo ainda membro da comunidade Jovens do Restelo. 
Foto-Síntese é o nome da sua mais recente exposição individual, a primeira desde Vídeos Privados, patente em 2000 na Galeria Monumental, em Lisboa. Esta nova mostra de João Marchante será inaugurada hoje, pelas 21:00 na Sala do Veado do Museu Nacional de História Natural e da Ciência, ficando patente ao público até 1 de Julho de 2012.
A não perder. 

terça-feira, 5 de junho de 2012

Prova da inutilidade do (des)acordo ortográfico

Continua a luta contra o (des)acordo ortográfico. Enquanto o Governo parece não querer desarmar, fazendo finca-pé, ouvidos moucos e olhos cegos face às evidências que transparece, ou seja, a asneira e a confusão generalizada, outras vozes vão-se erguendo, procurando salvar a Língua Portuguesa, resgatando-a dos seus carrascos e detractores.
Enquanto isso, volta a circular nos meandros da Internet uma curiosa análise comparativa entre as versões portuguesa e brasileira de uma conhecida obra de ficção. Os resultados são por demais ilustrativos do quão ridículo e inútil é o tão famigerado acordo ortográfico de 1990. As conclusões são inequívocas, as diferenças existem e foram alimentadas ao longo de quase 200 anos de separação linguística. Renegar esta realidade equivale a tapar o sol com uma peneira.   

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segunda-feira, 4 de junho de 2012

Pensamento, Cultura e Lusofonia na FLUP

A Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP) organiza este Verão, entre as suas acções de formação contínua, um curso de 30 horas subordinado ao tema Pensamento, Cultura e Lusofonia: os exemplos de Fernando Pessoa e de Agostinho da Silva. Trata-se de uma formação que surge num momento bastante oportuno, no qual urge redescobrir e projectar alguns aspectos da nossa cultura e identidade.
Fernando Pessoa e Agostinho da Silva são dois nomes incontornáveis da cultura nacional. Pessoa dispensa qualquer apresentação nos quatro cantos do mundo, sendo um ícone da literatura portuguesa e mundial do século XX. Agostinho da Silva, pensador universal, é provavelmente a personalidade de maior consenso dentro do mundo lusófono, começando agora a conquistar também outros públicos e horizontes. Não é por isso de modo algum despropositada a iniciativa da FLUP de organizar um curso sobre estas duas figuras cimeiras da cultura e pensamento portugueses.
Esta acção de formação encontra-se a cargo de Celeste Natário e Renato Epifânio, membros do grupo de investigação Raízes e Horizontes da Filosofia e da Cultura em Portugal, do Instituto de Filosofia da FLUP. Tendo uma duração de 30 horas, distribuídas por sessões teórico-práticas, com início já no próximo dia 18 de Junho, este curso prevê ainda a visita a alguns espaços marcantes na vida dos dois autores, nomeadamente à última residência de Fernando Pessoa, hoje Casa Fernando Pessoa (Lisboa), assim como à localidade Barca d’Alva (Figueira de Castelo Rodrigo), onde Agostinho da Silva passou parte da sua infância, logo após ter nascido na cidade do Porto.
O programa deste curso encontra-se dividido em duas partes distintas. A primeira será dedicada a Fernando Pessoa, abordando temas como o seu pensamento poético e filosófico, a problemática heteronímica, as múltiplas “mensagens” da sua obra, bem como a actualidade do seu pensamento; a segunda, consagrada a Agostinho da Silva, versará sobre matérias ligadas à questão do activismo cultural e cívico, à sua experiência no Brasil, ao reencontro com a portugalidade e a problemática da lusofonia.
Com o seu término calendarizado para 16 de Julho, esta formação confere ainda um total de 3 ECTS (European Credit Transfer System) a todos os participantes que a concluam com aproveitamento positivo. Para mais informações e inscrições consulte-se https://sigarra.up.pt/flup/cursos_geral.FormView?P_CUR_SIGLA=FCPCL. 

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sexta-feira, 1 de junho de 2012

D. Sebastião e o Quinto Império em Fernando Pessoa

«Reactivar o mito ou os mitos profundos do povo português, eis o objectivo de Fernando Pessoa, que na Mensagem se faz o profeta (mas um profeta angustiado, torturado e saudoso) do regresso de D. Sebastião e da instauração do Quinto Império, embora um D. Sebastião e um Quinto Império muito diferentes da tradição comum.»


D. Sebastião e o Quinto Império em Fernando Pessoa é o nome da comunicação apresentada no próximo dia 6 de Junho, por Paulo Borges, na nona sessão do ciclo de conferências Fernando Pessoa: Filosofia, Religião e Ciências do Psiquismo Humano. Organizado pelo próprio Paulo Borges, juntamente com Nuno Ribeiro e Cláudia Souza, esta sessão terá lugar, como de costume, pelas 18:30, nas instalações da Casa Fernando Pessoa, em Lisboa.
A entrada é livre e aberta a todos os interessados.