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quinta-feira, 25 de julho de 2013

D. Dinis e as bases da estratégia atlântica

D. Dinis foi o monarca apresentado por Humberto Nuno de Oliveira na edição desta semana d'O Diabo. Na sequência da série de artigos consagrada a alguns dos nossos principais reis, o reinado do nosso Lavrador foi analisado do ponto de vista estratégico, revelando-se na perspectiva do autor como fundamental para a preparação da hegemonia portuguesa no Atlântico.
Um artigo a não perder.

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quinta-feira, 26 de julho de 2012

Amor, em que grave dia vos vi

Gravura de D. Dinis, da autoria de Gabriel M. Rousseau.

Amor, em que grave dia vos vi, 
pois (a) que tam muit'há que eu servi 
jamais nunca se quis doer de mi; 
e pois me tod'este mal por vós vem, 
mia senhor haja bem, pois est assi, 
e vós hajades mal e nunca bem. 

Em grave dia que vos vi, Amor, 
pois a de que sempre foi servidor 
me fez e faz cada dia peior; 
e pois hei por vós tal coita mortal, 
faça Deus sempre bem a mia senhor 
e vós, Amor, hajades todo mal. 

Pois da mais fremosa de quantas som 
(jamais) nom pud'haver se coita nom, 
e por vós viv'eu em tal perdiçom 
que nunca dormem estes olhos meus, 
mia senhor haja bem por tal razom, 
e vós, Amor, hajades mal de Deus.

D. Dinis em Cancioneiro da Biblioteca Nacional.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Amadeo de Souza-Cardoso e a Festa do Corpo de Deus

A tradição da Festa de Corpus Christi, ou do Corpo de Deus, remota ao século XII, quando o Papa Urbano IV a instituiu por Bula Papal. Celebrada 60 dias após a Páscoa, esta festividade móvel pode ocorrer entre 21 de Maio e 24 de Junho. Caracterizada pela crença cristã de que o Sangue e o Corpo de Cristo se encontram de facto presentes na Eucaristia, esta solenidade assume-se como um testemunho e veneração de um dos principais Sacramentos da Igreja Católica. 
Em Portugal os relatos sobre a celebração do Corpo de Deus remontam ao reinado de D. Afonso III, sendo porém no reinado de D. Dinis que a festa é por assim dizer oficializada. Como de costume em terras portuguesas, esta celebração cedo começou por assimilar um lado profano ao seu lado sagrado. Nas famosas procissões perfilavam representantes das várias profissões, com carros alegóricos, diabos, a serpe cornuda, a terrível coca ou dragão derrotado por S. Jorge, os gigantones, entre outros elementos. A música assume-se ainda hoje como um factor importante da celebração mais profana desta festa. Das gaitas-de-foles e tambores, aos sinos a repique, ou às famosas bandas filarmónicas, várias são as tradições que podemos encontrar de região em região.
Amadeo de Souza-Cardoso, célebre pintor modernista português natural de Amarante, imortalizou uma dessas procissões a que assistiu na sua terra natal, em Junho de 1913. Entre a estética cubista que acompanhava a sua expressão plástica durante aquele período, conseguimos aperceber-nos dos elementos caracterizadores da expressão mais visível e popular da festa do Corpo de Deus, ou seja, a Procissão Corpus Christi, que de resto dá nome ao próprio quadro do artista amarantino. Das figuras eclesiásticas com os seus paramentos, passando pela fanfarra, os fieis, a coca e o cavaleiro S. Jorge, aos próprios arcos da famosa ponte de Amarante que nos ajudam a localizar o espaço em que decorre a acção narrada no quadro, tudo perpetua o lado efémero da festa.
Uma vez mais, temos a tradição de mãos dadas com a modernidade, numa comunhão perene, cujos novos ciclos insistem em eternizar. Assim é Portugal e a sua tradição.

Procissão Corpus Christi, óleo sobre madeira pintado em 1913 por
Amadeo de Souza-Cardoso.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

D. Dinis, o rei trovador revisitado na Biblioteca Nacional

«D. Dinis é um dos autores representado nos Cancioneiros com maior número de composições: são da sua autoria 137 textos, nos vários géneros. Nasceu em Lisboa em 1261, tendo falecido em Santarém, em 1325. É filho de D. Afonso III de Portugal e de D. Beatriz de Castela, sendo neto, por via materna de Afonso X, de quem terá herdado o génio poético. O pai Afonso III, por outro lado, traz consigo a influência da corte borgonhesa, e o gosto pela literatura cavaleiresca, o que terá criado um ambiente favorável a que, na corte  de D. Dinis, que terá tido perceptores de origem provençal como Domingos Jardo, a cultura tivesse encontrado um momento de grande florescimento. A ele se deve a fundação dos Estudos Gerais de Lisboa, embrião da Universidade portuguesa. Também pelo casamento com Isabel de Aragão, a literatura em langue d'oc viu a sua presença reforçada na corte dionisina. Há, na linguagem de D. Dinis, um retomar de muitas fórmulas e lugares comuns da poesia medieval. Tal facto não deve surpreender, já que o conceito de originalidade é algo que não faz parte desta literatura. Não quer isto dizer que não possamos reconhecer elementos próprios e originais, nomeadamente a afirmação da sua arte poética, assim como o reflexo da sua condição real no modo como desenvolve alguns aspectos das Cantigas de Amigo.»
Nuno Júdice em D. Dinis - Cancioneiro.

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Prosseguem, um pouco por todo o país, as celebrações dos 750 anos do nascimento de D. Dinis, multiplicando-se os eventos de homenagem ao nosso sábio rei lavrador. 
Assim, no próximo dia 28 de Outubro, pelas 18:00, no auditório da Biblioteca Nacional de Portugal, poder-se-á assistir a duas conferências de Ângela Correia e Manuel Pedro Ferreira, subordinadas ao tema Dom Dinis, Trovador, seguindo-se a apresentação do Projecto Littera, a cargo da investigadora Graça Videira Lopes. Este evento terminará com um concerto do grupo Vozes Alfonsinas que tratará de executar algumas das cantigas medievais de Dom Dinis e seus contemporâneos. A entrada é livre.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Rei D. Dinis (O Lavrador) - O Seu Reinado e Legado

«O grande príncipe herdara um incontestável talento de administrador, que uma sólida e bem cuidada educação afinou. A cultura literária adquiriu.a ele no convívio de homens sabedores, como o padre francês Emeric D'Ébrard e o padre português Domingos Jardo. Seguindo o exemplo do seu avô castelhano, Afonso, o Sábio, cuja colectânea legislativa, as Siete Partidas, mandou traduzir em língua portuguesa, prestaria ainda outro inesquécivel serviço, determinando que os actos judiciais e notariais fossem redigidos no falar do vulgo, e não em latim, como era tradição. E mais talvez por esse motivo do que pelas suas trovas, aliás, formosíssimas, D. Dinis contribuiu para o avigoramento e fixação da língua nacional.»
Ângelo Ribeiro em  História de Portugal: A afirmação do país
Da conquista do Algarve à regência de Leonor Teles
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Inicia-se amanhã o primeiro de quatro eventos, organizados pelo projecto Pensar Odivelas, que visam celebrar o 750º Aniversário do nascimento do Rei D. Dinis. 
A conferência de amanhã, intitulada Rei D. Dinis (O Lavrador) - O Seu Reinado e Legado, terá lugar nas instalações do Instituto Superior de Ciências Educacionais (ISCE), pelas 21:00, contando com a presença dos seguintes oradores: Assunção Cristas, Dom Duarte Pio, Rosado Fernandes, Maria Máxima Vaz e Carlos Coelho.
A entrada é livre.

domingo, 3 de julho de 2011

Festa dos Tabuleiros

«Para presenciarmos uma forte carga espiritual no Culto do Espírito Santo, teremos de ir aos Açores, onde ainda existem lugares em que a festividade é realizada com grande arcaísmo.
A Festa dos Tabuleiros é diferente, tornou-se uma manifestação identitária da cidade de Tomar e uma representação daquilo que foi no passado: uma festividade de grande religiosidade popular e espírito comunitário. Mas esta adaptação à sociedade moderna, numa cidade que, durante o século XX, viu a sua população quintuplicada de 8000 para 50000 habitantes, não aniquilou a mística e o mistério que muitos tomarenses continuam a sentir pela festividade e pelo Espírito Santo. (...)
As raparigas que levam os tabuleiros vão vestidas de branco com uma faixa de cor, normalmente vermelha. A faixa, embora já por vezes utilizada no segundo ciclo da festa, tornou-se um elemento característico do terceiro ciclo. Ainda há fotografias antigas que mostram as mulheres vestidas somente de branco a transportar os tabuleiros. Branco, símbolo da pureza necessária para realizar um ritual de agradecimento à divindade e para receber o fogo do Espírito Santo.»
Paulo Alexandre Loução em Dos Templários à Nova Demanda do Graal.

Mulheres carregando os famosos tabuleiros junto do
Convento de Cristo, em Tomar.

A Festa dos Tabuleiros reflecte o forte vínculo espiritual existente entre os portugueses e o culto do Divino Espírito Santo. Segundo a tradição, este terá sido introduzido e disseminado em Portugal durante o reinado de D. Dinis e da Rainha Santa Isabel, remontando assim às célebres festas do imperador. Porém, alguns autores apontam uma data bastante anterior para as origens da Festa dos Tabuleiros, defendendo a sua génese e natureza pré-cristã.
Claramente associada à partilha comunitária e ao agradecimento das graças divinas, a sua origem poderá residir num arcaico culto de fertilidade, associado a alguma divindade como a Deméter grega ou a Ceres romana. Na sua leitura cristã, facilmente associamos o espírito de partilha e igualdade, experenciado na preparação e celebração da Festa dos Tabuleiros, aos princípios basilares da Ordem Franciscana.
Realizada de quatro em quatro anos, durante o mês de Julho, a Festa dos Tabuleiros, ao contrário do que acontecia anteriormente, começa a ser preparada com bastante antecedência, envolvendo grande parte da comunidade tomarense.
As ruas são ornamentadas e preparadas para receber os festejos, aos quais assistem milhares de devotos, turistas, ou meros curiosos. Os cestos são agora decorados com flores de papel, em substituição das tradicionais flores naturais que não permitiam uma antecipada preparação de todo o cerimonial. As cores vivas das flores captam a atenção de todos os presentes, pela espectacularidade do belíssimo efeito visual que proporcionam. A coroar cada um dos tabuleiros podemos encontrar um dos seguintes elementos alegóricos: a pomba, simbolizando o Espírito Santo, ou a Cruz de Cristo. A presença simbólica do pão, ao qual são atribuídas particularidades milagrosas, e das espigas, contribuem também para vincar o espírito de comunhão que outrora vingava nesta e outras comunidades portugueses.
Associada a esta tradição, tão fortemente ligada à identidade da cidade de Tomar, podíamos ainda encontrar, no passado, o sacrifício dos bois, cuja carne era distribuída por todos os participantes. No entanto, os bois têm hoje no cortejo um papel mais simbólico.
Sendo uma das manifestações culturais e religiosas mais antigas do país, a Festa dos Tabuleiros decorre este ano entre 2 e 11 de Julho. Este ano a celebração redobra a sua importância, uma vez que a autarquia de Tomar pretende candidatar esta festa a Património Imaterial da Humanidade