segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

O 103.º aniversário de Manoel de Oliveira

O realizador Manoel de Oliveira, verdadeira e genuína encarnação do génio cinematográfico português cumpriu ontem o seu 103.º aniversário, pelo que não poderíamos deixar de o lembrar e homenagear uma vez mais neste espaço.
A ele, os votos de muitas felicidades e de continuação de uma longa vida, sempre fecunda e profícua.  

Excerto do filme A Caça de Manoel de Oliveira.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Ciclo Internacional de Conferências «Pessoa na Actualidade»

«ALBERTO CAEIRO
RICARDO REIS
ÁLVARO DE CAMPOS
FERNANDO PESSOA
...Que nomes portugueses tão sonoros!
»
John Wain em Reflexões sobre o Sr. Pessoa.


A Casa Fernando Pessoa promove durante o presente mês de Dezembro e o próximo mês de Janeiro o Ciclo Internacional de Conferências «Pessoa na Actualidade». Organizado por Paulo Borges, Nuno Ribeiro e Cláudia Souza, este ciclo de encontros visa levar à Casa Fernando Pessoa alguns jovens investigadores pessoanos, nacionais e estrangeiros, dando deste modo a conhecer o estado da arte face ao estudo do pensamento e obra do poeta, escritor e pensador português.
Todas as sessões tem início às 18:30, sendo a entrada livre a todos os potenciais interessados.

Programa das sessões de 14, 15 e 16 de Dezembro de 2011

14 de Dezembro (Palestras inaugurais a cargo dos membros da Organização) 
- Paulo Borges (Portugal) - A «alma [...] divina», o «mar sem fim» e a «eterna calma»: comentário do poema "Padrão" de Mensagem 
- Cláudia Souza (Brasil) - Pantaleão e a Política 
- Nuno Ribeiro (Portugal) - Fernando Pessoa e Nietzsche: escrita, sujeito e pluralidade 

15 de Dezembro 
- Fabrizio Boscaglia (Itália) - Fernando Pessoa e a civilização arábico-islâmica: algumas considerações introdutórias. 
- Giancarlo de Aguiar (Brasil) - Processo de Individuação em Fernando Pessoa: Uma Análise da Personificação de Heterónimos. 
- Raquel Nobre Guerra (Portugal) - Saudade evocativa e saudade do futuro em Álvaro de Campos 

16 de Dezembro 
- Júlia Dieguez (Espanha) - Fernando Pessoa: Una Odisea a través del Caos 
- Pablo Javier Pérez Lópes (Espanha) - O grupo civilizacional ibérico no seio da refundação mítica da existência de Fernando Pessoa.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Mais um 'Natal chique' e desumanizado?

Natal Chique

Percorro o dia, que esmorece
nas ruas cheias de rumor; 
minha alma vã desaparece
na muita pressa e pouco amor.

Hoje é Natal. Comprei um anjo, 
dos que anunciavam no jornal; 
mas houve um etéreo desarranjo
e o efeito em casa saiu mal.

Valeu-me um príncipe esfarrapado
a quem são coroas no meio disto,
um moço doente, desanimado...
Só esse pobre me pareceu Cristo.

Vitorino Nemésio em O Pão e a Culpa.

Há muito que o consumismo do mundo moderno colocou em xeque a beleza e simplicidade espiritual da quadra natalícia. O problema não vem de agora, conforme podemos concluir ao ler o poema de Vitorino Nemésio intitulado Noite Chique, publicado em 1955. Hoje, que a crise imposta pelo paradigma especulativo e esclavagista do mundo democrático ocidental parece fazer a sociedade consumista agonizar pela asfixia da morte a crédito, percepcionamos nas pessoas uma maior necessidade de consumir. O diz-me o que tens, dir-te-ei quem és da actual sociedade contemporânea, alimentada pela falsa ideia de conquista da felicidade por via do consumo, transmitida e inspirada pelas fantasias alienantes do mundo mediatizado capitalista, acabam por fragilizar o estado anímico das massas, perdidas numa exaustiva corrida cuja meta estão longe de conhecer.
A impossibilidade do Homem viver num mundo que padece da ausência do mito, numa concepção arcaica e primordial do termo, conforme sugeriu Teixeira de Pascoaes, Fernando Pessoa, Dalila L. Pereira da Costa, António Quadros, entre outros pensadores nacionais ou estrangeiros, como Carl Gustav Jung, Henry Corbin ou Mircea Eliade, é hoje mais evidente do que nunca. O êxtase da modernidade é algo permanente e despojado de todo e qualquer contorno místico-meditativo, aprisionando o ser humano na sua condição material e parasitária, em detrimento da sua libertação corpórea e material, responsável pela sua elevação em espírito e pensamento.
A alienação provocada pela natureza consumista, aliada ao sentimento de posse obsessivo-compulsivo, acaba por contribuir de igual modo para a própria desumanização da sociedade, na qual o Homem ocupa, cada vez mais, um lugar dúbio situado algures entre a máquina e a besta.
Chega-se assim ao tempo da redescoberta interior e do realento da alma e do espírito. A necessidade de sacralização do sacro e do despojamento dos interesses materialistas provam por si só o anseio do Homem por um sentimento e vivência de uma liberdade real. Importa por isso não desmobilizar e prosseguir com a disseminação, cultural-espiritual do verdadeiro sentido do Natal... que independentemente do que for festejado, deve sempre celebrar três pontos fundamentais: a sacralidade família, a renovação espiritual e comunhão do espírito! 

A presente foto, publicada na edição de 8 de Dezembro de 2009 do jornal Público,
 ilustra bem o significado da quadra natalícia para o malfadado mundo moderno,
mesmo durante um grave período de crise como o que hoje atravessamos. 

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

A força da palavra e da desilusão da ilusão

Numa época de confusão e nevoeiro, na qual a desacreditada e descredibilizada palavra do Homem pouco nos parece valer, convém retermos o seguinte aviso:
«Não te deixes iludir porque pequenas palavras podem ter a sombra de grandes. Provavelmente, o movimento dessa força, que julgas imensa, é ainda quase inexistente.»
Maria Gabriela Llansol em Lisboaleipzig 1:
o encontro inesperado do diverso
. 

Maria Gabriela Llansol.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Undara ao vivo n'A Filantrópica

Realiza-se no próximo Sábado, dia 10 de Dezembro, pelas 22:00, na Póvoa do Varzim, mais uma apresentação do projecto musical Undara. O espectáculo terá lugar na cooperativa A Filantrópica, convidando todos os presentes a uma viagem introspectiva e meditativa aos domínios do onírico e do sagrado, mergulhando também nos mais profundos e arcanos recantos da psique humana, através de uma mistura entre a música electrónica, guitarra eléctrica e os sons ancestrais da percussão hipnótica e primitiva, flautas e didgeridoo.
A entrada tem um custo de 3€, um preço bastante acessível para se assistir ao concerto de um dos mais interessantes projectos nacionais ligados ao panorama da música ambiental. A não perder! 

(Clicar na imagem para ampliar.)

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Um outro 1.º de Dezembro

«O Porto albergava os mestres desesperançados da República. Necessário se tornava proclamar outra República. O acto dos mestres solicitava a reacção das novas gerações e, com efeito, tudo foi possível, num temporal que é lícito situar entre 1910 e 1930, pois o espírito da "Renascença Portuguesa" sobreviveu, ainda que que alguns autores pretendam situar o termo final em 1915. (...) Profunda e conscientemente nacional, o movimento da "Renascença Portuguesa" teve a dupla expressão poética e filosófica.»
Pinharanda Gomes em  A "Renascença Portuguesa" - Teixeira Rêgo. 

(Clicar na imagem para ampliar.)

Num 1.º de Dezembro como o deste ano, marcado pela triste notícia de ser a última vez que os portugueses celebram enquanto feriado nacional esta importante data da sua história, convém recordar o tempo em que alguns dos mais importantes intelectuais do nosso século XX se uniram em torno da manutenção e promoção de uma cultura portuguesa, após a implantação da infame e criminosa I República, através da criação da revista A Águia, órgão oficial de expressão do Movimento da Renascença Portuguesa. 
Cientes da importância e peso da data 1.º de Dezembro no imaginário histórico-cultural nacional, sinónimo de Liberdade, Independência, Restauração e Renascença, os criadores do movimento, escolheram esse dia para o fundar, no ano de 1910, decorrido pouquíssimo tempo após a implantação da República. Devemos por isso lembrar essa geração, assim como o móbil da sua actuação, ou seja, a mesma decadência moral e degenerativa da III República imposta após Abril, directamente herdada da I República. Deste modo, tal como em 1910, torna-se hoje urgente e necessária a reemergência de uma ideia ou ideal poético-histórico-filosófico e sociopolítico nacional, capaz de preservar a nossa memória, cultura e tradição, defendendo deste modo o futuro da portugalidade e de todos os que a constituem e abraçam. Lembrar a Renascença Portuguesa é revitalizar o sonho de um melhor Portugal, pleno de esperança, liberto das pseudo-elites estrangeiradas, criminosas, oportunistas e decadentes.
Resta-nos por isso aguardar por uma renovada Renascença Portuguesa.