segunda-feira, 31 de outubro de 2011

O bom soberano segundo D. Frei Amador Arrais

Numa época tão confusa como esta em que vivemos perdemos por vezes o Norte, impedindo-nos de tomar o rumo que o destino nos traçou até à glória do porvir. A sociedade da (des)informação mantém-nos ocupados através de inúmeras mensagens de alerta e das infundadas acusações subliminares dos crimes que não cometemos, mas pelos quais todos os dias somos condenados às mãos dos verdadeiros criminosos. A maioria das pessoas, alienadas e enganadas, procedem à sua auto-culpabilização, permitindo cegamente à criminosa classe política contemporânea continuadamente roubar e despojar a Pátria em nome de duas formas de tirania institucionalizadas, a república e a democracia.
Talvez por isso seja hoje tão oportuno relembrar e sintetizar as máximas de D. Frei Amador Arrais que, ainda no século XVI, procurou descrever o bom soberano, traçando um retrato idílico, intemporal e, por isso mesmo, tão actual, do perfeito governante:  
- o bom rei dá atenção a todos os seus vassalos;
- o bom rei trata todos os seus vassalos como iguais;
- o bom rei premeia apenas os vassalos que têm mérito individual;
- o bom rei favorece a cultura dos seus vassalos;
- o bom rei vela pelo bom funcionamento das suas instituições;
- o bom rei é justo e piedoso;
- o bom rei favorece o enriquecimento dos seus vassalos;
- o bom rei minimiza a carga fiscal;
- o bom rei acode aos vassalos mais necessitados;
- o bom rei favorece a paz;
- o bom rei procura ter somente conflitos de natureza diplomática;
- o bom rei é imagem, porque a boa imagem é aquela que reflecte o que existe.
A resposta para aos problemas de Portugal não está para lá das nossas fronteiras, pelo contrário, encontra-se encerrada no nosso espírito e na nossa tradição. Portugal, temos a força, falta-nos apenas a vontade de soltar as amarras e quebrar os grilhões da tirania.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

IV Colóquio Luso-Galaico sobre a Saudade

«A saudade só morre na morte (porque aí, realizando-se de todo, se anula, por consumação): quando as camadas terrestres do fruto forem destruídas pela força total consumidora do Espírito, até ao cerne, à semente eterna do ser, que ela protege e envolve (e alimenta) - como polpa de vida e tempo, ou vida no tempo.
A saudade é sempre a passagem, como processo em vias de se fazer, em incessante perfectibilidade, do tempo à eternidade. A saudade é sempre a passagem, como processo em vias de se fazer, em incessante perfectibilidade, do tempo à eternidade.»
Dalila L. Pereira da Costa em  Introdução à Saudade.

Com a chegada dos primeiros dias de Outono discute-se e medita-se sobre o enraizamento da Saudade, através da realização do IV Colóquio Luso-Galaico sobre a Saudade. Este decorrerá durante os próximos dias 4 e 5 de Novembro, numa organização do Instituto de Filosofia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto (Grupo de Investigação Raízes e Horizontes da Filosofia e da Cultura em Portugal), em parceria com o Centro de Estudos do Pensamento Português - Centro Regional do Porto da Universidade Católica Portuguesa e o Instituto de Filosofia Luso-Brasileira. O programa deste colóquio encontra-se dividido em quatro painéis sequenciais, espalhados pelas instalações da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, Universidade Católica Portuguesa (Porto), Biblioteca Municipal de Viana do Castelo e Biblioteca Albano Sardoeira em Amarante. A entrada é livre.

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Programa do Colóquio 

4 de Novembro Sessão I - Faculdade de Letras da Universidade do Porto: Anfiteatro II 

09h30
- Sessão de Abertura com Maria Celeste Natário, Arnaldo Pinho, José Esteves Pereira e António Braz Teixeira.

10h00 
- Manuel Ferreira Patrício - Mitologia, Fenomenologia, Ontologia da Saudade - Um Itinerário Ascendente e Aprofundante 
- José Pedro Angélico - Criação, Esperança e Saudade. Breves apontamentos teológicos 
- Teresa Noronha - Desejo e Saudade. Do Caos a Conatus 
- António Cândido Franco - Em torno duma mitologia da saudade  

11h30
- Paulo Ferreira da Cunha - Poderá Haver “Saudades do Futuro”? 
- Helena Filipa Lourenço - "Velai o Reino da Saudade": A representação da Saudade em algumas obras da Literatura Portuguesa 
- Maria De Lourdes Sirgado Ganho - Saudade: Afonso Botelho Leitor De D. Duarte 
- Maria Celeste Natário - Física e Metafísica da Saudade em Pascoaes 

13h00
- Intervalo Para Almoço 


Sessão II - Centro Regional do Porto da Universidade Católica Portuguesa 

14h30
- António Braz Teixeira - Da possibilidade de pensar a Saudade a partir da filosofia espanhola contemporânea 
- Joam Evans - A Saudade galego-portuguesa no quadro mitológico europeu: uma interpretação antropológica do messianismo atlântico 
- Luís Garcia Soto - Saudades galegas 
- Dirk Hennrich - Cinco princípios para uma fenomenologia da Saudade 

16h00
- Paulo Borges - Saudade e Saúde. Saudar e Salvar
- Ricardo Ventura - Paráfrase e alegoria n'as saudades da terra de Gaspar Frutuoso 
- Bruno Béu de Carvalho - Saudade evocativa e saudade absoluta em Vergílio Ferreira 
- Rui Lopo - O Sopesamento Não Saudosista Da Saudade: O Contributo Filosófico De José Barata-Moura 

17h30
- Manuel Cândido Pimentel - Vieira e a Saudade 
- Duarte Drumond Braga - Saudade e “Índia Nova” no jovem Pessoa 
- Raquel Nobre Guerra - Para uma leitura da Saudade em Álvaro de Campos 
- Luís Araújo - Aspectos do Saudosismo em Pascoaes 


5 De Novembro Sessão III - Viana do Castelo: Biblioteca Municipal 

10h30
- Rodrigo Sobral Cunha - O ritmo da Saudade 
- Samuel Dimas - A Saudade metafísica do mistério 
- Margarida Simões - A Saudade: uma heterodoxia identitária
- Pedro Baptista - Da Saudade ao paraíso do futuro
- Miguel Real - A teoria da Saudade em António Braz Teixeira e Paulo Borges
- Renato Epifânio - As não Saudades de Agostinho da Silva 

12h30
- Intervalo Para Almoço 


Sessão IV - Amarante: Biblioteca Albano Sardoeira 

16h00
- José Carlos Seabra Pereira - Outras visões da Saudade 
- Luísa Malato - Energia, outro nome da Saudade: o teatro crítico do Padre Feijoo 

17h00
- Lançamentos - Revista Nova Águia Nº 8: O Pensamento da Cultura de Língua Portuguesa; Vários Autores, A Águia & a República: 100 anos depois; Maria Celeste Natário, Teixeira De Pascoaes: Saudade, Física e Metafísica 

18h00 
- Sessão de Encerramento 

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Amar ou Odiar

Fausto Guedes Teixeira em 1894.

Amar ou odiar 
Ou tudo ou nada 
 O meio termo é que não pode ser 
 A alma tem de estar sobressaltada 
 Para o nosso barro sentir, viver 
 Não é uma Cruz que não se queira pesada 
 Metade de um prazer, não é um prazer! 
 E quem quiser a vida sossegada 
 Fuja da vida e deixe-se morrer! 
 Vive-se tanto mais quanto se sente 
 Todo o valor está no que sofremos 
 Que nenhum homem seja indiferente! 
 Amemos muito como odiamos já! 
 A verdade está sempre nos extremos 
 Pois é no sentimento que ela está.

Fausto Guedes Teixeira.

Amar ou Odiar de Fausto Guedes Teixeira, dito por João Villaret.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

D. Dinis, o rei trovador revisitado na Biblioteca Nacional

«D. Dinis é um dos autores representado nos Cancioneiros com maior número de composições: são da sua autoria 137 textos, nos vários géneros. Nasceu em Lisboa em 1261, tendo falecido em Santarém, em 1325. É filho de D. Afonso III de Portugal e de D. Beatriz de Castela, sendo neto, por via materna de Afonso X, de quem terá herdado o génio poético. O pai Afonso III, por outro lado, traz consigo a influência da corte borgonhesa, e o gosto pela literatura cavaleiresca, o que terá criado um ambiente favorável a que, na corte  de D. Dinis, que terá tido perceptores de origem provençal como Domingos Jardo, a cultura tivesse encontrado um momento de grande florescimento. A ele se deve a fundação dos Estudos Gerais de Lisboa, embrião da Universidade portuguesa. Também pelo casamento com Isabel de Aragão, a literatura em langue d'oc viu a sua presença reforçada na corte dionisina. Há, na linguagem de D. Dinis, um retomar de muitas fórmulas e lugares comuns da poesia medieval. Tal facto não deve surpreender, já que o conceito de originalidade é algo que não faz parte desta literatura. Não quer isto dizer que não possamos reconhecer elementos próprios e originais, nomeadamente a afirmação da sua arte poética, assim como o reflexo da sua condição real no modo como desenvolve alguns aspectos das Cantigas de Amigo.»
Nuno Júdice em D. Dinis - Cancioneiro.

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Prosseguem, um pouco por todo o país, as celebrações dos 750 anos do nascimento de D. Dinis, multiplicando-se os eventos de homenagem ao nosso sábio rei lavrador. 
Assim, no próximo dia 28 de Outubro, pelas 18:00, no auditório da Biblioteca Nacional de Portugal, poder-se-á assistir a duas conferências de Ângela Correia e Manuel Pedro Ferreira, subordinadas ao tema Dom Dinis, Trovador, seguindo-se a apresentação do Projecto Littera, a cargo da investigadora Graça Videira Lopes. Este evento terminará com um concerto do grupo Vozes Alfonsinas que tratará de executar algumas das cantigas medievais de Dom Dinis e seus contemporâneos. A entrada é livre.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Ponto de partida, lugar de encontro! Uma exposição sobre Orlando Ribeiro!

«Em um século, portugueses e espanhóis fecharam um circuito marítimo que passou a fazer-se com a regularidade de um fenómeno natural; as suas datas extremes são a conquista de Ceuta (1415), primeira cidade africana ocupada por um povo europeu, e a primeira viagem de circum-navegação começada por Magalhães e terminada por El Cano, numa estreita colaboração dos dois estados peninsulares (1517). (...) Em um século apenas mudou o futuro do mundo e, pela primeira vez, a história tomou dimensão universal. A Europa entra em contacto directo com todas as grandes sociedades ou civilizações históricas ainda vivas, na África, no Índico, no Pacífico, na América.»
Orlando Ribeiro em  Portugal, o Mediterrâneo e o Atlântico.
  
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O impressionante percurso e contributo de Orlando Ribeiro para o desenvolvimento científico e humano foi já aqui abordado neste espaço, tendo-se enfatizado sobretudo o seu trabalho de fotografo, paralelo à sua actividade sobranceira de geógrafo e investigador. Uma vida dedicada ao progresso da ciência, às humanidades e à arte da fotografia fizeram de Orlando Ribeiro um importante vulto da cultura portuguesa do século XX.
Nesse sentido, de forma a celebrar os 100 anos do nascimento de Orlando Ribeiro, a Biblioteca Nacional de Portugal (BNP), conjuntamente com o Centro de Estudos Geográficos (IGOT, Universidade de Lisboa), organiza uma exposição intitulada Orlando Ribeiro (1911-1997): Ponto de partida, lugar de encontro. Esta ficará patente na BNP até 18 de Fevereiro de 2012. A sua inauguração ocorrerá no próximo dia 26 de Outubro, sendo precedida de um pequeno colóquio sobre Orlando Ribeiro que contará com o seguinte programa: 

17h00 - Testemunhos sobre Orlando Ribeiro; 
18h00 - Entrega do Prémio Nacional de Geografia Orlando Ribeiro, atribuído pela Associação Portuguesa de Geógrafos;
18h30 - Inauguração da Exposição.

domingo, 23 de outubro de 2011

Cultura Entre Culturas n.º 4

Realiza-se na próxima Terça-Feira, dia 25 de Outubro, pelas 18:30, o lançamento do nº 4 da revista Cultura Entre Culturas, dedicado ao poeta surrealista António Ramos Rosa. Este número contém um caderno especial de 60 páginas com poemas e desenhos inéditos do poeta, bem como diversos estudos e testemunhos de figuras destacadas da nossa Cultura. 
A apresentação será feita por Maria Teresa Dias Furtado (Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa) e António Cândido Franco (Universidade de Évora), estando também presentes o director da revista, Paulo Borges, o director de arte, Luiz Pires dos Reys, assim como o editor Baptista Lopes (Âncora Editora).
A sessão de apresentação terá lugar na actual morada do poeta, situada na Residência Faria Mantero, Praça de Dio, n.º 3 - 1400-102 Lisboa. A entrada é livre.

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Lista de conteúdos

EDITORIAL 

ENSAIOS philo- sophia | sophemas

Dirk Hennrich
- Alguns aforismos sobre filosofia e poesia (em homenagem a José Marinho) 
Paulo Borges
- Grãos de areia 
Fátima Valverde
- Ministério da estética: para uma consciência social do belo 
Carlos Silva
- Pessoa Pluralidade possível -­ encenação de uma leitura temporã e de permeio 
Luiz Pires dos Reys
- Nascer do dia frag : mentos do ermo a esmo

POESIA photo grafia | rte 

José Valle de Figueiredo 
- 5 poemas inéditos
António Cândido Franco
- Leonor Teles
- Retrato de Francisco Palma Dias
João Raposo
- Hora de Névoa
Ethel Feldman 
- Esperei-te em silêncio
- Benjamin 
Fátima Vale 
- Êxtase-ganapatyas 
- Eclipse 
- Da árvore que caiu da folha
- Tens danças adiadas no salão de uma estrela 
Agripina Costa Marques
- Voo - vaivém entre diferentes planos 
- O primeiro sinal emanou da montanha
Donis de Frol Guilhade
- Dois poemas de Uroboros ou o Vaticinador de Chirico
- Paz: majestado sereníssimo 
Dom Diniz 
- Duas cantigas de mestria (nos 750 anos do seu nascimento) 
Bruno Miguel Resende 
- 4 imagéticas 
Rui Miguel Félix
- 4 fotografias | 2 poemas

DOSSIER ANTÓNIO RAMOS ROSA

Ana Paula Coutinho Mendes
- António Ramos Rosa ou a respiração poética do mundo
António Ramos Rosa 
- Poemas inéditos (ou quase éditos) e outros menos

Testemunhos

Agripina Costa Marques
- Louvam o sol com seus cantos
Casimiro de Brito 
- Eros e Thanatos
Maria João Fernandes 
- Lettera amorosa 
Maria Teresa Dias Furtado
- As palavras que António me deu 
Paulo Borges 
- Do imediato, da palavra, do silêncio e do vazio em António Ramos Rosa 
Gonçalo Salvado 
- Desenho 
Maria do Sameiro Barroso 
- A palavra tributaria e solar 
Fernando Esteves Pinto 
- Para António Ramos Rosa 
Gisela Ramos Rosa 
- Duas fotografias | Um poema 
- Os ramos do seu nome (um testemunho) 
José Machado Pais 
- Rosalume 
José Bivar 
- A mão que canta os pássaros 
Luís Filipe Pereira
- Como leitor de António Ramos Rosa, esta impressão breve não será mais que a fantasia de um pássaro/preso na ténue rede das palavras oblíquas
Manuela Justino
- Osquestração 
João Pedro Silva
- António Ramos Rosa, a poesia desenhada 
João Rui de Sousa 
- O relógio da amizade 
Tiago Nené 
- O bom poeta 
Donis de Frol Guilhade
- Cal: alquimia espiral do sol’o

Bibliografia [in]completa de António Ramos Rosa 

VOZES D’OUTRO NENHURES 

Stephen Batchelor
- Mitologias paralelas
- Tédio Baudelaire 

COLABORADORES ENTRE notas biobibliográficas