segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Coisas com História

«No presente, a fabricar o futuro, com o exemplo do passado.»

A marca Coisas com História nasceu da necessidade de um grupo criativo de pessoas esclarecidas expressarem a sua necessidade de promover Portugal e a sua Cultura. Dedicando-se à reinvenção e reinterpretação da representação tradicional de elementos da nossa cultura, este projecto desenvolveu todo um conceptualismo gráfico em torno de alguns dos nossos grandes escritores, celebrações e símbolos populares, cujo produto final poderá ser contemplado em três grandes áreas: papelaria, cerâmica e têxtil. Ao nível da papelaria, Coisas com História oferece uma interessante variedade de cadernos e blocos, ao passo que em cerâmica disponibiliza bonitos conjuntos de chá e uma vasta variedade de canecas, cujo design original ajudará qualquer pessoa a manter a boa disposição em momentos de fruição social, familiar ou solitária como o pequeno-almoço, lanche ou hora do chá. Igualmente interessantes e originais são as propostas das suas t-shirts, sweatshirts ou aventais, óptimas soluções para pequenos presentes, ideais para todas as idades. Para além destes formatos, encontram-se ainda disponíveis crachás, lápis, postais, marcadores de livros, entre inúmeros outros produtos, todos subordinados à temática da cultura portuguesa.
A novidade do design e a criatividades dos padrões vieram também dar um novo fôlego e uma roupagem renovada ao mercado de lembranças e souvenirs, contribuindo desta forma para uma modernização da oferta, sobretudo junto do público mais jovem, mantendo sempre fortes as raízes da tradição. Resta apenas acrescentar que Coisas com História representa um notável e interessante esforço de desenvolver a economia, apostando na revitalização da nossa história e desenvolvendo o nosso marketing cultural.
Esta empresa encontra-se sediada na cidade do Porto, na Rua João das Regras nº68 - 3º andar, possuindo  ainda dois estabelecimentos próprios, junto da Sé do Porto na Rua Augusto Rosa nº9 e no Bairro Alto, em Lisboa, na Rua da Atalaia nº73. Para mais informações ou actualizações face ao lançamento de novos produtos, sugerimos ainda o acompanhamento de Coisas com História através da sua página de Facebook.

T-shirt com estampagem alusiva à auto-proclamação de D. Afonso Henriques
como rei de Portugal em 1140.

Livro de notas com decoração alusiva à época das amendoeiras em flor.

Livro de notas subordinado a alguns dos nossos principais autores, destacando-se
as divertidas caricaturas de Eça de Queirós, Luís Vaz de Camões, Almeida Garrett,
Camilo Castelo Branco e Fernando Pessoa.

Caderno de espiral inspirado em Fernando Pessoa e alguns dos seus
heterónimos mais conhecidos.

Caneca com caricaturas dos escritores, destacando-se nesta fotografia as
figuras de Almeida Garrett e Eça de Queiroz.

T-shirt com estampa alusiva a Fernando Pessoas e os seus heterónimos.

Estampa de uma t-shirt alusiva à reinvenção da reinvenção do mais famoso
galo de Portugal.

Serviço de chá com motivos decorativos ligados à amendoeira em flor.

Chávena e pires alusivo ao universo pessoano.

T-shirt alusiva a um dos mais famosos e tradicionais percursos dos tradicionais
eléctricos amarelos da cidade de Lisboa.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Alfredo Keil: elogio a um romântico ou retrato de uma época

«É muito tentador arrumar Keil como um dos diletantes que viveram na roda cosmopolita dos últimos Braganças. Agarrada às aparências, esta classificação deixa escapar a personagem. (...)
Keil, porém, jamais se sentiu como um simples servidor da dinastia. Sentiu-se, muito intensamente, um cidadão no sentido antigo da palavra, devotado apenas à pátria.
Keil era filho de alemães. Lembrava-se de ouvir em casa o seu avô Stellpflug, que nunca conseguira aprender português (...) Falava e escrevia em francês ao pai, Johann Christian. Em 1876, tornou-se genro de um italiano, ao casar com Cleyde Cinatti, filha do arquitecto Giuseppe Cinatti. Mas a pátria foi, para Keil, sempre Portugal. Em 1869, a estudar em Nuremberga, suspirava melancolicamente: "Que saudades da minha pátria, do meu Tejo."
»
Rui Ramos em O Cidadão Keil.

Alfredo Keil foi de facto um cidadão ímpar, digno de um carinhoso destaque na memória do povo português. A sua vida diluiu-se na extensa obra que nos legou, testemunhado parte da grandeza dos grandes mestres do génio português que viveram aqueles conturbados anos de finais do século XIX e inícios do século XX. 
Sobretudo conhecido enquanto compositor, Alfredo Keil foi um artista e homem completo. Músico, compositor, coleccionista, fotografo, excelente pintor, Keil encarnou o verdadeiro sentido da estética romântica, associando os seus múltiplos talentos ao gosto pela cultura e ao arrebatador amor pela sua pátria, Portugal. Este sentimento revela-se não apenas na força que impôs às paisagens que pintou ou à sua composição musical mais famosa, A Portuguesa, nosso actual hino nacional, mas também pelo facto de ter composto a primeira ópera cantada em português, A Serrana, uma peça inspirada numa obra do incomparável Camilo Castelo Branco.
Não deixa se ser irónico que uma personalidade como a de Alfredo Keil seja tão pouco conhecida e celebrada no nosso país. A máxima de que o produto estrangeiro é melhor não podia uma vez mais estar tão errada, dada a qualidade superior das obras de Keil, reconhecidas e galardoadas internacionalmente, tanto ao nível da música, como da pintura. Causa-nos por isso alguma repulsa constatar que, por exemplo, em 2006, por altura dos 250 anos da morte de Mozart, até a mais pequena das freguesias celebrou a efeméride do compositor austríaco, num programa de celebrações que se estendeu até 2007, ano em que se assinalou os 100 anos do desaparecimento de Alfredo Keil. Estranhamente, ou talvez não, pouco ou nada se ouvir falar acerca de Alfredo Keil. As composições de Mozart inundavam as salas de espectáculo portuguesas, não havendo quem no seu reportório integrasse uma única música do compositor  português que, goste-se ou não, foi bem mais preponderante e importante para Portugal do que Wolfgang Amadeus Mozart.
A extinta revista independente de música e cultura Elegy Ibérica, foi dos poucos representantes da imprensa a lembrar esta efeméride em 2007, com um artigo que aqui aproveitamos para reproduzir, num sinal de claro reconhecimento e sentida saudade por essa publicação periódica.

(Clicar na imagem para ampliar.)

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Portugal é nazi?

Há quem diga que a verdade está nas ruas, mas quanto a isso temos muitas reservas. E você?

(Clicar na fotografia para ampliar.)

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Jorge Barradas e o painel do Infante D. Henrique

«...a cobiça de "acabar grandes e altos feitos", o domínio de si, o bom acolhimento de grande senhor na austera continência. Raro bebia vinho; passou toda a vida por casto e usaria cilício. Finalmente, as exclamações do apologista, tão sinceras de tom, diante de uma vida inteira dada a devassas de mar: "Oh quantas vezes o achou o sol assentado naquele lugar onde o deixara o dia dantes", etc., "cercado de gentes de diversas nações".
Este passo de Zurara atrai necessariamente o delicado problema de Sagres como residência e escola.
»

Foi através de uma mesma leitura historicista da vida e da obra do Infante D. Henrique que Jorge Barradas criou e desenvolveu um curioso painel, subordinado à temática do Infante e da Escola de Sagres, destinado à Exposição do Mundo Português, realizada em Lisboa em 1940.
Muitas das obras realizadas para esse grande evento foram posteriormente desmanteladas e abandonadas em armazéns. Outras, com menos sorte, foram mesmo destruídas. Felizmente, a sobriedade e sensibilidade de algumas personalidades têm vindo a contribuir para a recuperação desse património, outrora efémero, mas cujo testemunho histórico-iconográfico constitui um valiosíssimo tesouro para a compreensão de uma dada época. O mesmo aconteceu com este curioso painel, adquirido pela Universidade Portucalense - Infante D. Henrique, instituição de ensino privado de referência internacional que o tem o infante português como  seu patrono. Adquirido por influência do carismático Professor Doutor José Manuel Tedim, reconhecido historiador de arte afecto àquela instituição e à Faculdade de Letras da  Universidade de Coimbra, este painel foi terminado em 1938 por Jorge Barradas, tendo recebido um restauro do pintor Avelino Leite em Outubro de 1999.
Hoje, para admirar livremente este histórico painel, basta visitar as instalações da Universidade Portucalense - Infante D. Henrique, onde se encontra exposto.

Aspecto geral do painel do Infante D. Henrique, da
autoria de Jorge Barradas.

Pormenor da representação do Infante D. Henrique.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Aqui escreve-se e sempre se escreverá em Português!

«Eu, porém, não defendo - nem, presumo, defender alguém - o critério de que o Estado, onde tem ingerência, admita variações ortográficas. Como o indivíduo, o Estado - que em certo modo é também um indivíduo - adopta a - e uma só - ortografia, boa ou má, que entende, e impõe-a onde superintende.»
 Fernando Pessoa em A Língua Portuguesa.
«Vamos desobedecer! Nunca foi tão fácil ignorar impunemente um acordo feito atrás das nossas costas, enquanto dormíamos, por quem estava sempre a acordar.»
 Miguel Esteves Cardoso sobre o novo (des)acordo ortográfico.
«A elaboração, aprovação e aplicação do Acordo Ortográfico é um escândalo nacional. Um verdadeiro case study sobre a falta de transparência e democraticidade com que dossiers da Cultura, da Educação e da Ciência são sistematicamente tratados em Portugal.»
António Emiliano em Apologia do Desacordo Ortográfico.

Foi com uma sentida tristeza e um profundo pesar que recebemos hoje a confirmação da sentença de morte da língua portuguesa às mãos do novo (des)acordo ortográfico. A Presidência do Conselho de Ministros determinou a aplicação do novo (des)acordo ortográfico da língua portuguesa no sistema educativo já  no próximo ano lectivo de 2011-2012. Este culturicídio estender-se-á ao Governo e a todos os serviços, organismos e entidades na sua dependência, bem como à publicação do Diário da República, a partir do dia 1 de Janeiro de 2012. Não obstante, a própria Rádio Televisão Portuguesa começou já a contaminar os seus espectadores, pelo que incitamos e apoiamos o seu boicote.
Ao longo do último ano fomos assistindo de uma forma lamentável à gradual adopção da nova ortografia por grande parte dos jornais e revistas portuguesas, com as notáveis excepções de publicações como Público e O Diabo, os únicos periódicos que a partir de hoje passarão a merecer o nosso carinho e respeito pela sua patriótica posição. 
Aos que insistem em classificar esta mudança como irreversível e fruto do progresso, gostaríamos de lembrar que após perdermos todos os resquícios de soberania que ainda detínhamos, a língua era a única riqueza  segura, um tesouro que não nos parecia alienável. Infelizmente, também ela foi vendida aos interesses económicos, por (des)governantes mercenários, incompetentes, vis, sem carácter,  honra ou dignidade, gananciosos, abjectos, obtusos, ignorantes, analfabetos, cornudos, bastardos, brutos, feios, porcos e maus. A este grupo de criaturas inferiores, quase humanas, juntamos autores como Mia Couto ou a gentalha de movimentos como o MIL que, aproveitando-se da confusão, procuram conseguir alguma projecção ou razão de ser para as suas ignóbeis existências. 
Jamais postulámos que o português era uma língua morta e inorgânica, pelo contrário. Sempre defendemos a língua lusíada como um organismo vivo e em constante mutação. Contudo, esta mutação processa-se de forma natural e não de um modo artificial, por decreto político-económico, completamente alheio aos princípios fundamentais da linguística.
É caso para pensar se institucionalmente fará algum sentido continuar-se a celebrar o 10 de Junho como dia de Portugal, em homenagem Luís Vaz de Camões. Quanto à Nossa Alma, desígnio maior desta Pátria mutilada, essa continuará para sempre orgulhosamente Portuguesa. De hoje em diante, mais do que nunca, ou connosco ou contra nós!

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Os novos monstros do jazz nacional

Henrique Fernandes e João Filipe numa ilustração da autoria de
André Coelho.

Two White Monsters Around a Round Table é o nome de um dos mais interessantes duos de jazz portugueses da actualidade. Com uma abordagem nada ortodoxa ao nível desse género musical, este projecto, caracterizado pelo duplo diálogo entre a bateria e o contrabaixo eléctrico, nasceu na cidade do Porto em meados de 2009, do encontro entre os músicos João Filipe e Henrique Fernandes. O ecletismo musical de cada um dos interpretes, ligados a diversos projectos dentro dos mais variadíssimos espectros musicais, torna a sonoridade de Two White Monsters Around a Round Table deverás singular, captando a atenção até dos menos aficionados do jazz. A mistura entre a liberdade improvisadora e o carácter experimental confrontam neste projecto uma dicotomia caracterizada pela construção e desconstrução de estruturas musicais.
Em vésperas da edição de mais dois trabalhos originais, este duo portuense aproveitou agora para reeditar o seu EP promocional, há muito esgotado, distribuído ao longo da sua primeira tournée nacional, realizada durante 2010. Lançado no passado Sábado dia 22, pela editora e distribuidora Latrina do Chifrudo, este trabalho cuja gravação ficou a cargo de Gustavo Costa, igualmente responsável pela inclusão de alguma electrónica adicional, foi alvo nesta segunda edição de uma remasterização por parte de André Coelho que ilustra também o artwork deste trabalho. 
Esta nova edição limitada do EP de estreia dos novos monstros do nosso jazz de vanguarda, encontra-se disponível através da Latrina do Chifrudo, pela módica quantia de apenas 5€ mais portes.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Hoje é dia de eleições. E amanhã?

«Al día siguiente volverán a hablar de bancarrota y de intervención extranjera. ¡Pobre Portugal!»  
Miguel de Unamuno em Por tierras de Portugal y de España.

Representação da República numa gravura
da autoria de Álvaro Viana de Lemos.

Hoje os portugueses votam no seu salvador. Esta foi a principal ideia transmitida pela maioria dos candidatos à Presidência da República Portuguesa durante as suas campanhas. Todos os elegíveis mercenários falavam, quando deixavam literalmente de chafurdar o nome dos seus adversários na lama, em mudança, na necessidade de alcançarmos a tão almejada estabilidade política e económica, o reequilíbrio social e a sua sustentabilidade, entre tantas outras coisas.
Ficou no ar a promessa. Mais uma vez a promessa de que algo vai mudar, como se alguém dissesse: Coragem portugueses, desta vez é que vai ser. O povo, uma vez mais enganado, acorre às urnas e vota avidamente no candidato apoiado pelo seu partido, como quem participa numa qualquer sondagem desportiva sobre quem ganhará a próxima temporada desportiva, votando no seu clube de eleição.
Esta noite será a loucura das sondagens e dos directos nas respectivas sedes de campanha, onde a confiança dos últimos dias face aos resultados, se transformará na face de todos os candidatos derrotados, num sorriso amarelo de felicitações ao vencedor, num espectáculo sofrível, ao nível do Festival da Eurovisão ou da gala da Miss Mundo.
A grande questão prende-se com o dia de amanhã? Obviamente, a ressaca da euforia deste Domingo será caracterizada pela constatação da continuidade na mediocridade. Sem soluções à vista, os problemas continuarão a existir, caindo todas as promessas em saco roto. Uma vez mais, ninguém será responsabilizado pela incompetência e incumprimento criminoso dos objectivos delineados no programa eleitoral. A crise, essa estará sempre aí à porta, de pedra e cal.