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sexta-feira, 20 de abril de 2012

Os últimos baleeiros dos Açores

Detalhe da ilha do Pico retirado da obra Whaling Voyage Round the World.

Os intrépidos baleeiros açorianos foram em tempos fonte de inspiração de aventuras como as do famoso romance Moby Dick de Herman Melville. A coragem necessária para empreender o seu duro mester elevou esses homens à categoria de heróis que, para sobreviverem e alimentarem as suas famílias, lançavam-se à imensidão do mar, perseguindo as gigantescas bestas que o habitavam. Hoje, com o fim desta actividade, resta-nos a memória da mesma, responsável pelo moldar do carácter e dos hábitos de gerações e gerações de açorianos. 
The Last Whalers ou Os Últimos Baleeiros é um documentário de William Neufeld, produzido pela WBN Productions em 1968. Trata-se de um documento de elevado valor histórico e antropológico na medida em que registou os diferentes aspectos e implicações desta desaparecida actividade. Este vídeo é presentemente exibido na Azorean Whalemen Gallery do New Bedford Whaling Museum, nos Estados Unidos da América, lembrando e homenageando as nossas gentes do mar através da perpetuação da sua memória e identidade.

(Clicar na imagem para visualizar o documentário.)

segunda-feira, 16 de abril de 2012

O Porto em inícios do séc. XX

Invocando o facto da cidade do Porto ter sido recentemente galardoada com o título de Melhor Destino Europeu de 2012, aproveitamos para partilhar um interessante vídeo de inícios do séc. XX, através do qual podemos reviver a antiga dinâmica da sua zona ribeirinha. Este filme representa um interessante documento cujo elevado valor histórico, antropológico e patrimonial nos permite recuar aos primeiros anos do século passado, analisando-se a traça urbanística, bem como os mesteres, hábitos, costumes, trajes e outros aspectos do quotidiano da cidade. Na parte final do filme assiste-se a um salto geográfico do Douro Litoral para o Minho, onde são mostrados alguns aspectos daquela região, enfatizando-se a beleza das suas mulheres, seus respectivos trajes e adornos.
Produzido pela francesa Pathé, sabe-se que o filme foi realizado por M. R. Alexandre, nome creditado logo no começo do vídeo. Infelizmente este não se encontra datado, pelo que se torna difícil fazer uma datação exacta da filmagem. Pormenor que em nada retira a beleza destes 2 minutos e 14 segundos históricos de imagem em movimento.

Vídeo não datado da cidade do Porto, mostrando também alguns aspectos
quotidianos das gentes minhotas.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Conferência transdisciplinar sobre Mendes Corrêa

Professor Doutor Mendes Corrêa.

Na sequência das comemorações do cinquentenário do desaparecimento de Mendes Corrêa, o Departamento de Ciências e Técnicas do Património da Faculdade de Letras da Universidade do Porto organizará no próximo dia 6 de Janeiro, a partir das 9:30, no Palacete Viscondes de Balsemão, no Porto, uma conferência transdisciplinar que procurará percorrer a extensa vida e obra deste insigne intelectual português.
Este evento terá entrada livre e terminará por volta das 18:30, com uma visita ao Museu de História Natural e a outros núcleos museológicos da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

O Portugal Universal de Orlando Ribeiro

«Os Descobrimentos históricos e marítimos, o desvendamento do mundo visível e o descentramento português para o Oriente e o mundo têm sido assumidos por autores fundamentais da cultura portuguesa não tanto pelo que neles positiva e mais imediatamente se cumpre, seja a expansão da Fé e do Império, seja o encontro de culturas e o conhecimento empírico do planeta, mas antes como figura simbólica ou antecipação profética de uma outra e mais decisiva Descoberta a fazer, na qual superiormente se consumaria, já na transição da história para a meta-história, a potencialidade, a vocação ou o destino maior da nação, transcendente do "drama da globalização" a que deu início na inauguração do mundo moderno.»
Paulo Borges em Uma Visão Armilar do Mundo.

Falar de Orlando Ribeiro, é muito mais do que falar de um simples geógrafo ou homem das ciências. Falar de Orlando Ribeiro, é falar daquele que provavelmente foi o maior geógrafo português de todos os tempos, um homem com uma história de vida fascinante, completamente voltada para as ciências e progresso científico. Um homem que criou, não apenas no âmbito das ciências, mas também no meio artístico, dada a sua extrema sensibilidade para as artes, em particular a música que tanto apreciava, e a fotografia, essa paixão que toda a vida o acompanhou de forma quase indissociável de tudo o resto.
Nas suas viagens pelo mundo Português, após calcorrear todo o Portugal continental,  do mais conhecido ao mais profundo, chegando a locais praticamente inacessíveis, tantas vezes sozinho, na companhia de um burro, da sua máquina e dos seus preciosos cadernos, passando pelos nossos arquipélagos atlânticos, territórios africanos e asiáticos, Orlando Ribeiro, traçou um retrato vivo de uma importante parte da presença lusíada no mundo. Para além de Portugal, incluindo Açores e Madeira, as suas viagens pelo Mundo Português  levaram-no até outros territórios como Cabo-Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Angola, Moçambique, Goa, Damão e Diu, desenvolvendo um aprofundamento do conhecimento sobre esse Portugal Universal, materializado em distintas terras, gentes e culturas.
Nascido em Lisboa a 16 de Fevereiro de 1911, Orlando Ribeiro licenciou-se e doutorou-se em Lisboa, na área de História e Geografia, tendo recebido uma forte influência de grandes mestres como David de Melo Lopes e de José Leite de Vasconcelos, a quem de resto dedicou a sua obra maior, Portugal, o Mediterrâneo e o Atlântico em 1945. Tendo passado por Coimbra e Paris, onde trabalhou com o historiador Marc Bloch na Sorbonne, foi em Lisboa que Orlando Ribeiro se radicou e desenvolveu grande parte do seu trabalho e criou o Centro de Estudos Geográficos.
Intelectual completo, interessado em áreas tão distintas como Geografia, Geologia, História, Etnografia, Antropologia, Fotografia, entre outras, Orlando Ribeiro foi um renovador e modernizador da Cultura e Academia Portuguesa, podendo-se encontrar mais informações quanto à sua vida e obra num interessante artigo de João Carlos Garcia, intitulado Orlando Ribeiro (1911-1997): o Mundo à sua procura, publicado em 1998 na revista do departamento de Geografia da FLUP.

Orlando Ribeiro num auto-retrato tirado com uma máquina Leica (1940).

Casa de Pedra em Monsanto, a aldeia mais Portuguesa de Portugal (1958).

Erupção dos Capelinhos, na Ilha do Faial,  vista do Costado da Nau
no dia 7 de Janeiro de 1958.

Cena rural captada em Santana, na Ilha da Madeira (1948).


Carregamento de amendoim no porto de Bissau (1947) .

Marco indicador da passagem do Equador no Ilhéu das Rolas,
em São Tomé e Príncipe (1952).

Nova Caipemba, em Angola (1960).

Palhota quadrada, de andar, em Zambeze, Moçambique (1961).

Crianças mouras nas ruas de Damão (1956).

Vendedeiras de Suró, em Brancavará, Diu (1956).

Praia de pesca de Siridão, em Goa (1956).

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Mendes Corrêa entre a ciência, a docência e a política

O Núcleo Lusófono da História da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias organiza no próximo dia 9 de Dezembro, pelas 18:00, no auditório Armando Guebuza, o 1º Seminário de História do Património e da Ciência, numa justa homenagem a um dos grandes intelectuais portugueses do século XX - o Doutor Mendes Corrêa
Subordinado ao tema A. A. E. Mendes Corrêa (1888-1960), entre a ciência, a docência e a política, este encontro contará com a participação dos seguintes oradores: Patrícia Ferraz, Matos Teresa, Salomé Mota, Catarina Casanova, João Luís Cardoso, Ana Cristina Martins e João Pereira Neto. A entrada é livre e a frequência deste seminário contará 0,3 ECTS.

(Clicar no cartaz para ampliar.)

terça-feira, 23 de novembro de 2010

A filmografia de Michel Giacometti

«Há uma velha moda alentejana, entre as muitas que ele por cá ouviu e gravou, que diz: Eu sou devedor à terra / A terra me 'stá devendo / A terra paga-m'em vida / Eu pago à terra em morrendo. Deste povo que canta a vida do mesmo modo que canta a morte, como se uma não tivesse sentido sem a outra, guardou Michel a alma antiga já em névoa. E por isso não foi morrendo que ele pagou a sua dívida à terra Portuguesa, foi nela vivendo. (...)
Michel Giacometti é, repete-se, um português que, não por acaso, nasceu um dia na Córsega. Sempre o vimos como tal. E continuaremos a vê-lo, agora que por graças da técnica, ele regressa vivo para nós.
Ouçam-no, vejam-no, admirem o seu trabalho e empenho. O que ele filmou e gravou ter-se-ia perdido para sempre, não fosse a sua teimosia. Giacometti salvou-nos a alma.
»
Nuno Pacheco em Michel Giacometti - filmografia completa vol. 1.

O etnomusicólogo Michel Giacometti.

As palavras acima transcritas de Nuno Pacheco sobre Michel Giacometti, parecem-nos exageradamente exacerbadas, fruto de uma provável emoção perante o peso da obra deste grande nome da etnografia portuguesa, agora finalmente compilada e disponibilizada ao grande público.
Conforme nos relembrou José Alberto Sardinha num artigo publicado na edição do seminário Expresso de 6 de Junho de 1999, as recolhas de Michel Giacometti, não obstante a sua importância e peso, não devem ser olhadas como um resultado exclusivo, cabendo-nos aqui a obrigação de fazer uma  breve nota, salvaguardando trabalhos menos conhecidos, levados a cabo anos antes por etnógrafos e etnomusicólogos como Armando Leça, Kurt Schindler, Virgílio Pereira, Ernesto Veiga de Oliveira ou o próprio Fernando Lopes Graça. Destes, o mais importante foi indubitávelmente Armando Leça, cujos levantamentos de campo, efectuados a pedido da Comissão dos Centenários em meados de 1939, foram pioneiros e extensivos a todo território nacional, ficando apenas conhecidos pelo público em meados de 1983.
Polémicas à parte, o legado de Michel Giacometti constitui um verdadeiro tesouro do património imaterial português. Os seus trabalhos de recolha, desenvolvidos em território nacional a partir da década de 1970, permitiram o registo e a preservação do imaginário rural português, tantas vezes mais duro e árduo do que romântico. Contudo, beleza é o primeiro sentimento que podemos vivenciar ao visualizar os pequenos nadas que formam e constituem o corpo musculado de uma nação, na sua mais profunda essência e tradição. As imagens e sons capturados pelo etnomusicólogo francês natural da ilha de Córsega são no mínimo arrepiantes, permitindo-nos conhecer a força, o carácter, a fibra, o espírito e as vivências mais genuínas do povo português.
As suas recolhas áudio são há muito conhecidas no circuito comercial, em particular as que resultaram de um trabalho conjunto com o compositor Fernando Lopes Graça, tendo estas sido alvo de diversas edições, nos formatos vinil e CD. Contudo, a filmografia de Giacometti permaneceu guardada até hoje em arquivos vários, sendo raramente visualizada em sessões esporádicas, ou através de curtas passagens na televisão enquanto imagens de arquivo. Foi por isso oportuno o lançamento conjunto entre o jornal Público e a editora Tradisom, da obra Michel Giacometti - filmografia completa. Com o primeiro número a chegar às bancas no passado dia 22 de Novembro, esta colecção comemorativa do vigésimo aniversário do desaparecimento de Giacometti, constitui-se por 12 volumes, entre livros DVD e CD, podendo ser adquirido em qualquer quiosque, durante todas as segundas-feiras das próximas 11 semanas.