quarta-feira, 28 de março de 2012

Como se escreve na Assembleia Regional da Madeira devido ao novo (des)acordo ortográfico

A asneira institucionalizada à qual vulgarmente designamos de (des)acordo ortográfico tem semeado a confusão, a estupidez e a ignorância onde estas eram, infelizmente, já reinantes. A sua obscura implementação, não só tem vindo a deformar e destruir a Língua Portuguesa, como tem contribuído para uma espécie de novo analfabetismo, conforme tem vindo a ser denunciado neste e outros espaços fiéis à nossa Língua Portuguesa. 
João Roque Dias, um dos paladinos desta cruzada contra o disparate, denunciou ontem, através da sua página de Facebook, o ridículo a que chegaram as nossas Instituições públicas, conforme poderemos verificar na imagem abaixo publicada, contendo a análise à ortográfica de um documento oficial da Assembleia Regional da Madeira. Parece uma anedota, mas não é!

(Clicar na imagem para ampliar.)

domingo, 25 de março de 2012

O adeus a Antonio Tabucchi

Antonio Tabucchi (1943-2012).

Faleceu hoje na cidade de Lisboa o escritor e professor italiano Antonio Tabucchi. Profundamente apaixonado por Portugal e pela nossa cultura, chegou mesmo a adquirir a nacionalidade portuguesa em 2004. Grande admirador de Fernando Pessoa, autor que inspirou algumas das suas obras, traduziu-o e divulgou-o em Itália onde, sobre ele, manteve uma acesa polémica com Brunello de Cusatis, outro académico italiano interessado no estudo e divulgação da obra pessoana.
Autor premiado, galardoado e condecorado, deixou-nos inúmeras obras, das quais destacámos o seu romance Sostiene Pereira, posteriormente adaptado ao cinema por Roberto Faenza, num filme que conta com uma das últimas interpretações de Marcello Mastroianni antes da sua morte.
Para a posteridade fica a memória de um homem talentoso, de paixões e convicções fortes, que um dia soube viver e sentir Portugal. É caso para dizer-se: Tabucchi, obrigado e até sempre!

sexta-feira, 23 de março de 2012

Apresentação na FLUP da obra 'Razão Comovida'

«Epistemologia e gnoseologia, antropologia e ética, política e filosofia jurídica, metafísica e ontologia, teologia e religião, imaginário literário e imaginário filosófico são registos que se cruzam em Razão Comovida, reflectidos em temas, figuras e destinos da nossa cultura filosófica, da qual aquela pluralidade de saberes, na indicação da história e dos filósofos, dá testemunho de riqueza viva, em complexidade, novidade e pensar genesíaco, com insofismável interesse para as gerações.»
Manuel Cândido Pimentel no prefácio à sua obra Razão Comovida. 

Capa do mais recente livro do Professor
Manuel Cândido Pimentel, publicado em
Setembro de 2011.

Realiza-se no próximo dia 26 de Março, pelas 18:00, na Sala de Reuniões da Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP), a apresentação da obra Razão Comovida, da autoria do Professor Manuel Cândido Pimentel.
Publicado em Setembro de 2011 pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda, este livro reúne um conjunto de ensaios do autor, escritos ao longo de vários anos, reflectindo o seu trabalho e respectivas linhas de pensamento face a algumas questões de fundo concernentes à nossa cultura, pensamento, tradição e espiritualidade. Abordando autores como Leonardo Coimbra, Teixeira de Pascoaes, António José de Brito, J. Cerqueira Gonçalves, José Marinho, Antero de Quental, Manuel de Arriaga, Miguel Reale, Agostinho da Silva, Afonso Botelho, Virgílio Ferreira, Pinharanda Gomes, passando também por Santo António de Lisboa, Francisco Sanches, Ibne al-Sid e Leão Hebreu, Razão Comovida afigura-se como uma obra transversal a variadíssimas áreas do conhecimento, apresentando de uma forma crítica, científica e sistematizada a correlação entre o pensamento racional e a metafísica.
A entrada é livre e aberta a toda a comunidade.

quinta-feira, 22 de março de 2012

António Quadros nos 19 anos do seu desaparecimento

«Portugal vive hoje não só uma profunda crise política, económica, financeira e social, mas também uma crise de identidade que desmotiva e desorienta os portugueses. Urge voltar a estimular o seu patriotismo, voltar a ensinar a sua história e cultura, voltar a mostrar-lhes porque podem sentir-se orgulhosos de ser portugueses. Urge em suma continuar Portugal, porque de outra forma nos tornaremos, sem vantagem para ninguém, colonato, província ou feudo.»
António Quadros no prefácio da sua obra A Arte de Continuar Português (1977). 

António Gabriel de Quadros Ferro, notável pensador, pedagogo,
escritor e tradutor, desapareceu há 19 anos. Contudo o seu
importante legado permanece vivo entre os portugueses.

Filho de António Ferro e Fernanda de Castro, António Quadros nasceu na cidade de Lisboa a 14 de Julho de 1924. Tendo dedicado a sua vida à cultura lusíada, através da sua extensa actividade literária e ensaistica, tornou-se num importante vulto do pensamento português. 
Distinguindo-se na área da filosofia da história, deixando-nos um importante legado através de uma vasta obra publicada, António Quadros poderá não ter sido um homem de acção e militância como o seu pai, mas por certo herdara-lhe o génio e, acima de tudo, o amor incondicional a Portugal. Certamente agraciado por um ambiente familiar propício ao desenvolvimento intelectual, Quadros conviveu ainda com várias personalidades distintas do panorama cultural nacional e internacional, entre as quais o romeno Mircea Eliade, cuja obra muito o influenciou.
O seu próprio percurso acabaria por o colocar na mesma rota de outros importantes nomes do pensamento português, tais como Álvaro Ribeiro, José Marinho, Francisco da Cunha Leão, Agostinho da Silva, Dalila L. Pereira da Costa, Afonso Botelho, Orlando Vitorino, António Telmo, Pinharanda Gomes, entre outros. Da sua extensa bibliografia destacam-se obras como O Espírito da Cultura Portuguesa, A Arte de Continuar Português, Fernando Pessoa. Vida, Personalidade e Génio, Introdução à Filosofia da História, Poesia e Filosofia do Mito Sebastianista, Portugal Razão e Mistério, A Ideia de Portugal na Literatura Portuguesa dos Últimos Cem Anos, O Primeiro Modernismo Português - Vanguarda e Tradição ou Estruturas simbólicas do Imaginário na Literatura Portuguesa. António Quadros foi, juntamente com Jorge Sena, Dalila L. Pereira da Costa e Yvette K. Centeno, um dos primeiros estudiosos do esoterismo pessoano, ocupando-se da organização, publicação e comentário de uma vasta parte da obra de Fernando Pessoa.
Pedagogo integral, António Quadros mostrou-se sempre sensível às questões da educação que, para ele, se apresentavam como fundamentais ao desenvolvimento humano e espiritual do indivíduo.
A Fundação António Quadros invocou ontem os primeiros 19 anos passados sobre o seu desaparecimento, uma efeméride que a Nova Casa Portuguesa não poderia deixar de lembrar, homenageando também esse vulto da nossa cultura, cujos sábios ensinamentos têm inspirado sucessivas gerações de portugueses, desbloqueando-lhes a alma e aniquilando todos os elementos inibidores à realização de Portugal e da sua missão. Conscientes da importância da manutenção da sua memória e do seu legado, recordamos o pedido da recém-falecida Dalila L. Pereira da Costa que alertava para um certo esquecimento ao qual António Quadros estaria votado, pedindo às gerações mais jovens que o 'ressuscitassem'. Talvez a proximidade do 20.º aniversário da sua morte, celebrado no próximo ano, sirva de mote para o início de um estudo mais sistemático e intensivo sobre a sua vida e obra, podendo os seus resultados conservar e perpetuar de vez, no nosso inconsciente colectivo, alguns dos mistérios constituintes do nosso axioma mais profundo.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Florbela, o trágico-retrato de uma poetisa

De joelhos

“Bendita seja a Mãe que te gerou.” 
Bendito o leite que te fez crescer 
Bendito o berço aonde te embalou 
A tua ama, para te adormecer! 

Bendita essa canção que acalentou 
Da tua vida o doce alvorecer... 
Bendita seja a Lua, que inundou 
De luz, a Terra, só para te ver... 

Benditos sejam todos que te amarem, 
As que em volta de ti ajoelharem 
Numa grande paixão fervente e louca! 

E se mais que eu, um dia, te quiser 
Alguém, bendita seja essa Mulher, 
Bendito seja o beijo dessa boca!

Florbela Espanca em Livro de Mágoas.

A divulgação do mais recente filme do realizador Vicente Alves do Ó não poderia chegar em melhor altura. O seu trabalho, Florbela, inspira-se na vida e obra da poetisa portuguesa Florbela Espanca, fazendo por isso todo o sentido esta sugestão neste Dia Mundial da Poesia.
Procurando adaptar ao grande écran a atribulada e atormentada vida da poetisa, este trabalho procura explorar uma certa liberdade na interpretação da personalidade biografada, resultando num interessante e estimulante desafio para o espectadores que, certamente, não ficarão indiferentes a este ensaio literário-cinematográfico. 
Mais um filme de produção nacional a não perder num cinema perto de si!


Trailer do filme Florbela, em exibição em todo o país.

terça-feira, 20 de março de 2012

Salazar renasce! Tremem os ímpios!

Desde o seu desaparecimento que o Dr. António de Oliveira Salazar aparenta ressuscitar, no inconsciente colectivo dos portugueses, nos momentos de maior crise e desnorte  face ao rumo futuro dos destinos nacionais. Com ele erguem-se, infelizmente, as vozes da mentira, procurando difamar a sua memória, deturpando a realidade dos factos, manipulando e falsificando a história, forjando-a com recurso à calúnia e delação. Contudo, a Nossa História fez-se ao longo dos séculos pela vontade de Deus, materializando-se essencialmente através das acções das nossas grandes personalidades. Ou seja, dos nossos grandes homens e das nossas grandes mulheres. 
Recentemente, aquando da apresentação da marca Salazar, levada a cabo no Concelho de Santa Comba Dão, assistiu-se a mais um vil e deplorável ataque contra essa figura maior da nossa historiografia mais recente. Infundadamente apelidado de fascista e tido como um sanguinário e violento ditador, o nosso antigo Presidente do Conselho foi, uma vez mais, vítima da difamação das ímpias e traidoras ratazanas portadoras de um novo tipo de peste, isto é, a 'desinformação bubónica'. Um mal perigosamente contagiante na nossa sociedade pós-abrilista, demonológica-democrática e mass mediatizada, mas facilmente curável através da pureza da História e da benéfica preservação da nossa memória.
Assim, partilhamos com os 'contaminados' as seguintes palavras de José Hermano Saraiva que, apesar de simples, descrevem na sua essência a autêntica personalidade de António de Oliveira Salazar, bem como a sua importância nuclear durante um dos períodos mais complicados e conturbados da história mundial. 
«O asceta - Ao contrário dos fascistas, que subvertiam a moral cristã, Salazar era um asceta que a aplicava nos planos pessoal e nacional. (...)
Salazar, antifascista - Só com o propósito de injuriar, por ignorância da realidade, é que se pode dizer que houve fascismo em Portugal. O fascismo era demagógico e o salazarismo contrademagógico; o fascismo era pelo progresso a todo o custo, nós fomos sempre conservadores; o fascismo baseou-se sempre nos movimentos das multidões, aqui esses movimentos foram sempre proibidos. Os fascismos foram anti-religiosos, anti-judaicos, militaristas, em tudo opostos à situação portuguesa. Claro que foi um regime autoritário, que que sob um manto constitucional funcionou de facto a autoridade de um só homem, o Dr. António de Oliveira Salazar. Um ditador é sempre um mal, mas no caso português deu-se a surpreendente situação do 'ditador virtuoso'.
Ele era um homem irrepreensível do ponto de vista moral, que nunca quis fazer fortuna, foi um caso de excepção, que restituiu a Portugal a dignidade do Estado, depois de ter deitado mãos a um país assolado por uma crise profunda em 1928. Foi com ele que o país agrícola iniciou a sua industrialização, que o analfabetismo, que era de 80%, passou a 20%, conseguimos - o que continua a parecer incrível - não intervir na II Guerra Mundial. Enquanto governou, Salazar teve os aplausos e a solidariedade da nação, com a admiração do mundo.
De Gaulle chamou-lhe "o maior dos estadistas europeus" e são numerosas as referências desse tipo. Durante o Estado Novo, o que tivemos foi uma governação prudente, previdente...
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 José Hermano Saraiva em Os labirintos da memória de Luís Guimarães.
Dr. António de Oliveira Salazar, com o seu porte
e elegância habituais.