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terça-feira, 3 de novembro de 2015

Maçcarilhas... a outra face

As Festas de Inverno constituem uma parte singular da tradição popular do Nordeste português. Entre as manifestações profanas de cultos sagrados de outros tempos e o crescente amor e interesse pela beleza do folclore daquela região, assiste-se hoje à revalorização de um património riquíssimo que, até há poucos anos atrás, esteve em risco de perder-se na longa noite escura do "progresso".
Em conformidade com esta realidade, a Biblioteca Municipal de Valpaços organiza entre os dias 10 e 30 de Novembro uma exposição intitulada Maçcarilhas... a outra face. Uma mostra que visa dar a conhecer não só as famosas máscaras que compõem toda a alegoria mítica das Festas de Inverno, como destacar o papel dos artesãos que desde tempos imemoriais as criam. 
A entrada é livre. 

(Clicar na imagem para ampliar.)

domingo, 24 de julho de 2011

34ª Feira Nacional de Artesanato de Vila do Conde


Passadas mais de três décadas de realizações consecutivas, a Feira Nacional de Artesanato de Vila do Conde continua a afirmar-se como uma referência nacional e internacional em certames desta natureza, sobretudo devido à sua capacidade mobilizadora, não só dos artesãos nacionais, mas também no que respeita ao número de visitantes que anualmente afluem a este repositório da memória tradicional portuguesa.
Considerada ao longo dos últimos anos como umas das maiores e melhores feiras do género a realizarem-se em Portugal, ela revela ao longo de todos estes anos um esforço perseverante de defesa e divulgação das artes tradicionais portuguesas.
Com a presença de mais de 200 artesãos e abrangendo a totalidade geográfica dos nosso País, a Feira Nacional de Artesanato de Vila do Conde é presentemente um evento de referência incontornável, atraindo uma média de 400 mil visitantes por ano.
Como tem vindo a ser costume ao longo dos últimos anos, a presente edição deste certame terá também um país convidado que desta feita será a Tailândia, por ocasião das celebrações dos 500 anos de relações entre Portugal e o Sião.
Organizada em parceria pela Câmara Municipal de Vila do Conde e pela Associação para Defesa do Artesanato e Património de Vila do Conde, a 34ª Feira Nacional de Artesanato iniciou-se ontem, dia 23 de Julho, prolongando-se até ao próximo dia 7 de Agosto. A entrada é livre.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Natal com livros, artesanato urbano e produtos gourmet

Certas recomendações nunca são demais. Assim, este Natal, sugerimos uma vez mais a oferta de livros. E como os tempos são de crise, aproveitamos para lembrar que até ao dia 19 de Dezembro de 2010, decorre nas instalações da Fundação Dr. António Cupertino de Miranda, no Porto, uma Feira do Livro, onde poderão encontrar  vários títulos de diversas editoras a preços de ocasião.
No mesmo espaço onde decorre este pequeno evento literário encontramos ainda uma mostra/venda de artesanato e bijuteria urbana, assim como de vários produtos alimentares gourmet, com especial destaque para a secção de vinhos e cervejas.
Ao longo destes 19 dias de certame, haverá ainda lugar para algumas actividades culturais, entre sessões de autógrafos com autores e ilustradores, bem como recitais de poesia e workshops com alguns artesãos ligados à área da bijuteria.
A entrada é livre.

(Clicar no cartaz para ampliar.)

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Reabertura do Museu Nacional de Arte Popular

Reabre hoje ao público o Museu Nacional de Arte Popular, após certa de uma década de portas fechadas. Tendo estado na iminência de ser encerrado definitivamente e transformado num museu da Língua Portuguesa, este espaço museológico parece ter sido salvo graças à intervenção de vários cidadãos nacionais, que assinaram e fizeram circular uma petição visando a salvaguarda daquele que em tempos foi um dos mais visitados museus portugueses.
Inaugurado em 1948, na sequência da reformulação do antigo pavilhão da Secção da Vida Popular da Exposição do Mundo Português de 1940, o edifício deste museu, com projecto da autoria dos arquitectos António Reis Camelo e João Simões, foi dos poucos construídos para esse grande evento que conseguiu chegar até aos nossos dias. Contendo um interessante espólio referente à cultura popular portuguesa, em particular da arte popular, este museu representará por certo uma mais valia na oferta cultural da cidade de Lisboa e do país, sobretudo se tivermos em linha de conta o crescente interesse no artesanato e outros revivalismos populares, reveladores de uma certa sede de portugalidade.
Criado pelo Secretariado da Propaganda Nacional de António Ferro, com o intuito de explicar Portugal, as suas gentes, hábitos e costumes, a reabertura do Museu Nacional de Arte Popular não poderia acontecer em melhor altura, dada a urgência de se voltar a repensar Portugal. 
A cerimónia de reabertura deste museu está marcada para as 18:00 de hoje, dia 13 de Dezembro, aproveitando-se o momento para inaugurar também a exposição Os Construtores do MAP - Museu em Construção.

(Clicar no convite para ampliar.)

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

As marafonas

Tradicionalmente produzidas em terras beirãs, as marafonas constituem uma parte do imaginário cultural popular português raiano, sendo hoje um objecto bastante apreciado pelos muitos turistas que nos visitam. Contudo, na sua origem, a sua finalidade residia em algo mais do que um mero objecto decorativo.
Construídas sobre um corpo de madeira cru em forma de cruz, estas bonecas são, ainda hoje, feitas à base de pedaços de pano e tecidos coloridos, contrastando com os trajes, predominantemente negros, usados tradicionalmente naquela zona de Portugal.
Inicialmente, as marafonas eram usadas como uma espécie de amuleto, um totem destinado a proteger os jovens casais do mau olhado, acreditando-se de igual modo nas particularidades mágicas destas curiosas bonecas, associadas à fertilidade e fecundidade. Colocadas no leito dos casais na noite de núpcias, as marafonas não possuem nem olhos para ver, nem boca para falar, deste modo, os segredos amorosos de quem protegem ficam para sempre a salvo. Neste ponto, podemos ainda remeter as marafonas para uma analogia com a tradição das Maias e dos Maios.
A sua origem perde-se na infinita profundidade da espiral dos tempos, sendo apontadas várias origens etimológicas para o seu nome. A mais famosa recai sobre a origem árabe do nome, derivado da palavra mara haina, ou seja, mulher enganadora. Não obstante, há também quem associe este nome à palavra mãe, partindo do latim matre ou do celtibero matrubos. A segunda parte do vocábulo, fona, sinónimo de faúlha, é apontado como sendo um vocábulo com origem no germânico fon, fogo. Ligando estas três perspectivas sobre a possível génese da palavra marafona, encontramos sem grande dificuldade, uma clara alusão a uma reminiscência ancestral pré-cristã, patente no carácter protector de uma suposta deusa Mãe, representada pela figura da boneca, aliada à metáfora do fogo como sinónimo de amor e paixão.
Apesar da tradição das marafonas ser essencialmente beirã, muito ligada à histórica aldeia de Monsanto, no concelho de Idanha-a-Nova, podemos encontrar variações deste traço folclórico português um pouco mais a Norte, ligado às Festas de Inverno de Trás-os-Montes, bem como a Sul, no Alentejo, onde são igualmente conhecidas por matrafonas. 

Como a lealdade, sem olhos para ver, nem boca para contar.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

A mensagem das andorinhas de Bordalo

Se há algo que nos domina e predomina na cultura portuguesa é o Amor, esse estranho e inexplicável sentimento descrito magistralmente por Luís Vaz de Camões, o Poeta entre os poetas, da seguinte forma:
Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer; 
É um não querer mais que bem querer; 
É solitário andar por entre a gente; 
É nunca contentar-se de contente; 
É cuidar que se ganha em se perder; 

É querer estar preso por vontade; 
É servir a quem vence, o vencedor; 
É ter com quem nos mata lealdade. 

Mas como causar pode seu favor 
Nos corações humanos amizade, 
Se tão contrário a si é o mesmo Amor? 
De Norte a Sul de Portugal, indo aos nossos arquipélagos e antigos territórios ultramarinos, encontrámos vestígios e reminiscências desse sentimento-essência constituinte do arquétipo português e da nossa memória colectiva. A cultura popular, pródiga na sua sublime forma de expressar o inexpressível, exterioriza esta realidade de um modo tão genuíno que se torna capaz de derrubar muros ou obstáculos intransponíveis pelos mais doutos intelectuais. Invoquemos a título de exemplo os famosos lenços de amor, tradicionais do belo Verde Minho. Simples na sua concepção, possuem uma força em potência de alcance inestimável, revelando-se autênticos pedaços de alma materializados de forma a poderem ser partilhados.
Não são raras as vezes em que a própria Natureza influi sobre o Homem, tornando-o axiomaticamente bom  e receptivo aos mais altos valores, como o Amor, Lealdade e Fidelidade. Tudo por um mero processo inconsciente de mímesis.

Andorinha de cerâmica proveniente da Fábrica de Faianças
Artísticas Rafael Bordallo Pinheiro
, nas Caldas da Rainha.

Ciente ou não dessa realidade metafísica e antropológica, Rafael Bordalo Pinheiro, em meados de 1891, iniciou na sua fábrica a produção de pequenas andorinhas em cerâmica que ele próprio desenhara. Uma peça que rapidamente integrou e povoou o artesanato e imaginário popular português.
Ave migratória que aquando do seu regresso a um determinado sítio procura construir o seu ninho sempre no mesmo local onde anteriormente habitara, a andorinha, por possuir um único parceiro ao longo da vida, assumiu um simbolismo conotado com valores como Lar, Família, mas sobretudo, Amor, Lealdade e Fidelidade. 
Desta forma, facilmente assimilável pela grei em virtude da sua própria identificação com a mensagem expressa, vulgarizou-se a troca de andorinhas cerâmicas entre os amantes, usadas não só como gesto  de amor ou troca simbólica, mas também como uma espécie de amuleto de harmonia, felicidade e prosperidade no lar e no seio da sempre sagrada família. 
Recuperemos por isso velhos hábitos, pois nunca é tarde demais para admirarmos o voo mágico das aves ou oferecermos uma andorinha a quem verdadeiramente amamos. A quem verdadeiramente queremos e nos completa.