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segunda-feira, 9 de abril de 2012

Os Descobrimentos Portugueses vistos por Tomasz Kostecki

«Qualquer epopeia, antes de se tornar visível nos feitos e na história documentada, começa por medrar no imaginário de alguns indivíduos e depois no de um grande número e até mesmo no de uma nação inteira, remexido pelos movimentos inconscientes de determinados arquétipos que, de maneira misteriosa - diria até: vulcânica - começam a agitar-se e a libertar energias imensas. E uma vez que os fenómenos do imaginário são o sonho, o desejo, a visão, que depois se manifestam por meio de lendas e mitos e ganham a sua forma acabada no poema, no conto, no romance e, de uma forma geral, na arte, é aí que devemos procurar as motivações profundas desse grande movimento de toda uma nação a que chamamos os "Descobrimentos Portugueses".»
Lima de Freitas em Porto do Graal. 

A Expansão e os Descobrimentos Portugueses representam as principais páginas de ouro da história da civilização ocidental. Através de um misto de mística e ciência, procedeu-se à iluminação interior do Homem, derrubando falsos mitos, orientando-se a humanidade rumo à sua mais autêntica e ecuménica espiritualidade. A dimensão desta empresa regurgitou toda uma mitologia e mística dormentes, encerradas desde tempos imemoriais no mais profundo âmago do ser português, permitindo-nos deste modo alcançar a nossa maturidade espiritual, fazendo-se cumprir o nosso destino histórico. Não obstante, da demanda portuguesa todos os povos absorveram a sua maior riqueza, ou seja, o conhecimento. O universalismo da mensagem da epopeia portuguesa foi deste modo reavivada e gravada na memória colectiva do Homem, enquanto regresso a um conhecimento primordial perdido. Talvez por isso, podemos encontrar ao longo da História vários autores e artistas, nacionais e estrangeiros, preocupados em materializar as suas visões e interpretações dessa mesma memória, edificadora da própria personalidade humana.
Tomasz Kostecki, pintor polaco nascido em 1964, foi um desses inúmeros artistas que procuram retratar e perpetuar as suas próprias visões e reflexões acerca da epopeia portuguesa. Foi através de um conjunto de quadros pintados a óleo que este pintor revisitou a visão mística desse episódio histórico, bem como dos seus intervenientes e feitos alcançados. Exibido em Portugal, no Casino do Estoril, durante a Expo 98, estes conjunto de trabalhos são aqui recuperados, de forma a relembrarmos, uma vez mais, a importância dos feitos outrora alcançados pelos nossos antepassados.       

Descobrimentos.

 A visão do Infante D. Henrique.

Infante D. Henrique.

Portugal.

Abrindo Novos Mundos.

Vasco da Gama.

Brasil.

Japão.

Fernão de Magalhães.

Os Descobrimentos Portugueses.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Santo António de Lisboa

«Nascer pequeno, e morrer grande, é chegar a ser homem. Por isso nos deu Deus tão pouca terra para o nascimento, e tantas terras para a sepultura. Para nascer, pouca terra: para morrer, toda a terra: para nascer, Portugal: para morrer, o mundo.»
Padre António Vieira em 1670, no seu Sermão de Santo António.

Representação de Santo António num selo
postal português datado de 1895. 

Santo António nasceu na cidade de Lisboa entre 1191 e 1195, onde recebeu o nome de baptismo Fernando Martins de Bulhões. Aceitando o divino chamamento ingressou na Ordem dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho, em S. Vicente de Fora, onde permaneceu até transferir-se para o Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra. Foi nesse importante centro da cultura europeia durante a idade média que o mais conhecido dos santos portugueses se iniciou no estudo do Direito Canónico, Teologia e Filosofia.
A notícia chegada a Portugal relativa ao martírio dos cinco franciscanos decapitados pelos infiéis marroquinos fez despertar o jovem Fernado Bulhões para uma nova missão - a evangelização. Assim, ingressou na Ordem de São Francisco, partindo para França e Itália em pregação, destacando-se pelo seu combate às heresias. O facto de ter nascido em Portugal e morrido em Itália, na cidade de Pádua a 13 de Junho de 1231, faz com que ambos os países o reclamem como seu. Problemática parcialmente resolvida pelo Papado que o declarou uma personalidade universal...
O seu processo de canonização foi o mais rápido de sempre a ser conduzido pela Igreja Católica, tendo a sua veneração rapidamente sido disseminada entre as elites e massa popular, que desde logo lhe atribuiu a fama de santo casamenteiro. Particularmente devota a este santo, a cidade de Lisboa dedica-lhe as famosas celebrações de Santo António, cujas tradicionais marchas populares foram criadas por António Ferro, durante o período do Estado Novo. Comemorado e celebrado no dia da sua morte, 13 de Junho, o Santo António popular desce às ruas da cidade para dançar, beber, comer sardinhas assadas e conviver, esquecendo os seus pesados títulos de exímio teólogo e insigne mestre em matérias de ascética e mística ou de incansável martelo dos hereges.

Documentário sobre a vida e obra de Santo António de Lisboa.