segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Fernando Guedes, o Editor (1929-2016)

Custa ver partir os velhos mestres. Faleceu ontem, em Lisboa, Fernando Guedes, um dos principais editores portugueses do século XX. 
Nascido na cidade do Porto, em 1929, foi fundador da Editorial Verbo e esteve ligado ao aparecimento de importantes revistas culturais como a Távola Redonda, com António Manuel Couto Viana, David Mourão-Ferreira, Alberto Lacerda e Fernanda Botelho, ou a Tempo Presente, com António José de Brito, Goulart Nogueira, Caetano de Melo Beirão e, uma vez mais, Couto Viana. Entre outras obras e colecções que marcaram a história da edição em Portugal, Fernando Guedes foi o grande responsável pela criação da Enciclopédia de Cultura Luso-Brasileira, assim como pela famosa colecção económica Biblioteca Básica Verbo - Livros RTP que dotou muitos lares portugueses com algumas obras fundamentais da literatura e da poesia mundiais. 
Homem vertical e integral, foi também poeta, crítico de arte, ensaísta e historiador de destaque. O prestígio alcançado ao longo do seu percurso cultural e profissional levou a sua fama além-fronteiras. Participou em inúmeros encontros internacionais, recebendo vários prémios, galardões, distinções e condecorações. Pensador e intelectual "não-conforme", ocupou internacionalmente os cargos de presidente da Federação de Editores Europeus e de presidente honorário da União Internacional de Editores. Patriota alheio aos "ventos da História", jamais se deixou sujeitar ao suposto monopólio cultural da esquerda, mantendo-se fiel aos seus princípios e ideais, mesmo nos piores momentos. 
A Cultura Portuguesa sentirá a sua falta com saudade e pesar! 

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Memórias da Idade de Ouro do Boxe em Portugal

1929, Lisboa, Portugal. A Praça de Touros do Campo Pequeno enche-se para assistir ao combate entre José Santa "Camarão" e Barrick. O boxe era então um desporto com mística e bastantes entusiastas entre nós. Espaços como o Campo Pequeno e o Parque Mayer, em Lisboa, ou, anos mais tarde, o futuro Pavilhão Rosa Mota, no Porto, enchiam-se de multidões que aí afluíam para assistir aos combates. 
Com o passar dos anos foi-se esmorecendo a grande euforia em torno desta "nobre arte", perdendo-se aos poucos a chama e o entusiasmo. A modalidade acabou por entrar, inevitavelmente, numa situação de marginalidade e esquecimento junto do cidadão comum. 
Recuperar a memória desses tempos idos é prestar uma justa homenagem a vários atletas portugueses que, tal como José Santa "Camarão", elevaram desportivamente Portugal, dignificando as cores nacionais. Por esse motivo, há que restituir ao boxe português a glória de outros tempos. 
Aguardemos pelo futuro! 

Casa cheia na Praça de Touros do Campo Pequeno por ocasião do
combate de boxe entre Santa "Camarão" e Barrick, a 14 de Abril de 1929.

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Assinaturas da revista Nova Águia

Fundada em 2008, a revista Nova Águia tem vindo a revitalizar o espírito da histórica revista A Águia que, em inícios do século XX, marcou de forma indelével o panorama cultural e filosófico português.
Assinar a Nova Águia é estar a participar activamente na publicação da «única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português.» Por esse motivo, a Nova Casa Portuguesa apoia este projecto desde a sua primeira hora, sugerindo aos nossos amigos e habituais visitantes a assinatura desta revista, bem como o apoio incondicional a este importante projecto!
Para mais informações visitem http://novaaguia.blogspot.pt, ou www.zefiro.pt/novaaguia.htm.



(Clicar na imagem para aceder à página de assinaturas da editora Zéfiro.)

sábado, 16 de julho de 2016

Quadro de Honra

«As bandas que encerram este livro são herdeiras desse tempo. Noutra época, com vantagens e desvantagens, mostram que os problemas e os desafios não terminaram, nunca terminaram.»

A arte marginal e os círculos artísticos underground constituem uma parte importante do imaginário cultural das sociedades urbanas contemporâneas. Nestes meios, tanto se edificam pontes entre subculturas distintas, como se afirma a própria identidade de determinados grupos. De resto, esta é uma realidade bastante presente no mundo da música onde, tantas vezes, perdemos o rumo da História em virtude da natureza efémera dos fenómenos que a compõem. Quadro de Honra representa uma compilação de relatos recolhidos na primeira pessoa, visando preservar uma parte significativa dessas memórias.
Importa, antes de tudo, identificarmos o que classificamos aqui de underground e “música alternativa”. Quadro de Honra, obra colectiva assinada pela revista Loud!, publicada pela Saída de Emergência, compila cerca de 30 entrevistas com alguns dos nomes mais emblemáticos da música pesada nacional. Estamos perante um repositório de memórias que nos remete para mais de três décadas de sonoridades extremas que vão do punk ao hardcore e do rock ao metal, aqui entendido nos seus variadíssimos subgéneros. Os colectivos musicais cujas entrevistas compõe esta obra são os protagonistas de uma aventura fantástica e revolucionária, desafiadora do gosto e mercados dominantes.
Ao longo de dezenas de edições, a revista Loud! - referência em Portugal em matéria de jornalismo musical votado às sonoridades mais extremas -, foi efectuando um trabalho de arqueologia musical sob a forma de entrevistas. Levando a cabo um processo de revitalização da memória que passava pela evocação de alguns dos discos mais marcantes da música pesada nacional, esta publicação periódica foi reunindo nas suas páginas os relatos obtidos juntos dos músicos intervenientes neste capítulo menos conhecido da História da Música em Portugal. De clássicos como Mão Morta, Mata Ratos, Peste & Sida, Censurados, ou Tarantula, passando por bandas como Moonspell, Heavenwood, Bizarra Locomotiva, Sacred Sin ou Ramp, não deixam de aparecer entre os testemunhos recolhidos outros nomes menos conhecidos do grande público como, por exemplo, Decayed, Thormentor, Sirius, Corpus Christii, Desire, Morbid Death, In Tha Umbra, Inhuman, Genocide, Grog, Holocausto Canibal, entre outros.
Conforme tão bem descreve o escritor José Luís Peixoto no prefácio a esta obra: «Chegará um dia em que tudo o que constitui este instante será passado.» Assim, podemos afirmar que Quadro de Honra representa o testemunho de um certo passado ainda bastante presente. Um repositório de ecos de glórias passadas que insistem em permanecer vivas, por via de um diálogo perene entre um passado que se afirma e um presente que se esfuma.
Escrito em bom português pré-AO90 - escolha que muito louvámos -, este livro encontra-se enriquecido pela parafernália iconográfica que o documenta, da qual não poderíamos deixar de destacar as ilustrações de Pedro Silva. Trata-se de uma obra imprescindível para a biblioteca de qualquer melómano interessado numa visão etnomusicológica daquilo a que Jorge Lima Barreto chamou, genericamente, de “mmp" – música moderna portuguesa.

Editado em Maio deste ano, Quadro de Honra documenta
três décadas de underground português.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

André Fialho em entrevista com Rui Unas

André Fialho é um nome ainda desconhecido para muitos portugueses, no entanto, este jovem atleta de apenas 22 anos tem elevado o nome de Portugal além fronteiras. Tendo começado a sua carreira desportiva como jogador de futebol, praticou boxe e artes marciais desde tenra idade. 
A sua paixão pelos desportos de combate levaram-no a abandonar os campos de futebol e a abraçar uma carreira internacional como lutador de MMA (Mixed Martial Arts). Depois de ter ganho alguns títulos nacionais e regionais de boxe, André Fialho estreou-se no MMA em Portugal, antes de se mudar para os Estados Unidos da América, onde começou a combater pela Bellator, a segunda maior organização de MMA do mundo. 
O seu percurso internacional, apesar de curto, não deixa de ser surpreendente. Com 8 vitórias em 8 combates, André Fialho tem esmagado todos os seus oponentes sem grandes dificuldades, não tendo tido ainda a necessidade de explorar todas as suas capacidades em combate - técnicas, ou físicas. 
Com um fulgor marcadamente patriótico, André Fialho sublinhou e afirmou várias vezes o seu amor a Portugal, assim como a vontade de canalizar para os ringues e arenas a mesma força, têmpera e bravura que caracterizou os portugueses ao longo da História. Este é um atleta que merece ser apoiado e acompanhado, pois as suas conquistas são, indubitavelmente, conquistas de todos dos portugueses. 
Recentemente, André Fialho foi entrevistado por Rui Unas. Aproveitamos esta curta homenagem ao jovem campeão português para partilhar o vídeo desse encontro.

Entrevista de André Fialho com Rui Unas num dos podcasts de Maluco Beleza.