quarta-feira, 25 de maio de 2016

Os 90 anos da Revolução Nacional de 28 de Maio

No próximo Sábado celebram-se os 90 anos da Revolução Nacional de 28 de Maio de 1926. Uma data na qual se evoca também a memória de todos aqueles que, antes e após essa data, se bateram pelos mesmos princípios, valores e ideais inerentes à nossa tradição espiritual, histórica e política. Este ano, para além dos habituais encontros de celebração desta efeméride, serão ainda apresentados dois ensaios publicados pela editora Contra-Corrente.
Ano após ano, a cada 28 de Maio, um conjunto de patriotas e nacionalistas congrega-se em torno de um esforço conjunto de preservação e manutenção de tudo o que constitui o sagrado ideal pátrio. Não o fazem por mera expressão nostálgica do passado, mas pela consciência da importância da sua missão que visa transmitir aos vindouros a chama de uma tradição viva. Neste ponto, não podemos deixar de evocar a memória de António José de Brito que, há quatro décadas, começou a organizar, no Porto, os célebres jantares do 28 de Maio. Encontros que, perpetuando-se no tempo, começam agora a conhecer outras réplicas espalhadas pelo país, nomeadamente, em Lisboa.
Entender o espírito de 1926 implica a compreensão de uma época que antecede os fatídicos marcos de 1789 e 1820, ajudando-nos a perceber o período que precede os trágicos acontecimentos de 1974. À data da Revolução de Maio, Portugal concluía triunfalmente a sua guerra dos cem anos. O esforço e a vontade empregues nessa movimentação política e social
pró-Portugal impôs a derrota a um século de liberalismo estrangeirado e invasor. Uma vitória apenas conseguida graças ao empenho de inúmeros sectores da comunidade patriótico-nacionalista portuguesa. Militares, monárquicos, republicanos, católicos, ateus, integralistas, fascistas e partidários vários de um nacionalismo autêntico, supra-ideológico, consagrado a um amor incondicional à Pátria, todos eles tomaram parte activa na Revolução de Maio.
Despertos para os erros do passado e a necessidade de garantir o futuro, souberam os heróis de 1926 manter o espírito de união que tantas vezes tem fugido ao nosso Povo. Foi graças ao espírito saído da Revolução Nacional que, até hoje, não se conseguiu, entre nós, extinguir o facho que ilumina a chama do altar da Pátria.
Por este motivo, face aos conturbados dias em que vivemos, celebrar o 28 de Maio reveste-se, a cada ano, de uma crescente importância, pelo que a editora Contra-Corrente preparou um duplo lançamento para marcar essa data. Trata-se da reedição de Os que arrancaram em 28 de Maio, de Óscar Paxeco, e da edição de Salazar, António Ferro e Franco Nogueira: Proas e Mastros do Estado Novo, obra póstuma de Rodrigo Emílio. A apresentação deste último livro, a cargo do historiador Humberto Nuno de Oliveira, decorrerá no próximo Sábado, 28 de Maio, pelas 15:00, no Palacete dos Viscondes de Balsemão, no Porto.

Frontispícios das duas recém publicadas obras da editora Contra Corrente,
disponíveis ao público a partir do próximo dia 28 de Maio.

terça-feira, 24 de maio de 2016

Animais e Companhia na História de Portugal

«Ao entendermos os animais como sujeitos culturais cujos comportamentos são objecto de análise histórica, estamos a pensar as ligações entre pessoas e bichos no seio de comunidades onde se vive em conjunto.»
  Isabel Drumond Braga e Paulo Drumond Braga em

Ao longo da História, o Homem evoluiu e desenvolveu-se enquanto espécie através de um contacto íntimo com uma natureza integradora. A importância do meio e de tudo o que este congrega - entre fauna, flora ou a própria corografia -, condicionaram ou potencializaram o desenvolvimento das comunidades humanas. Mais do que meras criaturas sujeitas aos interesses e vontades do ser humano, os animais constituíram sempre um elo entre o Homem e a natureza. No caso português, os animais apresentam-se, igualmente, indissociáveis de um processo de construção histórica que nos conduz da formação da nacionalidade até à constituição do nosso Império.
A temática poderá não causar grande surpresa aos leitores mais atentos, mas por certo suscitará o interessante de muitos. Longe de constituir uma apologia ao animalismo patológico que infecta a sociedade contemporânea, o estudo da influência animal na História de Portugal corresponde à integração da bio-história na historiografia tradicional, relacionando-a com outras áreas de especialização que nos permitem acrescentar novos dados aos conhecimentos clássicos e factuais.
Publicado pelo Círculo de Leitores, Animais e Companhia na História de Portugal explora um lado menos conhecido da nossa História, vindo subsidiar uma outra colecção sobre a História da Vida Privada em Portugal, publicada há poucos anos pela mesma editora. De facto, a presença e interacção dos animais no seio das nossas comunidades perde-se nos alvores dos tempos. Tratando-se de uma relação tão banal como as existentes entre os homens, ainda que de uma natureza completamente distinta, acabamos muitas vezes por esquecer, irreflectidamente, a importância que os animais tiveram e ainda têm na nossa vida quotidiana, bem como tudo aquilo que nos permitiram alcançar, ou ajudaram a conquistar ao longo dos tempos.
Organizado por Isabel Drumond Braga e Paulo Drumond Braga, esta obra divide-se em quatro partes, abordando matérias e áreas de investigação bastantes distintas. Na primeira parte, intitulada Sob as Ópticas do Utilitarismo e do Controlo, este trabalho trata a correspondência de base entre os animais e a alimentação humana, hierarquizando os consumos e as ligações quotidianas motivadas pela própria sobrevivência. Este capítulo explora ainda a instrumentalização dos animais para funções de trabalho, transporte e guerra, sublinhando ainda as diferenças entre os animais de companhia e aqueles que constituíam perigos, ou ameaças para as nossas comunidades. A segunda parte, Entre o Lúdico e o Perverso, disseca domínios tão díspares como a caça, tauromaquia, bestialidade, ou os fins ocultos aos quais estavam associados alguns animais tradicionalmente relacionados à magia, bruxaria e superstições populares. Segue-se A Descoberta de Novas Espécies Animais que, obrigatoriamente, remete o leitor para a Expansão e Descobrimentos Portugueses. Essa heróica gesta que também contribuiu para o desenvolvimento do conhecimento científico, apresentando ao mundo ocidental espécies animais até então desconhecidas, motivando o aparecimento dos gabinetes de curiosidades, ou a criação de parques como o Jardim Zoológico de Lisboa. Por fim, a obra encerra com um olhar sobre o animal na literatura e na arte, num capítulo intitulado Animais, Cultura e Arte.
Repleto de pequenos factos e curiosidades que oferecem um outro colorido à nossa História, Animais e Companhia na História de Portugal remete-nos para obras como Animais, Homens e Mitos de Richard Lewinsohn, ou alguns dos trabalhos da chamada “História Total” – corrente historiográfica francesa saída da terceira geração da Escola dos Annales. Esta obra colectiva constitui a primeira grande tentativa de compilar e sistematizar as relações entre os homens e os animais na História de Portugal, pelo que importa ser lida e debatida à luz das novas perspectivas que apresenta.

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segunda-feira, 23 de maio de 2016

Paisagem Portuguesa

«A paisagem portuguesa parece esperar por nós há muitos séculos», escreveu o poeta presencista Carlos Queiroz (1907-1949) em Paisagem Portuguesa, obra que será amanhã, terça-feira, dia 24, apresentada ao público numa nova edição. E se, como recorda o poeta, «Montesquieu disse que os portugueses descobriram o Mundo mas desconhecem a terra onde nasceram», dar-lhes a conhecer a essência dessa terra foi um desígnio que Carlos Queiroz assumiu como missão. 
A beleza com que ele no-la descreve é sublime: «O perfume balsâmico dos fenos e das resinas dos pinheiros, a própria maresia - que chega a ser sensível em pontos longínquos do litoral - dão à atmosfera da paisagem portuguesa encanto extraordinário, talvez inigualável.» Ou ainda: «Brando e harmonioso, fulgente de Sol e refrescado por suaves brisas, o litoral português possui estâncias para todas as estações do ano, climas para todos os temperamentos, quadros e costumes para todos os gostos e curiosidades.» 
A presente edição está enriquecida com um ensaio do filósofo e escritor Rodrigo Sobral Cunha. A apresentação, marcada para as 18:00 de amanhã no Palácio de Seteais, em Sintra, estará a cargo do cineasta António Pedro Vasconcelos, do filósofo Joaquim Domingues e do próprio Rodrigo Sobral Cunha que, em 2014, organizou o Colóquio Nacional sobre Raul Lino.

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quarta-feira, 4 de maio de 2016

A Língua Portuguesa vista no estrangeiro

Atentos à projecção portuguesa no mundo, não deixa de nos parecer curiosa a análise comparativa entre o modo como a nossa língua nos é apresentada hoje - enquanto uma mercadoria sintética -, e a forma como a mesma é vista no estrangeiro. Contrariamente ao que nos procuram incutir, a não homogeneidade da Língua Portuguesa não representa um factor de empobrecimento ou de desinteresse. Pelo contrário, a pluralidade da nossa língua-mãe, espalhada pelos quatro cantos do mundo, torna-a nessas condições mais atractiva aos olhos dos estrangeiros que assim se apercebem da sua importância, riqueza e vitalidade orgânica.
Numa altura em que o actual Presidente da República equaciona um regresso à discussão pública oficial em torno do polémico (des)acordo ortográfico, importa perceber e esclarecer de que as tentativas de homogeneizar a língua não trará qualquer tipo de proveito na sua promoção e projecção a nível global. Alterar a Língua Portuguesa por decreto, tendo em vista motivos meramente económicos, constitui um claro genocídio cultural, perpetrado contra Portugal e todos os países lusófonos. O (des)acordo ortográfico é uma aberração que precisa ser travada. 
O vídeo que aqui partilhamos, analisando o percurso e natureza evolutiva da Língua Portuguesa, mostra de um modo claro o porquê de um acordo ortográfico não representar qualquer tipo de mais valia para a sua promoção e expansão. 
   
Vídeo sobre a História da Língua Portuguesa e algumas das suas especificidades,
publicado pela página canadiana LangFocus

terça-feira, 5 de abril de 2016

A Obra e o Pensamento de Amorim de Carvalho

«Portugal é uma pátria que a vontade dos portugueses dignos deste nome (verdadeiras elites) construiu e sustentou, e que a vontade de uma outra raça moral de portugueses (falsas elites) demoliu.»
Amorim de Carvalho em O Fim Histórico de Portugal

Passaram quatro décadas desde a morte de Amorim de Carvalho. Personalidade de invulgar inteligência e erudição, marcou de forma indelével a cultura portuguesa, deixando um importante legado cujo eco e influência ultrapassou as nossas fronteiras, chegando a França e Brasil. Nos próximos dias 6 e 7 de Abril terá lugar, no Porto e em Lisboa, um colóquio que visa evocar e discutir a obra e o pensamento deste intelectual.
Destacando-se como poeta, filósofo e esteta, Amorim de Carvalho nasceu na cidade do Porto em 1904. Bisneto por via materna do poeta romântico António Pinheiro Caldas, foi educado no seio de uma família católica, apesar de ainda bastante jovem se ter afastado da fé religiosa. Na sua formação foram importantes as figuras de Teixeira Rego e Basílio Teles. O primeiro, Professor na primeira Faculdade de Letras da Universidade do Porto, colaborador da revista Águia, era um homem de grande sabedoria, interessado em filologia, línguas, filosofia, antropologia e outras áreas do conhecimento, igualmente, caras a Amorim de Carvalho. O segundo, amigo de família, foi uma das personalidades de maior destaque intelectual junto da elite republicana, destacado helenista, bem como um português e europeu consciente da sua condição.
Não obstante a presença e proximidade de tão cativantes vultos, Amorim de Carvalho trilhou um caminho próprio, afastando-se em alguns aspectos das linhas filosóficas seguidas por estes dois pensadores de quem absorveu, essencialmente, os exemplos ético e humano. A sua forte personalidade, aliada a um espírito combativo e intransigente, fizeram-no ganhar o respeito intelectual e algumas amizades até junto daqueles que se antagonizavam com o seu pensamento. Lembramos, por exemplo, o caso de Álvaro Ribeiro, de quem foi bastante amigo, apesar das diferenças e divergências de pensamento existentes entre ambos os filósofos.
O seu legado foi construído entre Portugal e França, país onde voluntariamente se exilou, em 1965, em resultado do isolamento intelectual sentido na sua Pátria. Fixando residência em Paris, apresentou aí, em 1970, a sua tese de doutoramento intitulada De la connaissance en général à la connaissance esthétique. L’esthétique de la nature. Para além da obra poética e literária de Amorim de Carvalho, destacam-se estudos e ensaios como Deus e o Homem na Poesia e na Filosofia, O Positivismo Metafísico de Sampaio Bruno, Fidelino: Um Filósofo da Transitoriedade, Guerra Junqueiro e a sua obra poética, ou o seu importante Tratado de Versificação Portuguesa” - obra que o poeta Rodrigo Emílio considerava indispensável.
O seu último livro, publicado postumamente, intitulou-se O Fim Histórico de Portugal, tratando-se de uma obra, marcadamente, política. Amorim de Carvalho, não tendo sido um partidário do Estado Novo, jamais sentiu qualquer sedução por ideários políticos anti-patrióticos. Deste modo, insurgiu-se de imediato contra o golpe de Estado de Abril de 1974, considerando o abandono das Províncias Ultramarinas um atentado à soberania da Pátria e uma traição contra o seu Povo.
Amanhã, às 14:30, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, inicia-se um colóquio de homenagem a este pensador, que termina no dia seguinte, no Palácio da Independência, em Lisboa. Entre os oradores convidados encontra-se Júlio Amorim de Carvalho, administrador da Casa Amorim de Carvalho, bem como Pinharanda Gomes, António Braz Teixeira, Paulo Samuel, José Almeida, Artur Manso, Renato Epifânio, Samuel Dimas, Manuel Cândido Pimentel, Filipe Delfim Santos, entre outros.
Organizado pelo Instituto de Filosofia da Universidade do Porto, o Instituto de Filosofia Luso-Brasileira e a Casa Amorim de Carvalho, este encontro é de entrada livre e aberto a toda a comunidade.

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