quinta-feira, 31 de março de 2016

Terminar a Revolução: A política portuguesa de Napoleão a Salazar

«Muitas revoluções, nenhuma Revolução. Em quatro palavras este poderia ser um curtíssimo resumo da história política do Portugal contemporâneo.»
José Miguel Sardica em Terminar a Revolução.

O grande terramoto que a 1 de Novembro de 1755 varreu Portugal marcou de forma simbólica o nosso traumático despertar para a contemporaneidade. A esta sísmica catástrofe, de ordem natural e escatológica, multiplicaram-se sucessivas réplicas e ondas de choque, responsáveis por uma espiral de profundas mudanças de ordem política e, consequentemente, social.
A derrocada da muralha tradicional permitiu a propagação de um espírito estrangeirado que, sobretudo após a Revolução Francesa, contribuiu para a desagregação das nossas instituições. Estas, de forma gradual, foram deixando de servir os interesses nacionais e do Povo português. A obscura influência iluminista, agravada pelas invasões napoleónicas, agudizou este processo de dissolução, trazendo múltiplas fracturas à orgânica da nossa comunidade nacional. Assim, o período compreendido entre a chegada das legiões de Napoleão e a instauração do Estado Novo foi de constante convulsão e revolução. Uma revolução que, em alguns momentos, se chegou mesmo a transformar em guerra civil, trazendo pouca ou nenhuma concórdia e regeneração à nação, com a excepção da Revolução Nacional de 28 de Maio e do regime que lhe sucedeu.
Terminar a Revolução: A política portuguesa de Napoleão a Salazar, publicado pela Temas e Debates / Círculo de Leitores, perspectiva essas páginas da nossa História integrando-as, estruturalmente, no pensamento histórico-político contemporâneo. O seu autor, José Miguel Sardica, Professor na Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa, autor de uma vasta obra no domínio da História Contemporânea de Portugal, cruza neste livro diversos regimes e momentos da política nacional, procurando definir e compreender cada um deles à luz do seu próprio postulado político-ideológico. Embora preso a determinados chavões impostos pelos “ventos da História”, este volume interpreta de forma cativante alguns dos sentidos dados à palavra “revolução”, analisando vários protagonistas históricos e os seus respectivos ideários.
Por outras palavras, esta obra de José Miguel Sardica aborda cerca de 200 anos da História de Portugal, incorporando-a nos momentos definidores da História da contemporaneidade europeia. Este estudo sobre o papel da “revolução” na política portuguesa ao longo dos últimos dois séculos mostra Portugal como um dos muitos cenários daquela a que o Professor Adriano Moreira designou de “Grande Guerra Civil Europeia” - o conflito que dividiu a Europa numa contenda fratricida entre 1789 e 1974.
Num momento histórico em que por todo o mundo se discute com afinco e paixão a questão das revoluções - sobre quem as faz e qual a sua legitimidade -, pode dizer-se que esta obra surge num momento pertinente, no qual importa estudar e conhecer as especificidades do caso português. Por esse motivo e dado o convite à reflexão deixado pela leitura desta obra, não nos podemos abster de questionar alguns aspectos da mesma, logo a começar pelo título: Terminar a Revolução. Assim, interrogámo-nos sobre que revolução importara terminar. Afinal, segundo nos aparece várias vezes mencionado na tradição filosófica portuguesa, a palavra revolução surge-nos associada à ideia de retorno e ao acto de revolver, num sentido de reaproximação de um centro, ou de uma matriz. Um regresso à tradição. Nesse caso, ao contrário do sugerido pelo autor e grande parte da actual historiografia, não teria sido António de Oliveira Salazar o mais autêntico e revolucionário dos líderes políticos portugueses nos últimos 200 anos? Não terá sido o Estado Novo o exacto contrário de um qualquer interregno revolucionário?

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quinta-feira, 24 de março de 2016

Epistolário de António Quadros e António Telmo

O semanário O Diabo publicou, na passada Terça-Feira, uma recensão ao recém-editado Epistolário de António Quadros e António Telmo. Uma obra que reúne um importante acervo documental, constituído pela correspondência trocada por aqueles dois importantes pensadores ao longo de aproximadamente três décadas. Vale a pena ler! 

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sexta-feira, 18 de março de 2016

Gago Coutinho - O Almirante com Alma de Tenente

Em 1922, a bordo do hidroavião Lusitânia, o almirante Gago Coutinho da Armada Portuguesa e o oficial da Marinha Portuguesa Sacadura Cabral tornaram-se pioneiros da aviação ao efectuar a primeira travessia aérea do Atlântico Sul, ligando Lisboa ao Rio de Janeiro.
Tratava-se de reavivar o fogo aventureiro e audacioso do homem português, recuperando a memória do navegador Pedro Álvares Cabral em vésperas de mais um aniversário da independência do Brasil. Esta empresa levada a cabo por dois heróis portugueses do século XX, Gago Coutinho e Sacadura Cabral, não foi apenas um acto de aventura, mas também um passo de gigante ao nível do conhecimento científico e da própria ciência aeronáutica.
Os avanços científicos desta expedição deveram-se sobretudo a Gago Coutinho, um homem admirável que se notabilizou mundialmente face aos seus contributos ao nível de áreas de conhecimento como a Matemática, Geografia, Cartografia, entre outras. Homem culto e erudito era de natureza simples e trato afável, tanto se destacando nas principais conferências e encontros científicos mundiais bem como, por exemplo, no trabalho de campo em Timor, ou no coração do continente africano.
Quando morreu, a 18 de Fevereiro de 1959, Gago Coutinho recebeu honras de um herói, tendo sido aclamado em todo Portugal. Para a história ficou o nome de um homem brilhante e singular que, entre muitas outras coisas, contribuiu de forma científica e simbólica para o estreitamento de laços entre Portugal e o Brasil.
Gago Coutinho - O Almirante com Alma de Tenente é o título de um documentário realizado pelo cinquentenário da morte do biografado que revela alguns dos aspectos mais relevantes da sua vida e obra.

Gago Coutinho - O Almirante com Alma de Tenente (2009), um documentário de 
Vasco Matos Trigo com realização de Rui Nunes.  

sábado, 23 de janeiro de 2016

Junqueiriana - Ciclo de tertúlias sobre Guerra Junqueiro

«Guerra Junqueiro não é apenas poeta, é também pensador, e foi igualmente político e diplomata, homem de ciência, coleccionador de arte e agricultor. Em todas essas dimensões, se bem que em escala diversa, deixou marca. Para o entender, haveria que estabelecer conexões mais vastas que as cingidas ao universo literário.»
Henrique Manuel Pereira em Fragmentos de Unidade Polifónica.

Após ter-se assinalado em 2015 o centenário da exaltação do filósofo português José Pereira de Sampaio (Bruno) através de um ciclo de tertúlias que tiveram lugar no Ateneu Comercial do Porto, o MIL - Movimento Internacional Lusófono e a revista Nova Águia aliam-se, uma vez mais, àquela centenária instituição da cidade Invicta para animar um novo conjunto de encontros dedicados à cultura nacional e ao pensamento português.
Deste modo, obedecendo a uma continuação lógica do ciclo anterior, pretende-se com a Junqueiriana homenagear um outro importante intelectual português: Guerra Junqueiro. Poeta, filósofo, polemista e político, esta incontornável personalidade da cultura portuguesa será o patrono de um novo ciclo de tertúlias a realizar mensalmente no Ateneu Comercial do Porto, entre os meses de Janeiro e Junho do corrente ano. Dinamizados por Joaquim Domingues, Pedro Sinde e José Almeida, estes encontros contarão ainda com as participações de Henrique Manuel Pereira, Ângelo Alves, José Valle de Figueiredo, Júlio Amorim de Carvalho, Renato Epifânio, entre outros. 
A primeira sessão terá lugar já no próximo Sábado, dia 30 de Janeiro, pelas 17:00, sendo uma iniciativa de entrada livre e aberta a toda a comunidade. Para informações revistas e actualizadas visite-se a página junqueiriana.tumblr.com

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