terça-feira, 15 de outubro de 2013

Celebrar Agustina Bessa-Luís no seu 91.º aniversário

Hoje, dia 15 de Outubro de 2013, Agustina Bessa-Luís, uma das mais importantes escritoras portuguesas do século XX, cumpre 91 anos de idade. Apesar de encontrar-se agora arredada das lides culturais por motivos de saúde, Agustina continua a ser uma fonte de vida no enorme deserto em que se tem vindo a transformar o panorama literário português. Nascida em Vila Meã no ano de 1922, a nossa escritora integra-se no grupo dos filhos pródigos de Amarante, figurando ao lado de nomes como Teixeira de Pascoaes, Amadeo de Souza-Cardoso, ou António Carneiro. 
De modo a celebrar a sua vida e obra, a Nova Casa Portuguesa decidiu partilhar o documentário Agustina Bessa-Luís: Nasci Adulta - Morrerei Criança, realizado por António José de Almeida. 

Agustina Bessa-Luís: Nasci Adulta - Morrerei Criança (2005).

sábado, 12 de outubro de 2013

Noemas de Filosofia Portuguesa

«Mas a todos os que sabem que o noema é possível, a Filosofia Portuguesa saúda fraternalmente e reafirma: todo o noema é vidência ou audiência, em suma, acto da consciência dado pela Graça Divina. Não se alcança pela Vontade, mas recebe-se pelo Amor.»
João Seabra Botelho no prefácio ao livro Noemas de Filosofia Portuguesa

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A operatividade da Filosofia Portuguesa é tantas vezes contestada, como a sua própria existência. No entanto, engana-se quem desdenhosamente questiona a nossa tradição filosófica, remetendo-a, como que complexadamente, para uma falsa condição de “parente pobre da Filosofia”. Denunciando esta situação, Miguel Bruno Duarte demonstra de que forma nomes como Leonardo Coimbra, Álvaro Ribeiro, ou Orlando Vitorino, representaram uma linhagem filosófica nacional, absolutamente coadunável com as necessidades políticas e identitárias do Portugal contemporâneo.
Recentemente publicado no Brasil, através da editora É Realizações, Noemas de Filosofia Portuguesa é o primeiro livro de Miguel Bruno Duarte, um dos mais acérrimos defensores da Filosofia Portuguesa da actualidade. Nesta obra, assistimos a uma pertinente revisitação do velho problema da Universidade em Portugal. Uma instituição que, segundo o autor, se transformou durante o período pombalino no «maior inimigo da Cultura Lusíada», tornando-se num foco de infiltração de correntes estrangeiradas contrárias à nossa tradição, tais como o iluminismo, o positivismo e o socialismo.
Advogando a tese de Álvaro Ribeiro, segundo a qual Deus, Filosofia Portuguesa, escola portuguesa e política portuguesa constituem realidades que se devem interligar entre si, Miguel Bruno Duarte confia a sua esperança no futuro nacional a Aristóteles e à tradição portuguesa. Desse modo, abraça a Filosofia Portuguesa como uma porta para a vida e para o espírito, invocando o aristotelismo de inspiração arábica de Pedro Hispano, o pensamento neoescolástico conimbricense, ou os princípios filosóficos patentes em obras como a Arte de Filosofar de Álvaro Ribeiro. Dividida em duas partes distintas – Queda Vertical e Esperança – a obra de Miguel Bruno Duarte comprova a operatividade da Filosofia Portuguesa, questionando a «cultura inculta dos poderes institucionalizados», denunciando a planificação do ensino em Portugal, nomeadamente, da Filosofia. Esse ramo do saber sem o qual «a razão humana decai, numa primeira instância, no vício positivista para, finalmente, sucumbir perante as destruições morais, políticas e económicas do socialismo».
O autor, assumindo-se como um discípulo do nosso saudoso filósofo Orlando Vitorino, mantém-se fiel a uma linha combativa, dura e militante, incapaz de permitir qualquer concessão ao inimigo por detrás da sua linha de fogo. Ao longo da leitura desta obra, é notório o valor da coragem e da intransigência no espírito guerreiro do seu autor, revelados pela forma como este não se compadece face aos adversários e detractores da Cultura Lusíada. Detentor de uma prosa à qual os alinhados pelo sistema apelidam de "politicamente incorrecta", ele não cede jamais à ideologia dominante, nem a qualquer tipo de preconceitos e estereótipos históricos, filosóficos, ou políticos, advindos daquilo a que Orlando Vitorino chamou um dia de «cultura triunfante».
Actual e incisivo nas críticas e soluções que aponta, este livro desvenda caminhos, propondo algumas orientações práticas para o reerguer de Portugal, tendo por base o reencontro com a nossa tradição. Assim, a sua leitura estabelece-se como essencial num contexto de luta contra o pensamento materialista e o marxismo cultural.
Publicada com a ortografia brasileira, esta obra não tem ainda distribuição no nosso país, pelo que se impõe, urgentemente, uma edição portuguesa.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Biblioteca

O nome Biblioteca poderia remeter-nos, como seria de esperar, para uma colecção de livros ou manuscritos; para a sala, ou edifício onde se conservam essas colecções; ou simplesmente para um conjunto de estantes e armários ocupados por esses mesmos objectos, fontes inesgotáveis do saber e do conhecimento. Contudo, Bruno Oliveira Santos conseguiu acrescentar a esse vocábulo um outro significado. Biblioteca passou a ser também o nome pelo qual ficará conhecido o seu novo espaço na blogosfera.
Despretensiosa e absolutamente pertinente, a escolha deste nome para o blogue coaduna-se com o perfil e personalidade do seu autor. Bruno Oliveira Santos, autor de livros como Nova Frente e Histórias Secretas da PIDE/DGS, co-autor de Linhas de Fogo - Manifesto da Cultura Lusíada para o Terceiro Milénio, colaborador dos jornais Ofensiva, Agora e O Diabo, reúne um profundo conhecimento e erudição, transversais a diversas áreas do saber. Dono de uma escrita tão brilhante quanto feroz e sedutora, Bruno Oliveira Santos, tal como uma biblioteca,  não só conserva a sabedoria, como a transmite, descomprometidamente, sem usura!    
Após tantos anos desligados da blogosfera, onde foi particularmente activo entre 2003 e 2009, espera-se que este regresso se revele definitivo!


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quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Daft Punk, Portugal e o Fascismo

«Guillaume Emmanuel "Guy-Manuel" de Homem-Christo (Paris, 8 de Fevereiro de 1974) é um músico francês, celebrizado enquanto elemento dos Daft Punk, juntamente com Thomas Bangalter. É bisneto do escritor português Francisco Manuel Homem Cristo (Lisboa, 5 de Março de 1892 — Roma, 12 de Junho de 1928), mais conhecido por Homem Cristo Filho. Notável intelectual do seu tempo, foi um grande defensor das correntes nacionalistas que conduziram ao fascismo italiano, do qual era fervoroso admirador. Numa entrevista à revista Rolling Stone, Guy-Manuel afirmou que o seu bisavô é descrito pelos historiadores como "o primeiro autêntico e indisputável fascista português" e um amigo pessoal de Benito Mussolini. "Conheço-o apenas de algumas fotografias, naturalmente". Homem Cristo Filho faleceu na sequência de um acidente de automóvel às portas de Roma. Mussolini prestou-lhe um funeral com todas as honras, mandando erigir um pequeno monumento com o epitáfio: "Cidadão de Roma, no espírito e na fé".»
Texto originalmente publicado em Dissidente.Info.


Há já algum tempo que o nome de um dos elementos pertencentes aos mundialmente aclamados Daft Punk levantava algumas suspeitas acerca da sua descendência. Conhecendo-se as raízes portuguesas de Guy-Manuel de Homem-Christo, faltava-nos confirmar se o seu apelido provinha de facto de uma descendência do nosso escritor, polemista e pensador - Homem Cristo Filho. Precocemente desaparecido em 1928, num acidente de viação, este conhecido precursor do fascismo em Portugal, amigo pessoal de Benito Mussolini, foi mesmo, segundo confirmou a equipa do Dissidente.Info através de uma entrevista dada pelo próprio Guy-Manuel de Homem Christo à revista Rolling Stone, seu bisavô.
Esta é apenas uma curiosidade, nada mais do que isso, mas que poderá contribuir para o reavivar da memória de um importante vulto do nosso modernismo que, infelizmente, como quis o destino, partiu cedo demais.


Vídeo do tema Around The World, um clássico dos Daft Punk retirado
do álbum Homework, lançado em Janeiro de 1997. 

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Filosofia e Culturas de Língua Portuguesa VI

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O Grupo de Investigação Raízes e Horizontes da Filosofia e da Cultura em Portugal do Instituto de Filosofia da FLUP (Faculdade de Letras da Universidade do Porto) organiza amanhã, pelas 15:00, na sala 203 daquela faculdade, a sexta sessão do Seminário Permanente dedicado à Filosofia e Culturas de Língua Portuguesa. 
Este encontro terá como intervenientes Renato Epifânio, Elias Torres Feijó e Pedro Serra. As suas respectivas comunicações têm os seguintes títulos: Afinidades Luso-GalaicasCalculando Desafios e Possibilidades da Galiza no Quadro Peninsular: História, Presente e Algum Indício Futuro; e O Estilo Tardio em Adorno: Entradas nas Culturas Ibérica e Latino-americana.
A entrada é livre e aberta a toda a comunidade. 

terça-feira, 1 de outubro de 2013

60 anos da História de Portugal em Cromos

«O seu ilustrador é Carlos Alberto Santos, hoje um reputado pintor especializado em temas históricos, estando representado em colecções privadas e museus em Portugal e no estrangeiro. Nascido em 1933, começou o seu percurso artístico muito jovem como desenhador. Em 1953, após três anos de trabalho, completou a História de Portugal para a Agência Portuguesa de Revistas. A publicação constituiu o maior êxito da conhecida editora no campo do cromo e tem hoje um estatuto mítico nas memórias dos que a coleccionaram durante os 20 anos em que foi vendida.»
Excerto do texto de apresentação da mostra dedicada aos
60 anos da História de Portugal em cromos.


Estará patente ao público entre os próximos dias 3 e 31 de Outubro, na Biblioteca Nacional de Portugal (BNP), em Lisboa, uma mostra comemorativa dos 60 anos da primeira edição da História de Portugal em Cromos. Uma colecção de 203 cromos com desenhos do Mestre Carlos Alberto Santos, responsável por dar a conhecer a nossa História a muitas gerações de portugueses ao longo de sucessivas edições, todas de grande sucesso.
A organização desta exibição ficou a cargo de Leonardo de Sá, especialista em banda desenhada e ilustração, e João Manuel Mimoso, coleccionador de cadernetas de cromos. A mostra será acompanhada por um catálogo publicado em formato digital e incluirá um encontro com os seus organizadores e o próprio Carlos Alberto Santos, a decorrer no dia 18 de Outubro.
Trata-se de uma oportunidade única para conhecer um dos grandes Mestres da nossa pintura, desenho e ilustração. A entrada é livre e aberta a toda a comunidade. 

Capa da 1.ª edição da caderneta História de Portugal,
impressa pela Fotogravura Nacional, em Outubro de 1953