Durante os próximos dias 8, 9 e 10 de Novembro, a cidade de Évora irá receber a II Conferência Internacional de Tradição Oral, dedicada ao tema Oralidade e Património Cultural. Este encontro enquadra-se no âmbito do projecto Oralities e tem como objectivos principais reflectir sobre a produção da oralidade, a sua importância como ferramenta de diálogo intercultural e de construção do património, salvaguardando uma realidade social e cultural que deve ser valorizada através da sua visibilidade pública.
Com um comité científico constituído por José Rodrigues dos Santos, Santiago Prado Conde, Cláudia Sousa Pereira, Luísa Tiago Oliveira e Isabel Cardigos, este evento será dedicado às seguintes temáticas: as minorias e a tradição oral (História, Geografia, Etnografia…); memória em crise, oralidades e memória traumática; o conto tradicional como arte performativa; Músicas e tradições, o papel das oralidades; tradições orais e contextos locais; formas e problemas da transmissão da oralidade.
A II Conferência Internacional de Tradição Oral terá lugar no Fórum Eugénio de Almeida, sendo a entrada livre e aberta a toda a comunidade. Um evento a não perder!
«Adoremos o espírito, o nosso belo espírito; implantemo-lo na nossa terra, que é santa porque criou a saudade, como os desertos trovejantes da Palestina criaram Jeová, e os viçosos, harmoniosos vales gregos, criaram Orfeu e Apolo.»
Teixeira de Pascoaes em Renascença (o espírito da nossa Raça).
Arranca já amanhã o curso O Movimento da Renascença Portuguesa (1912-1932), promovido pelo Instituto de Filosofia Luso-Brasileira e que conta também o apoio do SHIP (Sociedade Histórica para a Independência de Portugal). Esta acção de formação visa dar a conhecer, ao longo de 24 sessões, algumas das figuras nucleares de um dos principais e mais influentes movimentos culturais portugueses do século XX.
Contando com a colaboração de nomes conceituados como António Braz Teixeira, Pinharanda Gomes, Paulo Borges, Joaquim Domingues, Samuel Dimas, Celeste Natário, Duarte Ivo Cruz, António Cândido Franco, Cristina Nobre ou Paulo Samuel, este curso durará até Maio do próximo ano.
As inscrições poderão ser feitas na secretaria do SHIP, tendo um custo de 30€ para os sócios daquela instituição e do próprio Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, ou 35€ para o público geral.
Conforme foi aqui anteriormente referido, a Biblioteca Nacional de Portugal (BNP) reúne no seu espólio uma série de gravuras da autoria do artista português João Palhares, representando trajes, costumes, hábitos e profissões do Portugal novecentista. Optámos hoje por partilhar mais algumas dessas gravuras, importantes pela questão estético-artística, mas também pelo seu valor etnográfico e patrimonial, permitindo-nos viajar até a um Portugal de outros tempos, revisitando algumas profissões e actividades económicas hoje já desaparecidas.
Aguadeiro de Faro.
Alentejano.
Ceifeira da província do Minho.
Estudantes da Universidade de Coimbra.
Homem da Beira vendendo lanifícios das fabricas nacionais.
Lavadeira, mulher dos arrabaldes da cidade do Porto.
No próximo dia 8 de Novembro, pelas 21:30, será apresentado na FNAC do NorteShopping o Dicionário de Arqueologia Portuguesa. Publicada pela histórica editora Figueirinhas, esta obra foi coordenada por dois grandes nomes da arqueologia portuguesa contemporânea, Jorge de Alarcão e Mário Barroca. Procurando sintetizar um período de investigações arqueológicas cronologicamente balizado entre o aparecimento do primeiros vestígios humanos e os alvores da modernidade, este dicionário contém aproximadamente mil entradas, lavradas por dezenas de especialistas nacionais.
Esta apresentação ficará a cargo do arqueólogo Cláudio Torres (Prémio Pessoa), contando ainda com a presença dos coordenadores deste trabalho. A entrada é livre!
«Os povos são como as árvores! Sem as suas raízes não crescem...»
Rodolfo Ferreira no texto introdutório de Lux-Citanea,
Capa do álbum Lux-Citanea de Azagatel,
Oriundos de Vale de Cambra, os Azagatel foram fundados em meados de 1995, tendo desde então conquistado um lugar de destaque no panorama musical alternativo nacional. Intitulado “Lux-Citanea”, o seu mais recente trabalho reflecte uma nova fase deste colectivo, cuja aproximação a questões culturais e histórico-identitárias se revela interessante conhecer.
O título deste disco remete-nos de imediato para o patamar mítico e histórico da pré-portugalidade, jogando com os vocábulos “lux”, de luz, e “citanea”, nome atribuído às principais povoações existentes durante a Idade do Ferro no actual território nacional, numa clara alusão à antiga Lusitânia. Reavivando a chama da arcana pátria dos nossos antepassados lusitanos, o conceptualismo deste álbum mostra-se particularmente pertinente numa época de crise e nevoeiro como a que vivemos, apontando o mito como elemento primordial para a orientação dos povos.
Marcado por temas inspirados em algumas das antigas divindades da Lusitânia, como “Endovellico”, “Nabia Corona” ou “Bandua”, este trabalho dos Azagatel recorda os actos de bravura protagonizados pelos lusitanos, na defesa das suas terras e da sua cultura, face à ameaça do invasor romano. “Viriathus”, a par de “Iberia”, representa porventura o tema de pendor mais heróico deste registo, onde parte da letra nasce da adaptação do poema “Viriato” de Fernando Pessoa. A mensagem gnosiológica de “Lux-Citanea” parece alinhar-se em temas como “Lucifer (The Bringer of Light)”, “The Oath of the Oak”, ou em “The Crown”, uma versão bastante conseguida dos suíços Samael.
Tendo conhecido diversas alterações na sua formação ao longo dos últimos anos, os Azagatel acabaram por conseguir conquistar alguma estabilidade em termos de colectivo, fixando nas suas fileiras Rodolfo Ferreira (voz), João Costa (baixo), Nelson Lomba (guitarra), Filipe Ferreira (guitarra) e Dannyel “Green Devil” (bateria), permitindo-lhes deste modo embarcar numa nova fase, tanto musical, como conceptual. Assim, assistimos em “Lux-Citanea” a uma simbiose entre o black metal e o folk, onde se integram algumas passagens acústicas, criadoras de uma atmosfera assaz envolvente, capaz de fundir a música com a mensagem identitária inerente ao conceptualismo deste trabalho. De modo a conseguirem este resultado, os Azagatel contaram ainda com as participações especiais de Ana Cristina Santos (acordeão) e de Carla Rosete (voz). A apresentação gráfica deste disco não poderia ser descurada, tendo ficado a cargo de Ricardo Fernandes, responsável por todo o artwork e layout.
Telúrico, combativo e abertamente identitário, este trabalho de Azagatel rejuvenesce as raízes geladas de um ethos cultural adormecido, mas longe de encontrar-se extinto. Disponível através da editora Nekrogoat Heresy Productions, ou da própria banda, este álbum evoca o amor à terra e a coragem dos nossos antepassados lusitanos, relembrando que neles e nos seus nobres e valorosos desígnios residia a semente de um Portugal que urge hoje defender e preservar.
«Eu nem testemunha consigo ser, do ano do milagre em que nasceram os Madredeus. Ser testemunha foi o meu privilégio: estar ali, a ver e a ouvir, quando tudo aconteceu. Por muito que estimasse o génio de Pedro Ayres de Magalhães sempre o subestimei Não compreendi que ele estava a mudar a música portuguesa para poder ser portuguesa para quem não era português. Foi esse o trabalho de Amália, sozinha. O Pedro e os Madredeus tornaram-no num trabalho colectivo.»
Miguel Esteves Cardoso em Madredeus (1987-1993) - Raízes.
(Clicar na imagem para ampliar.)
Os Madredeus são provavelmente, a par de Amália Rodrigues, o caso de maior sucesso da música portuguesa dentro do panorama musical internacional. Com mais de 4 milhões de discos vendidos em todo o mundo, este colectivo de origens bastante heterogéneas soube desde o primeiro minuto captar a essência do "ser português", mergulhando fundo nas nossas raízes para a partir delas criar algo de absolutamente novo e único. Iniciada esta aventura em meados de 1987, os Madredeus comemoram este ano 25 anos de carreira, num percurso pleno de conquistas e sucessos. A sua música, intemporal e eterna percorreu o mundo de uma ponta a outra, passando inclusivamente por locais como Pyongyang, na Coreia do Norte, provando que a sua arte ultrapassa de facto barreiras intransponíveis, espalhando a Paz e o Amor através da sua indescritível beleza e sentimento. Por isto e muito mais, os Madredeus são hoje considerados como uns justos embaixadores de Portugal e da Cultura Portuguesa no mundo.
Para celebrar as bodas de prata desta verdadeira instituição da música portuguesa, o jornal Público distribuirá, a partir de amanhã, dia 30 de Outubro, uma colecção antológica composta por 9 volumes de CD + livro intitulada Madredeus - 25 anos. A periodicidade desta colecção será semanal, tendo um preço de 6,96€ por cada unidade. Amanhã, com a primeira entrega, será oferecido um pequeno livro sobre a banda intitulado A Viagem.
Uma colecção a não perder!
Madredeus em apresentação ao vivo no início da carreira (1987).
Que o (des)acordo ortográfico é sinónimo de culturicídio por decreto já toda a gente sabe! Mas será que a maioria dos portugueses estará ocorrente dos perigos que esta medida acarreta para a própria saúde pública? Não! Não estamos apenas a falar da saúde mental dos Portugueses, prestes a terem colapsos nervosos cada vez que alguém maltrata a sua Língua-Mãe! Estamos a falar dos vários perigos a que estamos sujeitos quando alguém, a troco de obscuros interesses, decide inconscientemente brincar com a Língua Portuguesa, sobretudo quando se trata de questões ligadas à tradução técnica, nomeadamente, dos casos dos manuais de equipamento médico.
A tradutora Paula Blank convida-nos, através de um artigo publicado na edição de hoje do Público, a conhecer melhor esta surreal realidade com que somos presentemente confrontados!