segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Curso sobre "O Movimento da Renascença Portuguesa"

«Adoremos o espírito, o nosso belo espírito; implantemo-lo na nossa terra, que é santa porque criou a saudade, como os desertos trovejantes da Palestina criaram Jeová, e os viçosos, harmoniosos vales gregos, criaram Orfeu e Apolo.»
Teixeira de Pascoaes em Renascença (o espírito da nossa Raça).

Arranca já amanhã o curso O Movimento da Renascença Portuguesa (1912-1932), promovido pelo Instituto de Filosofia Luso-Brasileira e que conta também o apoio do SHIP (Sociedade Histórica para a Independência de Portugal). Esta acção de formação visa dar a conhecer, ao longo de 24 sessões, algumas das figuras nucleares de um dos principais e mais influentes movimentos culturais portugueses do século XX.
Contando com a colaboração de nomes conceituados como António Braz Teixeira, Pinharanda Gomes, Paulo Borges, Joaquim Domingues, Samuel Dimas, Celeste Natário, Duarte Ivo Cruz, António Cândido Franco, Cristina Nobre ou Paulo Samuel, este curso durará até Maio do próximo ano.
As inscrições poderão ser feitas na secretaria do SHIP, tendo um custo de 30€ para os sócios daquela instituição e do próprio Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, ou 35€ para o público geral.

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domingo, 4 de novembro de 2012

Costumes portugueses segundo João Palhares (2.ª parte)

Conforme foi aqui anteriormente referido, a Biblioteca Nacional de Portugal (BNP) reúne no seu espólio uma série de gravuras da autoria do artista português João Palhares, representando trajes, costumes, hábitos e profissões do Portugal novecentista. Optámos hoje por partilhar mais algumas dessas gravuras, importantes pela questão estético-artística, mas também pelo seu valor etnográfico e patrimonial, permitindo-nos viajar até a um Portugal de outros tempos, revisitando algumas profissões e actividades económicas hoje já desaparecidas.  

Aguadeiro de Faro.

Alentejano.

Ceifeira da província do Minho.

Estudantes da Universidade de Coimbra.

Homem da Beira vendendo lanifícios das fabricas nacionais.

Lavadeira, mulher dos arrabaldes da cidade do Porto.

Lavrador da Ilha de S. Miguel.

Mulher de Portalegre.

Polícia civil de Lisboa.

sábado, 3 de novembro de 2012

Dicionário de Arqueologia Portuguesa

No próximo dia 8 de Novembro, pelas 21:30, será apresentado na FNAC do NorteShoppingDicionário de Arqueologia Portuguesa. Publicada pela histórica editora Figueirinhas, esta obra foi coordenada por dois grandes nomes da arqueologia portuguesa contemporânea, Jorge de Alarcão e Mário Barroca. Procurando sintetizar um período de investigações arqueológicas cronologicamente balizado entre o aparecimento do primeiros vestígios humanos e os alvores da modernidade, este dicionário contém aproximadamente mil entradas, lavradas por dezenas de especialistas nacionais.
Esta apresentação ficará a cargo do arqueólogo Cláudio Torres (Prémio Pessoa), contando ainda com a presença dos coordenadores deste trabalho. A entrada é livre!

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terça-feira, 30 de outubro de 2012

Lux-Citanea

«Os povos são como as árvores! Sem as suas raízes não crescem...»
Rodolfo Ferreira  no texto introdutório de Lux-Citanea,  

Capa do álbum Lux-Citanea de Azagatel,

Oriundos de Vale de Cambra, os Azagatel foram fundados em meados de 1995, tendo desde então conquistado um lugar de destaque no panorama musical alternativo nacional. Intitulado “Lux-Citanea”, o seu mais recente trabalho reflecte uma nova fase deste colectivo, cuja aproximação a questões culturais e histórico-identitárias se revela interessante conhecer.
O título deste disco remete-nos de imediato para o patamar mítico e histórico da pré-portugalidade, jogando com os vocábulos “lux”, de luz, e “citanea”, nome atribuído às principais povoações existentes durante a Idade do Ferro no actual território nacional, numa clara alusão à antiga Lusitânia. Reavivando a chama da arcana pátria dos nossos antepassados lusitanos, o conceptualismo deste álbum mostra-se particularmente pertinente numa época de crise e nevoeiro como a que vivemos, apontando o mito como elemento primordial para a orientação dos povos.
Marcado por temas inspirados em algumas das antigas divindades da Lusitânia, como “Endovellico”, “Nabia Corona” ou “Bandua”, este trabalho dos Azagatel recorda os actos de bravura protagonizados pelos lusitanos, na defesa das suas terras e da sua cultura, face à ameaça do invasor romano. “Viriathus”, a par de “Iberia”, representa porventura o tema de pendor mais heróico deste registo, onde parte da letra nasce da adaptação do poema “Viriato” de Fernando Pessoa. A mensagem gnosiológica de “Lux-Citanea” parece alinhar-se em temas como “Lucifer (The Bringer of Light)”, “The Oath of the Oak”, ou em “The Crown”, uma versão bastante conseguida dos suíços Samael.
Tendo conhecido diversas alterações na sua formação ao longo dos últimos anos, os Azagatel acabaram por conseguir conquistar alguma estabilidade em termos de colectivo, fixando nas suas fileiras Rodolfo Ferreira (voz), João Costa (baixo), Nelson Lomba (guitarra), Filipe Ferreira (guitarra) e Dannyel “Green Devil” (bateria), permitindo-lhes deste modo embarcar numa nova fase, tanto musical, como conceptual. Assim, assistimos em “Lux-Citanea” a uma simbiose entre o black metal e o folk, onde se integram algumas passagens acústicas, criadoras de uma atmosfera assaz envolvente, capaz de fundir a música com a mensagem identitária inerente ao conceptualismo deste trabalho. De modo a conseguirem este resultado, os Azagatel contaram ainda com as participações especiais de Ana Cristina Santos (acordeão) e de Carla Rosete (voz). A apresentação gráfica deste disco não poderia ser descurada, tendo ficado a cargo de Ricardo Fernandes, responsável por todo o artwork e layout.
Telúrico, combativo e abertamente identitário, este trabalho de Azagatel rejuvenesce as raízes geladas de um ethos cultural adormecido, mas longe de encontrar-se extinto. Disponível através da editora Nekrogoat Heresy Productions, ou da própria banda, este álbum evoca o amor à terra e a coragem dos nossos antepassados lusitanos, relembrando que neles e nos seus nobres e valorosos desígnios residia a semente de um Portugal que urge hoje defender e preservar.

Tema Endovellico retirado do álbum Lux-Citanea.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Colecção "Madredeus - 25 anos"

«Eu nem testemunha consigo ser, do ano do milagre em que nasceram os Madredeus. Ser testemunha foi o meu privilégio: estar ali, a ver e a ouvir, quando tudo aconteceu. Por muito que estimasse o génio de Pedro Ayres de Magalhães sempre o subestimei  Não compreendi que ele estava a mudar a música portuguesa para poder ser portuguesa para quem não era português. Foi esse o trabalho de Amália, sozinha. O Pedro e os Madredeus tornaram-no num trabalho colectivo.»
 Miguel Esteves Cardoso em Madredeus  (1987-1993) - Raízes

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Os Madredeus são provavelmente, a par de Amália Rodrigues, o caso de maior sucesso da música portuguesa dentro do panorama musical internacional. Com mais de 4 milhões de discos vendidos em todo o mundo, este colectivo de origens bastante heterogéneas soube desde o primeiro minuto captar a essência do "ser português", mergulhando fundo nas nossas raízes para a partir delas criar algo de absolutamente novo e único. Iniciada esta aventura em meados de 1987, os Madredeus comemoram este ano 25 anos de carreira, num percurso pleno de conquistas e sucessos. A sua música, intemporal e eterna percorreu o mundo de uma ponta a outra, passando inclusivamente por locais como Pyongyang, na Coreia do Norte, provando que a sua arte ultrapassa de facto barreiras intransponíveis, espalhando a Paz e o Amor através da sua indescritível beleza e sentimento. Por isto e muito mais, os Madredeus são hoje considerados como uns justos embaixadores de Portugal e da Cultura Portuguesa no mundo.
Para celebrar as bodas de prata desta verdadeira instituição da música portuguesa, o jornal Público distribuirá, a partir de amanhã, dia 30 de Outubro, uma colecção antológica composta por 9 volumes de CD + livro intitulada Madredeus - 25 anos. A periodicidade desta colecção será semanal, tendo um preço de 6,96€ por cada unidade. Amanhã, com a primeira entrega, será oferecido um pequeno livro sobre a banda intitulado A Viagem
Uma colecção a não perder!

Madredeus em apresentação ao vivo no início da carreira (1987).

domingo, 28 de outubro de 2012

(Des)acordo Ortográfico Vs. Tradução Técnica

Que o (des)acordo ortográfico é sinónimo de culturicídio por decreto já toda a gente sabe! Mas será que a maioria dos portugueses estará ocorrente dos perigos que esta medida acarreta para a própria saúde pública? Não! Não estamos apenas a falar da saúde mental dos Portugueses, prestes a terem colapsos nervosos cada vez que alguém maltrata a sua Língua-Mãe! Estamos a falar dos vários perigos a que estamos sujeitos quando alguém, a troco de obscuros interesses, decide inconscientemente brincar com a Língua Portuguesa, sobretudo quando se trata de questões ligadas à tradução técnica, nomeadamente, dos casos dos manuais de equipamento médico.
A tradutora Paula Blank convida-nos, através de um artigo publicado na edição de hoje do Público, a conhecer melhor esta surreal realidade com que somos presentemente confrontados!

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sábado, 27 de outubro de 2012

Linhas de Wellington: Liberdade, Igualdade, Calamidade!

«O genuíno ódio de todos os religiosos aos ateus e regicidas franceses, profanadores de templos e ladrões do seu património, pôde explodir com rara violência. (...) Pela primeira vez os "gloriosos conquistadores da Europa" fugiam. E fugiam diante de uns milhares de paisanos, com paus e piques e a rara espingarda raramente nas mãos de vocações naturais, como a do dominicano José de Jesus Maria, o "frade branco", que depressa se celebrizou pela sua infalível pontaria e a impressionante quantidade de soldados inimigos de que piedosamente aliviou a pátria martirizada.»    

Soldados portugueses após mais uma vitória contra os invasores franceses.

As Invasões Francesas, ocorridas em território nacional entre 1807 e 1811, marcaram de forma indelével o duro despertar de Portugal para a contemporaneidade. Para além da guerra ideológica travada entre a velha Europa e os jacobinos revolucionários, este conflito internacional opôs belicosamente forças portuguesas e britânicas aos exércitos franceses e espanhóis, tornando-se a manutenção da soberania do Reino de Portugal e do seu Império, naquele contexto, mais uma prova da vontade, coragem e tenacidade das lusas gentes.
Disposto a imortalizar esta fatídica página da História de Portugal e da Europa, o realizador do aclamado Mistérios de Lisboa – filme inspirado na obra homónima de Camilo Castelo Branco – o chileno Raúl Ruiz, encontrava-se já a trabalhar na pré-produção de Linhas de Wellington quando veio a falecer. Felizmente, o projecto foi retomado pela sua mulher e assistente, Valeria Sarmiento, que o abraçou num acto de homenagem ao trabalho e dedicação do seu marido à sétima arte.
Rodado em várias regiões de Portugal, Linhas de Wellington é, acima de tudo, um épico à escala humana. A tragédia resultante desse negro período da nossa História aparece pela primeira vez retratada em filme de um modo cru e integral, despida de falsos moralismos, ou perspectivas politicamente correctas. A acção abrange os vários estratos sociais, mostrando antes de qualquer posicionamento político-ideológico, o catastrófico pesadelo enfrentado por todos os portugueses, obrigados a sobreviver, combatendo o tirânico inimigo da civilização ocidental, lado a lado com uma força aliada que, muitas vezes, mais tinha de hostil do que de correligionária.
O filme revela-se excelente de ambas as perspectivas, historiográfica e cinematográfica. Contudo, verificam-se facilmente alguns erros ou imprecisões que poderiam ter sido evitados nesta produção, nomeadamente: os inúmeros planos onde constatamos o predomínio do eucalipto nas matas portuguesas; a captação de pinos de protecção automóvel em algumas esquinas dos centros históricos onde decorreram as filmagens; a caracterização de John Malkovitch no papel do General Wellington, por ventura demasiado carregada, aparentando que o comandante inglês seria, por ocasião da sua passagem por Portugal, cerca de vinte anos mais velho do que de facto era.
Com um elenco de luxo, Linhas de Wellington representa um excelente exemplo de um drama histórico, assumindo-se como mais uma prova cabal de que a História e Cultura portuguesas são, indiscutivelmente, um repositório infindável no que concerne a episódios passíveis de serem transpostos para o grande ecrã sob a forma de épicos cinematográficos. Estreado nas salas portuguesas no passado dia 4 de Outubro, este filme é altamente recomendado!


Trailer do filme Linhas de Wellington.