segunda-feira, 18 de junho de 2012

O (des)acordo ortográfico visto do lado de lá do Atlântico!

Ao contrário do que muita gente ainda pensa, o (des)acordo ortográfico em nada aproxima o português do Brasil do português europeu, usado em Portugal e nos restantes países de expressão lusófona. A origem deste documento há muito que foi denunciada como uma fraude mafiosa, extremamente perigosa para ambas as formas de expressão da Língua Portuguesa. O seu fim último almeja única e exclusivamente o enriquecimento criminoso de alguns grupos económicos, cujo peso e poder lhes permitiu comprar um punhado de políticos mercenários analfabetos mal intencionados. Felizmente, Portugal e os Portugueses têm vindo a acordar e despertar para este verdadeiro genocídio cultural, conforme têm vindo a ser noticiado em alguns meios de comunicação. 
Mas não é só em Portugal que as vozes contra o (des)acordo se fazem ouvir. Também em Angola e Moçambique, a oposição é feroz, sendo que essas duas nações africanas não assinaram sequer o malfadado documento. Outra coisa que grande parte dos portugueses também desconhece é o facto dos próprios brasileiros contestarem a imposição de uma nova grafia, com alterações substanciais ao próprio tratamento que dão à língua. 
Numa entrevista ao blogue Tantas Páginas, o brasileiro Paulo Franchetti, crítico literário, escritor e professor titular do Departamento de Teoria Literária da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), foi bastante peremptório quando questionado acerca da sua opinião acerca do (des)acordo ortográfico.
«O acordo ortográfico é um aleijão. Linguisticamente malfeito, politicamente mal pensado, socialmente mal justificado e finalmente mal implementado. Foi conduzido, aqui no Brasil, de modo palaciano: a universidade não foi consultada, nem teve participação nos debates (se é que houve debates além dos que talvez ocorram durante o chá da tarde na Academia Brasileira de Letras), e o governo apressadamente o impôs como lei, fazendo com que um acordo para unificar a ortografia vigorasse apenas aqui, antes de vigorar em Portugal. O resultado foi uma norma cheia de buracos e defeitos, de eficácia duvidosa. Não sei a quem o acordo interessa de fato. A ortografia brasileira não será igual à portuguesa. Nem mesmo, agora, a ortografia em cada um dos países será unificada, pois a possibilidade de grafias duplas permite inclusive a construção de híbridos. E se os livros brasileiros não entram em Portugal (e vice-versa) não é por conta da ortografia, mas de barreiras burocráticas e problemas de câmbio que tornam os livros ainda mais caros do que já são no país de origem. E duvido que a ortografia seja uma barreira comercial maior do que a sintaxe e o ai-meu-deus da colocação pronominal. Mas o acordo interessa, é claro, a gente poderosa. Ou não teria sido implementado contra tudo e todos. No Brasil, creio que sobretudo interessa às grandes editoras que publicam dicionários e livros de referência, bem como didáticos. Se cada casa brasileira que tem um exemplar do Houaiss, por exemplo, adquirir um novo, dada a obsolescência do que possui, não há dúvida que haverá benefícios comerciais para a editora e para a Fundação Houaiss – Antonio Houaiss, como se sabe, foi um dos idealizadores e o maior negociador do acordo. O mesmo vale para os autores de gramáticas e livros didáticos – entre os quais se encontram também outros entusiastas da nova ortografia. E não é de espantar que tenham sido justamente esses – e não os linguistas e filólogos vinculados à universidade – os que elaboraram o texto e os termos do acordo. Nem vale a pena referir mais uma vez o custo social de tal negócio: treinamento de docentes, obsolescência súbita de material didático adquirido pelas famílias, adequação de programas de computador, cursos necessários para aprender as abstrusas regras do hífen e outras miuçalhas. De meu ponto de vista, o acordo só interessa a uns poucos e nada à nação brasileira, como um todo. Já Portugal deu uma prova inequívoca de fraqueza ao se submeter ao interesse localista brasileiro, apesar da oposição muito forte de notáveis intelectuais, que, muito mais do que aqui, argumentaram com brilho contra o texto e os objetivos (ou falta de objetivos legítimos) do acordo.»
Paulo Franchetti. 

domingo, 17 de junho de 2012

Vasco Graça Moura e a Língua Portuguesa no cinquentenário da sua actividade literária

O poeta, tradutor e ensaísta Vasco Graça Moura conciliou desde sempre a vida literária e cultural com a intervenção política e cívica. Encontrando-se este ano a celebrar o cinquentenário da sua actividade literária, foi entrevistado pelo jornalista Nuno Moura Brás da Antena 1, tendo falado da Língua Portuguesa, revelando as exigências da escrita e explicando por que razão se assume contra o (des)acordo ortográfico.
Uma entrevista a não perder.


Entrevista a Vasco Graça Moura transmitida pela Antena 1
a 11 de Junho de 2012.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Município da Covilhã rejeita o (des)acordo ortográfico

A Câmara Municipal da Covilhã publicou hoje, no sítio do município, a notícia da decisão de revogar o (des)acordo ortográfico em toda a sua correspondência oficial e entidades agregadas. Esta determinação, bem fundamentada e explicada em comunicado oficial, representa uma importante vitória na luta pela defesa do património linguístico português.
A Nova Casa Portuguesa não podia deixar de saudar o Exmo. Sr. Presidente da Câmara da Covilhã pela sábia e consciente decisão de revogar o abjecto e criminoso (des)acordo ortográfico! Em nome de todos os Portugueses que amam a sua Língua e Cultura, muito obrigado pela coragem e exemplo demonstrados nesta decisão! 
Aos poucos a vitória será da Língua Portuguesa, sendo a derrota total justamente infligida aos que, por obscuros desígnios, a procuraram abastardar!

(Clicar na imagem para ampliar.)

quarta-feira, 13 de junho de 2012

± Portugal 1143-2012 ± Cap. I - Aviso

Num Portugal doente, (des)iludido com os supostos valores patrióticos fantasiados em torno de uma selecção de futebol, existe ainda quem se mantenha vigilante, procurando a cada momento fazer-nos lembrar que não somos um corpo feito cadáver que insiste em procriar, mas sim os filhos ausentes de uma Pátria que nos chama, ansiando pelo resgate de uma Glória antiga. Os verdadeiros artistas procuram despertar-nos. Resta-nos apenas querer despertar.

± PORTUGAL 1143-2012 ± Cap. I - Aviso, realizado no âmbito da residência
artística ON.OFF, Guimarães 2012 Capital Europeia Cultura, em Maio 2012.

terça-feira, 12 de junho de 2012

II Festival Internacional de Polifonia Portuguesa

«O conhecimento que hoje possuímos sobre o passado musical em Portugal é-nos transmitido, em grande medida, por um conjunto razoável de fontes de ordem diversa - documentais, literárias, musicais, iconográficas, inventários. Embora as informações fornecidas por muitas dessas fontes históricas nos permitam inferir a existência de uma vida musical profícua em Portugal, essas mesmas informações, nem sempre se vêm reflectidas nas fontes musicais que nos chegaram. De facto, e apesar de muitas não terem resistido às diferentes adversidades históricas, tendo-se por isso perdido irremediavelmente, podemos encontrar hoje em muitos arquivos portugueses um valioso património musical.»

(Clicar na imagem para ampliar.)

Conforme é sabido, a polifonia portuguesa constitui um dos principais contributos da cultura lusíada à música ocidental. Tendo Portugal sido em tempos um dos principais centros de cultura da Europa, exportando para os quatro cantos do mundo o seu portentoso legado artístico, cabe-nos hoje a nós resgatar essa importante parte da nossa herança histórica, preservando-a, estudando-a e promovendo-a. 
Chamando a si parte dessa responsabilidade, a Fundação Cupertino de Miranda organiza, através da Cappella Musical Cupertino de Miranda, de 13 a 17 de Junho e de 21 a 24 de Junho, o II Festival Internacional de Polifonia Portuguesa. De natureza itinerante, tal como na primeira edição, este festival passará por Santo Tirso (Igreja Matriz, Mosteiro de São Bento), Maia (Igreja Mosteiro do Divino Salvador de Moreira), Braga (Sé, Mosteiro de Tibães e Bom Jesus), Amarante (Igreja de S. Gonçalo), Viana do Castelo (Igreja de S. Domingos), Santiago de Compostela (San Martín Pinario), Barcelos (Igreja Beneditina da Nossa Senhora do Terço), Ponte de Lima (Igreja da Ordem Terceira de São Francisco), Vila Nova de Famalição (Igreja de Santa Maria de Landim) e Guimarães (Igreja de Nossa Senhora de Oliveira). 
Sob a direcção artística de Luís Toscano a programação deste II Festival Internacional de Polifonia Portuguesa incluirá obras de Pedro do Porto (c.1465-c.1535), Pedro de Cristo (c.1550-1618), Duarte Lobo (c.1565-1646), Pedro de Araújo (c.1615-1695), entre outros reputados compositores.
Paralelamente aos espectáculos musicais, haverá ainda lugar para um seminário associado ao programa do festival, integrado nas comemorações dos 200 anos do Santuário do Bom Jesus de Braga. Intitulado O Barroco e a Polifonia em Portugal, este seminário terá lugar no dia 17 de Junho, pelas 17:00, na Sacristia da Igreja do Bom Jesus de Braga, contando com as ilustres participações dos Professores José Manuel Tedim, José Meco, Fátima Eusébio, Owen Rees e José Abreu.  
Todos os espectáculos e actividades deste evento serão de entrada livre e gratuita. Para mais informações visite o sítio oficial deste festival em http://festivalpolifonia.fcm.org.pt.

Requiem Aeternam do compositor Pedro do Porto, interpretado pelo famoso ensemble catalão
Hespèrion XXI, dirigido por Jordi Savall.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Inauguração do Centro de Estudos Pinharanda Gomes

Pinharanda Gomes durante a homenagem que lhe foi prestada aquando da
inauguração do centro de estudos com o seu nome, no concelho do Sabugal.  

Foi inaugurado no passado dia 9 de Junho o Centro de Estudos Pinharanda Gomes. Localizado no Concelho do Sabugal, este espaço acolhe a partir de agora a biblioteca e acervo pessoal de Jesué Pinharanda Gomes, último pensador vivo do célebre movimento da Filosofia Portuguesa.
Nascido a 1939 na freguesia de Quadrazais, no concelho do Sabugal, tornou-se um dos principais sistematizadores do pensamento filosófico português, sendo igualmente responsável pela recuperação, estudo e organização de obras do âmbito da historiografia e filosofia, menos divulgadas junto do grande público. Homem de um conhecimento vasto e sabedoria universal, mestre de indiscutível profundidade, Pinharanda Gomes não necessitou de qualquer título académico para destacar-se como um importante vulto da cultura portuguesa contemporânea. Tendo realizado sempre o seu percurso à margem da academia, apesar de nunca lhe negar os seus préstimos sempre que solicitado, foi ainda sócio fundador do Instituto de Filosofia Luso-Brasileira e membro correspondente eleito da Academia Internacional da Cultura Portuguesa e da Academia Portuguesa de História. Fiel às suas raízes matriciais, decide-se pela doação do seu espólio ao concelho de onde é natural, numa tentativa de enriquecer os vindouros filhos dessa terra, proporcionando-lhes o acesso à cultura que outrora ele ali não encontrara.
A criação deste centro de estudos reveste-se assim de uma dupla importância, possibilitando aos investigadores locais, nacionais e estrangeiros um acesso a alguns volumes raros, constituintes da sua biblioteca pessoal e respectivo acervo documental, permitindo também a descentralização cultural dos grandes centros urbanos, redistribuindo-se deste modo uma parte da nossa vasta herança cultural.
É apenas lamentável o desinteresse generalizado da comunicação social nacional, na cobertura desta inauguração e justa homenagem a Pinharanda Gomes. Infelizmente, em dias de desafios de futebol, outros interesses se levantam, ficando os valores relegados para segundo plano.           

Cobertura da Inauguração do Centro de Estudos Pinharanda Gomes,
feito pela Localvisão TV.

domingo, 10 de junho de 2012

Camões no Dia de Portugal!

Porque Camões é o Verbo!
Porque Camões é a Língua Portuguesa!
Porque Camões é o retrato da nossa Força, Audácia e Infinita Coragem!
Porque Camões é o Amor a Portugal!
Porque Camões é Amor!
Porque Camões é Paixão!
Porque Camões é Génio!
Porque Camões é Imortal como a sua Pátria!
Porque Camões é Sacrifício! 
Porque Camões é ainda a memória de Portugal, da sua Cultura, Tradição, das suas Gentes e do Génio Português!
Porque Camões foi Portugal personificado!
Por isso, só a ele coroamos de louros! A ele e nenhum outro!


Filme Camões de José Leitão de Barros (1946).