terça-feira, 12 de junho de 2012

II Festival Internacional de Polifonia Portuguesa

«O conhecimento que hoje possuímos sobre o passado musical em Portugal é-nos transmitido, em grande medida, por um conjunto razoável de fontes de ordem diversa - documentais, literárias, musicais, iconográficas, inventários. Embora as informações fornecidas por muitas dessas fontes históricas nos permitam inferir a existência de uma vida musical profícua em Portugal, essas mesmas informações, nem sempre se vêm reflectidas nas fontes musicais que nos chegaram. De facto, e apesar de muitas não terem resistido às diferentes adversidades históricas, tendo-se por isso perdido irremediavelmente, podemos encontrar hoje em muitos arquivos portugueses um valioso património musical.»

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Conforme é sabido, a polifonia portuguesa constitui um dos principais contributos da cultura lusíada à música ocidental. Tendo Portugal sido em tempos um dos principais centros de cultura da Europa, exportando para os quatro cantos do mundo o seu portentoso legado artístico, cabe-nos hoje a nós resgatar essa importante parte da nossa herança histórica, preservando-a, estudando-a e promovendo-a. 
Chamando a si parte dessa responsabilidade, a Fundação Cupertino de Miranda organiza, através da Cappella Musical Cupertino de Miranda, de 13 a 17 de Junho e de 21 a 24 de Junho, o II Festival Internacional de Polifonia Portuguesa. De natureza itinerante, tal como na primeira edição, este festival passará por Santo Tirso (Igreja Matriz, Mosteiro de São Bento), Maia (Igreja Mosteiro do Divino Salvador de Moreira), Braga (Sé, Mosteiro de Tibães e Bom Jesus), Amarante (Igreja de S. Gonçalo), Viana do Castelo (Igreja de S. Domingos), Santiago de Compostela (San Martín Pinario), Barcelos (Igreja Beneditina da Nossa Senhora do Terço), Ponte de Lima (Igreja da Ordem Terceira de São Francisco), Vila Nova de Famalição (Igreja de Santa Maria de Landim) e Guimarães (Igreja de Nossa Senhora de Oliveira). 
Sob a direcção artística de Luís Toscano a programação deste II Festival Internacional de Polifonia Portuguesa incluirá obras de Pedro do Porto (c.1465-c.1535), Pedro de Cristo (c.1550-1618), Duarte Lobo (c.1565-1646), Pedro de Araújo (c.1615-1695), entre outros reputados compositores.
Paralelamente aos espectáculos musicais, haverá ainda lugar para um seminário associado ao programa do festival, integrado nas comemorações dos 200 anos do Santuário do Bom Jesus de Braga. Intitulado O Barroco e a Polifonia em Portugal, este seminário terá lugar no dia 17 de Junho, pelas 17:00, na Sacristia da Igreja do Bom Jesus de Braga, contando com as ilustres participações dos Professores José Manuel Tedim, José Meco, Fátima Eusébio, Owen Rees e José Abreu.  
Todos os espectáculos e actividades deste evento serão de entrada livre e gratuita. Para mais informações visite o sítio oficial deste festival em http://festivalpolifonia.fcm.org.pt.

Requiem Aeternam do compositor Pedro do Porto, interpretado pelo famoso ensemble catalão
Hespèrion XXI, dirigido por Jordi Savall.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Inauguração do Centro de Estudos Pinharanda Gomes

Pinharanda Gomes durante a homenagem que lhe foi prestada aquando da
inauguração do centro de estudos com o seu nome, no concelho do Sabugal.  

Foi inaugurado no passado dia 9 de Junho o Centro de Estudos Pinharanda Gomes. Localizado no Concelho do Sabugal, este espaço acolhe a partir de agora a biblioteca e acervo pessoal de Jesué Pinharanda Gomes, último pensador vivo do célebre movimento da Filosofia Portuguesa.
Nascido a 1939 na freguesia de Quadrazais, no concelho do Sabugal, tornou-se um dos principais sistematizadores do pensamento filosófico português, sendo igualmente responsável pela recuperação, estudo e organização de obras do âmbito da historiografia e filosofia, menos divulgadas junto do grande público. Homem de um conhecimento vasto e sabedoria universal, mestre de indiscutível profundidade, Pinharanda Gomes não necessitou de qualquer título académico para destacar-se como um importante vulto da cultura portuguesa contemporânea. Tendo realizado sempre o seu percurso à margem da academia, apesar de nunca lhe negar os seus préstimos sempre que solicitado, foi ainda sócio fundador do Instituto de Filosofia Luso-Brasileira e membro correspondente eleito da Academia Internacional da Cultura Portuguesa e da Academia Portuguesa de História. Fiel às suas raízes matriciais, decide-se pela doação do seu espólio ao concelho de onde é natural, numa tentativa de enriquecer os vindouros filhos dessa terra, proporcionando-lhes o acesso à cultura que outrora ele ali não encontrara.
A criação deste centro de estudos reveste-se assim de uma dupla importância, possibilitando aos investigadores locais, nacionais e estrangeiros um acesso a alguns volumes raros, constituintes da sua biblioteca pessoal e respectivo acervo documental, permitindo também a descentralização cultural dos grandes centros urbanos, redistribuindo-se deste modo uma parte da nossa vasta herança cultural.
É apenas lamentável o desinteresse generalizado da comunicação social nacional, na cobertura desta inauguração e justa homenagem a Pinharanda Gomes. Infelizmente, em dias de desafios de futebol, outros interesses se levantam, ficando os valores relegados para segundo plano.           

Cobertura da Inauguração do Centro de Estudos Pinharanda Gomes,
feito pela Localvisão TV.

domingo, 10 de junho de 2012

Camões no Dia de Portugal!

Porque Camões é o Verbo!
Porque Camões é a Língua Portuguesa!
Porque Camões é o retrato da nossa Força, Audácia e Infinita Coragem!
Porque Camões é o Amor a Portugal!
Porque Camões é Amor!
Porque Camões é Paixão!
Porque Camões é Génio!
Porque Camões é Imortal como a sua Pátria!
Porque Camões é Sacrifício! 
Porque Camões é ainda a memória de Portugal, da sua Cultura, Tradição, das suas Gentes e do Génio Português!
Porque Camões foi Portugal personificado!
Por isso, só a ele coroamos de louros! A ele e nenhum outro!


Filme Camões de José Leitão de Barros (1946).

sábado, 9 de junho de 2012

Vestígios da Atlântida e o Anjo de Portugal

Este fim-de-semana a Casa do Fauno, em Sintra, apresenta uma proposta de duas interessantes conferências subordinadas a temáticas relacionadas com a tradição mítico-espiritual nacional. 
Hoje, dia 9 de Junho, Luiz Vilhena Sobral fará uma comunicação intitulada Vestígios da Atlântida na Costa Portuguesa?, abordando as recentes descobertas subaquáticas que poderão revelar a existência de uma antiga civilização. Amanhã, 10 de Junho, Dia de Portugal, da Raça e das Comunidades Portuguesas, será a vez do incontornável Manuel J. Gandra usar da palavra, apresentando uma interessante comunicação intitulada O Anjo Custódio de Portugal e os Símbolos Identitários Nacionais
As apresentações terão início pelas 15:00, sendo ambas de entrada livre.

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quinta-feira, 7 de junho de 2012

Amadeo de Souza-Cardoso e a Festa do Corpo de Deus

A tradição da Festa de Corpus Christi, ou do Corpo de Deus, remota ao século XII, quando o Papa Urbano IV a instituiu por Bula Papal. Celebrada 60 dias após a Páscoa, esta festividade móvel pode ocorrer entre 21 de Maio e 24 de Junho. Caracterizada pela crença cristã de que o Sangue e o Corpo de Cristo se encontram de facto presentes na Eucaristia, esta solenidade assume-se como um testemunho e veneração de um dos principais Sacramentos da Igreja Católica. 
Em Portugal os relatos sobre a celebração do Corpo de Deus remontam ao reinado de D. Afonso III, sendo porém no reinado de D. Dinis que a festa é por assim dizer oficializada. Como de costume em terras portuguesas, esta celebração cedo começou por assimilar um lado profano ao seu lado sagrado. Nas famosas procissões perfilavam representantes das várias profissões, com carros alegóricos, diabos, a serpe cornuda, a terrível coca ou dragão derrotado por S. Jorge, os gigantones, entre outros elementos. A música assume-se ainda hoje como um factor importante da celebração mais profana desta festa. Das gaitas-de-foles e tambores, aos sinos a repique, ou às famosas bandas filarmónicas, várias são as tradições que podemos encontrar de região em região.
Amadeo de Souza-Cardoso, célebre pintor modernista português natural de Amarante, imortalizou uma dessas procissões a que assistiu na sua terra natal, em Junho de 1913. Entre a estética cubista que acompanhava a sua expressão plástica durante aquele período, conseguimos aperceber-nos dos elementos caracterizadores da expressão mais visível e popular da festa do Corpo de Deus, ou seja, a Procissão Corpus Christi, que de resto dá nome ao próprio quadro do artista amarantino. Das figuras eclesiásticas com os seus paramentos, passando pela fanfarra, os fieis, a coca e o cavaleiro S. Jorge, aos próprios arcos da famosa ponte de Amarante que nos ajudam a localizar o espaço em que decorre a acção narrada no quadro, tudo perpetua o lado efémero da festa.
Uma vez mais, temos a tradição de mãos dadas com a modernidade, numa comunhão perene, cujos novos ciclos insistem em eternizar. Assim é Portugal e a sua tradição.

Procissão Corpus Christi, óleo sobre madeira pintado em 1913 por
Amadeo de Souza-Cardoso.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Foto-Síntese, uma exposição de João Marchante

«Inspirado na vida trivial e na percepção visual de uma evidência que está diante de nós, mas que muitas vezes passa despercebida, a série de imagens a cores de grandes dimensões habilmente encenada por João Marchante apresenta uma visão instável da paisagem humana expondo interiores, intimidades, sonhos e segredos, oscilando entre espaço familiar e espaço idealizado. A adolescente, incorporação da fragmentação e efemeridade das relações na contemporaneidade, transmite ansiedade, mutismo e distância sobre o sentido da imagem, sendo esta retratada de forma enigmática, contemplativa ou ausente deixando a identidade de quem a habita por desvendar. Marchante obtém imagens que pelo seu tema seduzem e enlaçam, incitando o observador a reflectir sobre a relação entre natureza interior e natureza exterior do sujeito através de imagens que olham e devolvem o olhar.»
Adriana Delgado Martins acerca da exposição Foto-Síntese.

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João Marchante é hoje um nome incontornável do vídeo e do panorama artístico português. Artista e autor crítico, concilia a criação com a actividade pedagógica, numa atitude altruísta e descomprometida com qualquer dogma para além do "bom gosto". Militante na blogosfera há já alguns anos, dirige um blogue de referência intitulado Eternas Saudades do Futuro, sendo ainda membro da comunidade Jovens do Restelo
Foto-Síntese é o nome da sua mais recente exposição individual, a primeira desde Vídeos Privados, patente em 2000 na Galeria Monumental, em Lisboa. Esta nova mostra de João Marchante será inaugurada hoje, pelas 21:00 na Sala do Veado do Museu Nacional de História Natural e da Ciência, ficando patente ao público até 1 de Julho de 2012.
A não perder.