quarta-feira, 18 de abril de 2012

Google lembra o 170º aniversário do nascimento de Antero de Quental

Celebra-se hoje o 170º aniversário do nascimento do nosso poeta e pensador Antero de QuentalA empresa norte-americana Google resolveu, uma vez mais, prestar a sua homenagem à cultura portuguesa, lembrando esta efeméride através de um doodle alusivo à sua figura. 
Nascido nos Açores, na cidade de Ponta Delgada, a 18 de Abril de 1842, Antero foi um homem de cultura, mas sobretudo de ideias e ideais, tendo tido um papel de destaque dentro do movimento da Geração de 70. Vivendo de forma intensa, encontrou a morte de uma forma violenta, suicidando-se na sua cidade natal a 11 de Setembro de 1891.

Doodle alusivo ao 170º aniversário do nascimento Antero de Quental utilizado pelo
motor 
de busca Google. 

terça-feira, 17 de abril de 2012

António Sardinha, a Contemporaneidade e a Fé

«Feliz de ti que crês! Eu não acredito nem deixo de acreditar. O século queimou-me as asas da fé e eu fiquei-me no limiar das portas da religião, sem poder sair nem entrar. No entanto é com melancolia cristianíssimo que eu olho os felizes que entram! É sempre bom ter-se uma certeza, ilusória embora, a que a gente se agarre nas oscilações da vida.»
António Sardinha numa carta datada de 03-11-1911,
endereçada à sua futura mulher. 

António Sardinha na sua juventude.

O positivismo de Auguste Comte veio abalar de vez os já frágeis alicerces de um paradigma tradicional, questionado pelos infames ventos jacobinos da Revolução Francesa de 1789, bem como pelo lado negro da esclavagista Revolução Industrial. À imagem do mundo ocidental, também Portugal se viu coberto pela nuvem negra de um racionalismo opressor da própria condição humana, estranho e antagónico à própria natureza do ser português e da cultura lusíada, caracterizada por uma profunda espiritualidade.
Para Portugal a entrada na contemporaneidade foi deveras violenta, mergulhando-nos um profundo sono de consequências tão nefastas como traumáticas. A generalizada confusão levantada pela corrente positivista assombrou e desgastou as sucessivas gerações de intelectuais portugueses, divididas na sua esmagadora maioria por uma luta interior, travada entre a sua ancestral espiritualidade e a imposição racionalista de um materialismo cego, fruto da tentativa aberrante de transformar o Homem em Deus. Um Deus da Razão, criado pelo próprio Homem, em oposição ao tradicional Deus criador.
Até mesmo António Sardinha, distinto poeta, ensaísta e doutrinador político-social, associado ao Integralismo Lusitano, o movimento monárquico católico português de carácter tradicionalista, padeceu de uma enfermidade espiritual, fruto do século e da época em que viveu. Esta herdara o pessimismo de finais do séc. XIX, nascido da ressaca de quase cinquenta anos de euforia científica. A sua letargia e vazio interior estendia-se a toda uma geração à qual pertencia e que, descrente das doutrinas da Igreja e das certezas da Razão, se refugiava nos meandros dos esoterismos e das sociedades secretas.
Foi a partir do contacto com as obras de Barrès, Bergson, Gustave Le Bon, Jules Soury ou Vacher de Lapouge, nomes ligados à revivescência católica iniciada em França durante o século XIX, que António Sardinha iniciou um processo de introspecção conducente ao seu regresso ao seio do catolicismo. Esta reaproximação foi inicialmente mais estética do que dogmática, mas à medida que mergulhava fundo na tradição político-religiosa portuguesa, mais foi sentindo a força do apelo da sua fé. 
Este processo de reconversão obrigou-o a ir de encontro a uma certa disciplina e doutrina, exigindo o seu esforço e atenção, potencializando desta forma o seu livre pensamento. Hoje, tempo e condições para discernir são dois elementos praticamente impossíveis de reunir. O ritmo da sociedade impele-nos a correr, enquanto as vicissitudes imorais do mundo moderno nos procuram ocupar cada segundo das nossas vidas, nem que seja com ruído ou entulho (des)informativo. Conforme defendia Henri Corbin, o bloqueio do ser humano no acesso ao estádio imaginal impede-o de realizar-se no seu todo, tornando-o mais submisso, conformado, deprimido, oprimido e facilmente manipulável. Por mais que acredite que não, o homem moderno aceita, de uma forma ou de outra, a ditadura do sorriso e o seu sistema, bem como o totalitarismo da Razão, da Ciência e de todos os dogmas sócio-políticos e económicos que procuram impor-nos. 
A arrogância advinda da falsa ilusão de que tudo está no Homem e no seu meio, não existindo nada fora dele e muito menos num plano metafísico ou espiritual, é a primeira causa para a existência de uma miopia intelectual generalizada, inibidora da própria problematização de hipóteses e até mesmo do desenvolvimento de um pensamento abstracto ou especulativo, específico e exclusivo da própria humanidade, assistindo-se à destruição dos racionalistas pelas mãos da sua própria Razão, essa pseudo-libertadora. A asfixia da fé representa, segundo esta perspectiva, um meio de opressão, um autêntico atentado à própria condição, liberdade e dignidade humanas.
Torna-se por isso pertinente a seguinte reflexão de António Sardinha que, apesar de escrita em 1912, se encontra longe de esvaziar nos seus conteúdos e actualidade:
«Claro que o meu religiosismo, além de ser um protesto contra a opressão do direito de pensar livre que por aí vai, é motivo de arte e de consolação espiritual. Não me importo com o que a razão me diz, oiço apenas o sentimento. E de resto hoje, por toda a parte o homem se está voltando de novo para a aspiração à imortalidade, visto que nada colheu dum século de positivismo estreito e dogmático. A religião não tem nada com os padres, como o Cristianismo nada com o Romanismo. Quem confunde as duas coisas é duma lamentável miopia intelectual.» 

segunda-feira, 16 de abril de 2012

O Porto em inícios do séc. XX

Invocando o facto da cidade do Porto ter sido recentemente galardoada com o título de Melhor Destino Europeu de 2012, aproveitamos para partilhar um interessante vídeo de inícios do séc. XX, através do qual podemos reviver a antiga dinâmica da sua zona ribeirinha. Este filme representa um interessante documento cujo elevado valor histórico, antropológico e patrimonial nos permite recuar aos primeiros anos do século passado, analisando-se a traça urbanística, bem como os mesteres, hábitos, costumes, trajes e outros aspectos do quotidiano da cidade. Na parte final do filme assiste-se a um salto geográfico do Douro Litoral para o Minho, onde são mostrados alguns aspectos daquela região, enfatizando-se a beleza das suas mulheres, seus respectivos trajes e adornos.
Produzido pela francesa Pathé, sabe-se que o filme foi realizado por M. R. Alexandre, nome creditado logo no começo do vídeo. Infelizmente este não se encontra datado, pelo que se torna difícil fazer uma datação exacta da filmagem. Pormenor que em nada retira a beleza destes 2 minutos e 14 segundos históricos de imagem em movimento.

Vídeo não datado da cidade do Porto, mostrando também alguns aspectos
quotidianos das gentes minhotas.

domingo, 15 de abril de 2012

Tabucchi homenageado no Teatro do Campo Alegre

Recentemente falecido, Antonio Tabucchi foi como sabemos um grande apaixonado pela cultura portuguesa, tendo sido um dos principais divulgadores da nossa literatura em Itália, nomeadamente da obra de Fernando Pessoa. Tendo visto vários dos seus livros serem adaptados ao cinema, o grupo Medeia Filmes decidiu homenagear o escritor italiano através da realização de um mini-ciclo cinematográfico de dois dias, a realizar-se a 16 e 17 de Abril no Teatro do Campo Alegre, no Porto.
No primeiro dia esta homenagem inicia-se pelas 22:00, com destaque para o filme Requiem, dirigido por Alain Tanner e inspirado em Fernando Pessoa. Dia 17 as projecções terão início pelas 18:30, estando agendada a projecção de 3 curtas realizadas a partir do livro de Sonhos de Sonhos de Antonio Tabucchi: Caravaggio, de José Maria Vaz da Silva; O sonho do senhor Sigmund Freud, de Isabel Aboim Inglez; O Senso dos desatinados, de Paulo Guilherme dos Santos.
O preço dos bilhetes é de 4€.

(Clicar na imagem para ampliar.)

Nota: O cartaz apresenta um erro nas datas das exibições. Onde se lê 16 e 17 de Março, devemos na realidade ler 16 e 17 de Abril.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Academia Popular de Filosofia

A criação de uma sociedade justa, baseada no respeito e na dignidade da pessoa ou indivíduo, sempre passou, em todos os grandes modelos e projectos civilizacionais, pela educação. Esse espírito foi de resto reavivado através de movimentos como a Renascença Portuguesa que cedo começou a preocupar-se com a necessidade de, entre outras coisas, apostar na criação das chamadas Universidades Populares. Essa centelha da filantropia ficou felizmente latente nas várias gerações que se foram sucedendo, perpetuando esse sonho de criar uma sociedade mais justa, consciente e cultivada. 
Foi precisamente desse espírito de partilha que surgiu a Academia Popular de Filosofia, a funcionar n'A Voz do Operário, em Lisboa. Propondo uma série de 6 aulas subordinadas a várias temáticas, estas iniciarão já amanhã, dia 12 de Abril, ficando a responsabilidade lectiva a cargo de nomes como Paulo Borges, Miguel Real, Viriato Soromenho Marques, André Barata, João Luís Lisboa, Ana Gonçalves e Ana Bernardo. 
A frequência destas aulas é gratuita, estando já abertas as inscrições através do seguinte endereço de correio electrónico: acad.popularfilosofia@gmail.com. Não deixe de participar.

(Clicar na imagem para ampliar.)

terça-feira, 10 de abril de 2012

Panorama 2012 - 6.ª Mostra de Documentário Português

Os ciclos Panorama arrancaram em 2006 e desde então têm sido consagrados à divulgação e discussão do filme documentário em Portugal. Mais do que uma simples organização de um festival de cinema documental, o grupo Panorama pretende também constituir uma plataforma de discussão acerca do que se vai fazendo em Portugal dentro desta área. 
Este ano a 6ª Mostra do Documentário Português  realiza-se entre os próximos dias 13 e 21 de Abril, tendo lugar no Cinema São Jorge e na Cinemateca Portuguesa.
Para mais informações referentes a esta mostra visite www.panorama.org.pt.

(Clicar na imagem para aceder ao programa.)

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Os Descobrimentos Portugueses vistos por Tomasz Kostecki

«Qualquer epopeia, antes de se tornar visível nos feitos e na história documentada, começa por medrar no imaginário de alguns indivíduos e depois no de um grande número e até mesmo no de uma nação inteira, remexido pelos movimentos inconscientes de determinados arquétipos que, de maneira misteriosa - diria até: vulcânica - começam a agitar-se e a libertar energias imensas. E uma vez que os fenómenos do imaginário são o sonho, o desejo, a visão, que depois se manifestam por meio de lendas e mitos e ganham a sua forma acabada no poema, no conto, no romance e, de uma forma geral, na arte, é aí que devemos procurar as motivações profundas desse grande movimento de toda uma nação a que chamamos os "Descobrimentos Portugueses".»
Lima de Freitas em Porto do Graal

A Expansão e os Descobrimentos Portugueses representam as principais páginas de ouro da história da civilização ocidental. Através de um misto de mística e ciência, procedeu-se à iluminação interior do Homem, derrubando falsos mitos, orientando-se a humanidade rumo à sua mais autêntica e ecuménica espiritualidade. A dimensão desta empresa regurgitou toda uma mitologia e mística dormentes, encerradas desde tempos imemoriais no mais profundo âmago do ser português, permitindo-nos deste modo alcançar a nossa maturidade espiritual, fazendo-se cumprir o nosso destino histórico. Não obstante, da demanda portuguesa todos os povos absorveram a sua maior riqueza, ou seja, o conhecimento. O universalismo da mensagem da epopeia portuguesa foi deste modo reavivada e gravada na memória colectiva do Homem, enquanto regresso a um conhecimento primordial perdido. Talvez por isso, podemos encontrar ao longo da História vários autores e artistas, nacionais e estrangeiros, preocupados em materializar as suas visões e interpretações dessa mesma memória, edificadora da própria personalidade humana.
Tomasz Kostecki, pintor polaco nascido em 1964, foi um desses inúmeros artistas que procuram retratar e perpetuar as suas próprias visões e reflexões acerca da epopeia portuguesa. Foi através de um conjunto de quadros pintados a óleo que este pintor revisitou a visão mística desse episódio histórico, bem como dos seus intervenientes e feitos alcançados. Exibido em Portugal, no Casino do Estoril, durante a Expo 98, estes conjunto de trabalhos são aqui recuperados, de forma a relembrarmos, uma vez mais, a importância dos feitos outrora alcançados pelos nossos antepassados.       

Descobrimentos.

 A visão do Infante D. Henrique.

Infante D. Henrique.

Portugal.

Abrindo Novos Mundos.

Vasco da Gama.

Brasil.

Japão.

Fernão de Magalhães.

Os Descobrimentos Portugueses.