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segunda-feira, 18 de março de 2013

Aristokratia n.º1

«A ordem é nas sociedades o que a saúde é no indivíduo. Não é uma cousa: é um estado. Resulta do bom funcionamento do organismo, mas não é esse bom funcionamento. O homem normal só pensa na saúde quando está doente. Do mesmo modo, a sociedade normal só pensa na ordem quando nela aparece a desordem.»
Fernando Pessoa em O Preconceito da Ordem.

(Clicar na imagem para ampliar.)

Platão, Friedrich Nietzsche, Fernando Pessoa, Julius Evola, Emil Cioran, René Guénon, Aleister Crowley, H. P. Lovecraft, Georg Brandes, Carl Gustav Jung, Oswald Spengler, Frithjof Schuon, Huston Smith, Nicolás Gómez Dávila, Filippo Tommaso Marinetti e Henry James são apenas alguns dos autores abordados nos vários artigos constituintes do primeiro volume de Aristokratia. Organizada por K. Deva, esta publicação anual procura restituir o elo perdido que outrora ligava a Tradição e a Filosofia, sintetizando e projectando todo um novo plano gnosiológico referente à cultura ocidental. O primeiro volume desta nova publicação materializa o esforço empreendido na tentativa de cruzar novamente estas duas esferas culturais, separadas entre si apenas no mundo ocidental.
Para além da participação de José Almeida, com um artigo acerca do conceito de utopia em Fernando Pessoa e Emil Cioran, este primeiro volume de Aristokratia contém ainda as participações de Marek Rostkowski, K. R. Bolton, Brett Stevens, Boris Nad, James O'Meara, Alexander Shepard, Otto Heller, ou Gwendolyn Taunton, directora da publicação periódica Mimir: Journal of North European Traditions.
Publicada através da editora indiana Manticore Press, a Aristokratia pode ser adquirida através da Amazon, tendo um custo de 29,95 dólares. Uma leitura recomendada a todos os aristocratas de espírito.

Lista de conteúdos e colaboradores

Aristocratic Radicalism: The Political Theory of Friedrich Nietzsche
- Gwendolyn Taunton

Amrtam Ayur Hiranyam: Julius Evola’s Notion of Eschatology
- Marek Rostkowski

Faustianism & Futurism: Analogous Primary Elements in Two Doctrines on European Destiny
- K. R. Bolton

Utopia in Fernando Pessoa and Emil Cioran
- José Almeida

Nicolás Gómez Dávila: Aphorisms Against the Modern World
- Gwendolyn Taunton

The Exaltation of Friedrich Nietzsche
- Otto Heller

Guénon against the world: The Difference Between Primordial and “Enlightened” Metaphysics
- Alexander Shepard

The Return Of Myth
- Boris Nad

The Primordial Tradition
- Gwendolyn Taunton

Confrontation with Nothingness: The Amorality, Nihilism and Isolation of a Leader
- Brett Stevens

The Political Aspects of Crowley’s Thelema
- K. R. Bolton

The Corner at the Center of the World: Traditional Metaphysics in a Late Tale of Henry James
James O'Meara

The Trinity of Void: The Philosophy of Azsacra Zarathustra
- Gwendolyn Taunton

The End
- Kalki

Vídeo promocional do primeiro volume de Aristokratia.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Padre João Barrocas: a “alma da Pavorosa”

«Era de um trato afável, de extrema delicadeza e obsequiosidade e teria deixado aos seus uma avultada fortuna se, com os estranhos não despendesse grossas somas, especialmente por causa das revoltas e guerrilhas em que sempre andou envolvido.
A sua paixão pela política relacionou-o com todas as famílias Miguelistas e era, independentemente disso, estimado pelo colegas, que, se não igualava sempre virtudes, a todos excedia em ilustração e dotes oratórios.
Se produziu desordem e causou muitos prejuízos, praticou também actos que o honram. A sua vida agitada, tormentosa, odiada por muitos, enquanto teve o vigor dos anos, enquanto dominado pela paixão da glória, mas foi adorado por fim na sua triste velhice.
Na mocidade provocou ódios, malquerenças, foi insubmisso, temível inimigo dos descendentes de D. Pedro IV, adorando D. Miguel, praticando pela causa dele, os maiores desacatos...»
Joaquim Manuel Correia em Memórias sobre o Concelho do Sabugal

Famoso guerrilheiro miguelista do Concelho do Sabugal,
Padre João de Matos ou Padre João Barrocas.

O Padre João de Matos, o famoso guerrilheiro da "Pavorosa", também conhecido por Padre João Barrocas, foi um sacerdote nascido em 1815 na Aldeia da Ponte, Concelho do Sabugal. Desde cedo, alimentou um ódio feroz contra o regime liberal, tendo-se envolvido numa série de revoltas subversivas e acções violentas, com finalidade de restabelecer o absolutismo.
Partidário da causa de D. Miguel, o Padre João Barrocas estabeleceu ligações com a maior parte das grandes famílias Miguelistas, conquistando a sua estima, tornando-se conhecido em cidades como a Guarda, Pinhel, Castelo Branco e também em Lisboa. Político da causa legitimista, este sacerdote guerrilheiro foi ainda membro de uma guerrilha capitaneada por Montejo, o célebre salteador espanhol, responsável por espalhar o terror e o pânico pelos concelhos do Sabugal, Almeida e Penamacor. 
Aproveitando os ventos da revolução Carlista do outro lado da fronteira, o Padre João Barrocas procurou obter e dispor do apoio dos espanhóis, favorecendo dessa forma militarmente a causa de D. Miguel. Desse apoio nasceu a "Pavorosa", uma guerrilha Miguelista, cujo objectivo principal era restaurar o absolutismo, suprimindo e destituindo todas as instituições liberais. Não obstante o facto de ter sido procurado praticamente durante toda a sua vida de guerrilheiro, o Padre João Barrocas acabou por conseguir sempre escapar, sem nunca ter sido preso. Apresentou-se apenas ao Tribunal do Sabugal, precisamente no dia em que foi publicada a notícia da amnistia de todos os guerrilheiros da "Pavorosa", a 8 de Agosto de 1875. Nesse mesmo dia foram libertados todos os prisioneiros encarcerados devido às sucessivas vagas de tentativas de derrubar o regime liberal, assistindo-se a enormes festejos populares em todo o Concelho do Sabugal.
As suas aventuras, dignas das mais belas páginas de romances de aventura dariam por certo também um excelente argumento para um filme, representando a sua vida um exemplo de astúcia, tenacidade, heroísmo e insubmissão perante a decadência imposta a Portugal pelos liberais.