Nas vésperas do ano em que se celebrarão os centenários dos livros Arte de Ser Português de Teixeira de Pascoaes e O Valor da Raça do António Sardinha, vale a pena debruçarmo-nos sobre a seguinte reflexão acerca da ideia de Pátria - e o amor que lhe devemos -, concretizada por Guerra Junqueiro nas suas Prosas Dispersas:
«A Pátria mais perfeita será a mais local, pelo amor à gleba, e a mais universal, pelo amor ao mundo.
O Meu amor à Pátria começa nas amizades do meu corpo ao ar que respiro, à água que bebo, ao pão que me alimenta, ao fruto que desejo, à flor que me embalsama, à luz que me deslumbra. Depois, vem o amor à minha casa, desde os avós aos netos, dos berços aos sepulcros. Depois, o amor à minha aldeia, - choupanas e cavadores, a igreja de Deus ao centro e o cemitério ao lado. Depois do amor à província, à região, à Pátria toda, - aos mortos, aos vivos e aos vindouros.»
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| Guerra Junqueiro (1859-1923). |
