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segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Somos lava, e a lava é quem produz a aurora!

Retrato do poeta Guerra Junqueiro.

Canção de Batalha

Que durmam, muito embora, os pálidos amantes,
Que andaram contemplando a Lua branca e fria...
Levantai-vos, heróis, e despertai, gigantes!
Já canta pelo azul sereno a cotovia
E já rasga o arado as terras fumegantes...

Entra-nos pelo peito em borbotões joviais
Este sangue de luz que a madrugada entorna!
Poetas, que somos nós? Ferreiros d'arsenais;
E bater, é bater com alma na bigorna
As estrofes de bronze, as lanças e os punhais.

Acendei a fornalha enorme — a Inspiração.
Dai-lhe lenha — A Verdade, a Justiça, o Direito —
E harmonia e pureza, e febre, e indignação;
E p'ra que a labareda irrompa, abri o peito
E atirai ao braseiro, ardendo, o coração!

Há-de-nos devorar, talvez, o incêndio; embora!
O poeta é como o Sol: o fogo que ele encerra
É quem espalha a luz nessa amplidão sonora...
Queimemo-nos a nós, iluminando a Terra!
Somos lava, e a lava é quem produz a aurora!

Guerra Junqueiro em Poesias Dispersas.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Entrepoemas

«Entrepoemas é um estado afectivo.
Uma sobreimpressão de imagens, lembranças e pensamentos.
Talvez seja apenas um lugar do devir.
Uma espécie de tela onde figuram os luxos da alma.
Um dia chamar-lhe-ei amoris causa.
»
J. Alberto de Oliveira na apresentação de Entrepoemas

Muitos conhecerão, certamente, J. Alberto de Oliveira como padre franciscano, ou enquanto a alma responsável pelo curiosíssimo Almanaque de Santo António que, à maneira dos velhos almanaques do século XIX e da primeira metade do século XX, continua hoje a informar-nos dos usos e costumes agrícolas, das marés, da passagem das estações, narrando-nos histórias, desafiando-nos para charadas, ou contanto anedotas de sabor popular. Porém, a sua sensibilidade poética e o amor pela Língua Portuguesa são qualidades que vêm de igual modo ao de cima quando com ele conseguimos travar amizade, descobrindo-o com mais cuidado em todo o seu perfil e ser.
Autor de uma vasta obra literária e poética, J. Alberto de Oliveira tem agora em mãos o seu último livro de poesia, intitulado Entrepoemas, publicado pelas Edições Afrontamento. A sessão de lançamento deste livro terá lugar no próximo dia 23 de Outubro, pelas 21:30, no auditório da FNAC do MAR Shopping, em Leça da Palmeira. A apresentação da obra ficará ao cargo de Maria Bochichio, Professora da Universidade de Coimbra e da Universidade de Genebra. Como não poderia deixar de ser, esta sessão terminará com a leitura de alguns poemas.
A entrada é livre.

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sábado, 11 de outubro de 2014

Longa vai a espera!

Pedro Homem de Mello (1904 -1984).

Canção à Ausente

Para te amar ensaiei os meus lábios...
Deixei de pronunciar palavras duras.
Para te amar ensaiei os meus lábios!

Para tocar-te ensaiei os meus dedos...
Banhei-os na água límpida das fontes.
Para tocar-te ensaiei os meus dedos!

Para te ouvir ensaiei meus ouvidos!
Pus-me a escutar as vozes do silêncio...
Para te ouvir ensaiei meus ouvidos!

E a vida foi passando, foi passando...
E, à força de esperar a tua vinda,
De cada braço fiz mudo cipreste.

A vida foi passando, foi passando...
E nunca mais vieste!

Pedro Homem de Mello em Segredo.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Entrevista com Gerhard Hallstatt no seu regresso a Portugal

Em vésperas do seu regresso a Portugal, onde irá participar na edição de 2014 do Festival Entremuralhas, Gerhard Hallstatt, mentor do projecto musical Allerseelen, concedeu uma interessante entrevista ao semanário O Diabo. Entre as memórias das suas viagens por Portugal e das amizades que aqui foi construindo, o austríaco - músico, escritor e aventureiro -, revelou a sua afinidade pela cultura portuguesa, situando-a na sua conhecida mundividência europeia.
Vale a pena ler esta entrevista e assistir ao concerto de Allerseelen que terá lugar já no próximo dia 30 de Agosto, no Castelo de Leiria. Não percam!

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quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Do Novo Des-Cobrimento

Do Novo Des-Cobrimento é um poema de José Valle de Figueiredo publicado durante o corrente ano na revista Mama Sume, pertencente à Associação de Comandos. Ilustrado por Vítor Luís, este trabalho poético integra-se no espírito patriótico e místico-nacionalista que constitui grande parte da obra do poeta portuense.
A arqueologia do sagrado e do ethos cultural do Povo Português é, através destes versos, um canal para o futuro. Importa despertar e enfrentar afoitamente o caminho das Novas Índias! 

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quarta-feira, 14 de maio de 2014

José Campos e Sousa: O regresso do trovador!

«Meu caro Rodrigo,
É mesmo verdade!
Tu, melhor do que ninguém, sabes que passaram dez anos, Não é muito tempo, principalmente para um poeta imortal como tu, que vive agora noutra dimensão.
»
José Campos e Sousa na nota introdutória ao seu disco
José Campos e Sousa canta Rodrigo Emílio.

Capa do mais recente álbum de José Campos e Sousa.

O presente ano de 2014 remete, qualquer bom português, para uma dupla homenagem a Rodrigo Emílio. Desde logo pela comemoração dos 70 anos do seu nascimento, mas também pela passagem da primeira década sobre a data da sua exaltação. José Campos e Sousa, reconhecido músico e compositor português foi sempre, para além de amigo e camarada, um profundo admirador da obra poética de Rodrigo Emílio. O seu génio e profundo talento musicais revelaram-se por isso um importante contributo para o imortalizar e ecoar do épico legado do nosso poeta soldado.
O disco José Campos e Sousa canta Rodrigo Emílio, recém-editado pela Companhia Nacional de Música, traz-nos de volta o melhor timbre do nosso último trovador que, desta feita, revisita velhos versos do nosso poeta, já anteriormente gravados, assim como outros poemas que agora se apresentam pela primeira vez musicados. Álbum intimista, dispondo apenas de guitarra e voz, constitui uma viagem aos diversos sóis, em torno dos quais gravitava o universo poético de Rodrigo Emílio. Este trabalho surge desta forma dividido em seis partes distintas: Deus, Pátria, Rei, Amor, Fado, Fim. Acompanhado por um trabalho gráfico de grande beleza estética, este disco sintetiza a comunhão perfeita entre a poesia e a música.
Em Portugal, conhecida “Pátria de poetas” na qual «Camões morreu de fome e onde todos enchem a barriga de Camões», impõe-se o regresso ao cultuar dos poetas autênticos enquanto homens colectivos. Desiderato esse que José Campos e Sousa cumpre, uma vez mais, de forma exemplar, dando de igual modo a conhecer Portugal aos portugueses, reconciliando-os com a sua cultura e tradição.
Este álbum encontra-se disponível para venda na loja da Companhia Nacional de Música (Rua Nova do Almada, n.º 62 – Lisboa), ou através do contacto directo com José Campos e Sousa via correio-electrónico (largodocarmo@gmail.com). Uma edição a não perder!

Combate, poema de Rodrigo Emílio musicado por José Campos e Sousa.

domingo, 27 de abril de 2014

Vasco Graça Moura (1942-2014)

«não és mais do que as outras, mas és nossa,
e crescemos em ti. nem se imagina
que alguma vez uma outra língua possa
pôr-te incolor, ou inodora, insossa,
ser remédio brutal, mera aspirina,
ou tirar-nos de vez de alguma fossa,
ou dar-nos vida nova e repentina.
mas é o teu país que te destroça,
o teu próprio país quer-te esquecer
e a sua condição te contamina
e no seu dia-a-dia te assassina.»

Excerto do poema Lamento para a língua portuguesa de Vasco Graça Moura.


Por certo, Vasco Graça Moura fará a sua ascensão aos céus na companhia do Anjo de Portugal! Merece-o por todo o amor e dedicação consagrados à Pátria.
A nós, portugueses e europeus, resta-nos agradecer o trabalho que nos legou, bem como o esforço e dedicação que empregou na preservação do nosso património cultural e civilizacional. Honremos a sua memória e saibamos prosseguir vitoriosamente as suas lutas, em particular, aquela que nos move em prol da defesa e preservação da Língua Portuguesa!

sexta-feira, 28 de março de 2014

António José de Brito e Rodrigo Emílio, uma evocação conjunta

O semanário O Diabo publicou no passado dia 25 de Março um artigo de Bruno Oliveira Santos, homenageando António José de Brito e Rodrigo Emílio. Esta evocação conjunta surge numa altura em que se cumprem, aproximadamente, seis meses sobre o desaparecimento do filósofo e uma década sobre a morte do poeta, falecido a 28 de Março de 2004. Deste modo, aproveitando-se a efeméride que marca o dia de hoje, partilhamos esse mesmo texto, numa clara demonstração de saudade perante estas duas figuras ímpares da cultura portuguesa. 

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terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Rodrigo Emílio no 70.º aniversário do seu nascimento

O nosso poeta-soldado, faria hoje 70 anos! Nada melhor do que uma página de internet inteiramente renovada para lembrar esta efeméride, celebrando o génio e a glória do nosso bardo. Para a visitar basta entrar no mesmo domínio de sempre: www.rodrigoemilio.com.


De entre todos os motivos
porque sulco os loucos trilhos
de extermínio
em que me abismo,

sobressaem, sempre vivos:

os meus livros,
os meus filhos
e o fascínio
do fascismo.

Rodrigo Emílio em Poemas de Braço ao Alto.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Concerto comemorativo do 10 de Junho

«Eis aqui (...) o Reino Lusitano, onde a terra se acaba e o Mar começa; (...) Esta é a ditosa pátria minha amada...»
Luís Vaz de Camões em Os Lusíadas

(Clicar na imagem para ampliar.)

10 de Junho, dia sagrado no qual se celebra a Pátria, o Amor incondicional que lhe devemos e a graça que recebemos por a ela pertencermos. Um dia no qual lembrámos os nossos antepassados que, lado a lado com os nossos maiores, trabalharam e lutaram arduamente, vertendo o sangue, o suor e as lágrimas que fertilizaram esta nossa terra, dando origem a toda uma gloriosa e imortal gesta.    
Evocando honrosamente toda a nossa tradição, o jovem músico e musicólogo Filipe Cerqueira apresentar-se-á para um concerto de piano solo inteiramente dedicado a Portugal e à Cultura Lusíada. Esta invocação ritual será em honra do grande génio da Língua Portuguesa, Luís Vaz de Camões, do Dia Nacional de Portugal, dos heróis combatentes que por nós verteram apaixonadamente o seu sangue e pelas comunidades além-fronteiras desta Nação do V Império. O recital visa também promover a divulgação da poesia portuguesa, integrando-se no projecto de divulgação da obra para piano solo do compositor Joaquim Gonçalves dos Santos.
O concerto terá lugar no próximo dia 9 de Junho, véspera do Dia de Portugal, pelas 21:30, realizando-se  na sala Teresa de Macedo da ESMAE (Escola Superior de Música, Artes e Espectáculo), no Porto. O programa contemplará vários exemplos musicais para tecla oriundos de diversas épocas estilísticas da História da Música Portuguesa. 
A entrada é livre e aberta a todos os membros da comunidade interessados em se associar a esta celebração.

sábado, 1 de junho de 2013

Porque o melhor do mundo são as crianças...

Retrato de Fernando Pessoa em criança.

Liberdade

Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
Sol doira
Sem literatura
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como o tempo não tem pressa...

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto é melhor, quanto há bruma,
Esperar por D.Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,

Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

Mais que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...

Fernando Pessoa em Cancioneiro.

Liberdade de Fernando Pessoa, dito por João Villaret.

sexta-feira, 29 de março de 2013

À Paixão de Jesus Cristo

Enterro de Cristo, pintura portuguesa do séc. XVI da autoria de
Gregório Lopes.

O filho do grão rei, que a monarquia
tem lá nos céus e que de si procede,
hoje mudo e submisso à fúria cede
de um povo, que foi seu, que à morte o guia.

De trevas, de pavor se veste o dia,
inchado o mar o seu limite excede,
convulsa a terra por mil bocas pede
vingança de tão nova tirania.

Sacrílegio mortal, que espanto ordenas,
que ignoto horror, que lúgubre aparato!...
Tu julgas teu juiz!... Teu Deus condenas!

Ah! Castigai, Senhor, o mundo ingrato;
caiam-lhe as maldições, chovam-lhe as penas,
também eu morra, que também vos mato.

Barbosa du Bocage.

quarta-feira, 20 de março de 2013

Filosofia e Culturas de Língua Portuguesa II

«Portugal é, nos seus trabalhos, antes de mais nada, a língua portuguesa e seus valores; a pátria para Agostinho, como para Fernando Pessoa, é a língua portuguesa. (...)
É através da língua que Portugal constrói o reino; o reino do Espírito, que sopra através da palavra...»
Constança Marcondes César em O Grupo de S. Paulo.

(Clicar na imagem para ampliar.)

No seguimento das actividades encetadas no passado dia 20 de Fevereiro, o Grupo de Investigação Raízes e Horizontes da Filosofia e da Cultura em Portugal do Instituto de Filosofia da FLUP (Faculdade de Letras da Universidade do Porto) promove já amanhã, pelas 17:30, nas instalações da faculdade, a segunda sessão do Seminário Permanente dedicado à Filosofia e Culturas de Língua Portuguesa.
Este novo encontro contará com as intervenções de Maria Celeste Natário - Entre Portugal e Cabo-Verde: Pensamento, Poesia e Insularidade - e da Professora brasileira Constança Marcondes César - Entre Brasil e Portugal: Aportações Filosófico-Poéticas.
A entrada é livre e aberta a toda a comunidade.

sábado, 16 de março de 2013

O Desejado, Cavaleiro do Sonho e do Desejo

Afonso Lopes Vieira fitando o Atlântico.

O Desejado

Cavaleiro do Sonho e do Desejo,
guarda no santo Graal,
com a nossa Saudade e o nosso Beijo,
- o sangue de Portugal.

Sonho de além e de glória,
há tanto, há tanto
o sonha um Povo inteiro!
Maravilha e encanto
da nossa história:
- oh Manhã de Nevoeiro...

Oh manhã misteriosa
que alvoreces em nós teu rompante claror,
teu messiânico alvor,
manhã de além, alva saudosa,
- tu és nossa força que não passa,
teu sonho em nós revive ao longe e ao perto,
manhã sem dia, oh manhã de Graça,
em que há de vir o Encoberto...

Místico Paladino iluminado,
que ao areal arrastou nossa alma em flor
e jogou a sorrir nosso destino e sorte,
ele era vivo antes de Desejado,
ele era vivo em nosso sonho e amor,
- e nunca o levou a morte!

Ele é vivo e é eterno! Horas ansiadas
em que o sinto, no meu sangue, em mim...
Ele vive nas Ilhas Encantadas
da nossa alma sem fim...

E, oh maravilha!
em toda a hora do perigo e do temor,
o Encoberto volta da sua Ilha,
e salva-nos, e salva-nos, Senhor!...

E a Esperança imortal,
surda palpita na manhã rompente!
Cerra-se a névoa alucinadamente,
Portugal boia no nevoeiro...

E o Cavaleiro
do Sonho e do Desejo
guarda no Santo Graal,
com a nossa Saudade e o nosso Beijo,
- o sangue de Portugal.

Afonso Lopes Vieira em Ilhas de Bruma.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Recordando Rodrigo Emílio

Cripta: in nomine Filii

Pai-Menino que estás na terra,
exumado seja o teu nome, seja feita a tua guerra,
satisfeita a tua fome,
e não ligues às ofensas
sem nome que tens sofrido, 
porque eu, por mim, não perdoo
a quem te tem ofendido.

Rodrigo Emílio.

Rodrigo Emílio (1944 - 2004).

Perfazem-se hoje exactamente três anos sobre o concerto de José Campos e Sousa em homenagem ao nosso poeta-soldado Rodrigo Emílio, levado a cabo na sede da Sociedade Histórica para a Independência de Portugal. Combatente pela Pátria em todas as frentes, Rodrigo legou-nos essencialmente duas coisas: o exemplo e a sua obra poética. Propositadamente esquecido e negligenciado pelas esferas de influência da cultura nacional pós-25 de Abril, conserva-se na memória e nos corações de todos aqueles que, alheios ao medo e aos interesses pessoais, insistem antes de tudo em amar Portugal.
José Campos e Sousa, amigo e camarada do nosso Rodrigo, ciente da justiça das várias homenagens que lhe têm vindo a ser prestadas nos últimos tempos, não só se prontificou de imediato a participar nas mesmas, partilhando os seus testemunhos, como musicou também alguns dos seus poemas, dando origem ao álbum Rodrigamente Cantando.   
Este concerto cuja memória hoje evocamos e partilhamos sob a forma de vídeo foi antecedido pela apresentação de uma antologia poética de Rodrigo Emílio, lançada pela editora Areias do Tempo, contando com a organização  de Bruno Oliveira Santos e um prefácio da autoria do saudoso António Manuel Couto Viana. Uma obra absolutamente incontornável que consegue ser, simultaneamente, um excelente ponto de partida para todos os que ainda não se iniciaram na obra de Rodrigo Emílio. Há leituras que, apesar de fundamentais, nunca chegam demasiado tarde.   

José Campos e Sousa ao vivo na Sociedade Histórica para a
Independência de Portugal a 20 de Fevereiro de 2010.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Identidade

A. M. Couto Viana (24/01/1923 - 08/06/2010).

Identidade

O que diz Pátria mas não diz glória
Com um silêncio de cobardia,
E ardendo em chamas, chamou vitória,
Ao medo e à morte daquele dia

A esse eu quero negar-lhe a mão,
Negar-lhe o sangue da minha voz,
Que foi ferida pela traição
E teve o nome de todos nós

O que diz Pátria sem ter vergonha
E faz a guerra pela verdade
Que ama o futuro, constrói e sonha
Pão e poesia para a cidade

A esse eu quero chamar irmão
Sentir-lhe o ombro junto do meu
Ir a caminho de um coração
Que foi de todos e se perdeu

António Manuel Couto Viana


Interpretação de José Campos e Sousa do poema Identidade da autoria de Couto Viana.  

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Homenagem a Couto Viana

Passados aproximadamente três anos sobre a morte de Couto Viana, a Câmara Municipal de Viana do Castelo, cidade de onde era natural, prestará uma justa homenagem a um dos principais homens de cultura do nosso século XX. Comemorando-se o nonagésimo aniversário do nascimento do poeta, será organizado um encontro poético-musical, assim como uma exposição dedicada à sua vida e obra.
A ligação de Couto Viana às artes e à cultura é hoje unanimemente reconhecida, tal como a sua importância e influência para as sucessivas gerações de portugueses que, com ele, despertaram para a magia da lírica, teatro e literatura. Influenciado pelas estéticas de vanguarda, procurou sempre romper com um certo marasmo que caracterizava grande parte da cena cultural do Portugal do século transacto. Conhecidas as suas simpatias políticas, chegando a fazer parte do conselho de redacção da revista “Tempo Presente” entre 1959 e 1961, nunca deixou que estas se impusessem sobre as suas amizades, ou ao seu amor pela cultura e criação artística. Amigo de David Mourão-Ferreira, iniciou-se com este, no ano de 1946, nas actividades do Teatro Estúdio do Salitre, em Lisboa. Fez parte da direcção do Teatro da Mocidade e esteve igualmente à frente do Teatro do Gerifalto e da Companhia Nacional de Teatro. No seu percurso conta-se ainda a importante passagem pela célebre Oficina de Teatro da Universidade de Coimbra, onde foi orientador artístico, sendo posteriormente substituído por Goulart Nogueira devido a outros compromissos profissionais, bem como pelo Teatro Nacional de São Carlos, Círculo Portuense de Ópera e a Companhia Portuguesa de Ópera.
Autor de uma vasta bibliografia dedicada à poesia, prosa e a ensaio dirigiu, entre as décadas de 1950 e 1960, várias publicações literárias e culturais, destacando-se os cadernos de poesia “Graal” e a revista “Távola Redonda”.
Falecido a 8 de Junho de 2010, a Câmara Municipal de Viana de Castelo resolveu agora homenagear Couto Viana através da organização de uma exposição retrospectiva da sua vida e obra, colocando a principal ênfase no seu contributo para o teatro e a poesia. Duas áreas que lhe eram bastante queridas e nas quais muito se destacou, tornando-se numa das principais referências dentro do contexto cultural português contemporâneo. A inauguração desta mostra terá lugar no próximo Sábado, dia 26 de Janeiro, pelas 15h, nos antigos Paços do Concelho.
Paralelamente a este acto, teremos na Quinta-Feira, 24 de Janeiro, dia em que o homenageado completaria o seu nonagésimo aniversário, um encontro que visa comemorar esta efeméride. Este evento realizar-se-á pelas 21h30, na sala Couto Viana da Biblioteca Municipal de Viana do Castelo, contando com as presenças de Eduíno de Jesus, que apresentará uma comunicação intitulada "António Manuel Couto Viana – Na Poesia e no Teatro"; José Campos e Sousa que musicará "Trovas à Mesa do Alto-Minho” e outras poesias de Couto Viana ditas por António Tinoco de Almeida; e ainda Manuel Sobral Torres que também irá musicar e dizer alguns dos poemas do poeta-dramaturgo.
Ambos os eventos são de entrada livre, estando abertos a toda a comunidade.

(Clicar na imagem para ampliar.)

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Tempo de Advento

Alguém tocou à porta. Esperança nova em duas vidas repleta.
Mil crianças nascendo e já leoas em Teu louvor cantando.
Que queres que por nós se faça, Pai nosso desconhecido?
Águas de cima e águas de baixo agora já separadas,
o caos dominado e o mensageiro chegado.
Azul e branco, na cestinha suspensa de sua boca,
tesouros falantes trazendo: sementes douradas
de novo mundo a serem espalhadas
E o que nunca enviou foram cartas amargas ofertadas,
de mundo ido, passado: de territorialidade, sim.
E o verdilhão português canto novo cantou.
Principiará ele a compreender o enorme grau de grandeza
da morte e da renascença portuguesa?
Animadoras esperanças no seu canto havia.

Tua última vontade é uma palavra ansiosa de véus encoberta.
 Dalila L. Pereira da Costa em Portugal Renascido.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Colóquio internacional sobre Fernando Pessoa terá transmissão online

O colóquio internacional Fernando Pessoa en Barcelona, dos próximos dias 8 e 9 de Outubro, será transmitido em directo através do serviço Ustream. Todos os interessados em assistir às comunicações que compõe os vários painéis deste encontro e que não tiverem oportunidade de deslocar-se a Barcelona, poderão desta forma acompanhar as sessões de trabalho!


O canal de Ustream Pessoa BCN en directo transmitirá online todas as sessões
do colóquio Fernando Pessoa en Barcelona.

sábado, 15 de setembro de 2012

Fernando Pessoa em Barcelona: Programa final do Colóquio

Conforme foi anteriormente anunciado neste espaço, a capital da Catalunha irá receber, nos próximos dias 8 e 9 de Outubro, o colóquio internacional Fernando Pessoa en Barcelona, dedicado ao autor e pensador português. Assim, aproveitamos hoje para divulgar o programa final deste evento que se adivinha bastante produtivo no que concerne ao desenvolvimento e divulgação dos estudos pessoanos. 
Relembramos que participação neste encontro é livre e aberta a todos os interessados!

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8 de Outubro
 Faculdade de Filologia da Universidade de Barcelona - Sala de Professores

09:30 - Recepção aos participantes. 
10:00 - Discursos de boas-vindas e cerimónia de abertura.

Sessão 1: Pessoa en la actualidad (Modera Elena Losada) 
10:30 - Perfecto Cuadrado & Jordi Cerdà & Jerónimo Pizarro - La actualidad de Pessoa.

Sessão 2: Pessoa en España, Desasosiego y Fausto (Modera Isabel Soler)
12:30 - María Rosell - Pessoa en su tradición hispánica: los otros heterónimos. 
12:45 - Diego Giménez - Edición y deconstrucción en el Livro del desassosssego. 
13:00 - Gisele Batista Candido - O desdobrar do mistério e o pensar fundo em Fausto - Tragédia Subjetiva. 
13:15 - Debate.

Sessão 3: Pessoa y Oriente (Modera Diego Giménez) 
16:00 - Duarte Braga - Álvaro de Campos chega a Calecute: Opiário e o Sensacionismo. 
16:15 - Fabrizio Boscaglia - Notas sobre a presença arábico-islâmica em Fernando Pessoa. 
16:30 - Rui Lopo - Presenças do budismo na obra em prosa de Fernando Pessoa.
16:45 - Debate.

Sessão 4: Epopeya, Mito, Hermetismo y Libertad en Pessoa (Modera Jordi Cerdà) 
17:30 - Silvia Annavini - “Mensagens Marítimas”: Epic Intertextuality and Intratextuality in Mensagem and Álvaro de Campos’s Odes. 
17:45 - Giancarlo de Aguiar - A Literatura Pessoana e os Arquétipos do Inconsciente Coletivo no Rito e Mito Messiânico.
18:00 - José Almeida - Fernando Pessoa e o «Círculo Hermético». 
18:15 - Antonio Cardiello - Não o prazer, não a glória, não o poder: a liberdade, unicamente a liberdade.
18:30 - Debate.

9 de Outubro
Faculdade de Filosofia da Universidade de Barcelona - Aula Magna

10:00 - Discursos de boas-vindas à Faculdade de Filosofia. 

Sessão 6: Pessoa y la fenomenología y Heidegger (Modera Paulo Borges & Pablo Javier Pérez López) 
10:30 - Anibal Frias - «Meu corpo deitado na realidade»: Pessoa e a fenomenologia.
10:50 - Dirk-Michael Hennrich - Eu e Si mesmo; Deus e Ser. Algumas considerações sobre Heidegger e Pessoa.
11:10 - Debate.

Sessão 7: Pessoa lector (Modera Paulo Borges & Pablo Javier Pérez López) 
12:00 - Pauly Ellen Bothe - El Parnaso de Fernando Pessoa.
12:20 - Maria do Céu Estibeira - A «marginalia» pessoana – «um segundo espólio»?
12:40 - Daniel Moreira Duarte - ¿Pessoa lector de Nietzsche? 
13:00 - Jorge Uribe - La importancia de leer Wilde.
13:20 - Debate.

Sessão 8: Ser o no ser Pessoa (Modera Daniel Moreira Duarte) 
16:00 - Paulo Borges - «O mytho é o nada que é tudo». O poema «Ulysses» na «Mensagem» de Fernando Pessoa.
16:20 - Pablo Javier Pérez López - Fernando Pessoa, Emil Cioran y Carlo Michaelstedter: no haber nacido, no ser, ser nada.
16:40 - Bruno Béu de Carvalho - «More than this»: o discurso tautológico como procedimento apofático na poesia de Alberto Caeiro.
17:00 - Debate.

Sessão 9: Fragmentos y personas de Pessoa (Modera Pablo Javier Pérez López) 
18:00 - Raquel Nobre Guerra - A fragmentariedade como programa estético, modalidades e nexos – aproximações.
18:20 - Miguel Morey - F. Pessoa: Voces, nombres, personas…
18:40 - Debate.

Sessão 10: Cultura Entre Culturas y O Piano em Pessoa (Modera Daniel Moreira Duarte & Pablo Javier Pérez López) 
19:30 - Apresentação da revista Cultura Entre Culturas a cargo de Paulo Borges.
19:50 - Saudação a Álvaro de Campos, anónimo, recitado por Bruno Béu de Carvalho
20:00 - Encerramento do colóquio com a apresentação do recital O Piano em Pessoa.