Mostrar mensagens com a etiqueta Ilustração. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Ilustração. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Costumes portugueses segundo João Palhares (1.ª parte)

A Biblioteca Nacional de Portugal (BNP) reúne no seu espólio uma série de interessantes gravuras da autoria do artista português João Palhares, representando trajes, costumes, hábitos e profissões do Portugal novecentista. Trata-se de mais um valioso contributo histórico e etnográfico que nos permite ficar a conhecer um pouco mais acerca da constituição da sociedade portuguesa no século XIX, bem como a sua respectiva evolução. 
A série de 9 gravuras que aqui apresentamos constitui apenas uma pequena parte desse fundo João Palhares. Optando-se por mostrar primeiro algumas das gravuras originais existentes no espólio da BNP, serão posteriormente publicadas neste espaço outros conjuntos de ilustrações do mesmo autor, conseguidas através da mesma fonte, mas por via de reproduções mais tardias, já do século XX. 

Adéla em Lisboa.

Galinheira no Porto.

Romeiros do Senhor de Matosinhos.

Mulher e homem ovarenses.

Policia civil e guarda nocturno lisboetas.

Vendedor de cestos e condeças, em Lisboa.

Peditório para a festa do Espírito Santo, em Lisboa.

Almocreve.

Vaqueiro.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Trova dor (lembrando Couto Viana no aniversário do seu nascimento)

Couto Viana (24 de Janeiro de 1923 - 8 de Junho de 2010)
conforme uma ilustração de Afonso Cruz.

Trova dor

Ciência inútil e cega!
Os homens chegam à lua,
Mas a minha mão não chega
À tua!

Ai, se as duas se encontrassem,
Como manda o coração,
Talvez os homens voassem
Neste chão.

Ciência, que mais importa:
A poeira poluída
Da lua morta,
Ou nossas mãos que são vida?

António Manuel Couto Viana em Pátria Exausta.

sábado, 4 de junho de 2011

Um olhar sobre os trajes da mulher portuguesa (2ª parte)

Conforme o prometido, publicamos a segunda e última parte deste olhar sobre o traje da mulher portuguesa, feito através do trabalho da nossa grande ilustradora Laura Costa. Relembramos que estas ilustrações provêm de uma colecção de postais publicados com o patrocínio da Oliva, antiga marca portuguesa de máquinas de costura, que os distribuiu pelos seus clientes.
Mostramos mais sete postais que procuram retratar a diversidade do traje feminino nos territórios de Portugal e do Império Português, à luz dos padrões interpretativos e etnográficos do gosto estado novista. Uma verdadeira obra de arte que aqui damos a conhecer e convidamos a partilhar.

Madeira.

Minho.

Ribatejo.

Douro Litoral.

Estremadura.

Índia.

Macau.

domingo, 22 de maio de 2011

O Pauzinho do Matrimónio

«Há quatro maneiras principais de foder, e vêm a ser: a foda a direito, ou a natural; a foda de lado; a foda por cima e a foda por detrás. Seja qual for a forma, a primeira condição para foder é da parte do homem ter tesão, da parte da mulher, o ser mulher, isto é, ter cono.»
Excerto de um texto anónimo do almanaque O Pauzinho do Matrimónio.

Capa da mais recente reedição do almanaque anónimo
O Pauzinho do Matrimónio.

Apesar do conhecido gosto que os autores portugueses sempre nutriram pelo humor, sátira, libertinagem e um certo erotismo de sabor porno-popular a roçar a boçalidade, nem sempre lhes foi possível desenvolverem livremente o seu exercício criativo. A questão dos costumes sempre foi bastante ambígua na sociedade portuguesa, não se podendo falar de uma crescente conquista na liberdade de criação longe dos olhares condenadores da censura, mas antes de diferentes períodos históricos caracterizados por mais ou menos abertura, tanto por parte da sociedade, como de instituições reguladoras e zeladores desses ditos costumes. Basta pensarmos em Gil Vicente ou no próprio Luís Vaz de Camões que, certamente, terão tido mais facilidade em abordar determinadas temáticas do que, por exemplo, Bocage, alguns séculos mais tarde.
Durante o séc. XIX persistiu-se numa tentativa de moralização institucional da sociedade, o que nem por isso desenfreou o imputo libertino dos nossos maiores. Verdade seja dita, o sexo sempre agradou aos portugueses. Atrever-nos-íamos mesmo a dizer que este quase nos agrada tanto como o próprio escândalo sexual, sendo a figura do "corno" altamente inspiradora, revelando-se um ingrediente obrigatório da nossa tão famigerada piada brejeira. Não obstante esta realidade transversal ao gosto das classes mais altas, assim como das mais baixas, grande parte dos autores preferiam por razões óbvias manter o seu anonimato, nascendo deste modo, na penumbra da semi-clandestinidade, obras como O Pauzinho do Matrimónio - Almanaque Perpétuo.
Esta obra surgiu no Portugal do séc. XIX, durante um período de crise em que o riso era uma importante arma para escapar à depressão em que a nossa sociedade se encontrava mergulhada. Como qualquer outro almanaque daquela época, O Pauzinho do Matrimónio incluía calendário, adágios, adivinhas, canções, contos, pequenos textos costumeiros e pseudocientíficos, distinguindo-se apenas das restantes publicações do género pela perenidade das matérias que versava. Com uma linguagem altamente crua e obscena, Rafael Bordalo Pinheiro associou-se anonimamente à sua publicação ilustrando, ao seu melhor estilo, esses brilhantes textos de vários autores incógnitos. O sucesso desta publicação foi grande, trazendo à tona a boa moralidade popular. Toda a gente criticava, mas toda a gente a lia e conhecia.
Este curioso almanaque foi recentemente reeditado pelas Edições Tinta-da-China, recuperando-se a memória desta importante obra do nosso séc. XIX, importantíssima para conhecermos um pouco melhor os caminhos traçados pela cultura popular e pelo humor português. De forma a deixarmos um pequeno cheirinho sobre o que encontrar e esperar de O Pauzinho do Matrimónio, resolvemos deixar algumas das suas ilustrações, criadas pelo grande Rafael Bordalo Pinheiro.

Ilustração de Rafael Bordalo Pinheiro referente à
capa da primeira edição do célebre almanaque 
O Pauzinho do Matrimónio.

Ilustração de Rafael Bordalo Pinheiro fazendo alusão
a um curioso rifão popular.

Ilustração caricatural da autoria de Rafael Bordalo Pinheiro.

Outra ilustração de uma das muitas pequenas histórias incluídas no
derradeiro almanaque.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Um olhar sobre os trajes da mulher portuguesa (1ª parte)

Em tempos a Oliva, reconhecida marca portuguesa de máquinas de costura, patrocinou uma série coleccionável de postais referentes aos diferentes trajes existentes em Portugal e no Império Português. Com ilustrações da autoria de Laura Costa, estes cartões seguiram de perto uma padronização estética, etnográfica e folclórica nascida da Campanha de Bom Gosto de António Ferro, durante o período do Estado Novo. Não obstante esta reinvenção da identidade e das tradições, brilhantemente pensada e levada a cabo por António Ferro, não deixa de ser curiosa a forma como esta perspectiva sobre o nosso património cultural e etnográfico foi assimilada como parte integrante do ethos português.
Por razões de espaço optámos por partilhar apenas oito desses postais, publicando-se posteriormente os restantes sete que integram esta interessante colecção que aqui aproveitamos para dar a conhecer.

Algarve.

Alto Alentejo.

Baixo Alentejo.

Beira Alta.

Beira Baixa.

Beira Litoral.

Açores.

 África.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

'HEX', ilustrações de André Coelho

«Que susto se de repente alguém a sério encontrasse
que certo se esse alguém fosse um adolescente
como se é uma nuvem um atelier um astro.
»
Mário Cesariny, em Pena Capital.


Estará patente entre 9 de Abril e 9 de Junho, no Estúdio JS, em Nisa, uma exposição de ilustrações do poliartista André Coelho. Natural de Vila Nova de Gaia, há muito que este jovem criador português tem vindo a deixar uma marca no seio da cultura off-off nacional. Da música à ilustração, passando pelo design e promoção ou divulgação cultural não conforme, tem conseguido destacar-se em todas as áreas de expressão artística, não impedindo porém que, por vezes, a receptividade de parte do seu trabalho seja maior no estrangeiro do que entre nós, nomeadamente ao nível da produção musical.
'HEX' fará uma breve retrospectiva do seu trabalho mais recente enquanto ilustrador, estando a inauguração agendada para as 17h do próximo Sábado, dia 9 de Abril.
Para conhecer um pouco mais os trabalhos de André Coelho, convidamos a visitar o seu blog em  http://homemdopacote.wordpress.com.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Para quê o halloween quando temos as janeiras?

Gravura alusiva às janeiras (autor desconhecido).

É já antiquíssima a tradição das janeiras ou de cantar as janeiras. Na região norte de Portugal, estes cantares, dependendo das localidades, começam a ouvir-se na noite de Natal, prolongando-se até à festa de Reis, numa espécie de Acção de Graças profana pelo nascimento do Menino Jesus. 
Pelas ruas desfilam os grupos, conhecidos por janeireiros, munidos de ferrinhos, molhos de chaves, pandeiros, tambores, gaitas-de-foles, acordeões, violas, guitarras e outros instrumentos, entoando cânticos tradicionais, dedicando serenatas de porta em porta, esperando uma pequena contribuição para os foliões, seja em dinheiro ou em géneros, em especial os vinhos e enchidos e outras iguarias, como o presunto fumado. Nos caso de se depararem com famílias mais avaras, que nem as suas portas abrem, os janeireiros, gozando de uma completa impunidade, um pouco à semelhança dos caretos, levam a cabo uma pequena vingança, dedicando aos da casa pregões menos simpáticos e claramente pouco cristãos. Aqui vos deixamos um como exemplo:
Esta casa cheira a unto.
Aqui mora algum defunto

Esta casa cheira a breu.
Aqui mora algum judeu.

Esta casa é tão alta,
Forrada de papelão.
O senhor que n'ella mora
É um grande velhacão.

Esta casa é tão alta,
Forrada de panno crú.
O senhor que n'ella móra
Tem um buraco no...
 Recolha de Alberto Pimentel, publicada em As Alegres Canções do Norte.

Deste modo, sugerimos que, apesar da crise em que mergulhamos nesta véspera de Reis, caso alguém vos bata à porta para cantar as janeiras, não lhes neguem, pelo menos, um copo de vinho e o aconchego da lareira.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Jorge Barradas - representações populares

O site da Biblioteca Nacional de Portugal possibilita, ainda que de forma limitativa, a exploração de parte do valiosíssimo acervo daquela instituição, património de todos os portugueses que a ele deveriam poder aceder, pelo menos digitalmente, sem qualquer tipo de restrições ou reservas.
Foi numa das frequentes “pesquisas turísticas”, habitualmente realizadas naquela plataforma digital, que encontramos as seguintes gravuras do artista português Jorge Barradas. Nelas encontramos representadas algumas das mais típicas personagens da cidade de Lisboa, destacando-se o ardina, a leiteira, a vendedora, a varina, a lavadeira, o saloio e o marujo. Não deixa de ser curiosa a simbiose do traço modernista com a temática popular, tão a gosto do Secretariado de Propaganda Nacional de António Ferro. Estas gravuras datam de 1933 e inserem-se no designado "bom gosto" da época, muito apreciado nesta casa.

Ardina.

Leiteira com o casario popular ao fundo.

A varina entre o casario popular.

As lavadeiras.

Uma jovem leiteira com um marujo.

Saloios.

Retrato de uma varina.

Retrato de uma varina.

Vendedeira de fruta.

Vendedeiras saloias.