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domingo, 14 de julho de 2013

1789 e a guilhotina permanente

Sátira de Adolphe Willette denunciando a hipocrisia genocida
da Revolução Francesa.

14 de Julho de 1789 deu-se em Paris a simbólica tomada da Bastilha, iniciando-se a chamada Revolução Francesa. Um movimento jacobino e maçónico integrado nas Revoluções Atlânticas que já antes haveriam dado lugar à independência dos Estados Unidos da América.
Todos os anos inúmeros portugueses, conscientes ou inconscientes do que foi a Revolução Francesa, celebram efusivamente este acontecimento – um dos mais fatídicos da História da Europa. Iludidos através de uma propaganda manipuladora, transvestida pela máxima Liberdade, Igualdade e Fraternidade, ocultando o seu verdadeiro símbolo – a guilhotina –, desconhecem ou, pior ainda, perfilham a brutalidade destruidora, genocida e culturicida da Revolução Francesa.
A tentativa sistemática, quase diária, de destruição da matriz cultural europeia a que assistimos ao longo de toda a Idade Contemporânea começou de forma definitiva nesse dia com a tomada e destruição da Bastilha – que lembrámos, não era uma prisão política conforme nos contam na escola.
A Revolução Francesa insurge-se contra o primeiro elemento estruturante de uma Europa unida, após a queda do Império Romano – o Cristianismo. É importante repor-se a verdade quanto ao que foi de facto a Revolução Francesa, para depois nos debruçarmos sobre a sua influência no nosso trágico século XIX, marcado pelas sanguinárias e pestilentas invasões jacobinas que o português deformado tende a justificar e perdoar. Para além das quatro invasões de que fomos alvo durante a Guerra Peninsular, devemos lembrar ainda as suas pesadas consequências: as fratricidas guerras civis inspiradas pela corja jacobina que se sucederam; a perda do Brasil devido a interesses obscuros disputados pela maçonaria francesa e inglesa; a completa desagregação da sociedade e economia nacionais. Contudo, estes são outros episódios aos quais voltaremos num outro momento, porventura mais oportuno.
Concluindo a questão da Revolução Francesa, resta-nos apenas sugerir uma reflexão a partir das palavras do filósofo brasileiro Olavo de Carvalho:
«As religiões podem ter-se tornado violentas e opressivas ocasionalmente, mas a anti-religião é totalitária e assassina de nascença. Não é uma coincidência que a Revolução Francesa tenha matado dez vezes mais gente em um ano do que a Inquisição Espanhola em quatro séculos. O genocídio é o estado natural da modernidade ‘iluminada’.»

La Guillotine Permanente, a famosa música do período revolucionário
jacobino numa interpretação da luso-descendente Catherine Ribeiro.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

A Guerra Peninsular e a Literatura

A Junta de Freguesia de Ramalde, no Porto, em parceria com a Sociedade Histórica para a Independência de Portugal, apresentará entre os dias 8 e 12 de Julho uma interessante exposição intitulada A Guerra Peninsular e a Literatura. Integrando-se nas comemorações do bicentenário da Guerra Peninsular, também conhecia pela designação de Invasões Francesas, este evento é comissariado por um grande homem de cultura - José Valle de Figueiredo. Esta mostra será inaugurada no próximo dia 8 de Julho, pelas 18:00, no Salão Nobre daquela Junta de Freguesia.
A entrada é livre e aberta a toda a comunidade.  

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quinta-feira, 6 de junho de 2013

Debate no Porto acerca do "Mito do Progresso"

«A visão linear e uniforme do tempo do progresso não será já um resíduo da fé iluminista que definiu as grandes narrativas utópicas da Europa moderna? Não estaremos já em condições de compreender as consequências do projecto modernista com o triunfo do imperialismo ocidental, do capitalismo mundializado e da sua lógica sacrificial? Existirá afinal "progresso"?»
Excerto da introdução ao tema O Mito do Progresso

Fundação de São Paulo, obra do pintor brasileiro Antônio Parreiras (1913).

Afinal o que é o "progresso"? Existirá "progresso", ou não passará de uma mera conceptualização de um "novo mito" edificado pelo homem moderno? Insiste-se há muito em alguns velhos paradigmas que vão permitindo uma certa visão confortável, deturpada e maniqueísta da grande aventura humana. A ideia de uma ininterrupta evolução e constante progresso ético-humanístico do Homem encontra-se, desde há décadas, perfeitamente desajustada da realidade dos factos, comprovados empiricamente pelo mesmo positivismo que inicialmente legitimou a asneira reinante. Reproduzidas pelos sistemas de desinformação, estas ideias acabam por criar uma espécie de esquizofrenia colectiva, onde nem a própria noção de tempo permite dar azo a uma emancipação face ao preconceito que domina a sociedade contemporânea.
Sendo este um tema que importa discutir e debater, a antiga livraria Gato Vadio, agora convertida em Associação Cultural Saco de Gatos, organiza amanhã, dia 7 de Junho, pelas 22:00, mais uma sessão do seu Café Filosófico, subordinado ao tema O Mito do Progresso (Uncivilized Civilization). Moderado por Luís Carneiro, este debate é de acesso livre.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Cronologia da Monarquia Portuguesa

«A cronologia é uma das bases essenciais da História. Sendo esta a ciência que busca o conhecimento e a compreensão do Passado, a História constrói os modelos interpretativos sobre as dinâmicas do Tempo. Ontem, como hoje, é na sucessão dos acontecimentos que buscamos os factos que marcaram a vida dos indivíduos e das sociedades que estudamos. Identificamo-los, isolamo-los, e logo os relacionamos com outros, buscando semelhanças e originalidades que nos possibilitem distinguir continuidades e mudanças, compreender a vontade de personalidades ou os comportamentos colectivos.»
Excerto da introdução da obra Cronologia da Monarquia Portuguesa.
  
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Algumas das mais importantes obras da historiografia contemporânea portuguesa têm vindo a lume graças ao projecto editorial do Círculo de Leitores. Desde a História de Portugal organizada por José Mattoso, passando pela História da Expansão Portuguesa dirigida por Francisco Bethencourt e Kirti Chaudhuri, até às recentes biografias dos reis e rainhas de Portugal, devemos àquele grupo a publicação de dezenas de títulos dedicados à nossa História. A Cronologia da Monarquia Portuguesa é o mais recente desses volumes.
Articulando-se com as duas monumentais colecções subordinadas aos reis e rainhas de Portugal, responsáveis pelo impulsionar de um importante surto de estudos biográficos na historiografia nacional, esta cronologia promove uma dinâmica em torno da leitura e interpretação dessas recentes monografias. A Cronologia da Monarquia Portuguesa, da autoria de Artur Teodoro de Matos, João Paulo Oliveira e Costa e Roberto Carneiro, acompanha todas as nossas dinastias desde o nascimento de D. Afonso Henriques até à proclamação da República em 1910, durante o reinado de D. Manuel II. Organizado a partir das biografias dos nossos monarcas e rainhas, este livro parte essencialmente dos episódios que mais marcaram a nossa monarquia, destacando-se as vivências familiares juntamente com os seus nascimentos, casamentos, mortes, alianças, batalhas, feitos e desventuras.
Correspondendo cada capítulo a um reinado, este trabalho procura destacar não só os principais factos e episódios da monarquia portuguesa, como também outros importantes acontecimentos ocorridos a nível internacional. Esta análise transversal, feita essencialmente com a história da velha Europa, permite aos investigadores, ou meros leitores, uma rápida contextualização da mundividência de cada um dos períodos tratados, proporcionando deste modo uma melhor e mais clara interpretação dos factos.
Relativamente à sua leitura, esta obra reúne a particularidade de poder ser utilizada de modo ambivalente, seja como livro de consulta, resultando numa útil ferramenta para qualquer estudante ou investigador debruçado sobre a temática da História de Portugal, ou como um livro de leitura perfeitamente convencional. Nesse domínio, a simples leitura da Cronologia da Monarquia Portuguesa permite, até aos leitores mais eruditos, aceder a algumas enriquecedoras curiosidades históricas.
Recomendada a todos os apaixonados e interessados na nossa história, esta obra tem como principal ponto negativo a ortografia adoptada, estado publicada segundo o novo acordo ortográfico. Uma opção editorial que esperamos possa vir a ser reequacionada num futuro próximo por parte da direcção do Círculo de Leitores.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Filosofia e Culturas de Língua Portuguesa III

«Os Descobrimentos que os portugueses fizeram foi para fazer com que o futuro coincidisse com o passado.»

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No próximo dia 10 de Abril, o Grupo de Investigação Raízes e Horizontes da Filosofia e da Cultura em Portugal do Instituto de Filosofia da FLUP (Faculdade de Letras da Universidade do Porto) organiza, pelas 10:30, na sala 202 daquela faculdade, a terceira sessão do Seminário Permanente dedicado à Filosofia e Culturas de Língua Portuguesa.
Este encontro terá como intervenientes dois investigadores brasileiros: Lúcia Helena Alves de Sá, que fará uma comunicação sobre O Pensar Poetizante de Agostinho da Silva; e Loryel Rocha que falará acerca das Facetas Histórico-Culturais da Relação Portugal-Brasil.
A entrada é livre e aberta a toda a comunidade.

sábado, 23 de março de 2013

Jornada Internacional de Estudos sobre Sto. António de Lisboa

O Gabinete de Filosofia Medieval do Instituto de Filosofia da FLUP (Faculdade de Letras da Universidade do Porto), em colaboração com o Centro Studi Antoniani (Pádua), a Família Franciscana Portuguesa, o Instituto de Estudos Medievais (Lisboa) e o Centro de Estudos de História Religiosa (Lisboa-Porto), organiza um encontro internacional sobre os estudos recentes e investigações em curso em torno da vida, pensamento e influência de Fernando Martins - Santo António (Lisboa c. 1195 - Pádua 1231).
Esta jornada de estudos antonianos, intitulada S. António de Lisboa: Novas Investigações, Vida, Obra, Pensamento, Culto, realiza-se na próximo dia 25 de Março, a partir das 9:00, na sala 203 da FLUP. A entrada é livre, contudo solicita-se a inscrição através do seguinte endereço de correio electrónico: gfm-secretariado@letras.up.pt.

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terça-feira, 12 de março de 2013

Os Bárbaros do Ocidente Medieval na FLUL

Uma das principais valências da História é a possibilidade dessa prodigiosa ciência humana nos transmitir um profundo conhecimento relativo à acção e origens materiais da carga genética que carregamos. Hoje, mais do que em qualquer outro momento ou período da História, é absolutamente imperioso conhecer o nosso passado. Num período de choque civilizacional, no fim e uma era, à importância de conhecermos a história nacional acresce também a necessidade de aprofundarmos a raiz da nossa memória ancestral, de forma a podermos reclamar de um modo esclarecido a nossa herança civilizacional, com tudo o que nela nos aproxima e afasta dos restantes povos da velha Europa.
No próximo dia 1 de Abril terá início um curso subordinado ao tema História dos Povos e das Culturas: Os Bárbaros do Ocidente Medieval que se prolongará até 30 de Abril. Dirigido por José Varadas do Centro de História da FLUL (Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa), este seminário abordará ao longo de 5 sessões os percursos históricos dos seguintes povos responsáveis pelo moldar da Europa medieval: alanos, godos, suevos, vândalos, francos, anglos, saxões, burgúndios, lombardos e vikings. 
A não perder.

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quinta-feira, 7 de março de 2013

Gestão em rede dos Museus Militares do Exército

Os Museus Militares do Exército, espalhados um pouco por todo o país, representam um importante papel na manutenção da nossa memória histórica, em particular no que concerne à instituição castrense, tão presente na História de Portugal, desde a Fundação até aos nossos dias.
O livro de Francisco Amado Rodrigues e Mariana Jacob Teixeira, intitulado Museus Militares do Exército: Um Modelo de Gestão em Rede, vem enriquecer a importância desses núcleos museológicos, potencializando-os através da sua organização e respectiva sistematização. Lançado pelas Edições Colibri, este livro será apresentado no próximo dia 11 de Março, pelas 15:00, na Sala de Reuniões da FLUP (Faculdade e Letras da Universidade do Porto).
A entrada é livre e aberta a toda a comunidade.  

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quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

I Encontro Ibérico de Jovens Investigadores em Estudos Medievais

Numa época de neblina e obscuridade urge redespertar a luz do conhecimento histórico, pois só a História nos poderá ajudar a alicerçar um forte sentimento pátrio e identitário. Reveste-se por isso da maior das pertinências a organização do I Encontro Ibérico de Jovens Investigadores em Estudos Medievais que se irá realizar durante os dias 23 e 24 de Maio de 2013. Promovido pela Universidade do Minho, este encontro terá lugar na cidade de Braga, encontrando-se já aberto o período de submissão de propostas de comunicação que se prolongará até ao próximo dia 15 de Janeiro de 2013. 
O tema geral deste encontro está subordinado à temática Paisagens e Poderes no Medievo Ibérico, destacando-se ainda os seguintes subtemas: Paisagens urbanas tardo-medievais, Povoamento e fortificaçõesCristianização da Paisagem.   

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domingo, 9 de dezembro de 2012

II Congresso de Heráldica Militar

Realiza-se no próximo dia 11 de Dezembro, pelas 9:30, na Sala da Grande Guerra do Museu Militar de Lisboa, o II Congresso de Heráldica Militar. Organizado pela Direcção de História e Cultura Militar, este encontro visa dar a conhecer o estado da arte em matéria da heráldica marcial, estando previstas as seguintes comunicações: A Heráldica do Exército Português no Séc. XXI, A Heráldica Militar, A Emblemática Militar e A Falerística Militar. Após o encerramento deste congresso será ainda inaugurada a exposição José Colaço - Iluminador do Exército.  
A entrada é livre e aberta a todos os interessados. 

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sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Os Templários em debate no Convento de Cristo

«O rei Dionísio de Portugal, julgando necessário conservar no meio-dia da Europa uma instituição cavaleiresca tão útil à cristandade como o era a Ordem do Templo, reuniu, após 1312, os Cavaleiros do Templo, pertencentes aos reinos de Portugal e dos Algarves, aos quais se juntaram alguns Cavaleiros espanhóis, e com eles formou a Ordem de Cristo. Esta nova Ordem de Cavalaria outra coisa não é do que a Ordem do Templo: o Hábito, a Regra, a Comenda, o Instituto, são as mesmas, e os Arquivos da Ordem de Cristo, em Tomar, contêm ainda abundante cópia de documentos templários autênticos e curiosos. A Ordem do Templo sempre reconheceu os Cavaleiros de Cristo, não como a própria Ordem, mas como um ramo legítimo da Ordem, e os Estatutos Gerais de DLXXXVI não exigem mais do que uma simples formalidade ou declaração para regularizar esses cavaleiros e admiti-los no templo.»
 Alexandre Ferreira citado por Sampaio Bruno em Plano de um livro a fazer -
Os Cavaleiros do Amor, ou a Religião da Razão.

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Os Templários constituem ainda hoje uma das mais misteriosas ordens militares da história. Não obstante o facto de muito o que se conta a seu respeito ser fruto da fantasia, do mito e da imaginação, é incontestável a notoriedade desta instituição medieval e a sua capacidade de suscitar o interesse junto do grande público para a sua história.  
É nessa perspectiva que se realizará no próximo dia 15 de Dezembro, pelas 10:30, o encontro Os Templários em Debate. O programa compreende a apresentação do centro de estudos Studium Cistercium et Militarium Ordinum e o lançamento do livro A extinção da Ordem do Templo. Trata-se de uma edição comemorativa dos 700 Anos da Extinção da Ordem do Templo, cabendo ao Professor Carlos de Ayala Martínez (Universidade Autónoma de Madrid) a honra desta apresentação. No final, haverá uma mesa-redonda seguida de debate com a presença dos autores.
Este evento terá lugar no Convento de Cristo, em Tomar, sendo a inscrição no mesmo gratuita e acessível a todos os interessados.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

'Operação Outono', um olhar sobre a conspiração

John Ventimiglia, actor da famosa série Sopranos é o General Humberto Delgado. 

Num espaço de aproximadamente dois meses, estrearam nas salas de cinema nacionais, três filmes portugueses dedicados a temas ligados à nossa história. Operação Outono, dirigido por Bruno de Almeida, mais conhecido do âmbito do cinema documental, foi o último a chegar às salas, relatando-nos uma das perspectivas mais comummente aceites acerca dos acontecimentos que envolveram a morte do General Humberto Delgado.
Independentemente de gostar-se ou não do enredo, criado segundo uma das interpretações feitas a partir dos factos históricos, este filme, não sendo uma obra-prima da sétima arte, contém alguns aspectos e momentos de altíssimo nível. Referimo-nos nomeadamente às representações de José Nascimento, no papel de Barbieri Cardoso, Diogo Dória, encarnando Mário de Carvalho e, por fim, o fadista Camané, numa surpreendente actuação enquanto António Semedo, um guarda fronteiriço com ligações à rede de informadores da PIDE. Claramente evidentes, os parcos recursos para a realização deste filme são em certa medida colmatados através de uma conseguida ambiência de inspiração conspirativa, decorrente ao longo de toda a acção e para a qual muito contribuiu a participação dos Dead Combo, responsáveis pela interessantíssima banda sonora que nos recorda os míticos compositores dos clássicos do cinema italiano de máfia e conspiração.
A escolha de John Ventimiglia para o papel de Humberto Delgado parece-nos uma escolha menos conseguida. O conhecido actor da série Sopranos aparenta ser bastante mais novo do que o general português era na realidade aquando dos factos retratados, sendo que a dobragem feita por cima da sua voz também não abona muito em favor da qualidade da sua prestação. Já Carlos Santos que interpreta o papel de Rosa Casaco é caracterizado de forma inversa, ou seja, aparentando ser mais velho do que aquilo que o controverso inspector era na realidade.
Não obstante a forma clara como transparece a incompatibilidade ideológica de Delgado com os traidores de Argel – socialistas e comunistas – Operação de Outono acaba por os ilibar da morte do general, sendo as culpas inteiramente atribuídas a uma célula independente da PIDE. Organização cujos funcionários são neste filme estigmatizados e politicamente apresentados de forma tendenciosa e pouco abonatória como rudes, mal-educados, incompetentes e, em geral, muito pouco inteligentes.

Trailer de Operação Outono, um filme de Bruno de Almeida sobre
o assassinato do General de Humberto Delgado.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Aristides de Sousa Mendes: uma fraude histórico-consular!

Vítor Norte representa o papel de Aristides de Sousa Mendes.

Rodado em 2011, Aristides de Sousa Mendes – O Cônsul de Bordéus, foi pela sua temática um filme bastante aguardado pelo público nacional. A recente “criação” desta personalidade histórica, apelidada em boa-fé como o “Schindler português”, despertou o interesse para aquela obscura figura que, da noite para o dia, saltou para a ribalta em virtude de ter, supostamente, salvo a vida a 30000 almas durante a II Guerra Mundial, não obstante ter colocado em risco a neutralidade portuguesa naquele conflito, ou a própria sobrevivência de Portugal enquanto nação soberana.
Realizado por João Correa e Francisco Manso, este filme acabou por ver a sua estreia adiada durante a primeira metade deste ano, chegando só agora às salas portuguesas. As filmagens centraram-se sobretudo na região do Minho, nomeadamente na cidade de Viana do Castelo. A publicidade feita a alguns dos espaços nobres da cidade é bastante evidente, como se a justificar uma base de apoios e patrocínios à semelhança do que acontece com as produções de telenovelas mais amadoras, ou de baixo orçamento. O modo como surgem certos planos, mostrando locais como a Pousada de Santa Luzia, Praça da República, Teatro Municipal Sá de Miranda e até o famoso restaurante 3 Potes, leva este filme a roçar os limites do mau telefilme.
Acerca das representações e caracterizações das personagens pouco de bom poderemos acrescentar. Assemelhando-se a uma transposição do filme A Lista de Schindler para um teatro de escola, o enredo ficcional que abraça esta fantasia histórica é notoriamente fraco e pouco elaborado, tornando-se previsível e quase infantil.
Tudo parece pequeno e medíocre no Cônsul de Bordéus, um filme de fugir que em nada prestigia o cinema português contemporâneo.


Aristides de Sousa Mendes - O Cônsul de Bordéus.


terça-feira, 13 de novembro de 2012

Percurso pedestre pelos trilhos da beata Mafalda

«Em terras dos vales do Sousa, Tâmega e Douro, no coração do Norte de Portugal, ergue-se um importante património arquitectónico de origem românica. Traços comuns que guardam lendas e histórias nascidas com a fundação da Nacionalidade e que testemunham o papel relevante que este território outrora desempenhou na história da nobreza e das ordens religiosas em Portugal.»
Excerto do texto de apresentação da Rota do Românico.

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O pedestrianismo é uma modalidade em franca expansão entre os portugueses. Aliando a actividade física ao contacto com o património natural e cultural, constitui hoje uma inteligente forma das autarquias darem melhor a conhecer todas as suas potencialidades e ofertas, tanto às populações locais como a outras pessoas exteriores à comunidade. Pensando nesta realidade, a Rota do Românico decidiu organizar mais uma caminhada temática, revisitando uma parte do património que a constitui. Este passeio pedestre de dificuldade moderada, a realizar a partir do concelho de Penafiel, levará os participantes a percorrerem vários períodos históricos, entre a Pré-História e a Idade Média, pelos trilhos da beata Mafalda, filha de D. Sancho I - uma personalidade da maior importância para a região durante o período da fundação da nacionalidade.
Para mais informações e inscrições nesta caminhada, visite-se a página oficial da Rota do Românico em: www.rotadoromanico.com.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

II Conferência Internacional de Tradição Oral

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Durante os próximos dias 8, 9 e 10 de Novembro, a cidade de Évora irá receber a II Conferência Internacional de Tradição Oral, dedicada ao tema Oralidade e Património Cultural. Este encontro enquadra-se no âmbito do projecto Oralities e tem como objectivos principais reflectir sobre a produção da oralidade, a sua importância como ferramenta de diálogo intercultural e de construção do património, salvaguardando uma realidade social e cultural que deve ser valorizada através da sua visibilidade pública.
Com um comité científico constituído por José Rodrigues dos Santos, Santiago Prado Conde, Cláudia Sousa Pereira, Luísa Tiago Oliveira e Isabel Cardigos, este evento será dedicado às seguintes temáticas: as minorias e a tradição oral (História, Geografia, Etnografia…); memória em crise, oralidades e memória traumática; o conto tradicional como arte performativa; Músicas e tradições, o papel das oralidades; tradições orais e contextos locais; formas e problemas da transmissão da oralidade.
A II Conferência Internacional de Tradição Oral terá lugar no Fórum Eugénio de Almeida, sendo a entrada livre e aberta a toda a comunidade. Um evento a não perder!

sábado, 27 de outubro de 2012

Linhas de Wellington: Liberdade, Igualdade, Calamidade!

«O genuíno ódio de todos os religiosos aos ateus e regicidas franceses, profanadores de templos e ladrões do seu património, pôde explodir com rara violência. (...) Pela primeira vez os "gloriosos conquistadores da Europa" fugiam. E fugiam diante de uns milhares de paisanos, com paus e piques e a rara espingarda raramente nas mãos de vocações naturais, como a do dominicano José de Jesus Maria, o "frade branco", que depressa se celebrizou pela sua infalível pontaria e a impressionante quantidade de soldados inimigos de que piedosamente aliviou a pátria martirizada.»    

Soldados portugueses após mais uma vitória contra os invasores franceses.

As Invasões Francesas, ocorridas em território nacional entre 1807 e 1811, marcaram de forma indelével o duro despertar de Portugal para a contemporaneidade. Para além da guerra ideológica travada entre a velha Europa e os jacobinos revolucionários, este conflito internacional opôs belicosamente forças portuguesas e britânicas aos exércitos franceses e espanhóis, tornando-se a manutenção da soberania do Reino de Portugal e do seu Império, naquele contexto, mais uma prova da vontade, coragem e tenacidade das lusas gentes.
Disposto a imortalizar esta fatídica página da História de Portugal e da Europa, o realizador do aclamado Mistérios de Lisboa – filme inspirado na obra homónima de Camilo Castelo Branco – o chileno Raúl Ruiz, encontrava-se já a trabalhar na pré-produção de Linhas de Wellington quando veio a falecer. Felizmente, o projecto foi retomado pela sua mulher e assistente, Valeria Sarmiento, que o abraçou num acto de homenagem ao trabalho e dedicação do seu marido à sétima arte.
Rodado em várias regiões de Portugal, Linhas de Wellington é, acima de tudo, um épico à escala humana. A tragédia resultante desse negro período da nossa História aparece pela primeira vez retratada em filme de um modo cru e integral, despida de falsos moralismos, ou perspectivas politicamente correctas. A acção abrange os vários estratos sociais, mostrando antes de qualquer posicionamento político-ideológico, o catastrófico pesadelo enfrentado por todos os portugueses, obrigados a sobreviver, combatendo o tirânico inimigo da civilização ocidental, lado a lado com uma força aliada que, muitas vezes, mais tinha de hostil do que de correligionária.
O filme revela-se excelente de ambas as perspectivas, historiográfica e cinematográfica. Contudo, verificam-se facilmente alguns erros ou imprecisões que poderiam ter sido evitados nesta produção, nomeadamente: os inúmeros planos onde constatamos o predomínio do eucalipto nas matas portuguesas; a captação de pinos de protecção automóvel em algumas esquinas dos centros históricos onde decorreram as filmagens; a caracterização de John Malkovitch no papel do General Wellington, por ventura demasiado carregada, aparentando que o comandante inglês seria, por ocasião da sua passagem por Portugal, cerca de vinte anos mais velho do que de facto era.
Com um elenco de luxo, Linhas de Wellington representa um excelente exemplo de um drama histórico, assumindo-se como mais uma prova cabal de que a História e Cultura portuguesas são, indiscutivelmente, um repositório infindável no que concerne a episódios passíveis de serem transpostos para o grande ecrã sob a forma de épicos cinematográficos. Estreado nas salas portuguesas no passado dia 4 de Outubro, este filme é altamente recomendado!


Trailer do filme Linhas de Wellington.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Finis Mundi n.º 5

Depois de um longo período de espera, em virtude do encerramento da anterior editora, a revista Finis Mundi está agora de regresso com mais número. Sendo agora editada pelo Instituto de Altos Estudos em Geopolítica & Ciências Auxiliares (IAEG), a filosofia desta publicação mantém-se inalterável, prosseguindo com a mesma política editorial e a mesma periodicidade. 
Apresentado no passado Sábado, destacam-se neste número as colaborações de Alberto Buela, António Marques Bessa, Brandão Ferreira, Alain de Benoist, Eduardo Amarante, Pedro Jacob Morais, entre outros.
A Finis Mundi poderá ser adquirida através da Amazon, ou do seu próprio sítio de Internet, em http://revistafinismundi.blogspot.pt, devendo contactar-se o serviço de vendas e assinaturas pelo seguinte endereço de correio electrónico: revistafinismundi@gmail.com. O preço de capa é de 12€ e compreende já as despesas de envio.  

Capa do 5.º número da revista Finis Mundi, destacando
o filósofo argentino Alberto Buela.

Lista de conteúdos e colaboradores

GEOPOLÍTICA & RELAÇÕES INTERNACIONAIS 
A Política Externa da China 
- António Marques Bessa 
África: Problemas e Desafios de um Continente 
- Mafalda Lobo 
A Geocultura e o inconsciente “global” mediático 
- Sónia Pedro Sebastião

ACTUALIDADE 
O Delírio do Federalismo Europeu 
- Renato Epifânio 
Americanofobia 
- Joaquim Reis 
Da Necessária Regeneração de Portugal 
- Rui Martins
Mário Soares ou o paradoxo de uma ilusão de óptica na política nacional 
- Frederico Duarte Carvalho 
Portugal Precisa de Forças Armadas? 
- Brandão Ferreira 

PENSAMENTO
Teoria da Dissidência 
- Alberto Buela 
Tortura e Terrorismo 
- Pedro Jacob Morais 

HISTÓRIA 
Antigas Tradições da Lusitânia 
- Eduardo Amarante 
Gramsci de Camisa Negra 
- João Martins 
O Mito do Tarrafal 
- Vítor Martins

CULTURA 
Jünger e o Passo da Floresta 
- João Franco 
Mehr Licht 
- Júlio Mendes Rodrigo 

RESENHA 
Brain Damage 
- Rui Baptista 
Florbela 
- Anamarija Marinovic 
EntreMuralhas 2012 
- Henrique Pereira

ANÁLISE 
Jean-Claude Michea: O Socialismo Contra a Esquerda 
- Alain de Benoist 
O Complexo Industrial-Militar no século XXI: a reestruturação produtiva pela via da biotecnologia 
- Douglas Rundvalt & Edu Silvestre de Albuquerque 
Crónica de Damasco 
- Manuel Ochsenreiter 

ENTREVISTA 
Entrevista sobre a”escrita feminina” com Lídia Jorge 
- Fábio Mário da Silva 
Entrevista a Vernon Coleman 
- Wayne Sturgeon

sábado, 28 de julho de 2012

Ainda sobre o falecimento de José Hermano Saraiva...

No seguimento de alguns comentários menos próprios que, através de alguns blogues e contas de Facebook, procuraram atentar contra o bom nome e memória do Professor José Hermano Saraiva, somos obrigados a sair em defesa do nosso grande comunicador e divulgador de história. 
Esses ataques procuraram diminuir a personalidade e intelecto da pessoa em questão pelo simples facto de ter servido o seu país enquanto Ministro da Educação ainda antes da revolta de 25 de Abril de 1974, bem como por ter permanecido fiel aos seus princípios e convicções políticas até ao final de vida. No entanto, a vã tentativa de o procurarem tornar um anátema na sociedade portuguesa não vem de agora. É sabida a forma vil como José Hermano Saraiva e outras personalidades portuguesas associadas ao Estado Novo foram tratados nos anos que se seguiram ao golpe de Estado abrilista. 
Apaixonado pela História, nomeadamente pela História de Portugal, o Professor José Hermano Saraiva conseguiu ultrapassar todas as contingências e contrariedades, conquistando o amor, carinho, simpatia e reconhecimento do povo português. Afinal, sempre foi a este que dedicou a sua vida, o seu trabalho, a sua paixão e o seu amor incondicional. Rejeitado por vários académicos sob a acusação de ser um mero contador de histórias e não um historiador, José Hermano Saraiva teve a capacidade de descer de um certo Olimpo dos intelectuais, descendo à terra, procurando o contacto com as massas, cultivando-as, dando-lhes a conhecer o seu passado, ensinando-lhes o caminho do reencontro com o orgulho e o amor-próprio. Assim, podendo não ser o mais científico dos historiadores, ele era indubitavelmente o rei dos comunicadores. Era, sem dúvida alguma no nosso principal divulgador de história, responsável pela enriquecimento cultural e histórico de milhares de portugueses.  
Cientes do exemplo que representava para todos os portugueses, sem distinção de raça, sexo, credo ou convicção política, partilhamos um outro texto da edição desta semana do semanário O Diabo. E para que não nos acusem de revisionismo histórico, ou de apologia ao "fascismo", lembramos o seu autor, uma outra figura pública de boa memória para todos os portugueses. Trata-se de Cândido Mota, distinto locutor de rádio, famoso pelos anos que trabalhou na RTP em várias produções de Herman José, comunista assumido e responsável pela voz off nos tempos de antena da CDU... Leiam-se as suas palavras!

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terça-feira, 24 de julho de 2012

José Hermano Saraiva (1919-2012)

O Professor José Hermano Saraiva deixou-nos no passado dia 20 de Julho aos 92 anos. Com ele perdemos o principal divulgador da nossa História, assim como um grande patriota que soube amar e acarinhar a sua terra e as suas gentes, perpetuando a nossa memória, iluminando e inundando os nossos corações com a mais viva esperança no futuro de Portugal e da Cultura Lusíada. Para a posterioridade fica-nos o exemplo e a eterna saudade de quem durante uma vida inteira soube amar Portugal.
De modo a homenagearmos a memória deste grande português, partilhamos a bonita peça da autoria do jornalista Francisco Lopes Saraiva, publicada na edição de hoje do semanário O Diabo

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terça-feira, 10 de julho de 2012

História de Portugal distribuída gratuitamente com o Expresso

«Apesar das limitações do nosso trabalho, gostaríamos que esta História de Portugal despertasse a atenção para a importância da História como meio de dar profundidade à reflexão e debate público sobre o país, por vezes demasiado circunscrito por uma tecnocracia "presentista", para quem Portugal parece ter começado hoje. Porque a História não é só um acervo de conhecimentos, mas uma maneira de pensar.»
Rui Ramos no prólogo da sua História de Portugal

Numa tentativa de assegurar a fidelidade dos seus leitores durante os meses de Verão, o semanário Expresso apostou na oferta da História de Portugal de Bernardo Vasconcelos e Sousa, Nuno Gonçalo Monteiro e Rui Ramos, autor e coordenador. 
Sucesso de vendas da Editora Esfera dos Livros, esta obra é agora reeditada em 9 volumes, publicados em formato de bolso, com caixa arquivadora. De crucial importância para a nossa historiografia mais recente, este trabalho representa já um marco incontornável da investigação histórica feita em Portugal. Ilustrando 900 anos da nossa História, esta obra abrange todo um período que vai do Condado Portucalense até à actual III República.
A sua distribuição é gratuita e terá início já no próximo Sábado, dia 14 de Julho, prolongando-se até 8 de Setembro. Trata-se de uma colecção obrigatória a não perder!

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