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quinta-feira, 27 de março de 2014

A nossa "ditadura" durante os anos 1940

Insiste-se, repetidamente, no terrível obscurantismo dos "anos de Salazar". No entanto, a verdade mostra-se bem diferente daquela que a História oficial do regime dos últimos quarenta anos procura fazer vincular. 
Não faltam provas e testemunhos capazes de comprovar o brilho e a centralidade de Portugal durante a época em questão. O período durante o qual decorreu a II Grande Guerra constitui disso um exemplo paradigmático. Enquanto a Europa ardia no mais violento episódio da sua grande guerra civil e o mundo perdia o Norte perante o crescimento hegemónico dos imperialismos norte-americano e soviético, Portugal soube manter-se fidelíssimo a si mesmo, preservando o seu espírito, os seus valores, a sua cultura e, acima de tudo, a sua independência. 
Fomos durante aqueles turbulentos anos o rosto do exemplo e da esperança para o mundo, cultivando a cultura e civilização, onde outros apenas conseguiam fazer prosperar a miséria e a barbárie. Não será por isso de estranhar que a esta nossa Pátria, livre e independente, chegassem refugiados vindos dos mais diversos locais. Entre estes, os muitos intelectuais que por cá passaram gozavam de plenas liberdades, podendo desenvolver os seus trabalhos, criando redes de contactos que, não raramente, se estendiam aos nossos próprios artistas, sábios e homens de cultura. 
Aos menos convencidos aqui fica um exemplo que atesta esta nossa reflexão:
«Conheci ontem, em casa do António Ferro, Ortega y Gasset. Que conversa apaixonante! Como vai ficar muito tempo em Portugal, espero estabelecermos uma relação de verdadeira amizade. Falou-me no livro - fabuloso! - que escreve.»
Mircea Eliade na entrada de 27 de Março de 1942 do seu Diário Português

Panorama da capital portuguesa em vésperas da II Guerra Mundial.

domingo, 10 de março de 2013

História Politicamente Incorrecta do Portugal Contemporâneo

«Ao contrário do que se possa pensar, este livro não desfaz apenas os mitos progressistas. Sim, os mitos da esquerda, a Rainha de Copas da nossa memória, são o alvo principal. Mas, nas entrelinhas, alguns mitos das direitas também são desfeitos. Porquê? Bem, porque boa parte dos nossos direitistas ainda pensa que ser de direita é o mesmo que dizer o exacto contrário da esquerda. E daí resulta a criação ou manutenção de mitos tão preguiçosos como os mitos da esquerda. Sem o saber, grande parte da nossa direita continua colonizada pela esquerda.»

(Clicar na imagem para ampliar.)

Henrique Raposo, jovem investigador académico, mais conhecido enquanto cronista do Expresso, acaba de afrontar os principais arautos da inverdade histórica instalados na nossa sociedade, lançando no mercado livreiro um inflamado volume de farpas dedicado à análise historiográfica dos nossos últimos 150 anos – a História Politicamente Incorrecta do Portugal Contemporâneo. Incómodo e indigesto para muitos, este livro desfia um novelo de factos, derrubando velhos mitos e deixando a nu a última centúria e meia de anos da nossa história.
Quantas vezes fomos já confrontados com a mentira de uma suposta natureza beata de Salazar, resultante de uma estreita relação com a Igreja Católica, ou com a responsabilidade do antigo Presidente do Conselho no atraso de Portugal e no nosso isolamento face à comunidade internacional? A que se deveu o facto de procurarem fazer-nos acreditar na incapacidade e falta de vontade do Estado Novo em combater o analfabetismo? Terão sido as políticas africanistas e luso-tropicalistas inspiradoras de um Portugal imperial feito do Minho a Timor uma parafilia megalómana exclusiva das direitas portuguesas? Por que razão se prega a mentira de que devemos a Mário Soares e aos socialistas a entrada de Portugal na CEE? Será o domínio cultural da esquerda uma realidade e inevitabilidade histórica? Quem terá sido o grande vencedor do 25 de Novembro, Álvaro Cunhal ou a democracia? Estas são algumas das questões colocadas e respondidas por Henrique Raposo em História Politicamente Incorrecta do Portugal Contemporâneo, obra recentemente publicada pela editora Guerra & Paz e que muito dificilmente passará despercebida.
Uma das primeiras conclusões desvendada neste livro passa pela denúncia da ambiguidade de duas das mais incontornáveis figuras da política portuguesa do século XX – António de Oliveira Salazar e Mário Soares. Sobre estas duas figuras, às quais poderemos juntar uma terceira, Álvaro Cunhal, edificam-se hoje os grandes pilares do novíssimo testamento histórico do Portugal contemporâneo. Um testamento pejado de falsos ídolos que, invocando os princípios da cosmética platónica, os artífices da mentira ajudaram a construir criando uma conveniente mas falsa memória de um povo míope, conscientemente cultivado pela incultura durante a III República.
Na introdução à sua História Politicamente Incorrecta do Portugal Contemporâneo, Henrique Raposo esclarece assertivamente o leitor acerca dos principais alvos que almeja abater com olímpica precisão, isto é, os mitos da esquerda que poluem a nossa memória histórica mais recente. Com isto, o autor acaba igualmente por demonstrar através da formulação dos seus ensaios de interpretação histórica de que forma a nossa direita permanece colonizada por uma esquerda hábil e camaleónica, deitando por terra algumas torres de marfim constituintes do imaginário mito-político das várias direitas portuguesas.
Trata-se de uma obra a ler atentamente, de uma forma descomplexada e livre de preconceitos, devendo-se no final reflectir a fundo sobre ela. Afinal, as soluções para os problemas do Portugal presente e futuro poderão estar matizadas nas frinchas do grande muro das inverdades que, lamentavelmente, não nos permite olhar para o nosso horizonte.