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quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Portugal no livro European Folk Dance de Joan Lawson

O nome de Joan Lawson será certamente conhecido de todos os apaixonados pela dança. Para além de bailarina, esta inglesa foi também uma importante professora e investigadora na área da dança, responsável pela criação do National Dance Branch da Imperial Society of Teachers of Dancing, entidade pela qual são anualmente certificados centenas de jovens bailarinos e bailarinas em Portugal a quem, a muito custo, os pais financiam um sonho de um dia vingarem num dos mais duros cenários do mundo das artes. Autora de inúmeros livros, fossem sobre técnica do ballet clássico ou história da dança, clássica ou tradicional, Joan Lawson é tida, sobretudo em Inglaterra, como uma autoridade no domínio da dança.
Contudo, até as grandes autoridades e os maiores especialistas cometem erros, não representando este caso uma excepção.
Em 1953 Joan Lawson aventurou-se no lançamento de um livro intitulado European Folk Dance que, tal como o nome indica, procurava retratar os diversos tipos de dança folclórica espalhados pelo velho continente, fazendo, como seria de esperar, uma breve introdução à cultura de cada país ou povo analisado Ora, conforme poderão facilmente verificar através das duas únicas páginas que a autora dedicou à riqueza do nosso folclore e, neste caso em particular, à dança folclórica, o resultado desse olhar sobre o mais ocidental dos países europeus revelou-se no mínimo desatento. Esse olhar demasiado circunscrito e redundante sobre determinados aspectos da nossa  história, cultura e tradição, mostram um total desconhecimento sobre a realidade portuguesa e o verdadeiro ethos do nosso povo.
Apesar de quase hilariante, a descrição do folclore português em European Folk Dance representa ainda assim um interessante teste de diagnóstico à forma como a cultura portuguesa se apresenta aos olhos dos que de fora nos contemplam, ou seja, desconhecida e distorcida.
Para que todos possam comprovar o que atrás expressámos, deixamos de seguida as duas páginas consagradas a Portugal em European Folk Dance.

(Clicar na imagem para ampliar.)

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segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Festa da Cabra e do Canhoto

Na RTP, o telejornal de hoje dava conta de uma curiosa tradição transmontana, experienciada nas noites de 31 de Outubro, na aldeia de Cidões, situada no concelho de Vinhais. Trata-se da celebração da Festa da Cabra e do Canhoto que tem como finalidade a expiação do azar e mau-olhado do novo ano que se avizinha.
Atraindo pessoas de todos cantos de Portugal, mas também da vizinha Espanha, esta tradição parece manter viva a sua chama. Esta consiste numa noitada que antecede o dia Festum Omnium Sanctorum, ou Dia de Todos-os-Santos, em que se reúnem grossos troncos, os canhotos de madeira,  colocando-os numa pilha com alguns metros de altura, destinados a fazer a enorme fogueira. Paralelamente, é preparada e cozinhada carne de cabra em grandes potes de ferro, a ser servida entre os presentes, juntamente com vinho e castanhas quente. Em redor da grande fogueira dança-se ao som das vozes roucas, das gaitas e concertinas, até que surge na escuridão da noite, por entre ruas enfeitadas de flores, um ruidoso carro de bois, conduzido pelos rapazes. Em cima dele vem o "Diabo", inquieto e insatisfeito pela morte da sua mulher, ou seja, a cabra que conforta o estômago aos foliões. 
Mal sabe o pobre "Diabo" que no final da noite lhe espera a grande fogueira.

 
Celebração da Festa da Cabra e do Canhoto na aldeia de Cidões, em Vinhais.