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segunda-feira, 26 de outubro de 2015

"Diálogos de Doutrina Anti-Democrática" conhecem uma nova edição em Espanha

De leitura intemporal e imperativa à boa formação política de qualquer indivíduo, a obra Diálogos de Doutrina Anti-Democrática de António José de Brito continua a ser considerada um anátema para a actual sociedade democrática. Inicialmente publicada em 1975, ano em que Portugal mergulhou no mais profundo dos devaneios "pós-revolucionários", esta obra mostrou desde logo a verticalidade do seu autor, bem patente no modo como este permaneceu fiel aos ideais que sempre defendeu ao longo da vida, assim como a sua coragem e discernimento intelectual.
Autor e pensador incontornável do nacionalismo português e europeu, António José de Brito viu este seu trabalho ser editado também na vizinha Espanha logo em 1978, com o título Diálogos de Doctrina Anti-Democrática. Publicada em Madrid, pela chancela da Aztlan, esta edição teve a tradução para o castelhano a cargo de Antonio Medrano
Hoje, 37 anos após a sua primeira edição em terras espanholas, os Diálogos de Doutrina Anti-Democrática voltam a ser reeditados no país vizinho mostrando, uma vez mais, toda a actualidade da obra e pensamento de António José de Brito. Esta nova edição a cargo das Ediciones Fides encontra-se já disponível para venda através da página oficial da editora: http://edicionesfides.com

Capa da mais recente edição espanhola dos Diálogos de
Doutrina Anti-Democrática
de António José de Brito.

Nota: Aproveitamos para relembrar que esta obra continua disponível na sua segunda edição em língua portuguesa podendo ser adquirida através das Edições Réquila.

domingo, 28 de dezembro de 2014

Biografia de Fernando Pessoa em destaque nas sugestões de livros para 2015 do jornal italiano Il Manifesto

Quando em 1988 Ángel Crespo publicou a sua obra La vida plural de Fernando Pessoa estava longe de adivinhar o sucesso e a importância que a mesma acabaria por alcançar. Para além da versão original, publicada em castelhano, este livro recebeu várias edições em português, alemão, neerlandês, entre outras línguas, revelando-se um marco importante no âmbito dos estudos pessoanos. 
Em Itália, esta biografia de Fernando Pessoa, cujo título foi traduzido como La vita plurale di Fernando Pessoa, foi publicada pela primeira vez em 1997, pela Antonio Pellicani Editore, tendo sido recentemente reeditada pela Bietti, na sua colecção l'Archeometro, dirigida por Andrea Scarabelli. Esta nova edição, uma vez mais organizada pelo conceituado lusitanista e investigador pessoano Brunello Natale De Cusatis, foi revista e aumentada com inúmeras notas que actualizaram e enriqueceram o seminal estudo do autor espanhol.
Depois dos lançamentos no Brasil e em Itália, aguarda-se também por uma apresentação desta edição em Portugal. A temática e a própria personalidade do biografado constituem factores de sucesso que levam, por exemplo, La vita plurale di Fernando Pessoa a ser considerado pelo jornal Il Manifesto como um dos 24 livros de leitura obrigatória em 2015. É exactamente essa nota publicada ontem pelo jornal italiano que hoje aqui partilhamos.  

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domingo, 30 de novembro de 2014

Velhas polémicas entre terras de Portugal e de Espanha

Tomamos recentemente conhecimento que no seio de uma organização político-identitária espanhola sediada na Catalunha, um membro mais velho, provavelmente, ainda saudoso do espírito falangista, terá afirmado que os identitários portugueses quereriam ser espanhóis. Facto que não deixa de ser irónico, dado que estamos nas vésperas de mais um 1.º de Dezembro, ou seja, data em que os portugueses celebram a Restauração de 1640.
Sentindo-nos afrontados com tamanha mentira, prontamente nos organizarmos no sentido de repudiar tais indecorosas e falsas afirmações. Porém, tal reacção que seria, com certeza, bastante violenta, acabou por ser antecipada por outra pessoa, oriunda do outro lado da fronteira. Alguém dotado de uma visão e sensibilidade superior. Vale a pena lermos as suas palavras com o coração e a alma abertos, pois sabemos de antemão o quanto são verdadeiras e sentidas as seguintes palavras da nossa amiga e camarada Anna Foix:
«Cada vez que oigo a alguien decir "los portugueses, quieren o deben ser españoles" se me revuelve el Alma. ¿Qué narices se han creido algunos para alegar en nombre de la voluntad de tantísimos portugueses? Esa soberbia y esos aires de grandilocuencia, solo tienen un nombre: Complejos. Portugal es una tierra bellísima, que nada tiene que envidiarle a nadie. Una tierra llena de tradición y lugares preciosos dónde perderse. ¡Estoy cansada de que la gente sin conocimiento de causa, se crea con derecho a decidir que es mejor por otros! Grande Portugal, ¡Qué bello eres! Nunca una tierra bebío de una tradición tan hermosa. Portugal, es y será de los portugueses. Que nadie le quepa la menor duda, pues el tamaño de su país no have justicia a la de su corazón. Eu te amo, Portugal!»

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

I Encontro Ibérico de Jovens Investigadores em Estudos Medievais

Numa época de neblina e obscuridade urge redespertar a luz do conhecimento histórico, pois só a História nos poderá ajudar a alicerçar um forte sentimento pátrio e identitário. Reveste-se por isso da maior das pertinências a organização do I Encontro Ibérico de Jovens Investigadores em Estudos Medievais que se irá realizar durante os dias 23 e 24 de Maio de 2013. Promovido pela Universidade do Minho, este encontro terá lugar na cidade de Braga, encontrando-se já aberto o período de submissão de propostas de comunicação que se prolongará até ao próximo dia 15 de Janeiro de 2013. 
O tema geral deste encontro está subordinado à temática Paisagens e Poderes no Medievo Ibérico, destacando-se ainda os seguintes subtemas: Paisagens urbanas tardo-medievais, Povoamento e fortificaçõesCristianização da Paisagem.   

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segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Colóquio internacional sobre Fernando Pessoa terá transmissão online

O colóquio internacional Fernando Pessoa en Barcelona, dos próximos dias 8 e 9 de Outubro, será transmitido em directo através do serviço Ustream. Todos os interessados em assistir às comunicações que compõe os vários painéis deste encontro e que não tiverem oportunidade de deslocar-se a Barcelona, poderão desta forma acompanhar as sessões de trabalho!


O canal de Ustream Pessoa BCN en directo transmitirá online todas as sessões
do colóquio Fernando Pessoa en Barcelona.

sábado, 15 de setembro de 2012

Fernando Pessoa em Barcelona: Programa final do Colóquio

Conforme foi anteriormente anunciado neste espaço, a capital da Catalunha irá receber, nos próximos dias 8 e 9 de Outubro, o colóquio internacional Fernando Pessoa en Barcelona, dedicado ao autor e pensador português. Assim, aproveitamos hoje para divulgar o programa final deste evento que se adivinha bastante produtivo no que concerne ao desenvolvimento e divulgação dos estudos pessoanos. 
Relembramos que participação neste encontro é livre e aberta a todos os interessados!

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8 de Outubro
 Faculdade de Filologia da Universidade de Barcelona - Sala de Professores

09:30 - Recepção aos participantes. 
10:00 - Discursos de boas-vindas e cerimónia de abertura.

Sessão 1: Pessoa en la actualidad (Modera Elena Losada) 
10:30 - Perfecto Cuadrado & Jordi Cerdà & Jerónimo Pizarro - La actualidad de Pessoa.

Sessão 2: Pessoa en España, Desasosiego y Fausto (Modera Isabel Soler)
12:30 - María Rosell - Pessoa en su tradición hispánica: los otros heterónimos. 
12:45 - Diego Giménez - Edición y deconstrucción en el Livro del desassosssego. 
13:00 - Gisele Batista Candido - O desdobrar do mistério e o pensar fundo em Fausto - Tragédia Subjetiva. 
13:15 - Debate.

Sessão 3: Pessoa y Oriente (Modera Diego Giménez) 
16:00 - Duarte Braga - Álvaro de Campos chega a Calecute: Opiário e o Sensacionismo. 
16:15 - Fabrizio Boscaglia - Notas sobre a presença arábico-islâmica em Fernando Pessoa. 
16:30 - Rui Lopo - Presenças do budismo na obra em prosa de Fernando Pessoa.
16:45 - Debate.

Sessão 4: Epopeya, Mito, Hermetismo y Libertad en Pessoa (Modera Jordi Cerdà) 
17:30 - Silvia Annavini - “Mensagens Marítimas”: Epic Intertextuality and Intratextuality in Mensagem and Álvaro de Campos’s Odes. 
17:45 - Giancarlo de Aguiar - A Literatura Pessoana e os Arquétipos do Inconsciente Coletivo no Rito e Mito Messiânico.
18:00 - José Almeida - Fernando Pessoa e o «Círculo Hermético». 
18:15 - Antonio Cardiello - Não o prazer, não a glória, não o poder: a liberdade, unicamente a liberdade.
18:30 - Debate.

9 de Outubro
Faculdade de Filosofia da Universidade de Barcelona - Aula Magna

10:00 - Discursos de boas-vindas à Faculdade de Filosofia. 

Sessão 6: Pessoa y la fenomenología y Heidegger (Modera Paulo Borges & Pablo Javier Pérez López) 
10:30 - Anibal Frias - «Meu corpo deitado na realidade»: Pessoa e a fenomenologia.
10:50 - Dirk-Michael Hennrich - Eu e Si mesmo; Deus e Ser. Algumas considerações sobre Heidegger e Pessoa.
11:10 - Debate.

Sessão 7: Pessoa lector (Modera Paulo Borges & Pablo Javier Pérez López) 
12:00 - Pauly Ellen Bothe - El Parnaso de Fernando Pessoa.
12:20 - Maria do Céu Estibeira - A «marginalia» pessoana – «um segundo espólio»?
12:40 - Daniel Moreira Duarte - ¿Pessoa lector de Nietzsche? 
13:00 - Jorge Uribe - La importancia de leer Wilde.
13:20 - Debate.

Sessão 8: Ser o no ser Pessoa (Modera Daniel Moreira Duarte) 
16:00 - Paulo Borges - «O mytho é o nada que é tudo». O poema «Ulysses» na «Mensagem» de Fernando Pessoa.
16:20 - Pablo Javier Pérez López - Fernando Pessoa, Emil Cioran y Carlo Michaelstedter: no haber nacido, no ser, ser nada.
16:40 - Bruno Béu de Carvalho - «More than this»: o discurso tautológico como procedimento apofático na poesia de Alberto Caeiro.
17:00 - Debate.

Sessão 9: Fragmentos y personas de Pessoa (Modera Pablo Javier Pérez López) 
18:00 - Raquel Nobre Guerra - A fragmentariedade como programa estético, modalidades e nexos – aproximações.
18:20 - Miguel Morey - F. Pessoa: Voces, nombres, personas…
18:40 - Debate.

Sessão 10: Cultura Entre Culturas y O Piano em Pessoa (Modera Daniel Moreira Duarte & Pablo Javier Pérez López) 
19:30 - Apresentação da revista Cultura Entre Culturas a cargo de Paulo Borges.
19:50 - Saudação a Álvaro de Campos, anónimo, recitado por Bruno Béu de Carvalho
20:00 - Encerramento do colóquio com a apresentação do recital O Piano em Pessoa.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Fernando Pessoa em Barcelona

Decorrerá nos próximos dias 8 e 9 de Outubro mais um colóquio internacional dedicado a Fernando Pessoa. O prestígio e crescente interesse pelo autor português levam a discussão da sua obra literária e filosófica às Faculdades de Filologia e Filosofia de Barcelona, onde durante dois dias se reunirão investigadores pessoanos de várias nacionalidades. 
Fernando Pessoa en Barcelona é Co-organizado pelo Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa, pelo Departamento de História da Filosofia, Estética e Filosofia da Cultura e pelo Departamento de Filologia Românica da Universidade de Barcelona, sendo o comité organizador constituído por Elena Losada, Isabel Soler, Miguel Candel, Paulo Borges, Daniel Duarte, Diego Giménez e Pablo Javier Pérez López. O comité científico, formado por Perfecto Cuadrado, Jerónimo Pizarro, Paulo Borges e Jordi Cerdà, asseguram a qualidade deste colóquio que prevê ainda uma programação cultural paralela, cuja programação será divulgada em breve, juntamente com os nomes de todos os participantes e respectivas comunicações. 
A entrada será livre e aberta a todos os interessados na vida e obra do poeta e pensador português. Para mais informações, recomenda-se uma visita a http://fernandopessoabarcelona.wordpress.com.

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quarta-feira, 27 de junho de 2012

Recordar Olivença em dia de Portugal-Espanha

Há muito que a questão de Olivença se tornou um tabu para a classe política nacional e uma miragem na nossa agenda política internacional. A par de Gibraltar, ocupado pelo Reino Unido, Olivença constitui outro imbróglio diplomático para a vizinha Espanha. Território reclamado legitimamente por Portugal desde a derrota da França napoleónica, de quem a Espanha era aliada, Olivença tem desde há dois séculos recebido uma série de manifestações, que visam criticar e alertar a opinião pública para este problema. Assim, no seguimento de uma série de pequenos filmes publicitários promovidos pela cadeia de hipermercados Continente que procurava provocar os adversários portugueses em véspera dos jogos do Europeu de Futebol, surgiu um outro vídeo, em vésperas de um Portugal-Espanha, aludindo à questão de Olivença, causando algum mau estar entre nuestros hermanos.
Trata-se de uma forma inteligente de passar de um subliminar uma importante mensagem de alerta, aparentemente esquecida pelas gerações mais novas.

Vídeo publicitário da rede de hipermercados Continente.

sábado, 28 de abril de 2012

Pascoaes/Risco: Do Saudosismo ao Atlantismo

«Deu-nos, a revelação da Saudade, o conhecimento da essência espiritual da nossa Raça, na sua íntima figura extática e nas suas exteriores e activas qualidades. Logicamente nos dará também o conhecimento do seu profundo sonho secular, cada vez mais despido da originária névoa encobridora e mais alumiado nas suas formas definidas.»
Teixeira de Pascoaes em Arte de Ser Português
«El héroe, pues nace em todos los tiempos, bajo diversas formas: héroe libre, caballero, soldado. No desarrolla el hombre en estos tiempos, seguramente, menos esfuerzo y coraje, que en los tiempos heroicos, pero han nacido nuevas virtudes y otras han muerto.»

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Inaugura-se hoje, pelas 19:00, na Fundación Vicente Risco, em Allariz (Galiza), a exposição Do Saudosismo ao Atlantismo: De Teixeira de Pascoaes a Vicente Risco. Procurando chegar ao grande público, esta exposição procura salientar a relação intelectual e pessoal entre Vicente Risco e alguns intelectuais portugueses ao longo da década de 1920. Partindo da correspondência e das dedicatórias de livros, esta mostra fará uma aproximação aos movimentos culturais portugueses, nomeadamente à Renasceça Portuguesa e ao seu órgão oficial de expressão, a revista A Águia. Tal como o próprio nome indica, Do Saudosismo ao Atlantismo: De Teixeira de Pascoaes a Vicente Risco, evidencia o saudosismo e a sua particular incidência na construção do pensamento risquiano no que concerne à questão do atlantismo.
Uma exposição a não perder na vizinha Galiza! 

(Clicar na imagem para ampliar o convite/programa.)

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Porque Olivença é Portugal!

O corrente mês de Dezembro parece ter iniciado com uma série de afrontas à identidade e soberania portuguesa. O primeiro desses ataques, perpetrado uma vez mais pelos culpados do costume, resolveu extinguir as celebrações do 1.º de Dezembro, enquanto feriado nacional, optando-se pela manutenção de outros dias "festivos" como o 25 de Abril, 1 de Maio e o 5 de Outubro, perpetrando e evocando quase religiosamente a nossa própria decadência, degeneração e gradual aniquilação. 
Entretanto, o Professor Humberto Nuno de Oliveira denunciou, na edição de 6 de Dezembro do semanário O Diabo, a vontade do poder local do território português de Olivença, ocupado ilegitimamente pela coroa espanhola desde as Guerras Peninsulares do séc. XIX, realizar uma reconstituição histórica da campanha que originou a tomada daquela pequena parcela de território, usando figurantes nacionais e espanhóis. O caricato da situação não poderia chegar a um ponto mais ridículo se pensarmos nos objectivos desta acção, conforme avançados pelos espanhóis. A resposta de Humberto Nuno de Oliveira, enquanto português consciente, não poderia ser mais assertiva e oportuna, pelo partilhamos aqui o seu pequeno texto dirigido às autoridades espanholas.

(Clicar na imagem para ampliar.)

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

No rescaldo de um bom resultado da equipa das quinas

«A palavra multidão, no sentido vulgar, representa um conjunto de indivíduos, qualquer que seja a nacionalidade, profissão ou sexo e quaisquer que sejam também os acasos que os reuniram.
Do ponto de vista psicológico, a palavra multidão assume um significado totalmente diferente. Em determinadas circunstâncias, e apenas nessas, um aglomerado de homens possui características  novas muito diferentes das de cada individuo que o compõe. A personalidade consciente dilui-se, os sentimentos e as ideias de todas as unidades estão concentrados numa mesma direcção. Forma-se uma alma colectiva, transitória, sem dúvida, mas com traços muito nítidos. A colectividade transforma-se então naquilo que, à falta de uma expressão melhor, designarei por uma multidão organizada ou, se preferirmos, uma multidão psicológica. Ela forma um ser único e encontra-se submetida à lei da unidade mental das multidões.
»
 Gustave Le Bon em Psicologia das Multidões.

O futebol, mais do que um desporto de massas, é acima de tudo um catalisador de paixões e emoções, podendo, segundo a lógica inscrita na passagem do sociólogo e psicólogo social Gustave Le Bon, constituir um móbil para a desvinculação ou mera subtracção do eu, originando o nascimento de toda uma nova identidade colectiva.
Apesar de efémero, mas não menos perigoso, não devemos incorrer no erro de negligenciar o poder social e psicológico deste fenómeno desportivo, cada vez mais, convertido em entretenimento de massas pela obscena sociedade do espectáculo. Conscientes da deformação social que esta prática desportiva inflige à sociedade contemporânea, impondo-se como uma espécie de paradigma cultural e sócio-económico, continuamos a acreditar na possibilidade de direccionar toda a energia concentrada neste género de fenómenos para algo produtivo. Lembremos os vários estudos realizados nos últimos anos, dando conta, por exemplo, do reforço moral obtido pelos trabalhadores no dia seguinte a um bom resultado da sua equipa de predilecta.
O dia de hoje assume certamente estes contornos em virtude do rescaldo do grande resultado desportivo obtido ontem pela nossa selecção,  ou seja, os 4-0 conseguidos face à poderosa equipa espanhola, detentora dos títulos de campeã da Europa e do Mundo.
Conforme sabemos, a Espanha foi ao longo da história a nossa eterna rival, fosse a nível político, económico, militar ou até mesmo desportivo. As duas selecções nacionais defrontaram-se por variadíssimas ocasiões com resultados globais mais favoráveis para os espanhóis, numa tendência negativa que nos últimos anos se tem alterado em benefício dos portugueses. Dos humilhantes 9-0 sofridos em 1934, num jogo disputado no âmbito da qualificação para o campeonato do mundo, à nossa primeira vitória por 2-1, alcançada em Vigo no Estádio dos Balaídos em 1937, numa partida não reconhecida pela F.I.F.A. em virtude da fractura espanhola em resultado da sua guerra civil, até ao primeiro jogo ganho num confronto oficial e de modo categórico por 4-1 no Estádio Nacional, muito foi mudando na selecção das quinas e no tipo de futebol por ela praticado.
As notícias das vitórias portuguesas sobre os espanhóis elevaram na altura os jogadores à qualidade de heróis nacionais por aclamação do popular e não institucional como hoje nos tentam fazer crer. E porque na altura os tempos eram de facto outros, resolvemos hoje prestar aqui uma justa homenagem a esses atletas portugueses que pela primeira vez derrotaram a vizinha Espanha no futebol.

Primeira página da edição de 29 de Novembro de 1937 do Diário de Notícias,
destacando a primeira vitória conseguida pela selecção portuguesa de futebol
ante a sua homologa espanhola. Em virtude da guerra civil de Espanha, este
jogo nunca chegaria a ser oficializado pela F.I.F.A. 


O atleta do Futebol clube do Porto, Artur de Sousa, também conhecido por pinga,
ficaria célebre ao marcar o primeiro golo da primeira vitória alcançada sobre
a Espanha.

Imagem dos festejos do primeiro golo de Pinga na primeira vitória de Portugal
sobre a Espanha.

Momentos iniciais da primeira vitória oficial de Portugal sobre a Espanha. O
desafio de carácter amigável decorreu no Estádio Nacional a 26 de Junho de
1947, tendo terminado com o resultado de 4-1 para Portugal.

Foi num Estádio Nacional completamente cheio que Portugal conseguiu pela
primeira vez derrotar a Espanha num desafio oficial.

Momento de celebração da equipa das quinas após a marcação de um dos 4
tentos com que levaram a equipa espanhola de vencida.