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sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Egas Moniz, realidade e lenda

Portugal é conhecido como uma terra fértil em lendas e mistérios. Não é para menos. Existe apenas uma linha bastante ténue a separar os episódios fantásticos que constituem o fundo colectivo da nossa memória ancestral e a realidade histórica compreendida, exclusivamente, na aridez das perspectivas positivista, materialista e marxista. Neste contexto, os mitos fundacionais assumem uma dupla importância, isto é, mostrando a solidez e antiguidade do nosso fundo identitário, baseado em factores agregadores como o mito, a espiritualidade, a tradição e a História, ou ainda na construção e legitimação do sentido teleológico da Pátria Portuguesa.
Egas Moniz, aio de D. Afonso Henriques, é uma dessas personalidades que habitam a nossa memória e o nosso imaginário, lembrando-nos, a cada momento, os valores da Raça, da bravura e da fidelidade. Particularmente ligado às terras do Sousa e do Tâmega, no Norte de Portugal, é hoje evocado na promoção da Rota do Românico. O documentário Egas Moniz, realidade e lenda materializa esse esforço em recordar a memória deste Ínclito Varão, em sintonia com a promoção de uma rota cujos espaços nos transportam para um outro tempo, no qual o nosso primeiro escol batalhou corajosamente em prol do nascimento e edificação de Portugal.
Conheçamos e revivamos as nossas origens, os nossos mitos!

Egas Moniz, realidade e lenda é um curto documentário produzido no âmbito da
promoção e divulgação da Rota do Românico.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

D. Afonso Henriques: Mito História e Tradição

O semanário O Diabo, na sua edição do passado dia 16 de Julho, iniciou a publicação de uma rubrica dedicada à História de alguns dos monarcas que guiaram os portugueses ao longo da sua gloriosa gesta. Redigidos por vários autores e a publicar até meados do próximo mês de Setembro, este conjunto de artigos visa não só oferecer uma perspectivação geral sobre os reinados destes monarcas, como apresentar alguns aspectos menos conhecidos acerca dos mesmos, contribuindo desta forma para um renovado olhar sobre a nossa História Pátria. 
Estando a ordem de publicação destes textos subordinada a um critério de organização cronológica, D. Afonso Henriques foi, como não poderia deixar de ser, o primeiro rei a ser apresentado, cabendo essa honra a José Almeida.
A Nova Casa Portuguesa não só aplaude esta iniciativa, como aproveita para a promover junto dos seus amigos e fieis seguidores. Não deixe de ler!

(Clicar na imagem para ampliar.)

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

O Encoberto poderá ser D. Afonso Henriques

O Encoberto

Que símbolo fecundo 
Vem na aurora ansiosa? 
Na Cruz Morta do Mundo 
A Vida, que é a Rosa. 

Que símbolo divino 
Traz o dia já visto? 
Na Cruz, que é o Destino, 
A Rosa, que é o Cristo. 

Que símbolo final 
Mostra o sol já desperto? 
Na Cruz morta e fatal 
A Rosa do Encoberto. 

Fernando Pessoa em Mensagem (1934).

Para além da Saudade, um outro importante traço definidor do Arquétipo Português, do nosso imaginário colectivo, é o Messianismo. Em ambos os casos, quando discutidos, assistimos a calorosas e apaixonadas intervenções, seja por força de uma mera questão de definição conceptual, seja em virtude da concordância ou não com estes sentimentos ou emoções. Em todo o caso, o Messianismo Português, mormente apelidado de Sebastianismo, numa clara alusão ao jovem monarca português desaparecido precocemente na batalha norte-africana de Alcácer-Quibir de 4 de Agosto de 1578, acompanha-nos até nos nossos dias, ainda que de forma dissimulada e muitas vezes "encoberta". Várias são as vozes que têm vindo a apontar este traço, tão característico da nossa personalidade pátria, como uma das principais causas da inércia em que temos vindo a mergulhar, sem se aperceberem da necessária proactividade que o Sebastianismo requer na busca pelo tão almejado V Império. Talvez sem se aperceberem, estas vozes críticas, geralmente escravas de um fundamentalismo racional, revisitam o celebre episódio camoniano do Velho do Restelo, augurando maus presságios que, obviamente, esperamos nunca se venham a concretizar.
O Messianismo Português entra no séc. XX pela mão de Sampaio Bruno, em particular, através do seu livro O Encoberto. Contudo, é com Fernando Pessoa que a questão do Desejado é novamente retirada do domínio das elites intelectuais, sendo devolvido ao povo.  

D. Sebastião representado por Lima de Freitas.

Com o nascimento da Filosofia Portuguesa, enquanto movimento filosófico nacional, a questão do Sebastianismo tornou-se de imediato um  dos seus temas nucleares, podendo ser acompanhado nas obras de pensadores como José Marinho,  Francisco Cunha Leão, António Quadros, Pinharanda Gomes, entre outros. 
Em 1987, José van den Besselaar foi convidado pelo Instituto de Cultura e Língua Portuguesa a escrever uma pequena obra sintetizadora do Sebastianismo, para ser integrada na colecção Biblioteca Breve, hoje disponibilizada, integralmente, online de forma gratuita pela Biblioteca Digital Camões.  Foi nessa obra, intitulada O Sebastianismo - História sumária, que o autor avançou com uma hipótese para a identidade do Desejado que, não sendo surpreendente, é no mínimo curiosa e menos conhecida do grande público. Assim, José van den Besselaar apresenta uma nota de um monge copista, encarregue de transcrever as Esperanças de Portugal do Padre António Vieira, por alturas da reabertura do processo de canonização de D. Afonso Henriques,  em 1728 por ordem de D. João V, na qual é sugerido o nome do primeiro monarca português como o Desejado ou o Encoberto. É essa interessante nota anónima que hoje vos deixamos neste espaço.
«Até aqui o insigene [sic] e inimitável Padre António Vieira [...]; ele fala com excessivo e meritíssimo amor ao Sereníssimo Rei D. João IV, ao qual prefere com restrita [= exclusiva] inteligência a outro qualquer monarca, fazendo-o particular objecto das suas bem fundadas ponderações e do sentido das profecias do Bandarra, que os seus discursos justamente honra. [...] Mas, como na matéria é problemática, de que o Reverendíssimo Padre não duvida, venerando quanto aqui nos propõe, se dará licença para que sobre a ressurreição  prometida diga um ignorante simbólico [= rematado] também alguma coisa. [...] Protesto não criticar cousa alguma do que aqui vemos escrito e venero, mas falar problematicamente [= hipoteticamente]...

É o poder de Deus infinito, e pode ressuscitar a quem for servido, tanto a um como a outro, e a muitos reis e pessoas segundo as disposições de sua divina vontade e altíssimas e inescrutáveis obras e juízos.
Bandarra, quando vaticina que um rei há-de vencer, bater e sujeitar o Turco, entre muitas outras cousas que pondera diz:

As armas e o pendão
e o guião
foram dadas por vitória
naquele alto Rei da glória,
por memória,
a um santo Rei varão
em possessão.
O Calvário por bandeira
levá-lo-á por cimeira
e alimpará a lameira
(outros dizem: a carreira)
de toda a terra do Cão.
Com que parece que, devendo haver ressurreição de rei, para obrar as maravilhas que profetiza a favor da Igreja e contra o Turco, nos assinala primeiro ao Sr. Rei D. Afonso Henriques, dotado de tantas virtudes, favores do Céu e proezas, a quem o mesmo Cristo deu em possessão as armas [...], para se cumprir nele a profecia que se entende faz da ressurreição de um rei, dizendo que este as levará por cimeira e limpará toda a terra do Cão, como naturalmente se infere das expressões do Bandarra, e que este se deve entender ser o Rei santo e todo o bem-aventurado, a que ele em outra parte aponta; pois se considera tão santo e justo nos progressos da sua vida que está no lance de ser brevemente canonizado...»
O Encoberto, painel de azulejos da autoria de Lima de Freitas.