Mostrar mensagens com a etiqueta Cultura. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Cultura. Mostrar todas as mensagens

sábado, 6 de junho de 2015

Cantar o fado de vivermos o que sonhamos

Saudades

Das janelas da cidade
Amei-te como ninguém
Foram tempos sem idade
Mas quem teve, hoje não tem...

Saudades, triste fado
É tempo de te amar
Saudades, cantam o fado
É tempo de voltar

Das janelas ao teu lado
Tão antigas, que eu amei,
Vou cantar este meu fado
De viver o que sonhei

Saudades, triste fado
É tempo de te amar
Saudades, cantam fado
É tempo de voltar

Saudades, triste fado
É tempo de te amar
Saudades que serão fado
Se o tempo nos faltar


Sétima Legião numa apresentação na RTP em 1987.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

A propósito das celebrações do 1.º de Maio

Da pena afiada de Amado Estriga nasceu mais uma interessante e demolidora reflexão. Publicada  na edição desta semana do periódico Dica, esta crónica derrubou, sem grande dificuldade, vários lugares comuns de uma moderna sociedade que, paulatinamente, tem vindo a ocupar o substrato vital da nossa comunidade. Conforme é assaz sabido, os perigosos filo-judaísmo e sionismo, escondidos por detrás de várias máscaras, representam duas das principais ameaças à integridade e sobrevivência de Portugal e da tradição portuguesa. Presentemente, a manutenção de feriados maçónico-internacionalistas como o 25 de Abril e o 1.º de Maio, em detrimento de importantes datas da nossa História e tradição como o dia do Corpo de Deus, Todos os Santos, ou o 1.º de Dezembro, são prova de uma vil maquinação que procura, a partir do controlo da (in)consciência das massas, assenhorar-se da consciência pessoal de cada indivíduo, pervertendo-a.
Felizmente, apesar de haver agendas destruidoras contra as quais nos querem impedir e proibir de lutar, há ainda quem se afoite e não se deixe dominar. É caso para dizer que, de facto, alguns portugueses não se rendem! 

(Clicar na imagem para ampliar.)

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Pseudalopex: Arte e inspirações de Haylane Rodrigues

«Pela via de sempre cada passo é novo.»
Rodrigo Sobral Cunha em Visitação dos sóis

Quando a arte e o talento se aliam ao Amor todas as barreiras e fronteiras parecem esbater-se. Os mundos aproximam-se, até os contíguos, e desta cumplicidade nascem sonhos com um espírito de permanente comunhão, criando-se pontes até ao infinito. Enceta-se assim um caminho para a sublimação e superação da própria individualidade, através do qual a Verdade se manifesta pela seguinte tetralogia portuguesa: Saudade, Paixão, Amor e Glória. De resto, isto foi o que aconteceu com a ilustradora brasileira Haylane Rodrigues que, desde a sua aproximação da cultura portuguesa, em finais de 2013, se viu abraçar com a atávica paixão de quem, por intermédio do espírito e do coração, regressa à sua matriz primordial, redescobrindo-se.
Nascida em 1990, Haylane Rodrigues é natural do Estado da Paraíba, no Nordeste do Brasil. Apesar da precocidade com que se manifestou o seu talento, nunca equacionou a possibilidade de um dia poder enveredar por uma carreira artística. Autodidacta de formação, bebeu fortes influências nos domínios da Filosofia, História, Literatura, Poesia, Mitologia, Zoologia e tradições populares. Fortemente enraizada na tradição nordestina e na ideia de um Sertão ideal, através do qual recebeu claros ecos da cultura clássica e portuguesa, consagrou sempre o seu coração e a sua arte ao mais elevado e puro sentido da beleza. A sua arte, “bela, moral e armorial”, reaviva a centelha da tradição e da virtude incluída naquela simplicidade natural, apenas característica entre os que possuem o talento de bem-fazer.
Entre 2014 e o presente ano, Haylane Rodrigues tem vindo a realizar uma série de trabalhos votados à cultura portuguesa, em particular no âmbito do retrato, revisitando personalidades como Sampaio Bruno, Teixeira de Pascoaes, Fernando Pessoa, Dalila Pereira da Costa, Carlos Eduardo de Soveral, entre outras. A sua notoriedade em Portugal advém desde logo das colaborações regulares com algumas publicações periódicas como, por exemplo, os jornais O Diabo e Diário do Minho, ou a revista Nova Águia, onde tem publicado alguns dos seus trabalhos. Tendo já ilustrado dois títulos do catálogo das Edições Réquila, as suas criações têm também figurado em inúmeros cartazes e convites para encontros ou eventos relacionados com a cultura portuguesa, ou o diálogo filosófico-cultural luso-brasileiro.
O crescente interesse desta artista pela cultura portuguesa, correspondido no interesse dos portugueses pela sua arte, abriu a possibilidade de expor a sua obra em Portugal, ainda durante este ano através da realização de duas exposições diferentes, previstas para as cidades do Porto e Lisboa. Até lá, poderemos acompanhar o trabalho de Haylane Rodrigues ou fazer encomendas, através do blogue do seu projecto Pseudalopex, visitável em http://pseuda-lopex.blogspot.com.

Templo de Diana, aguarela (2015). 

Sampaio Bruno, ilustração com arranjo gráfico de André Henriques (2014).

Teixeira de Pascoaes junto à Fonte dos Golfinhos, desenho a lápis (2014).

Fernando Pessoa, retrato em aguarela (2015).

Dalila Pereira da Costa, retrato em aguarela (2015).

Carlos Eduardo Soveral, retrato em aguarela (2015).


Mariana Alcoforado, retrato inacabado a lápis (2014). 

José Almeida, retrato em esferográfica (2014).

terça-feira, 5 de maio de 2015

Urgente é a Poesia

«A poesia tem um mistério - e esse é, para a maioria das pessoas sensíveis o próprio encantamento da sensitividade, pelo qual se lhes revela o mundo encantado da imaginação.»
Eudoro de Sousa em Origem da Poesia e da Mitologia 
e outros ensaios dispersos.

A civilização portuguesa, apesar de única e singular, integra-se também na grande tradição europeia. Se pensarmos na nossa raiz matricial, tomámos consciência do poder e da força criadora da poesia. Cantando o mito - esse substantivo sinónimo de origem -, a poesia cumpre de igual modo uma função regenerativa, religando cada comunidade com a sua tradição primordial, de modo a poder-se construir um futuro coeso e integral. 
Desperta para esta realidade e necessidade, a cidade do Porto interage com os seus habitantes como um organismo vivo, obrigando-os a vivê-la enquanto parte desse cenário de reencontro com o primordial canto. Assim, ao longo da presente semana, entre esta Terça-Feira e a próxima Sexta, os finais de tarde de quatro livrarias portuenses serão animados por leituras de poesia. A primeira livraria a receber estes encontros informais será a Leitura Bulhosa, com a participação do actor Nuno Meireles, seguindo-se a Poetria, com  o poeta João Luís Barreto, o alfarrabista Lumière, com a presença do diseur Isaque Ferreira e, por fim, a loja da Imprensa Nacional - Casa da Moeda, onde poderemos contar com a intervenção de José Valle de Figueiredo. 
A entrada é livre e aberta a toda a comunidade.   

(Clicar na imagem para ampliar.)

sábado, 2 de maio de 2015

Torre de Belém, a guardiã do porto de Lisboa

Dedicado ao tema L'Univers Esthétique des Européens, o convénio do passado dia 25 de Abril, organizado em Paris pelo Institut Iliade, contou com a presença de Duarte Branquinho, director do semanário O Diabo. Responsável pela representação portuguesa num dos mais importantes e aguardados encontros de reflexão cultural, estética e filosófica em torno do ideal de Europa, o luso mensageiro participou neste encontro num painel dividido com o italiano Adriano Scianca, fazendo uma apresentação intitulada Haut-lieu de l'Europe, La Tour de Belém, gardienne du port de Lisbonne
O vídeo desta conferência foi agora disponibilizado pelo Institut Iliade, podendo e devendo ser visualizado através da sua página de YouTube. A não perder!

(Clicar na imagem para aceder ao vídeo da conferência.)

terça-feira, 28 de abril de 2015

2000 edições d'O Diabo!

Fundado em 1976 pela carismática Vera Lagoa, o semanário O Diabo chegou esta Terça-Feira à sua edição 2000. Um número não só redondo como impressionante, sobretudo se tivermos em conta a presente época que vivemos, bastante complicada para a sobrevivência de todo o tipo de jornais, bem como pela natureza independente deste periódico, absolutamente livre de qualquer pressão de natureza política ou económica. 
Numa época de democracia, O Diabo revela-se um dos últimos bastiões da liberdade de imprensa em Portugal tendo-se tornado, ao longo dos seus quase 40 anos de existência, no principal órgão de desintoxicação cultural, discussão e combate político entre as hostes nacionalistas e patriotas. Perante este cenário resta-nos apenas felicitar O Diabo por esta belíssima marca, pedindo-lhe: venham mais 2000! 

Primeira página da edição n.º 2000 do semanário O Diabo.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Manoel de Oliveira - In Memoriam (1908-2015)

«Quando comecei a fazer cinema não conhecia ninguém das tertúlias literárias. [Mais tarde] o Casais Monteiro, o Leonardo Coimbra, o José Marinho, o Álvaro Ribeiro, o Delfim Santos e outros (...) foram eles que me foram dando indicações sobre livros importantes.»
Manoel de Oliveira em entrevista ao Expresso,
edição de 16 de Outubro de 1993.

Manoel de Oliveira (1908-2015).

Poucas pessoas terão tido a oportunidade de desfrutar a vida de forma tão plena, fértil e intensa como Manoel de Oliveira. O Mestre que hoje partiu deixou, no mundo dos homens, muito mais do que um mero legado. Personalidade de dimensão homérica, incontornável no contexto cultural mundial, deixou uma marca profunda na História do Cinema Português e mundial.
Nascido na cidade do Porto a 11 de Dezembro de 1908, moldou o mundo à sua maneira por mais de um século. Jamais se deixando impressionar pelos ventos da decadência democrática, fez impor a sua vontade sobre os cânones da cartilha pós-moderna, mantendo-se sempre livre quanto às suas ideias e criatividade. Portugal perdeu não só um dos seus maiores, como também um daqueles portugueses que souberam, ao longo de toda uma vida materializada numa extensa obra, permanecer sempre livres, mantendo-se orientados de forma vertical, de acordo com as suas ideias, os seus valores e génio. Um génio tão marcadamente português.
Muitas vezes celebrado e evocado pela Nova Casa Portuguesa, Manoel de Oliveira permanecerá, eternamente, como uma nossas mais ilustres referências. Até sempre, Mestre. 

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

O regresso das tertúlias do Café Odisseia

A próxima Sexta-Feira, dia 19 de Dezembro, ficará marcada pelo regresso dos encontros tertulianos do Café Odisseia. Manuel Rezende e Pedro Jacob Morais animarão um encontro subordinado ao tema A Identidade Perante o Inimigo. Um assunto cuja importância e actualidade impõe uma reflexão urgente e imperativa. 
Buscando uma segunda vida do projecto Café Odisseia, esta reunião propõe o reinício dos encontros culturais incómodos e politicamente incorrectos começados anos antes na FDUP (Faculdade de Direito da Universidade do Porto). Direito, História, Política, Cultura, Arte, serão apenas algumas das áreas abrangidas naquilo que se espera ser um banquete platónico entre ávidos apreciadores de momentos de grande intensidade e profundidade intelectual. 
Este encontro terá lugar na FLUP (Faculdade de Letras da Universidade do Porto), sala 102, estando o início da sessão marcado para as 17:30. A entrada é livre e aberta a toda a comunidade.  

(Clicar na imagem para ampliar.)

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Conferência de Carlos Dugos sobre Lima de Freitas, o 515 de Dante e a Geometria Sagrada

«Sobre o pórtico do convento de Tomar, coração do templarismo lusitano, podemos ler uma inscrição que se interpreta, de uma maneira geral, como a assinatura do mestre construtor (João de Castilho) e a data da obra, 1515; vemos de forma clara, separadas do resto, os três números 515.»
Lima de Freitas em Porto do Graal.

(Clicar na imagem para ampliar.)

Indiscutivelmente, Lima de Freitas foi uma das figuras mais relevantes da arte portuguesa da segunda metade do século XX. Pintor, ilustrador e ensaísta, mergulhou no estudo do esoterismo ocidental e da tradição portuguesa após peregrinar por um conturbado e heterodoxo itinerário. Dotado de um singular talento foi, juntamente com António Quadros, um dos grandes divulgadores da cultura e pensamento portugueses no estrangeiro, em particular em França, tendo estabelecido um importante conjunto de  amizades com alguns dos mais importantes pensadores, artistas e intelectuais da sua época. Marginalizado e esquecido por motivos ligados à "baixa-política" que assola a nossa contemporaneidade, o nome de Lima de Freitas aguarda ainda por um justo reconhecimento que lhe é mais do que devido pela sociedade portuguesa.
Na próxima Sexta-Feira, dia 28 de Novembro, pelas 21:30, na Casa do Fauno, em Sintra, o pintor e ensaísta Carlos Dugos proferirá uma conferência intitulada Geometria Sagrada: Lima de Freitas e o 515 de Dante, revisitando alguns dos aspectos mais importantes da obra e do pensamento daquele artista português. O custo de inscrição é de apenas 3€. Não percam!

domingo, 9 de novembro de 2014

Danças portuguesas segundo Mário Costa (2.ª parte)

O artista português Mário Costa distinguiu-se enquanto ilustrador e publicitário a partir das décadas de 1930 e 1940. Os seus trabalhos constituem em muitos casos verdadeiros marcos da propaganda e publicidade feita em Portugal. A ele se devem, por exemplo, os famosos cartazes do Estado Novo relativos às campanhas do trigo e do vinho que, ainda hoje, povoam o nosso imaginário. 
O seu estilo desenvolveu-se entre o apelo das vanguardas e o fascínio pela tradição. As doze ilustrações que realizou tendo como tema central as danças folclóricas portuguesas são, provavelmente, um dos conjuntos mais marcados por uma certa tradição pré-modernista. Não obstante, parece-nos notório que o autor não se terá conseguido desenvencilhar-se por inteiro da atracção pelas vanguardas do seu tempo.
Na expectativa de podermos estar a contribuir para a recuperação da obra de Mário Costa, retomamos a sua série de ilustrações relativas às danças tradicionais portuguesas, expondo as gravuras que aqui ainda não haviam sido publicadas.  

Dança dos Pauliteiros - Trás-os-Montes.

Fandango - Ribatejo.

Moda de Bailar - Baixo Alentejo.

Tirana - Beira Baixa.

Vira - Minho.

Vira da Nazaré - Estremadura.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Entre António José de Brito e Slavoj Žižek

Cada vez mais se tem falado na importância e pertinência do valor da intransigência enquanto condição fundamental para uma sobrevivência honrada na sociedade contemporânea. Democratas, liberais, marxistas e pós-marxistas procuram justificar estas suas aparentes novas posições com leituras dedicadas a autores como o filósofo-pop e pós-marxista Slavoj Žižek. Desta maneira, impõe-se a defesa do legado do Professor António José de Brito que, há trinta e nove anos, num momento bastante negro e sensível da nossa História, numa altura muito pouco dada a galanteios face às formas de pensamento totalitárias, corajosamente, do ponto de vista físico e intelectual, fez publicar uma obra fundamental sobre este tema, mas intencionalmente esquecida e abafada pelos interesses então estabelecidos. Referimo-nos, claro está, aos Diálogos de Doutrina Anti-Democrática.
É curioso constatar que em Portugal certos postulados apenas passem a ser considerados universais após receberem o timbre de pensadores estrangeiros de matriz internacionalista. Mais do que um simples acto de má-fé, este parece-me um claro exemplo de ignorância sectária: Reds don’t read!

À esquerda o pensador esloveno Slavoj Žižek, à direita o filósofo português António José de Brito.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Sessão dupla na sede do Círculo António Telmo

De regresso com mais uma actividade, o Círculo António Telmo promove, no próximo dia 18 de Outubro, pelas 18:00, uma sessão dupla com Pedro Sinde e Renato Epifânio. Os oradores propõem-se apresentar, respectivamente, o livro Sete Sábios Portugueses e o 14.º número da revista Nova Águia.
Publicada pela editora Tartaruga, a obra Sete Sábios Portugueses - da autoria de Pedro Sinde -, constitui uma das publicações mais interessantes dos últimos tempos, no âmbito da Filosofia Portuguesa. Centrado nas personalidades de António Telmo, Agostinho da Silva, Álvaro Ribeiro, José Régio, Teixeira de Pascoaes, Guerra Junqueiro e Sampaio Bruno, este livro aborda o coração e a alma da Filosofia Portuguesa na sua maior pureza, longe da corruptibilidade do academismo imposto pela universidade e pelos investigadores que se pautam por um pensamento marcadamente anti-português.
Quanto à Nova Águia, trata-se de uma publicação semestral que dispensa qualquer tipo de apresentações, sendo desde 2008, «a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português.» Neste 14.º número o destaque vai para os 80 anos da Mensagem de Fernando Pessoa, uma das obras mais marcantes do século XX português. 
Este encontro terá lugar na Casa do Bispo, sede do Círculo António Telmo, em Sesimbra, sendo a entrada livre e aberta a toda a comunidade. Não percam!

(Clicar na imagem para ampliar.)

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Danças portuguesas segundo Mário Costa (1.ª parte)

A riqueza, diversidade e heterogeneidade do folclore português sempre fascinaram os etnógrafos portugueses e estrangeiros. Este facto foi particularmente notório a partir de meados do século XIX, em pleno domínio do "modo de vida" romântico, tendo ganho uma certa consistência já no século XX, com as contribuições ao nível dos estudos etnográficos perpetrados por alguns importantes vultos da cultura portuguesa como José Leite Vasconcelos, Orlando Ribeiro, Mendes Corrêa, ou Jaime Cortesão
As seguintes ilustrações de Mário Costa (1902-1975) fazem parte de um conjunto de doze trabalhos que retratam episódios folclóricos portugueses, realçando as nossas danças face ao movimento, policromia e enraizamento social que as caracteriza. Cada uma delas é bem representativa de uma dada região de Portugal, atestando a orgânica diversidade que constitui o todo da cultura tradicional nacional. Estas são as primeiras seis ilustrações desta série, sendo que as restantes serão também aqui publicadas na Nova Casa Portuguesa.

A Farrapeira - Beira Alta.

Bailarico Saloio - Estremadura.

Bailinho - Madeira.

Chula Rabela - Douro.

Corridinho - Algarve.

Dança das Saias - Alto Alentejo.

sábado, 20 de setembro de 2014

IV Festival Internacional de Polifonia Portuguesa

Setembro ficou marcado pelo regresso do Festival Internacional de Polifonia Portuguesa. Organizado pela Fundação Cupertino de Miranda, este evento conhece este ano a sua quarta edição, propondo a continuação de um dos mais interessantes projectos de divulgação daquele que será, provavelmente, o mais esplendoroso dos períodos da produção musical portuguesa.

Coro da Cappella Musical Cupertino de Miranda na companhia de Arianna Savall,
na Igreja de S. Francisco (Porto).

Com a criação em 2009 da Cappella Musical Cupertino de Miranda, a Fundação Cupertino de Miranda, sediada em Vila Nova de Famalicão, dava forma a um ambicioso projecto de recuperação e divulgação da época dourada da Polifonia Portuguesa. Retomando a nossa tradição musical dos séculos XVI e XVII, esta iniciativa foi fomentando o estudo de alguns dos principais compositores portugueses, devolvendo a sua música aos espaços para os quais a mesma havia sido composta, ou seja, os espaços religiosos.
Não obstante a importância para a música europeia de nomes como Pedro Escobar, Pedro de Cristo, Estevão de Brito, Manuel Cardoso, Duarte Lobo, Pedro de Araújo, entre outros, é inegável o esquecimento em que os mesmos se foram precipitando junto do grande público. Esta iniciativa da Fundação Cupertino de Miranda tem vindo por isso a revelar-se de grande importância para a recuperação de uma dimensão algo esquecida e até mesmo negligenciada do nosso património espiritual e artístico.
Tendo iniciado no passado dia 18 de Setembro, o Festival Internacional de Polifonia Portuguesa prolonga-se até ao próximo dia 27 de Setembro. Tal como nas anteriores edições, o festival mantém a sua natureza itinerante, passando este ano pela Igreja de S. Victor (Braga), Igreja de S. Francisco (Porto), Igreja Beneditina de Nossa Senhora do Terço (Barcelos), Igreja Matriz de Vila do Conde, Mosteiro de S. Martinho de Tibães (Braga), Igreja de S. Gonçalo (Amarante), Igreja de S. Lourenço (Porto), Igreja do Bom Jesus (Braga) e Igreja de Sta. Maria de Landim (Vila Nova de Famalicão).
Ao lado do sublime coro da Cappella Musical Cupertino de Miranda actuam, em diferentes datas e locais, John Butt (organista) e Arianna Savall (harpista e cantora), compondo o contingente de músicos estrangeiros convidados para esta edição. Para além do habitual seminário, assegurado este ano pelas intervenções dos investigadores José Manuel Tedim, Gonçalo Vasconcelos e Sousa, José Ferrão Afonso, Eugénio Amorim e José Abreu, o programa do festival prevê ainda uma leitura de um Sermão do Padre António Vieira, lavada a cabo pelo actor Luís Miguel Cintra, já na próxima Quinta-Feira, dia 25 de Setembro, na Igreja de S. Lourenço (Porto).
À semelhança da edição anterior, a organização do Festival Internacional de Polifonia Portuguesa preparou um interessantíssimo catálogo, profusamente ilustrado, do qual não podemos deixar de destacar a grafia pré-acordo ortográfico adoptada na sua edição. Sugerindo uma delicada viagem aos domínios dos sentidos, inspirada por um diálogo interarte e transdisciplinar, este volume contém uma descrição dos espaços por onde passará a edição deste ano do festival, programa de actividades, notas biográficas sobre os músicos, bem como os textos apresentados no seminário integrante do programa do certame.
Com todas as actividades de acesso livre e gratuito, o Festival Internacional de Polifonia Portuguesa assume-se, a cada ano, como um dos mais importantes eventos da alta cultura portuguesa, sendo já uma referência a nível nacional e internacional. Para consultar o programa, ou obter mais informações, recomendamos uma visita à página http://festivalpolifoniafcm.wix.com/ivfipp.

A beleza e o mistério da Polifonia Portuguesa patente no Kyrie et Gloria 
do compositor Manuel Cardoso. 

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Fernando Pessoa no eixo Xangai-Coimbra

De Xangai para Coimbra à procura da língua de Fernando Pessoa é o título de uma breve entrevista com a investigadora chinesa Cristina Zhou Miao, publicada no número 157 da Newsletter da Fundação Calouste Gulbenkian. A sua linha de investigação não-conforme é digna de ser conhecida, pois o seu contributo para a desintoxicação materialista da leitura e interpretação da cultura portuguesa apresenta-se como absolutamente pertinente e essencial, sobretudo ao nível dos estudos pessoanos.
Conheçamos o seu trabalho!

(Clicar na imagem para ampliar.)

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Ariano Suassuna (1927-2014): A fantástica vida do último grande sebastianista

Falecido no passado dia 23 de Julho, Ariano Suassuna foi um guardião do inexpugnável bastião da lusitanidade em terras brasileiras. Encontrando uma forma perfeita de ligar a modernidade e a vanguarda à herança ancestral da nossa tradição e seus respectivos mitos e arquétipos, conseguiu não só recuperar o espírito daquela que seria a mais óbvia das extensões ultramarinas da portugalidade, como também contribuir para a definição do ethos e da identidade real do povo brasileiro, em particular dos nordestinos.
Da autoria de José Almeida, o artigo Ariano Suassuna: A fantástica vida do último grande sebastianista, originalmente publicado na edição de 29 de Julho do semanário O Diabo, foi agora reeditado no Suplemento Cultural do Diário do Minho. Uma vez mais acompanhado pela belíssima ilustração da artista brasileira Haylane Rodrigues
Vale a pena ler e conhecer a vida e obra daquele que, seguramente, poderemos considerar o último grande sebastianista.

(Clicar na imagem para ampliar.)

(Clicar na imagem para ampliar.)

terça-feira, 10 de junho de 2014

Camões, a Divindade tutelar da nossa Pátria!

Celebrar o 10 de Junho é celebrar Camões e celebrar Camões é celebrar a Pátria. A divinização do poeta da nossa gesta operou-se no coração e no espírito do nosso Povo de forma natural, conforme aconteceu também com D. Afonso Henriques, a Rainha Santa Isabel, o Condestável D. Nuno Álvares Pereira, ou D. Sebastião após o seu sacrifício em Alcácer Quibir. 
Camões foi um homem colectivo. O seu génio era maior do que tudo o resto que fazia dele apenas mais um homem entre os homens. Apercebemo-nos com no autor d'Os Lusíadas o sentido da singularidade transcendente, bem como da sagrada missão entregue por Deus aos grandes Poetas. 
Teixeira de Pascoaes, o velho sábio da montanha, percebeu-o bem, escrevendo nas páginas da revista Águia:  
«Camões é uma divindade portuguesa; a Divindade tutelar da nossa Pátria. Portugal tem vivido à sombra do épico imortal: é o único país cuja autonomia se tem firmado sobre o nome de um Poeta.
A sombra de Camões vigia as nossas fronteiras e ampara as nossas Colónias. É uma fortaleza espiritual e por isso indestrutível.
Camões é ainda o nosso ponto de contacto com a Humanidade, com a vida eterna, porque ele foi o supremo intérprete do génio aventureiro e descobridor. Vasco da Gama transfigurado em sonho, eis o Poeta d'Os Lusíadas - esse poema feito de ondas, espumas, névoas, tempestades... Neptuno reencarnou em Camões para escrever em verso heróico a sua autobiografia.
Os Lusíadas são os Evangelhos do Mar. O Mar é o nosso Livro de Orações. Ler Os Lusíadas é rezar o Mar...
» 
Luís Vaz de Camões num quadro do pintor
português José Malhoa.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Apresentação: Uma Introdução ao Esoterismo Ocidental e suas Iniciações

«A esta preparação se chamava, e chama, iniciação. E esta iniciação é ela mesma gradual em todos os mistérios...»
Excerto do texto Subsolo da autoria de Fernando Pessoa.

(Clicar na imagem para ampliar.)

Nos dias que correm, falar em esoterismo e iniciação poderá causar uma certa estranheza a muitas pessoas. Trata-se de uma terminologia que hoje pouco ou nada diz aos indivíduos, não obstante o facto destes conhecerem os vocábulos e com eles se relacionarem, directa ou indirectamente, no seu dia-a-dia. Associado a uma fonte de conhecimento primordial, o esoterismo conjuga as vias iniciáticas que permitem, passo após passo, alcançar esse mesmo conhecimento. Associado a uma série de tradições que acabam por desaguar no grande oceano da Tradição, o esoterismo mantém uma presença bem sedimentada na civilização ocidental, impondo-se o seu conhecimento por motivos espirituais e identitários.
No próximo dia 20 de Maio, pelas 18:30, decorrerá no El Corte Inglés de Lisboa a sessão de lançamento da mais recente obra de José Manuel Anes, intitulada Uma Introdução ao Esoterismo Ocidental e suas Iniciações. Publicado pelas edições Âmbito Cultural, este livro será apresentado por Fernando Seara.
Trata-se de um evento de entrada livre, estando aberto a toda a comunidade.

domingo, 27 de abril de 2014

Vasco Graça Moura (1942-2014)

«não és mais do que as outras, mas és nossa,
e crescemos em ti. nem se imagina
que alguma vez uma outra língua possa
pôr-te incolor, ou inodora, insossa,
ser remédio brutal, mera aspirina,
ou tirar-nos de vez de alguma fossa,
ou dar-nos vida nova e repentina.
mas é o teu país que te destroça,
o teu próprio país quer-te esquecer
e a sua condição te contamina
e no seu dia-a-dia te assassina.»

Excerto do poema Lamento para a língua portuguesa de Vasco Graça Moura.


Por certo, Vasco Graça Moura fará a sua ascensão aos céus na companhia do Anjo de Portugal! Merece-o por todo o amor e dedicação consagrados à Pátria.
A nós, portugueses e europeus, resta-nos agradecer o trabalho que nos legou, bem como o esforço e dedicação que empregou na preservação do nosso património cultural e civilizacional. Honremos a sua memória e saibamos prosseguir vitoriosamente as suas lutas, em particular, aquela que nos move em prol da defesa e preservação da Língua Portuguesa!