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sexta-feira, 29 de março de 2013

À Paixão de Jesus Cristo

Enterro de Cristo, pintura portuguesa do séc. XVI da autoria de
Gregório Lopes.

O filho do grão rei, que a monarquia
tem lá nos céus e que de si procede,
hoje mudo e submisso à fúria cede
de um povo, que foi seu, que à morte o guia.

De trevas, de pavor se veste o dia,
inchado o mar o seu limite excede,
convulsa a terra por mil bocas pede
vingança de tão nova tirania.

Sacrílegio mortal, que espanto ordenas,
que ignoto horror, que lúgubre aparato!...
Tu julgas teu juiz!... Teu Deus condenas!

Ah! Castigai, Senhor, o mundo ingrato;
caiam-lhe as maldições, chovam-lhe as penas,
também eu morra, que também vos mato.

Barbosa du Bocage.

domingo, 20 de março de 2011

Convite a Marília

Primavera de Bárbara Curralo (1973).
 
Já se afastou de nós o Inverno agreste 
Envolto nos seus húmidos vapores; 
A fértil Primavera, a mãe das flores 
O prado ameno de boninas veste: 

Varrendo os ares o subtil Nordeste 
Os torna azuis; as aves de mil cores 
Adejam entre Zéfiros e Amores, 
E toma o fresco Tejo a cor celeste: 

Vem, ó Marília, vem lograr comigo 
Destes alegres campos a beleza 
Destas copadas árvores o abrigo: 

Deixa louvar da corte a vã grandeza: 
Quanto me agrada mais estar contigo 
Notando as perfeições da Natureza! 

Manuel Maria Barbosa du Bocage.