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terça-feira, 1 de outubro de 2013

60 anos da História de Portugal em Cromos

«O seu ilustrador é Carlos Alberto Santos, hoje um reputado pintor especializado em temas históricos, estando representado em colecções privadas e museus em Portugal e no estrangeiro. Nascido em 1933, começou o seu percurso artístico muito jovem como desenhador. Em 1953, após três anos de trabalho, completou a História de Portugal para a Agência Portuguesa de Revistas. A publicação constituiu o maior êxito da conhecida editora no campo do cromo e tem hoje um estatuto mítico nas memórias dos que a coleccionaram durante os 20 anos em que foi vendida.»
Excerto do texto de apresentação da mostra dedicada aos
60 anos da História de Portugal em cromos.


Estará patente ao público entre os próximos dias 3 e 31 de Outubro, na Biblioteca Nacional de Portugal (BNP), em Lisboa, uma mostra comemorativa dos 60 anos da primeira edição da História de Portugal em Cromos. Uma colecção de 203 cromos com desenhos do Mestre Carlos Alberto Santos, responsável por dar a conhecer a nossa História a muitas gerações de portugueses ao longo de sucessivas edições, todas de grande sucesso.
A organização desta exibição ficou a cargo de Leonardo de Sá, especialista em banda desenhada e ilustração, e João Manuel Mimoso, coleccionador de cadernetas de cromos. A mostra será acompanhada por um catálogo publicado em formato digital e incluirá um encontro com os seus organizadores e o próprio Carlos Alberto Santos, a decorrer no dia 18 de Outubro.
Trata-se de uma oportunidade única para conhecer um dos grandes Mestres da nossa pintura, desenho e ilustração. A entrada é livre e aberta a toda a comunidade. 

Capa da 1.ª edição da caderneta História de Portugal,
impressa pela Fotogravura Nacional, em Outubro de 1953

terça-feira, 3 de abril de 2012

Leonardo Coimbra e os Livros Infinitos

«Corre mundo uma falsa noção de individualismo, que convém analisar. Afirmam-se individualistas, reclamando-se com Ibsen e Nietzsche, certos temperamentos mórbidos, insociáveis e egoístas. Aqui, como em tudo, a palavra tem indefinidos sentidos, percorrendo toda série de possíveis caracteres e tendências morais.»
Leonardo Coimbra em Dispersos V - Filosofia e Política

Numa terra com um povo que tradicionalmente se caracteriza por um traço de personalidade colectiva marcadamente anti-filosófico, Leonardo Coimbra acabou por conseguir distinguir-se como um dos grandes pensadores do séc. XX. A sua obra e o seu legado bastariam para fazer jus à sua memória, contudo, a vida de Leonardo Coimbra, apesar de tragicamente curta, foi também digna de registo face às inúmeras facetas encarnadas por este nosso valoroso e activo intelectual.
A importância de alimentarmos, na sociedade de hoje, valores e desígnios inerentes às nossas grandes personalidades, levaram José Ruy, um dos principais mestres da ilustração e da banda desenhada em Portugal a criar um belíssimo álbum com o objectivo de transmitir de forma simples e clara a vida e obra de Leonardo Coimbra.  
Lançado pela Âncora Editores, este livro intitulado Leonardo Coimbra e os Livros Infinitos foi alvo de destaque na edição do passado dia 13 de Março do semanário O Diabo, aproveitando-se o momento para aqui partilhar o conteúdo dessa breve recensão. 

(Clicar na imagem para ampliar.)

domingo, 28 de novembro de 2010

As viagens de Porto Bomvento

Há uns tempos atrás trocávamos impressões com um amigo desta vossa Nova Casa Portuguesa acerca da  importância da literatura de aventura na formação e educação das crianças e jovens, no que concerne à criação de modelos e estruturação de princípios ou qualidades como o respeito pelo próximo, lealdade, bondade, bravura, amizade, espírito de camaradagem, solidariedade, entre outros. Nessa altura, comparamos o interesse das gerações passadas, marcadas pela leitura e descoberta da obra de autores como de Emilio Salgari ou Mark Twain, não negligenciando também  os heróis de banda desenhada, fosse ela americana, franco-belga, italiana ou portuguesa, assim como o teor dos programas de animação que tão ansiosamente esperávamos após o final do TV Rural, numa altura em que a televisão realmente prestava um serviço público, contrapondo com as gerações mais recentes, algo avessas à leitura e presas a modelos frívolos, detentores de uma personalidade dúbia, sem qualquer tipo de código de honra e cavalheiresco, com uma  ausência de moral e valores duvidosos.
A promoção da leitura, em particular das boas leituras, deve representar uma aposta forte por parte do Estado, procurando desta forma diminuir as assimetrias culturais entre a população portuguesa, contribuindo consequentemente para um maior equilíbrio social e posteriormente económico. O programa Ler + do Plano Nacional de Leitura é neste sentido bastante importante, devendo ser encarado de uma forma séria, pelo que obras como o Código DaVinci deverão ser equacionadas antes de integrarem o leque de leituras aconselhadas.
Conhecemos a dura luta de todos os Educadores face à mobilização dos jovens e adultos para a leitura, assim como estamos cientes do poder da imagem enquanto poderoso elemento subsidiário da narrativa. Neste campo, a banda-desenhada poderá ser uma forte aliada dos que se pautam pelos valores da Cultura e da Educação. Por si só, a banda-desenhada assume-se como uma forma de manifestação artística e cultural, longe dos tempos em que era considerada uma arte menor, destinada exclusivamente ao público juvenil. Depois, temos o seu valor como importante recurso pedagógico, podendo ser, dependendo das obras, aplicadas a praticamente todas as áreas do saber, com particular impacto na área das humanidades.
José Ruy, um dos mais conhecidos e prolíferos criadores portugueses de banda desenhada foi dos que muito nobremente contribuiu para um aumento do interesse, divulgação e aprendizagem das histórias da nossa História, cativando e influenciando ao longo da sua longa e frutífera carreira sucessivas gerações de jovens, despertando-os para a literatura e sensibilidade artística. A sua participação em várias publicações periódicas como o Jornal da BD, Tintin ou Spirou, bem como a sua colaboração como caricaturista e ilustrador em vários jornais, ou a publicação de variadíssimos álbuns, nos quais se destaca a série de As Viagens de Porto Bomvento, Os Lusíadas, A História da Cruz Vermelha, entre tantos outros, preenchem uma das mais importantes páginas da história da banda desenhada em Portugal.
De forma estender a nossa contribuição nas comemorações dos 500 anos da tomada de Goa, aproveitamos para invocar a época dourada da Expansão e Descobrimentos Portugueses através das Aventuras de Porto Bomvento, personagem fictícia, um piloto órfão portuense, criado por José Ruy que escreveu, desenhou e publicou 8 álbuns dessa série: Bomvento e os Homens sem Alma, Bomvento no Castelo da Mina, Bomvento no Cabo da Boa Esperança, Bomvento no Brasil, Bomvento em Terras do Lavrador, Bomvento no Cataio, Bomvento na Austrália e Bomvento Recorda a Infância.
«A demolição de um velho prédio na zona histórica da Baixa lisboeta, há muito tempo devoluto e ameaçando ruir a qualquer momento, permitiu trazer à luz do dia um documento inédito: o diário de um marinheiro português que participou em diversas viagens dos Descobrimentos nos séculos XV e XVI. (...)
Uma fonte ligada à Torre do Tombo revelou que o protagonista se chamava Porto Bomvento, possivelmente um simples marinheiro ao serviço da Armada Real Portuguesa cujo nome não estava até agora referenciado em nenhum outro documento histórico conhecido.
Uma coincidência perturbadora está a intrigar os estudiosos: Bomvento é o nome de um  (sic) personagem de banda desenhada, criado pelo desenhador e argumentista José Ruy, herói de um ciclo de aventuras em vários álbuns, publicadas nos anos 80 e 90 pelas Edições ASA. O artista manifestou a sua "enorme surpresa" com esta "singularidade". Porto Bomvento, acrescentou, "foi um (sic) personagem que surgiu um dia na minha cabeça" e não se inspirou em "nenhuma figura encontrada em documentos da época".
»
Carlos Pessoa no prefácio de As Viagens de Porto Bomvento de José Ruy.

(Clicar na capa para ampliar.)

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Compiladas e reeditadas pelas Edições ASA em dois volumes de quatro histórias cada, As Viagens de Porto Bomvento podem ser adquiridas através do site da editora pela módica quantia de 3€ por tomo. Ideal para um público dos 8 aos 88 anos, esta é uma das nossas sugestões para o próximo Natal.